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Armadilhas mentais

por oficinadepsicologia, em 09.04.12

Autora: Filipa Cristóvão

Psicóloga Clínica

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Filipa Cristóvão

Muitas vezes somos apanhados em armadilhas mentais que tendem a aumentar o stress e a dor. São estilos de pensamento, hábitos mentais comuns que aprisionam, dão a sensação de se estar encurralado, condicionam o humor e prejudicam o bem-estar.

A capacidade de reconhecer essas “armadilhas” permite que não se caia tão facilmente nelas, contribuindo para uma perspectiva mais clara dos acontecimentos, com alterações nos níveis de stress, satisfação, e a forma como se vê a vida.

Vejamos algumas:

  • Catastrofização -Vou para o exame, vou ter uma branca, vou começar a transpirar, os outros vão notar que estou esquisito, vão gozar comigo, aquilo vai correr tudo mal e no final até chumbo o ano”. Trata-se de um estilo de pensamento que perante situações difíceis espera o desastre e automaticamente espera o pior cenário.
  • Filtro mental- “Tive uma apresentação onde todos fizeram bons comentários, mas houve um colega que disse que não escolhi bem o tipo de letra. Foi um desastre a minha prestação”. Neste caso, as experiências positivas não são valorizadas e há uma hipervalorização das negativas. Contribui para estados depressivos e ansiosos, uma vez que se pega num detalhe negativo e se foca toda atenção nele. EX: “Estou a conseguir marcar mais golos mas ainda faço muitos erros”. Esse “mas” desconta o positivo e dá poder ao negativo. Experimente substituir o mas por “e”, e sinta a diferença.
  • Personalização e Culpa- ”O meu filho teve má nota a matemática, é uma prova em como sou uma má mãe”. Considerar-se responsável por uma situação que não está inteiramente debaixo do seu controlo leva a sentimentos de culpa, vergonha e sensação de incapacidade.

“O meu casamento não funciona e toda a culpa é do meu marido”. Por outro lado, culpar os outros ou as circunstâncias pelos seus problemas leva a sensações de impotência, pois é mais difícil mudar os outros ou o exterior. Para além disso, o relacionamento com os outros piora, pois ninguém gosta de se sentir culpado e perante uma acusação, o mais certo é que a mesma volte ao ponto de partida…Se considerar que a solução esta fora de si entra em frustração e reduz o poder para provocar mudança.

  • Tudo ou nada“Tenho de fazer um trabalho perfeito ou não vale a pena”. “Falhei uma pergunta, foi uma tragédia”. “Estou de dieta, hoje comi um bolo, nunca vou conseguir emagrecer”. Trata-se de olhar para as coisas em absoluto, em preto e branco. Se a situação não é perfeita, então é um total desastre.

 

  • Hipergeneralização – “A carta chegou atrasada. É sempre assim os carteiros estão sempre a fazer-me isto”. Com este estilo de pensamento, perante um evento único negativo tende-se a considerá-lo um padrão de desastre ao usar a palavra “sempre” ou “nunca”.
  • Saltar para conclusões - “ O chefe está a olhar para mim, deve-me odiar”- Este exemplo envolve um processo de ”leitura da mente” pois a pessoa convence-se que sabe o que os outros estão a pensar, sentir e porque agem como agem, sem qualquer evidência.

Noutras situações pode-se usar um processo de “adivinhação” onde arbitrariamente prevê que as coisas vão correr mal - “Vou estragar tudo, quando chegar à entrevista vou ficar paralisado, não conseguirei pensar em nada para dizer”.

  • Magnificação ou minimização- “Eu hoje não fiz nada”- Neste caso exagera-se na importância dos problemas ou dificuldades e/ou reduz-se a importância inapropriadamente das conquistas ou qualidades, como se usasse umas lentes enviesadas

 

  • Raciocínio Emocional- Raciocinar a partir do que se sente assumindo que as emoções negativas reflectem a realidade Ex: Eu sinto-me um idiota eu devo mesmo ser um idiota”, “tenho medo de andar em aviões. Então é perigoso voar”.
  • Dever- “Após um ano de aulas, eu não devia cometer erros a tocar guitarra”. Os “devo” ou “tenho de” incorporam uma lista de regras inquebráveis, rígidas para si próprio e para os outros. Se quebrar as regras para si próprio, a culpa emerge porque não se viveu de acordo com as expectativas. Este padrão mental pode levar a culpa, zanga e ansiedade.

Muitas pessoas tentam motivar-se com “devos” e não “devos” como se fossem delinquentes que têm de ser punidos antes que façam qualquer coisa errada. “Eu não devia comer esse gelado”. Contudo, tipicamente não funciona porque esses “devos” e “não devos” trazem sensações de rebeldia accionando impulsos para fazer o contrário.

Por outro lado, se são os outros a quebrar as regras surge zanga e ressentimento “Ela não devia ser teimosa”

  • Rotulagem - “Eu sou uma falha” (em vez de: “Eu fiz um erro”).Neste caso, existe uma identificação com os resultados, e uma confusão entre o que se é, e o que se faz. Essas abstracções levam a zanga, ansiedade, frustração e baixa auto-estima.

Por outro lado, também se pode rotular outros. Quando alguém faz algo, rotula-se de e depois pensa-se que o problema da pessoa é o seu carácter em vez de ver que é o seu pensamento ou comportamento. Ao ver a situação como completamente má as sensações de hostilidade e impotência sobre a situação aumentam, deixando pouco espaço para a comunicação construtiva.

 

Agora que conhece algumas das típicas armadilhas. Faça um pequeno exercício. Em quantas destas armadilhas já se viu enredado? Permaneça consciente dos estilos de pensamento que o bloqueiam. Desta forma aumenta a oportunidade para escolher olhar para uma situação com outras lentes, ou olhar para os pensamentos como apenas simples acontecimentos, e não como factos per se. Ao ganhar este conhecimento de como a sua mente funciona, pode controlá-la melhor, ao invés de ser dominado por ela.

 

Vamos experimentar?

publicado às 17:30



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