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Preocupação e ansiedade (II)

por oficinadepsicologia, em 01.05.12

Autora: Cristiana Pereira

Psicóloga Clínica

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Cristiana Pereira

A preocupação, tão presente no nosso dia-a-dia, é a forma que a nossa mente utiliza para ensaiar diferentes vias de solução perante possíveis perigos.

 

É claro que a preocupação é-nos útil, enquanto conservar uma relação lógica com as situações que vivemos. No entanto, se ela se torna em algo persistente e permanente, que aparece em situações que não apresentam qualquer perigo real, acarreta sérios problemas. Isto porque nos mantém num estado de ansiedade permanente. É uma sensação de inquietação constante, na qual está presente a ansiedade como resposta fisiológica, ou seja, é como se nos apercebêssemos de um grande risco mesmo quando não há nada no exterior que nos indique a sua existência.

Alguns de nós convive permanentemente com a angústia, o que nos impede de aproveitar até os acontecimentos mais elementares da vida, já que estamos sempre preocupados e limitados nas nossas actuações. Como é lógico, este estado não nos deixa viver outras emoções agradáveis, reconfortantes e positivas.

 

Quando a preocupação é excessiva utilizamos uma grande parte das nossas energias mentais, pois estamos constantemente a ensaiar, uma e outra vez, diferentes soluções para resolver o que nos inquieta. Assim, diante desta agitação é quase impossível concentrarmo-nos noutras coisas. Este desgaste físico e mental pode conduzir a patologias mais graves como as fobias, as compulsões ou os ataques de pânico.

 

O ciclo da preocupação

Penso que todos nós já experienciámos de alguma forma o ciclo da preocupação: começa com uma conversa interna que salta de uma ideia para outra aumentando com cada uma delas o grau de ansiedade.

 

Muitas vezes, depois de sofrer um percalço, dizemos “Agora só me faltava mais esta…” Esta frase é um exemplo do início do ciclo da preocupação. Com ela começamos a imaginar futuros e hipotéticos perigos que, muitas vezes, nada têm a ver com a situação desagradável ou perigosa que enfrentamos.

 

Sabemos à partida que o ciclo da preocupação não nos ajuda a solucionar qualquer tipo de problemas. Contudo, quando acontece entregarmo-nos a ele, sentimos que por nos preocuparmos conseguimos evitar as dificuldades. É como se o hábito funcionasse como uma espécie de talismã que nos livra de futuras desgraças.

 

No entanto, uma das vantagens que a preocupação nos pode proporcionar é o facto de notarmos com a menor intensidade a ansiedade. Uma pessoa preocupada está tão focada e centrada em solucionar os problemas, que muitas vezes não repara nos sintomas da ansiedade: taquicardia, suores, tremores, etc.

 

O primeiro alarme toca perante uma dificuldade gerada, normalmente, por um pequeno contratempo. Às vezes nem sequer percebemos o que nos causou o estado de alerta. Com este alarme, existe um moderado ataque de ansiedade que provoca mudanças fisiológicas no nosso organismo. Pode sentir-se um leve desassossego, uma inquietação. Este estado emocional, no qual há uma quantidade de hormonas a circular pela corrente sanguínea, gera um estado de tensão que, por sua vez, despoleta novas preocupações.

 

Finalmente, a nossa atenção fica totalmente centrada nas preocupações que vão sucedendo. O objectivo deste encadeamento de preocupações é diluir o alarme inicial, o qual julgamos não poder enfrentar, em vez de nos empenharmos na resolução do problema que iniciou o ciclo. E como compensação, a ansiedade diminui.

publicado às 10:07


3 comentários

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De oficinadepsicologia a 08.07.2012 às 23:25

Cara Raquel,
compreendemos o seu imenso sofrimento. Viver com depressão e ansiedade é uma experiência de vida deveras angustiante que nos parece sugar para um abismo sem fim.
Nestas situações as intervenções mais eficazes assentam numa complementaridade entre psiquiatria e psicologia. Não sabemos que tipo de ajuda já procurou, seja como for esperamos que procure um acompanhamento caso ainda não o tenha. Na Oficina de Psicologia dinamizamos grupos terapêuticos específicos para as problemáticas da Depressão e Ansiedade Generalizada. A par dos grupos, existe sempre a intervenção psicoterapêutica individual, tão importante para superar estas situações, e articulada com psiquiatras sempre que tal é considerado necessário.
Caso necessite de alguma informação adicional estaremos disponíveis.

Um abraço,
Filipa Jardim da Silva
Psicóloga Clínica

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