Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Uma conversa diferente

por oficinadepsicologia, em 01.03.10

Autora: Irina António

Psicóloga Clínica

 

          “ O que é a psicoterapia? Duas pessoas encontram-se numa sala e conversam…ou não conversam. Isto parece tão simples, que se torna difícil de acreditar, como isto é complexo!”

                                                                          W. Bion, psicanalista britânico

 

            Se lhe pedir uma imagem do que representa para si a psicoterapia, muito provavelmente pensará em duas pessoas a conversar num ambiente seguro e tranquilizador. Agora, experimente retirar o contexto a essa imagem, e a interacção das mesmas poderá tomar inúmeros significados. Porque, como qualquer contacto, o contacto terapêutico só funciona quando está claro o seu contexto próprio que o diferencia dos outros contactos humanos, nomeadamente, das conversas entre melhores amigos.

 

A primeira diferença consiste em que a conversa em psicoterapia, mais do que uma conversa habitual, está relacionada com sentimentos, experiências internas e imagens do cliente, com seus problemas e dificuldades. Em conversa quotidiana, a partilha das emoções e dos sentimentos, não é uma prática frequente. O psicoterapeuta é um técnico que estudou e treinou para sentir e reconhecer suas próprias emoções, e escutar, ver e sentir as vivências emocionais do cliente. Até porque num contacto habitual nem sempre sentimos à vontade em abrir ao outro os nossos sentimentos mais profundos e os nossos segredos pessoais, mesmo que ele seja alguém muito próximo. A conversa terapêutica está protegida pela condição de confidencialidade.

 

A segunda diferença: é que esta conversa tem uma duração limitada. Habitualmente, o tempo do encontro terapêutico está fixado num intervalo entre 50 minutos à uma hora, embora, cada terapeuta pode escolher uma duração mais apropriada para si e para o seu cliente. A frequência pode diferenciar entre 2-3 por semana até 1 por mês. O cliente e o terapeuta acordam uma periodicidade necessária e oportuna, bem como o tempo total (aproximadamente calculado) do todo processo terapêutico. 

 

A terceira diferença baseia-se no facto que a conversa com terapeuta acontece num lugar definido – no seu gabinete, um espaço seguro e confortável.

 

A quarta diferença: cliente paga a conversa com o terapeuta. O valor do honorário pode diferenciar de terapeuta para terapeuta. Este valor é definido pelos diversos factores: competência técnica do terapeuta, sua experiência, qualificação, complexidade do caso, bem como o nível de rendimentos do cliente. O cliente paga ao seu terapeuta pela competência: pelo que durante sessão ele recorre aos seus conhecimentos técnicos, aos seus sentimentos e às suas experiências da vida, interagindo em prol dos interesses do seu cliente, com intenção de ajudar a resolver seus problemas de acordo com o pedido do mesmo. 

 

A quinta diferença deriva do facto de psicoterapia ser um processo que proporciona uma mudança. As pessoas não se encontram para conversar, mas sim, para mudar a situação actual, resolver o problema, aliviar ou diminuir os sintomas, adquirir novas qualidades e competências pessoais. Para isso acontecer, é necessária não só uma participação activa do terapeuta, mas também a do próprio cliente, o seu interesse em mudança, a capacidade de assumir responsabilidade pelas suas atitudes e acções. Feliz ou infelizmente, o terapeuta sozinho não consegue introduzir mudanças na vida do seu cliente, por isso, a psicoterapia é também um trabalho para o cliente que arrisca experimentar, marcando assim o caminho do seu desenvolvimento pessoal e a saída da situação problemática.    

            No entanto, se o cliente, veio à terapia somente para falar com o terapeuta, partilhar seus sentimentos, pensamentos, sem querer mudar rigorosamente nada, ninguém o vai impedir aproveitar a sua hora terapêutica para este fim. O psicoterapeuta é um técnico que oferece um serviço, mas o seu proveito será determinado pelo cliente.   

publicado às 09:03


3 comentários

Sem imagem de perfil

De Ana Lima a 23.11.2010 às 18:25

Boa tarde,
Li o seu artigo e concordo completamente. Infelizmente estou com uma depressão à mais de 2 meses mas só recentemente consultei mesmo um psiquiatra em detrimento do médico de familia. Este médico de familia recomendou-me fazer psicoterapia. Digo-lhe que a experiência foi tão traumatizante que me senti cada vez pior..Foi-me dito nas consultas pelo terapeuta frases como " Vá pensando que ele não é o homem da sua vida", " Não há coisa melhor no mundo do que um homem e uma mulher irem para a cama quando se ama" e ainda "Se no seu trabalho se sente sozinha leve um livro". Ora, se o objectivo era uma ajuda psicologica por estar com uma depressão, se amo o meu namorado e tenho medo de deixar de gostar, se tenho dificuldades sexuais e tive de deixar o emprego diga-me que tipo de psicoterapia é esta e em que medida ajuda um doente depressivo com apenas 24 anos.
Imagem de perfil

De oficinadepsicologia a 29.11.2010 às 12:39

Cara Ana

Antes de mais, lamento muito saber que tem vivido as dificuldades que refere no seu comentário. A depressão é um mal cada vez mais frequente, e fala-se muito nesse facto, mas só quem a vive tem noção clara do impacto que esta tem na sua vida. Ainda para mais quando a uma depressão se aliam outros factores de stress como dificuldades nas relações íntimas e no trabalho.

Lamento também saber que teve uma experiência negativa com alguém que pratica terapia. Especialmente quando a sentiu como traumatizante. Na Oficina de Psicologia, certificamo-nos que nossa equipa é constituída por profissionais com especialidades, orientações teóricas e estilos pessoais diferentes, de forma a encontrar ajuda para qualquer pessoa. Se sentir necessidade de receber o apoio que lhe parece faltar nesta altura da vida, e estiver disposta a deixar-nos reparar a imagem negativa com que ficou do seu psicoterapeuta, por favor não hesite em contactar-nos. Estaremos, seguramente, disponíveis para encontrar a melhor solução para si.

Um abraço,

Francisco Soure
Oficina de Psicologia

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor



Arquivo

  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2012
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2011
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2010
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2009
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D