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Desafios de uma mãe e mulher

por oficinadepsicologia, em 12.07.12

E-mail recebido

 

 

Boa tarde ,

Tenho um filho de 4 anos que nunca se alimentou bem, mas a situação tem vindo a piorar e já acorda a dizer que não quer comer nada. Vários médicos me têm dito para relativizar a situação, que é normal, que ele está bem...mas a verdade é que eu, mãe, não sinto nada disso. A sensação que tenho é que o meu filho vive tristonho e tem um qq bloqueio emocional, forte, que o tem vindo a prejudicar.

 

Ele não está no infantário, vai este ano para a pré-escola (setembro), pelo que passa o dia inteiro nos meus pais. Qd saio do trabalho, eu ou o meu companheiro vamos buscá-lo. No entanto a sua vontade de ficar conosco lá em casa a dormir é nula. pede os avós. Ontem p.e., “obriguei-o “ a ficar em casa...foi um desvario total, uma gritaria ....mas decidi que teria de ficar e ficou. No entanto sinto que durante a noite não tem um sono tranquilo...parece que o corpinho dele está sempre eléctrico e que em contacto com o meu estremece, como se tivessemos energias opostas, que se repelem.

 

Amo o meu filho mais do que tudo e do que todos. Sei que a situação do pai dele nos deixar, o meu filho tinha 15 dias, não me deixou grande coisa a nível emocional, mas tentei ultrapassar... No inicio costumava dizer que se não tivesse o meu filho “seria uma rainha”, como se o menino me tivesse tirado espaço, autonomia e me obrigasse a uma vida de responsabilidades. Esta dualidade é terrível, passo-lhe toda esta ansiedade e vivemos a cada dia num clima de Paz/Guerra, Amor /Ódio!

 

Preciso de ajuda com urgência, pq preciso de ajudar o meu filho...já andei em psiquiatria, psicologia  mas nada resolve esta angústia, esta mágoa. Quem me conhece sabe que sou uma bem disposta mas acho que cada vez mais é uma alegria superficial, pq estou sempre triste e preocupada com o meu filhote. Por favor ajudem-me ou informem de quem possa ajudar.. Não tenho grandes possibilidades financeiras.

 

Certa da vossa ajuda

OBG!

M.

 

 

 

Cara M.,

a parentalidade é um desafio imenso e constante, não é fácil ser mãe ou pai, mas ser criança também não o é.

Pelo que conta a sua experiência de maternidade teve um grau de dificuldade extra pelo facto de ter ficado sozinha tão precocemente num projeto que tinha sido desenhado a dois. Assim, numa fase de alterações imensas para a mulher (físicas, hormonais, psicológicas) e em que tem o seu bebé completamente dependente de si, deu por si a ter de confrontar-se em simultâneo com a perda e desilusão do fim da sua relação. Será por isso bastante compreensível a ambivalência que relata sentir em relação a toda a sua vivência enquanto mãe, porque essa dualidade esteve presente desde o início: dedicação e amor ao seu filho vs abandono e zanga com o seu ex-companheiro, felicidade pela experiência de maternidade vs tristeza profunda pelo fim da relação, num período pautado por um grau extra de sensibilidade.

Considerando tudo isto torna-se essencial ser tolerante consigo mesma perante uma situação que foi nova e inesperada para todos os envolvidos, onde tem ensaiado papéis (de mãe, mulher, filha, profissional) e é natural que não seja perfeita, temos também direito às fragilidades que habitam em todos nós e temos direito a errar. Esta tolerância será meio caminho andado para o sucesso, a auto-crítica só será geradora de ansiedade e tensão que como tem constatado no seu dia-a-dia a puxam para um ciclo vicioso de frustração e angústia.

 

Parece que nesta fase M. seria muito importante que tivesse um espaço seu, enquanto mulher e pessoa, para organizar e apaziguar um conjunto de vivências dentro de si. Esse trabalho de desenvolvimento pessoal numa psicoterapia permitiria-lhe diminuir sintomas físicos e emocionais de ansiedade, aprender estratégias para se regular melhor emocionalmente e recuperar disponibilidade para investir de forma mais serena no seu papel de mãe, e por consequência lidar com um conjunto de desafios que se lhe colocam tendo um filho de 4 anos.

Na Oficina de Psicologia temos a preocupação de fazer chegar os cuidados de saúde mental à maioria das pessoas que deles precisam. Por isso, contamos com uma área específica que desenvolve todo um trabalho no âmbito da Responsabilidade Social, oferecendo as garantias de qualidade e eficácia reconhecidas da nossa equipa a quem tem maiores restrições financeiras, por honorários significativamente mais reduzidos (20€ por sessão).
Se lhe fizer sentido iniciar este caminho pode fazer o pedido de marcação de consulta por email ou diretamente no site da OP: http://oficinadepsicologia.com/consultas/57-2

Um abraço forte,
Filipa Jardim da Silva
Psicóloga Clínica

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publicado às 19:45


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