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Este consultório da Oficina de Psicologia tem por objectivo apoiá-lo(a) nas suas questões sobre saúde mental, da forma mais directa possível. Coloque-nos as suas dúvidas e questões sobre aquilo que se passa consigo.
Autor: Pedro Diniz Rodrigues
Psicólogo Clínico
O subtexto ou entre-linhas como também conhecemos na linguagem de senso comum, assume-se na comunicação humana como um padrão de pensamento subjacente da mensagem a que está associado. Toda a nossa expressão (ou não expressão) contém subtexto. É portanto um aspecto importante da nossa comunicação, sobre o qual gostaria de reflectir consigo.
Quando interagimos, este subtexto aparece como que camuflado, pois normalmente não o vemos de forma totalmente clara. A sua mensagem é ofuscada pela mensagem principal, que o nosso interlocutor nos quer transmitir.
Por exemplo, se está num restaurante com um grupo de amigos e uma das pessoas com quem está a conversar lhe diz que está bem-disposta por alguma razão, o normal será interpretar o que lhe foi dito como verdade.
No entanto, se notar que essa pessoa está com um ar triste ou com uma postura abatida, é provável que já fique com algumas dúvidas sobre a veracidade dessa mensagem.
O que se pretende mostrar com este exemplo, é que o subtexto é algo que se estivermos atentos, poderemos observar, está lá na interação, e revela-nos informação adicional que enriquece a forma como interpretamos as situações.
De uma maneira mais ou menos evidente e por vezes repetitiva, revela-nos detalhes dessas situações, permitindo-nos ajustar melhor a essa realidade, e adequar (ou não) o nosso comportamento a um dado contexto social.
Se pensarmos novamente no exemplo do jantar, mas supondo agora que não conhecíamos ninguém, certamente nos será útil ter a noção de aspectos, como os melhores momentos para iniciar uma conversa ou dar uma opinião, e a receptividade ou interesse da outra pessoa em relação ao que estamos a dizer, para saber se continuamos ou não com a conversa. Esta informação é normalmente revelada pelo subtexto.
O valor desta linguagem implícita na nossa comunicação reside no seu elevado nível de verdade, na autenticidade da sua mensagem, na qualidade da informação que nos fornece sobre a nossa pessoa, através daqueles e sobre aqueles que interagem connosco. A importância do subtexto reside também na sua relação próxima com a auto-estima. Ao interagirmos, reflecte o que queremos e não queremos, caminhando lado a lado com as nossas emoções. A auto-estima por sua vez, está intimamente ligada às qualidades que apreciamos em nós e nos outros, bem como ao que nos faz sentir bem e ao que nos faz sentir mal.
O que implicitamente dizemos de nós, o modo como o dizemos, o destaque que damos a determinados aspectos da nossa personalidade em detrimento de outros, evidencia a existência de recursos internos que estão a ser mobilizados num dado sentido.
Simplificando, se estiver atento ao que é importante para si e para o outro, independente do tema da conversa, a interação torna-se mais satisfatória e gratificante.
Acha que nos apercebemos do subtexto que transmitimos aos outros?
Em parte sim, mas a grande maioria da informação que transmitimos não é diretamente perceptível, ou seja, só nos apercebemos quando estamos a conversar com alguém e essa pessoa nos diz por exemplo: O que se passa contigo hoje? Pareces um pouco irritado(a). Aconteceu alguma coisa? – Nessa altura reparamos por exemplo no quanto a conversa que tivemos nessa manhã com um vizinho, nos está ainda a aborrecer e a influenciar o nosso comportamento com as outras pessoas.
Haverão muitas formas de nos apercebermos da informação que transmitimos, mas se estivermos atentos a aspectos simples como este, passaremos a estar mais conscientes das entre-linhas da nossa comunicação e da riqueza do subtexto enquanto meio privilegiado de olharmos para nós e para o mundo.