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A auto-imagem será igual ao reflexo?

por oficinadepsicologia, em 07.03.10

Autora: Ana Crespim

Psicóloga Clínica

Até que ponto é que nos conhecemos bem? Parece-lhe ridícula a pergunta? Talvez sim… ou talvez não. Será que somos assim tão conhecedores de nós próprios?

A tendência é pensarmos que ninguém nos conhece melhor do que nós, embora por vezes nos saiam “boca a fora” frases do género: “Ele (a) conhece-me melhor do que eu mesmo (a)!”. Pois é, parece que esta frase até faz algum sentido.

Simine Vazirre, professora assistente na Universidade de Washington, descobriu que somos mais perspicazes a identificar os nossos estados internos, como a ansiedade, por exemplo, enquanto as pessoas com quem convivemos são mais perspicazes na identificação das nossas capacidades intelectuais, como é o caso da inteligência e da criatividade. Surpreso? Então e se lhe dizer que mesmo os desconhecidos, com quem nos cruzamos, são tão aptos no reconhecimento das nossas características de extroversão como os nossos amigos?

 

Se pararmos para pensar nisto, até faz sentido. Não admira que sejamos peritos em identificar os nossos estados de ansiedade. Pudera! Somos nós que os sentimos (e, por vezes, de que maneira!). Mas, por outro lado, podemos sempre “mascará-los” e adoptar comportamentos que não os deixam transparecer para fora e, logo, para os outros. Já em relação à inteligência e à criatividade, bem, podemos tentar enganar, mas é um bocado difícil.

 

De facto, a nossa personalidade não pode ser definida com base no que julgamos, mas sim como base no que ela realmente é. A forma como somos por dentro acaba por se fazer conhecer por fora através de várias pistas que deixamos à vista e à interpretação daqueles que nos rodeiam. A forma como nos vestimos, a postura que assumimos, o modo como decoramos a nossa casa, entre muitas outras coisas, têm algo a dizer a nosso respeito.

Nesta matéria, as novas tecnologias também têm a sua importância. Páginas como o facebook e o Hi5, a forma como estão organizadas, o tipo de informação que decidimos ou não passar, as fotos que escolhemos para nos apresentar, espelham de certo modo, o nosso mundo interno.

A velha máxima de que, para deixarmos a nossa marca no mundo, temos de escrever um livro, plantar uma árvore e ter um filho, tem o seu sentido, mas não prevê o facto inegável de que deixamos a nossa marca em tudo aquilo que fazemos (mesmo que não seja nada de jeito) e em tudo o que tocamos.

Pense no seguinte exemplo: se, por se sentir com a auto-estima na penúria e com pensamentos negativos acerca do seu valor, estiver constantemente a tecer elogios sobre si e a falar das suas qualidades e grandes feitos, é provável que quem o ouve considere que você é um convencido do pior, certo? No entanto, muitas vezes esta é uma “táctica” a que muitas pessoas recorrem (aposto que se está a lembrar de alguém) quando se sentem diminuídos de alguma forma, de modo a que isso não transpareça para fora e “manche” a sua imagem. Contudo, o que conseguem é o efeito contrário. As pessoas rapidamente se fartam deste tipo de diálogos e acabam por ficar com uma ideia que em nada corresponde à realidade, mas que foi a que o outro, inconscientemente passou. Ora, pior a emenda que o soneto.

Perante o referido, talvez seja uma boa ideia darmos especial atenção ao nosso comportamento, em vez de nos ficarmos apenas pelos pensamentos e sentimentos que nos podem conduzir a erro. Talvez seja por isto que nos questionamos quando alguém se queixa de algum aspecto do nosso comportamento. É que assim, somos levados a reflectir sobre ele e a pensar nas possíveis incongruências entre a ideia que tínhamos de ser, por exemplo, muito amigáveis, e a realidade do nosso comportamento que, pelo vistos, não o revela assim tão bem quanto isso.

Pense nisto e… Seja Feliz!

publicado às 12:56


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