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Juramento de infidelidade

por oficinadepsicologia, em 09.03.10

Autor: Hugo Santos

Psicólogo Clínico

 

Psi. – Boa tarde, Ana

Ana – Boa tarde, Dr. Hugo

Psi. – Ana, conte-me como foi a sua semana

Ana – Como foi a minha semana… Não foi nada especial. Na semana passada saí daqui super tranquila mas depois parece que voltou tudo ao mesmo. Tive uma semana cheia de stress, com trabalho e mais trabalho, sem tempo para mais nada.

Psi. – É verdade, Ana. A nossa rotina acelerada e cheia de obrigações dá-nos pouco tempo para momentos de tranquilidade.

Ana – Sim, sinto falta de momentos diferentes. Parece que é sempre tudo igual e que ando à espera não sei do quê. É desgastante. Mesmo com o Mário, o meu namorado já parece tudo igual. Não sei o que fazer. Estou cansada.

Psi. – Compreendo o que sente, Ana. Sentir que os dias passam uns iguais aos outros pode ser desgastante. E às vezes não sabemos bem como quebrar essa rotina desmotivante.

Ana – Sim, e eu tento mudar. Mas o Mário é sempre igual. Já estou cansada. As conversas e as discussões são sempre iguais, e ele nunca está de acordo com o que eu digo. Não saímos do mesmo sítio. Muitas vezes já nem acredito que vai ser melhor. Se calhar tenho que me habituar que a vida a dois é mesmo assim.

Psi. – Por vezes a vida a dois tem momentos de stress e de desgaste. Fazem parte das relações e ainda bem.

Já viu se corresse sempre tudo bem, se concordassem sempre em tudo, se todos os dias fizessem sempre algo diferente, se fosse sempre tudo perfeito? Se tal fosse possível seria igualmente uma rotina e provavelmente seria sentida igualmente como aborrecida e desgastante.

 

 

Ana – Também não queria ter uma relação em que as pessoas não discordassem e fosse sempre tudo certinho e arrumadinho. Não sou daquele tipo de mulheres que concorda sempre com os namorados e também não queria ao meu lado alguém que concordasse sempre comigo.

Psi. – Exactamente. Já viu como podemos olhar para a mesma coisa de formas diferentes?

Eu diria que aquilo que me descreveu como desagradável na sua relação poderá ser encarado como um desafio para os dois. E quando ultrapassamos a dois o desafio a relação sai mais fortificada.

Ana – Sim, é verdade. Eu e o Mário já testámos momentos difíceis na nossa relação e conseguimos ultrapassá-los. Mas agora… Não temos tempo para nada, ele nunca avança com nada de diferente. Não sei…

Psi. – Ana, por vezes nas relações sentimo-nos amarrados a padrões desagradáveis sem saber muito bem como sair deles. Os pensamentos e sentimentos negativos repetem-se e repetem-se, em ciclos automáticos. Nessas alturas talvez seja uma boa ideia sermos infiéis a esses padrões disfuncionais negativos.

Ana – (Com ar espantada) Sermos infiéis?

Psi. – (Ri-se) Sim, a sugestão é ser infiel mas infiel aos pensamentos e sentimentos automáticos negativos.

Ana – (Ri-se) Ah!

Psi. – Eu explico. Vou-lhe propor um exercício: o Juramento de Infidelidade.

A palavra infidelidade é associada automaticamente a algo negativo e por isso é utilizada nesta estratégia para quebrar padrões automáticos negativos.

O Juramento de Infidelidade é um exercício de fora para dentro, com auto-sugestões, e igualmente trazendo ao consciente necessidades de mudança.

Vou-lhe dar um exemplo de um Juramento de Infidelidade construído por um grupo do Descomplicar os Afectos.

Pedia-lhe que o lesse em voz alta.

Ana – Ok. Juramento de Infidelidade

  • Juro ser infiel ao achar que as coisas acontecem sempre da mesma forma
  • Juro ser infiel à desculpa da falta de tempo
  • Juro ser infiel ao julgar antecipadamente de uma forma negativa
  • Juro ser infiel ao medo de arriscar
  • Juro ser infiel às discussões circulares
  • Juro ser infiel aos pormenores negativos
  • Juro ser infiel à impaciência
  • Juro ser infiel à tendência de evitar o confronto Juro ser infiel ao pensamento de que tudo me acontece
  • Juro ser infiel ao medo, à ansiedade e à tristeza
  • Juro ser infiel à insegurança e à falta de auto-estima Juro ser infiel ao achar que não mereço qualquer coisa por ser bom demais
  • Juro ser infiel à solidão

Psi – Óptimo. Esteve muito bem! Como é que se sente agora?

Ana – Foi giro o exercício. No início achei-o estranho, confesso. Mas agora sinto-me tranquila. E parece que consigo mesmo mudar as coisas. (Ri-se).

Psi – (Ri-se) Excelente, Ana. E sabe, pode mesmo mudar. Ás vezes sentimos que não, mas podemos.

Agora como T.P.C. convido-lhe a fazer um Juramento de Infidelidade para si. Observe primeiro os padrões negativos a que se sente amarrada e registe-os. Depois, jure infidelidade aos ciclos disfuncionais.

Experimente mudar. Como disse, é possível mudar as coisas.

 

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publicado às 19:35


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