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Autora: Inês Mota

 

Psicóloga Clínica

 

www.oficinadepsicologia.com

 

Facebook

 

Inês Mota

Dada a era das novas tecnologias que vivemos, é interessante verificar que cada vez mais serviços, e por isso também relações, são criadas e mantidas através de novas formas de comunicação e inclusive que mesmo muitas relações amorosas são iniciadas e alimentadas on-line.

 

É de facto cada vez mais frequente verificar que os novos meios de comunicação, como o facebook e mesmo sites para se encontrar parceiros, possibilitam verdadeiros namoros on-line, que por vezes permitem a sua continuidade para relações off-line.

 

De facto, as relações on-line preenchem funções importantes, também semelhantes às relações off-line: permitem a redução de ansiedade e expressão de emoções e por isso promovem o bem-estar.

 

No entanto, tem sido interessante verificar como muitas das pessoas que namoram on-line se sentem muito satisfeitas com a sua relação, inclusivamente com a forma como sentem que se revelam ao outro e sobretudo com a forma como se sentem compreendidas.

 

De facto muitas pessoas revelam que se sentem pessoas mais abertas e comunicam de forma mais aberta nestas relações on-line, o que pode ser explicado por dados que indicam que a experiência de anonimato promove a auto-revelação.

 

No entanto, há algo que me parece ser significativo para as pessoas que acompanho que iniciaram relações desta forma. Para além da satisfação da experiência de enamoramento que estão a viver, revelam satisfação pelo possibilidade de auto-conhecimento acerca das resistências específicas ou dos bloqueios próprios que não lhes permitiam a manifestação de afecto ou a possibilidade de o receberem, ou mesmo a descoberta de necessidades próprias que acabam então por ser possibilitadas por este tipo de encontro, independentemente de serem pessoas que já tinham ou não tinham tido relações satisfatórias no passado de forma off-line.

 

No entanto, estas relações têm também características particulares, devido ao meio de comunicação pelas quais são mantidas, sendo uma delas, a facilidade do encontro com alguém com as características desejadas.

 

Para além do debate (ainda que muito relevante), se as pessoas estão a comunicar com a pessoa ou com “o outro idealizado”, a verdade é que, de forma mais acessível, há um encontro com alguém que corresponde de facto ao “outro idealizado”.

 

Se a fase do enamoramento é a fase por excelência da idealização em qua a fantasia ocupa um espaço volumoso, as relações on-line, parecem-me ter necessariamente esta componente intensificada.

 

Por isso a grande questão que surge é se quando as relações on-line passam a off-line, a ligação conseguida mantém-se, ou o estado conseguido não é forte o suficiente para permanecer ON e passa a OFF ?

 

publicado às 10:54


1 comentário

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De Luisa a 30.12.2012 às 12:09

Estou a viver uma relação Off que começou por ser On e posso dizer que a idealização é de facto a componente mais forte do estado On...Foi uma relação bastante intensa que me acordou de alguns anos de apatia afectiva em relação ao sexo oposto com o qual tive experiencias desagradáveis.Mas...Mas...Uma relação Off é muito mais que uma rede social...a comunicação cessou rápidamente,os sonhos ou idealização foram-se desvanecendo e hoje o que resta é quase como que um compromisso teimoso em fazer valer a pena aquilo que nunca foi.Tenho comigo,que apesar da dor da derrota,este relacionamento Off vai acabar como se nunca tivesse existido...Há demasiada independencia e tão pouca cumplicidade...precisamente o inverso de quando a relação era On....Lá diz o ditado:\"O fruto proíbido,,,,\"

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