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Início de vida adulta

por oficinadepsicologia, em 18.07.10

Email recebido

 

ola. tenho 24 anos e acabei o relacionamento de 2 anos com o meu namorado de 22 anos. tudo porque não soube fazer as coisas com calma. Chumbei um ano na faculdade e nao contei aos meus pais. Fui viver para casa dele gastei muito dinheiro nesse tempo e ao fim de um ano os meus pais descobriram tudo. Disseram que não era rapaz para mim, que ele so namorava comigo só pelo dinheiro. Saí de casa mas acabei por voltar por causa da chantagem de que o meu pai não andava bem ao fim de uma semana. A minha mãe disse que nao falaria mais dele nem queria saber dele. Mas agora que acabei a faculdade, não aguentei mais a pressão psicológica, sempre que saiu de casa a minha mãe vêm comigo e agora acabei o namoro. Deixei a arvore ir abaixo, deixei secar as raízes. Deixei a pessoa que amava, e sinto um vazio. Não tenho forças para lutar por ele porque estão sempre a dizer que uma "menina não se comporta assim".  E a minha mãe diz que está para me ajudar a fazer as coisas bem. Mas eu quero é ele porque quando estou com ele estou feliz e quando estou em casa dos meus pais nao estou.

 

 

publicado às 14:22

Reduzir a impulsividade nas escolhas

por oficinadepsicologia, em 18.07.10

Autora: Madalena Lobo

Psicóloga Clínica

 

Decisões, decisões, decisões! Tantas variáveis para ter em conta em cada uma delas, tantas opções que temos de subscrever diariamente, desde as mais rotineiras (onde é mesmo que vou almoçar hoje?), às de maior impacto (aceito esta proposta de trabalho ou fico onde estou?).

 

Em todas, um dos componentes a ter em conta refere-se à antevisão das consequências de cada opção e, uma vez identificadas, à capacidade para escolher o bem maior. Em muitos casos, a escolha mais racional exige uma capacidade significativa de adiamento da gratificação. Por exemplo, tirar um curso superior, com a promessa inerente de uma vida profissional num futuro que a impaciência transforma em longínquo, exige que, nos anos que se seguem, se domine muito bem a impulsividade para mantermos as pestanas intactas e começar logo a recolher amostras de desafogo em dia certo de cada mês.

 

Enquanto que o nosso cérebro está muito bem preparado para escolher a melhor recompensa, quando se lhe junta o factor tempo e a opção de maior retorno se situa mais longe do que outras menos interessantes, surgem problemas em fazer uma boa escolha. A exemplo dos automóveis, em que quanto mais tempo vai passando, mais se vão desvalorizando, o nosso cérebro faz o mesmo processo de desvalorização às recompensas antevistas, à medida em que se situam em tempos progressivamente mais remotos. Complicado, para quem tem decisões de longo prazo para tomar – viagem de férias ou poupança para a reforma? Ups, segue a história de um PPR adiado. Que culpa tenho eu se o meu cérebro comanda um pássaro na mão em vez de dois a voar?

 

 

 

publicado às 13:49

Talvez psicoterapia...?

por oficinadepsicologia, em 17.07.10

Email recebido

 

Começo por vos dar os parabéns pelo v/ blogue e pelo website da Oficina da Psicologia, é um trabalho absolutamente fantástico.

 

E agora estou aqui a olhar para este e-mail e estou a pensar se devo ou não continuar para o tema que, na realidade, me levou a procurar o termo “psicoterapia” no Google e que, por sua vez, me conduziu a vocês.

 

Sabem, eu sou uma daquelas pessoas que acha que não precisa da ajuda de ninguém, que consegue fazer tudo sozinha. Pior do que isto só mesmo a sensação de que tenho de fazer tudo sozinha. Não há alternativa.  Eu só percebi que se calhar estou a precisar de ajuda profissional quando há uma semana e meia atrás reagi mal a uma mudança no meu local de trabalho (foi só de um sitio para o outro). Reagi mal ao ponto de começar a entrar num ataque de pânico e quase agredir os meus colegas.

 

Sim, eu acho que sei quais são os sintomas de um ataque de pânico porque – até hoje - creio que já tive dois, um dos quais acabei por desmaiar e como tal não me lembro de grande coisa e o outro foi num banco onde tinha ido depositar dinheiro. Apesar de no caso episódio em que acabei por desmaiar eu saber que a origem pode ter estado numa discussão, no episódio do banco não aconteceu nada. Estava apenas na fila à espera de ser atendida, só que de repente comecei a achar que o banco estava muito cheio (que não estava), estava tudo muito apertado, não me deixavam respirar, comecei a transpirar, a ficar com as mãos geladas, a tremer, a ver pontinhos a piscar (tal como se estivesse estado a olhar para sol) e a partir daí tive de sair a correr daquele lugar e ainda tive de empurrar algumas pessoas pelo caminho.  No mais recente episódio consegui sair já depois entrar na hiperventilação mas antes de começar a ver os pontinhos a piscar. Isto costuma acontecer-me em locais onde estão muitas pessoas juntas, mas não costuma acontecer-me frequentemente nem com uma intensidade elevada. Normalmente não ultrapassa o nível do desconforto.

 

O problema é que de há 12 meses para cá as sensações de estar encurralada, de não estar segura (nem em casa, nem no emprego) e de não confiar em ninguém  têm vindo a crescer e eu não consigo contê-las. Talvez estejam relacionadas com o facto de ter perdido o bebé e o meu melhor amigo na mesma altura, não sei, mas não é um assunto sobre o qual goste de conversar. Às vezes tento relacionar isto com outra situação de perda que me afectou consideravelmente (para ver se consigo encontrar pontos de ligação que me permitam racionalizar o assunto), mas é pior a emenda que o soneto dado que dessa vez além de ter entrado numa crise de ansiedade, tive uma perturbação alimentar na qual perdi bastante peso. E se agora ficaram curiosos para saber se desta primeira vez fui acompanhada em termos psicológicos, a resposta é não. Em termos médicos sim, em termos psicológicos não. Mas reconheço que se calhar devia ter sido. Há 12 meses atrás, com a perda do bebé, ainda fui a uma consulta (o Hospital de Santa Maria disponibilizou o serviço), mas depois acabei por não ir a mais nenhuma porque o espaço entre consultas é tão grande que nunca mais me lembrei. Além disso, achei que até estava a lidar bem com toda a situação e podiam haver pessoas que precisavam mais do que eu (ou talvez seja uma boa desculpa que me faz sentir mais nobre).

 

Pois é, se calhar não era má ideia marcar uma consulta pois não?

Olhem, não sei o que vos diga. Não sei. Apenas gostava de não andar stressada, preocupada e triste todos os dias.

 

Adorei a vossa iniciativa.

 

publicado às 15:09

Obsessão

por oficinadepsicologia, em 17.07.10

Email recebido

 

Gosto de mulheres, sempre gostei e continuo a gostar. No entanto, durante a minha vida aconteceu-me algumas vezes ter fantasias homosexuais que nunca aceitei muito bem mas acabava por esquecer, apesar de por vezes ter medo que pensassem que eu era homosexual. Assim fui vivendo até à uns anos atrás, altura em que passei a ter que conviver quase diariamente com homossexuais e me vi confrontado com esse meu lado. A partir dai todos os meus pensamentos se passaram a centrar neste assunto, de tal modo que passei a ter pensamentos de cariz sexual com praticamente todos os homens com quem me cruzo incluindo familiares e amigos, com quem como é óbvio deixei de me sentir à vontade.
Hoje aceito que é perfeitamente possível um homem gostar de mulheres e ter fantasias homosexuais, no entanto tais pensamentos nao me abandonam e vivo extremamente infeliz por causa disso.

 

 

Resposta

 

Caro J.

As fantasias correspondem à liberdade última dos nossos eventos privados e esgotam-se em si próprias, sem consequências práticas - o universo da fantasia raramente "conversa" com o universo do real. O facto de ter fantasias de natureza homossexual diz pouco ou nada sobre a sua orientação e as suas preferências.
É a natureza intrusiva e recorrente deste tipo de pensamentos, acompanhada do mal-estar de que nos fala que já permite concluir alguma coisa, mas referente a uma possível desregulação da ansiedade - neste caso, a configuração obsessiva leva-nos a aconselhá-lo a efectuar um diagnóstico psicológico para avaliar a possibilidade de estar a sofrer da perturbação obsessivo-compulsiva, o que requer intervenção psicoterapêutica, sob pena de se agravar ao longo do tempo. Saliento que a perturbação obsessivo-compulsiva prejudica de forma elevada a qualidade de vida e a situação de pensamentos indesejáveis de que nos fala pode estar a levá-lo a um desgaste e fadiga que de que se poderá libertar ao debelar esta perturbação ansiosa.
Ficamos à sua disposição em www.oficinadepsicologia.com para o que entender necessário.
Abraço solidário,
Madalena Lobo

publicado às 14:52

Alta-estima

por oficinadepsicologia, em 03.07.10

Autor: Nuno Mendes Duarte

Psicólogo Clínico

 

Alta estima, baixa estima, se eu não estimo onde está a doçura que me faz estimar? O que é preciso que me estime, quem preciso que me estime o que é estimar? Estima, estimar, estimando, estimei-te, guardei-te, protegi-te, ensinei-te, criei-te. Estimo quando te crio e faço crescer. Estimo-te quando te amo e não te quero ver sofrer. Estimo quando vivo para te ensinar o que é viver. Viver nem sempre é fácil e não há regras para crescer. Gostamos tanto de regras no mundo explicado, algo que nos retire deste caos insano. Estimar é racionalizar um mundo caótico? Ou estimar consiste na segurança que se passa, como quem passa uvas frescas numa tarde solarenga de verão e um jarro de limonada fresca debaixo das parras, enquanto o mundo parece parar. Estimar poderá fazer o mundo parar assegurando que está tudo bem. Segurando a vida, assegurando o ser. Somos estima. Damos estima. Não sabemos o que é estimar, mas queremos que o nosso filho cresça seguro e não sabemos o que fazer às camadas de medo que nos asfixiam a estima. Estimar é ligar, ligar-se, ninguém se liga a ninguém desligado. Ninguém se liga a si quando vive oco. Oco por não aprender a estimar, por não saber que é na estima que está a humanidade. Estimar é saber criticar. A auto-crítica estabelece-se como uma aprendizagem essencial para assegurar que na vida também temos de saber corrigir o leme. Se temos uma regulação da satisfação das nossas necessidades (estima ou crítica) a cada momento, sabemos que um pai que nos ama e estima a sua crítica irá incidir não sobre quem somos, não sobre a nossa definição de nós próprios e não naquilo que nos é essencial que consiste na visão do nosso amor espelhado por ele. Ele é o nosso espelho de estima, e nós somos o reflexo que vemos. Como é que se pode crescer se o que vemos no espelho somos nós… sempre pequenos, sem alma, vazios, sem valor? A crítica serve para nos ajudar a crescer, a fortalecer a nossa alma, a encher-nos de coragem ensinando que os nossos actos é que devem ser reparados, porque nós somos bons e podemos fazer melhor, que por sermos bons é que podemos fazer melhor. E que não faz mal falhar. Não somos burros, cobardes, insignificantes, fracos porque falhámos. Constrói-se a nossa auto-estima quando sabemos o que fazer depois de falhar. Quando tomamos conta de nós se tropeçamos no mundo e já sabemos como nos podemos agarrar, confortar e dizer “upa, vamos lá!”. E nós apesar do medo confiamos. A estima ensina a confiar e se confiamos em nós confiamos nos outros. Se confiamos nos outros queremos estimá-los. Se os sabemos estimar estamos cheios, estamos bem, continuamos com medo… mas não paralisamos, porque a vida é nossa podemos escolher, temos auto-estima para arriscar, temos auto-crítica para ajustar o leme e temos todos em quem confiamos na embarcação. Boa viagem!

publicado às 13:50

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