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Vou morrer ou enlouquecer!

por oficinadepsicologia, em 09.07.11

Autora: Madalena Lobo

Psicóloga Clínica

www.oficinadepsicologia.com

 

Madalena Lobo

Vou morrer!”, pensa quem tem um ataque de pânico. Com uma convicção absoluta, porque o que sente é demais para viver e manter-se vivo – não é possível, diz uma lógica interna que não admite réplica, ter esta dificuldade em respirar, o coração feito louco, este aperto no peito e ir sobreviver.

De facto, quando a configuração de sintomas de um ataque de pânico é semelhante à descrita, qualquer pessoa acredita que está a sofrer um enfarte e a morte é eminente. Este é um dos motivos principais pelos quais não resultam as tentativas para acalmar alguém no pico de uma crise destas, recorrendo às fórmulas instintivas que nos são naturais - “Calma, não é nada; é só ansiedade; já passa”. Este tipo de discurso é tão profundamente contrastante com aquilo que a pessoa está a sentir que nem chega a ser registado ou, pior, agrava a situação porque a pessoa se sente desamparada num caso que pensa ser de vida ou de morte.

As pessoas que sofrem de pânico “voam” para as urgências hospitalares mais próximas, sendo frequente que os sintomas de ansiedade comecem a desvanecer-se assim que se sentem em segurança; por isso, e porque uma crise de pânico tem uma duração restrita, numa média de 10 minutos, ainda que possa perdurar por uma hora ou hora e meia. Nas urgências hospitalares, infelizmente, não existem psicólogos e os profissionais da área médica não têm formação específica para lidar e diagnosticar a perturbação do pânico, o que deixa as pessoas num vazio assustador – fazem uma bateria de testes, é-lhes dito que está tudo bem, de um ponto de vista médico, e que devem relaxar. Mas não basta relaxar... Nem isso é simples de fazer quando se está refém de uma perturbação ansiosa.

Em média, 10 a 12 anos depois da primeira crise, quem sofre de perturbação de pânico recorre a tratamento psicológico. E isto é triste... Em primeiro lugar, pelo sofrimento decorrido; em segundo, porque se submeteram, entretanto, a variadíssimas avaliações médicas, com o incómodo e custos que isto comporta; e, em terceiro lugar, porque a perturbação do pânico foi evoluindo, adensando-se, criando ramificações em várias áreas e aspectos do funcionamento humano, tornando-se muito mais complicada de ser eficazmente tratada.

 

 

Vou enlouquecer”, pensam muitas pessoas que sofrem da perturbação de pânico, e este é um terror que as consome e incapacita, retirando-lhes confiança no seu livre arbítrio e no carácter voluntário dos seus actos.

Trata-se do pior medo de quem tem crises de pânico centradas em sintomas como incapacidade para estar quieto, desrealização (sensação de irrealidade) ou despersonalização (sensação de não habitar o seu próprio corpo ou não se reconhecer), parestesias (dormência e formigueiro numa ou mais zonas do corpo). Evitam situações e locais pelo medo de se descontrolarem totalmente, fazerem algo de embaraçoso ou mesmo perigoso para si próprios ou para os outros, desconhecendo que isso nunca acontece e que o que sentem é temporário e inócuo, apenas resultando de uma forte activação súbita do sistema nervoso.

No entanto, a imprevisibilidade destas crises deixa qualquer um “sem chão” - como explicar o inexplicável, senão recorrendo a conceitos de loucura, construídos de acordo com representações mais ou menos cinematográficas, tão fantasiosas e extremas quanto raras?

Para estas pessoas, uma percentagem significativa da população, é fundamental explicar o funcionamento desta perturbação de pânico, os mecanismos da activação nervosa e formas de a regular de uma forma eficaz. 

 

 “Que vergonha!”, pensam alguns outros, que sofrem de perturbação de pânico. Talvez menos frequentes, ainda que não existam estudos que o permitam saber com certezas, o pior medo de algumas pessoas face a um ataque de pânico é o embaraço público que pensam ir atrair sobre si durante uma crise.

Mais frequente em pessoas cuja configuração de sintomas se refere a náuseas, suores e tremuras, o medo da atenção e reprovação social é de tal forma elevado que basta para evitarem diversos locais - especialmente complicado quando pensamos nos contextos profissionais (as reuniões, por exemplo, são objecto frequente de evitamento)...

Por vezes, por detrás da perturbação de pânico encontra-se escondida uma fobia social, outra perturbação da categoria da ansiedade, que interage com o pânico, complicando a intervenção psicoterapêutica e exigindo um foco múltiplo de tratamento.

Em qualquer circunstância a intervenção por parte de um psicólogo clínico devidamente habilitado é crítica para a não progressão da perturbação e para o seu tratamento eficaz.

Se conhece alguém que sofra da perturbação de pânico, faça-lhe um enorme favor: encaminhe-a para a nossa página onde este problema é descrito, para que ela ou ele possa saber exactamente o que se passa consigo e possa optar por um tratamento eficaz.

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publicado às 16:38

As fases más

por oficinadepsicologia, em 07.07.11

Autora: Madalena Lobo

Psicóloga Clínica

www.oficinadepsicologia.com

 

Madalena Lobo

Muitas doenças ou estados, de condição médica ou psiquiátrica/psicológica, funcionam por crises tão imprevisíveis quanto desgastantes. E isso deixa-nos sempre perante a necessidade de considerar dois temas em simultâneo: a contenção da crise propriamente dita, com a sua sintomatologia específica, e a contenção da reacção à crise, com a instabilidade emocional que ela traz consigo. E é desta última vertente que lhe queria falar um pouco.

Poderia estar a falar de crises de enxaquecas, ou de picos ansiosos, da doença de Crohn ou de surtos obsessivo-compulsivos, de gastrites crónicas ou de dor, de situações de gravidade elevada ou apenas de quebras no funcionamento normal – em qualquer situação em que a evolução se faça por agravamentos periódicos ou alterações episódicas da qualidade de vida, todos nós reagimos emocionalmente de formas que acabam por ser razoavelmente previsíveis; e que acabam por nos complicar a vida.

 

Surge a crise, agravamento, sintomas, o que lhe queiramos chamar. E nós sentimo-nos, antes de mais, traídos: pelo corpo, pela cabeça, pelas forças, por Deus, pela conjugação cósmica, pelos médicos, por seja o que for, mas é de traição que estamos a falar e a que dói mais é aquela em que o traidor vem de dentro – o nosso corpo. Uma vida que comandávamos - “amanhã vou fazer isto e aquilo” -, a previsibilidade ao nosso dispor - “vou levantar o braço se o quiser fazer” -, a leveza com que executávamos as tarefas quotidianas - “e, agora, como é que eu me levanto?”… Instala-se um intervalo em tudo isto, como se a vida tivesse forçosamente de ficar em suspenso, enquanto nós nos debatemos com um jogo de regras diferentes, que não escolhemos e a propósito das quais nos sentimos na mais completa impotência.

 

 

 

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publicado às 19:50

Ansiedade

por oficinadepsicologia, em 06.07.11

E-mail recebido

 

"Boa tarde,
Precisava da vossa ajuda, pois tenho sentido alguns sintomas como tremores, dor no peito, ansiedade, palpitações, sensação de desmaio..
 
já fiz análises e estava tudo bem, fui a 2 médicos que dizem que estou com uma depressão. O que acontece é que eu sinto-me realmente em baixo, triste por não estar bem de saúde.
Receitaram-me alprazolam e procoralam, mas o 2º medico receitou-me paroxetina 1x ao deitar.
Não sei que fazer...sinto-me confusa.
 
Atentamente,

J."

 

 

 

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publicado às 15:18

Luto: como ajudar quem o vive?

por oficinadepsicologia, em 05.07.11

Autora: Fabiana Andrade

Psicóloga Clínica

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Fabiana Andrade

O luto faz parte da nossa jornada pela vida e qualquer um de nós passa por esta experiência em determinada altura.

Pessoas que vivem esta situação, não “superam” ou “esquecem” a sua perda e sim, aprendem a aceitar que ela aconteceu e aprendem a viver com isso. Tornam-se capazes de visitar as memórias da pessoa querida, do que partilharam juntos e podem encontrar um significado para esta viagem conjunta. Quanto mais positivo for este significado, mais saudável será o processo de luto.

Enquanto as memórias da pessoa querida permanecem, vão sendo gradualmente equilibradas com as memórias da vida da própria pessoa.

Existem diferentes teorias sobre as fases do luto. Esta definição não nos diz que todas as pessoas passam por todas as fases, nem pela mesma ordem, mas ajudam-nos a entender o que a pessoa poderá estar a sentir:

 

1. Negação e o Isolamento: defesas temporárias contra a dor psíquica diante da perda. Há uma sensação de entorpecimento, de descrença. Podem surgir verbalizações como “estou bem”, e a pessoa pode continuar a agir como se nada tivesse acontecido, mantendo-se muitas vezes em movimento constante.

A intensidade e duração dessas defesas dependem de como a própria pessoa que sofre e as outras pessoas ao seu redor são capazes de lidar com essa dor. Em geral, a Negação e o Isolamento não persistem por muito tempo.

 

 

 

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publicado às 18:14

E se tratar a depressão fizesse emagrecer?

por oficinadepsicologia, em 05.07.11

Autora: Madalena Lobo

Psicóloga Clínica

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Madalena Lobo

Ter um índice de massa corporal superior a 30 representa um aumento de risco de depressão entre 50% a 150%. Por isso, é importante avaliar se existem critérios de diagnóstico de depressão em pessoas que iniciam planos para emagrecer.

Ao serem estudados dois formatos de intervenção em grupo, no qual num grupo apenas se trabalhavam os temas de perda de peso e no outro se trabalhavam esses mesmos temas e os aspectos de depressão, verificou-se que, nos primeiros 6 meses de intervenção, as pessoas com maior redução de sintomas depressivos eram as que conseguiam perder mais peso (5 kgs, em média).

Por isso, se pertence aos (estimados) 60% da população portuguesa com peso a mais e está a pensar fazer algo para melhorar a sua forma física, verifique se tem sintomas depressivos – clique para ler sobre sintomas de depressão. Se for esse o caso, compensa iniciar simultaneamente um acompanhamento psicoterapêutico para tratar a depressão. Não só perde peso mais rapidamente, no curto prazo, como volta a sentir-se bem e a usufruir a vida em pleno.

 

Com base em Health Behavior News Service, part of the Center for Advancing Health (2010, December 27). Treating women’s depression might help them lose weight.

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publicado às 09:30

A arte de brincar

por oficinadepsicologia, em 03.07.11

Autora: Fátima Ferro

Psicóloga Educacional/ Psicóloga Clínica

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Fátima Ferro

As brincadeiras das crianças são, na maior parte das vezes formas de nos dizerem o que realmente sentem, expressando aquilo que têm dificuldade em colocar por palavras.

 

Ao brincarem imitam as rotinas de vida, transformam-se em super heróis mágicos e omnipotentes, para vencerem os medos e aflições que por vezes são representados por papões, inimigos e monstros debaixo da cama.

A fantasia que lhes permite voar, e irem para onde quiserem entre jogos de “faz de conta”, resolvendo problemas com golpes de magia,  tornando-se maiores do que aquilo que realmente são.

 

É a brincar que a criança percebe que quando se perde no jogo o mundo não se acaba, permitindo através de ensaios, o exercício do errar e voltar a tentar de novo, propondo um mundo do tamanho da sua compreensão.

Entender o significado que a criança dá à brincadeira é um caminho necessário para a conhecer, e todo o seu processo de desenvolvimento.

 

O brinquedo é a forma da criança se relacionar, de encontrar o mundo físico e social que a rodeia, sendo um sinal de bem-estar e saúde. Facilita o crescimento conduzindo aos relacionamentos grupais, podendo até ser uma forma de comunicação em psicoterapia.

 

As crianças brincam para procurarem prazer, para expressarem agressão, controlarem a sua ansiedade, estabelecerem contactos sociais, serem sensíveis aos sentimentos dos outros, para adquirirem vocabulário, para comunicarem aquilo que pensam e sentem, para aprenderem a interiorizar regras, a partilhar, etc.

A partir do brincar elas representam papéis e ampliam o ajustamento afectivo e emocional que atingem nessa representação.

 

Nós adultos poderemos contribuir para o reconhecimento do grande lugar que cabe à brincadeira sem obstruir nem adulterar a própria iniciativa da criança deixando-nos guiar pela imaginação delas, permitindo cadeiras que voam, árvores vermelhas, animais que falam, etc.

É importante evitar estruturar ou organizar as actividades com ordens e instruções, permitindo o livre expressar da criatividade e o verdadeiro “faz-de-conta”.

 

E em vez de lhes dizer “O que estás a fazer ?”, “Que forma tem ?”, “Mas as árvores não são vermelhas, são verdes e castanhas”, fazermos apenas o relato da brincadeira como se fossemos comentadores desportivos ”Estás a pôr o carro na garagem, e vais pôr gasolina”.

E se pretender ao mesmo tempo estimular algumas competências da criança, deixamos-lhe aqui algumas sugestões:

 

 

 

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publicado às 19:08

Quanto mais me bates, pior eu durmo...

por oficinadepsicologia, em 03.07.11

Autor: Francisco de Soure

Psicólogo Clínico

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Francisco de Soure

Um estudo recente veio trazer a lume novas descobertas relativamente ao impacto do conflito matrimonial no bem-estar psicológico. Se já se sabia que pessoas em casamentos menos conflituosos, mais harmoniosos e com mais suporte emocional tendem a desfrutar de melhor saúde física e mental, estas novas conclusões permitem retirar informação importante a respeito do impacto imediato do conflito. Neste estudo procurou determinar-se qual o efeito das discussões entre os membros de casais na qualidade do sono e no humor no dia seguinte.  Os resultados vêm confirmar o ditado “nunca te deites zangado” . Dos 39 participantes, quase todos reportaram uma significativa perturbação no sono quando se deitavam após uma discussão. Esta perturbação fazia-se sentir com particular intensidade em pessoas com estilos de relação altamente ansiosos, ou seja, muito preocupadas com temas de rejeição e abandono, e com dificuldades em se sentirem seguras na relação. De igual forma, verificou-se uma forte tendência para a presença de humor fortemente negativo na manhã seguinte.

 

Caso para dizer que se começa logo com o dia estragado... Se tivermos em conta a importância cada vez mais identificada do sono na nossa saúde e bem-estar, podemos imaginar o impacto a longo prazo de episódios repetidos de conflito. Na verdade, cada noite de sono perdida ou de qualidade diminuída deixa marcas que se mantêm e requerem pelo menos 2 a 3 noites de sono reparador para recuperar. A privação de sono produz alterações nos nossos níveis de energia, capacidade de memória, produtividade e irritabilidade, sendo um forte preditor da vulnerabilidade psicológica que aumenta o risco de perturbações como a depressão e a ansiedade.

 

Num cenário em que as taxas de divórcio continuam a aumentar, em que aspectos como a gestão financeira e domiciliar originam cada vez mais conflito, e parece haver cada vez menos tempo para promover a comunicação e os períodos de lazer nos casais, há que reflectir... Se anda a dormir mal, já pensou em terapia de casal?

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publicado às 09:24

Sintomas de depressão em crianças e adolescentes

por oficinadepsicologia, em 02.07.11

Autora: Tânia da Cunha

Psicóloga Clínica

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As manifestações das perturbações depressivas em crianças e adolescentes podem muitas vezes passar despercebidas ou serem confundidas com outras situações.

As crianças, bem como os adolescentes podem ter dificuldade em descrever ou expressar o seu estado emocional interno, o que muitas vezes dificulta identificar quadros depressivos. É importante que pais, outros familiares, educadores e professores estejam atentos quando de forma persistente, crianças e adolescentes apresentem alguns dos seguintes sintomas:

  • Irritabilidade e zanga.
  • Comportamentos agressivos e de risco.
    Tânia da Cunha
  • Mau desempenho escolar.
  • Isolamento social.
  • Relutância em conhecer pessoas.
  • Tentativas ou planos de fuga de casa.
  • Ansiedade de separação. 
  • Sensação de aborrecimento.
  • Abuso de álcool ou de outras drogas.
  • Medo da morte.
  • Sensibilidade à rejeição ou ao insucesso.
  • Sintomas físicos não devidos a outra doença (dores de cabeça, perturbações digestivas, dor crónica, mal-estar geral).

Não se esqueça que a depressão é uma doença e tem tratamento!

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publicado às 19:14

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