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Nova proposta para diagnóstico de fibromialgia

por oficinadepsicologia, em 07.09.11

Autora: Isabel Policarpo

Psicóloga Clínica

www.oficinadepsicologia.com

 

Isabel Policarpo

A Associação Americana de Reumatologia está a propor um novo conjunto de critérios de diagnóstico para a fibromialgia, que para além da tradicional dor, inclui sintomas como a fadiga, as perturbações de sono e os problemas cognitivos.

Este novo critério reconhece assim que a fibromialgia é mais do que as dores no corpo. Uma questão que pode ser particularmente  importante, para todos os doentes que sofrem dos sintomas, mas que não têm ainda um diagnóstico definitivo.

 

O diagnóstico da fibromialgia, uma condição caracterizada pela presença de dores inexplicáveis que se podem estender da cabeça aos pés e por uma sensação de cansaço, é realizado com base num exame físico focado em 18 pontos  do corpo - situados em torno da região do pescoço, ombro, peito, anca, joelho e do cotovelo.  Sobre estes pontos é exercida uma pressão ligeira e verifica-se que os os doentes com fibromialgia sentem desconforto ou dor quando a mesma é aplicada.

 

Para o doente ter o diagnóstico definitivo de fibromialgia tem de apresentar dor disseminada

nos quatro quadrantes do corpo, pelo menos durante três meses consecutivos e experienciar dor ou desconforto moderado em  11 dos 18 pontos do corpo.

 

Estudos recentes indiciam que se pode estar perante um sub-diagnóstico da fibromialgia, em virtude do critério actual de diagnóstico – presença de dor em pelo menos 11 pontos, ser restritivo e não ter em conta outros problemas  centrais da doença como a fadiga, a falta de clareza mental, os esquecimentos, os problemas de sono e a incapacidade para realizar as actividades do quotidiano.

 

Neste contexto propõe-se que o diagnóstico de fibromialgia passe a ser feito de acordo com um indice de dor disseminado e com uma escala de severidade de sintomas.

 

O  valor do indice de dor disseminado é determinado pela contagem do número de áreas do corpo do cliente onde este sentiu dor durante a última semana . A listagem inclui 19 áreas específicas.

A severidade dos sintomas é determinada pelo grau  de severidade de três sintomas comuns – a fadiga, a incapacidade para realizar as actividades do dia-a-dia e os sintomas cognitivos. A esta escala podem adicionar-se outros sintomas como a dormência, o enjoo, as nauseas,  o sindrome do colen irritável ou a depressão.

 

Para o doente ter o diagnostico de fibromialgia, terá de apresentar  7 ou mais áreas de dor e um score de severidade de sintomas de 5 ou mais, ou  em alternativa apresentar 3 a 6 áreas de dor e um score de severidade de sintomas de nove ou mais.

Alguns critérios mantêm-se inalteráveis, como o facto dos sintomas terem de estar presentes pelo menos ao longo de 3 meses e o cliente não ter outra doença que possa explicar a dor.

 

Admite-se que este novo critério de diagnóstico possa contribuir para um melhor diagnóstico da doença e consequentemente permitir que todos aqueles que até ao momento têm sido excluídos possam aceder a um tratamento mais focalizado e eficaz.

publicado às 14:18

Encruzilhada

por oficinadepsicologia, em 07.09.11

E-mail recebido

 

"Boa tarde,

 

Acabo de ler o artigo "Algo diferente na realização de objectivos" de Irina António e o mesmo deu-me coragem para vos escrever sobre algo que me atormenta e não sei como resolver.

 

Actualmente encontro-me a viver uma fase da minha vida muito complicada. Uma fase de grande indefinição, de insegurança e até revolta comigo mesma, pois sei que antes não era assim. Sei o que não quero mas não sei o quero. Actualmente não me sinto realizada profissionalmente e quero muito mudar de actividade mas não consigo pensar em nada como alternativa. Se hoje acordo e quero ser médica, amanhã posso acordar e afinal sentir que quero ser produtora de moda. Isto leva a que nunca saia do mesmo sítio causando-me muita ansiedade, e vá vendo o tempo e a vida a passar à espera de um milagre.

 

Será isto o quê? Falta de identidade ou autoconhecimento? Bloqueios emocionais? stress pós-traumático?

 

O que me aconselham? Existe alguma terapia para estes casos? Preciso urgentemente de me redescobrir e ver o caminho que devo seguir.

 

Gratos cumprimentos,

 

MJ"

 

 

 


publicado às 01:15

Medo e autonomia

por oficinadepsicologia, em 06.09.11

E-mail recebido

 

"Boa tarde,

Tive conhecimento do vosso site através da minha irmã, e como tem conhecimento da situação que me preocupa, aconselhou-me a pedir ajuda e aqui estou eu ...

Tenho 41 anos, sou casada e temos um filho com 12 (faz 13 a 22 Set) e ele é o motivo da preocupação, é uma criança, penso que mais um jovem, sociável, um aluno razoável, poderia ser melhor mas é muito preguiçoso (o que nestas idades penso que todos são um bocadinho), de um modo geral acho que não me posso queixar, é um excelente filho ...
Mas, o problema é que existem algumas situações que se têm vindo a arrastar ao longo destes anos e que eu não acho que seja saudável para ele (nem para nós pais) continuar a crescer assim:
- tem uma "dependência psicológica" de mim (mãe) que não acho saudável, por exemplo, esteve de férias com a tia, durante uma semana e para além de ligar uma série de vezes durante o dia para saber se estava tudo bem, enviava uma série de msn, se por acaso eu não atendia o telemóvel ou se não respondia naquele instante à msn, ele insiste quase sem dar tempo de eu responder, parece que ele tem que tomar conta de nós e não ao contrário ...

- o meu marido trabalha por turnos e muitas vezes não dorme em casa, logo ele dorme comigo (se calhar não o deveria fazer), mas o dormir é quase em cima de mim, porque a cama é larga, mas a perna, o braço e mais de metade do corpo dele tem que estar agarrado ao meu ! Se for eu a passar uma noite fora de casa, o dormir com o pai já não é problema, ele dorme no quarto dele e não fica aborrecido !

- Quando eu e o pai saímos para o trabalho, quer saber que chegamos bem, acho que tem um pavor de nos perder e de ficar sozinho, que não faz muito sentido !

É um conjunto de situação que não acho que sejam muito normais para a idade dele, e a realidade, é que esta "obsessão" que eu acho que ele sente, principalmente por mim,
não é nem vai ser benéfica na vida dele, e apesar de ele já ter sido acompanhado à uns 2 anos por uma psicóloga de quem ele até gostava, acho que o assunto não ficou resolvido na cabeça dele ... existem medos que não são expressos por palavras ( e ele até fala muito), mas as atitudes que tem não me parecem adequadas.

Também sei, que este será um tema dificil de se responder por mail, mas queria saber que me aconselham a procurar ajuda especializada, consultei no vosso site as consultas, mas também não sei muito bem se será uma consulta para criança ou para adulto, pois nem sei se ele estará disponivel para ir, pois ele não acha que essas atitudes sejam inadequadas para a idade dele.

Fico a aguardar um conselho, sugestão ...

Muito Obrigado,


E"

 

 

 

 

publicado às 12:25

Dorme que nem um anjinho

por oficinadepsicologia, em 06.09.11

Autora: Inês Afonso Marques

Psicóloga Clínica

www.oficinadepsicologia.com

 

Inês Afonso Marques

Não entre em guerras na hora de deitar os seus filhos. E não me refiro a guerras de almofadas. Refiro-me àqueles dias em que as crianças usam todo o poder da sua imaginação para fazer malabarismos com vista a adiar, adiar, adiar e adiar a hora de deitar. Só mais 5 minutos. Tenho saudades tuas. Tenho fome. Tenho sede. Preciso de ir à casa de banho. Tenho frio. Tenho calor. Tenho mais sede…

 

Shhhh… Hora da caminha.

 

- Dedique algum tempo a conversar com a criança. Especialmente quando têm pouco tempo para conviver com os pais antes de irem dormir, as crianças apreciam uma pequena conversa antes de se deitarem. Dediquem alguns minutos a conversar sobre como correu o dia e como antecipam o dia seguinte.

- Estabeleça rotinas. As rotinas são sinónimo de previsibilidade. A previsibilidade é sinónimo de segurança. Se o seu filho for pequeno pode fazer um quadro com imagens dos principais momentos da rotina do deitar, por exemplo, vestir o pijama, lavar os dentes, canção, história, beijo de boa noite, apagar a luz. Esse quadro pode mesmo ser composto por fotografias da criança a realizar a sua rotina. Trata-se de uma pequena agenda visual.

- Negoceie oferecendo escolhas. Não ceda a pedidos que farão adiar a hora de dormir. Em alternativa, dê à criança a possibilidade de participar na rotina, fazendo escolhas. Hoje qual das histórias queres ouvir? A lebre e a tartaruga ou a cigarra e a formiga?

- Mantenha-se calmo e firme. É notório que algumas crianças possuem um enorme poder de persuasão, tentando negociar conquistas até á exaustão dos pais. Se se sentir irritado, não se deixe envolver pela frustração. Fale calmamente e de forma assertiva, mantendo “as regras” definidas.

 

Adormeceu… Dorme que nem um anjinho.

publicado às 11:11

Preparar, iniciar e acelerar rumo à auto-confiança

por oficinadepsicologia, em 05.09.11

Autora: Filipa Jardim da Silva

Psicóloga Clínica

www.oficinadepsicologia.com

 

Filipa Jardim Silva

Se tivesse um baú de recursos e competências à sua disposição e lhe pedisse para eleger aquele que considera que lhe seria mais útil nas mais diversas situações de vida, provavelmente escolheria a auto-confiança. Não é por acaso que pessoas com uma postura activa, segura e decidida atraem confiança e admiração dos pares, enquanto alguém constantemente nervoso, atrapalhado e inseguro sente-se mais facilimente criticado e sozinho. Muitos sentem-se perdidos na aventura em busca da auto-confiança, podendo ficar emaranhados num ciclo de auto-desvalorização, desesperança, incapacidade de lidar com obstáculos e dificuldades e mais inferioridade.

A boa notícia é que existem mapas para esta aventura e que a auto-confiança pode realmente ser aprendida e construída. Como? – perguntará. Não se constrói por magia nem em poucos minutos. Constrói-se numa viagem, que implica preparação, fazer-se à estrada e por fim acelerar em direcção ao sucesso. Como para qualquer viagem, é necessário assegurar-se que leva todos os mantimentos e utensílios necessários.

 

Preparação da Viagem

Primeiro prepare a sua mochila com a substituição do guião do seu diálogo interno, de incapacitante e sabotador para positivo e encorajador; os pensamentos positivos pesam menos e incentivam a ir mais longe. Depois registe os feitos já alcançados, o que lhe permitirá reconhecer com mais facilidade o sucesso e bem-estar quando surgirem na sua viagem. Pense nos seus pontos fracos e fortes e nas oportunidades e obstáculos do seu caminho, e isso permitirá gerir os seus recursos optimizando as competências e encontrando soluções para as dificuldades. Segue-se a definição de metas: onde quer chegar no final desta viagem e quais as paragens que necessita fazer para gerir o esforço e se abastecer. No início, é melhor estabelecer pequenas etapas, um pequeno passo é suficiente para iniciar uma grande mudança. Na sua mochila não entram os conceitos “desistência” nem “fracasso”, pelo que se porventura se sentir tentado a levá-los, coloque-os de parte e lembre-se que perante as dificuldades da viagem reavaliará os objectivos definidos e poderá ter de traçar novas estratégias, mas continuará sempre, persistentemente, no caminho rumo à meta estabelecida.

 

 

publicado às 12:06

Dia Mundial da Saúde Sexual

por oficinadepsicologia, em 03.09.11

www.oficinadepsicologia.com

 

publicado às 19:56

A mão aberta e o punho fechado

por oficinadepsicologia, em 03.09.11

 Excerto de “A mão aberta e o punho fechado”, de Francisco de Soure, in “Casos&Casos”, 1ª edição da revista de casos clínicos da Oficina de Psicologia, à venda em http://oficinadepsicologia.com/loja/shop/casos-casos/

 

Francisco de Soure

“(…)O primeiro laço que estabelecemos é o primeiro grande momento de aprendizagem. A ligação que se estabelece entre mãe e bebé inicia o bebé na sua aprendizagem a respeito do que são as interacções humanas, o que podemos esperar das pessoas e do seu papel na satisfação das nossas necessidades. A este laço os autores chamam vinculação. Quando a vinculação se estabelece de forma segura, a mãe está atenta aos pedidos do bebé, às suas necessidades, e dá-lhes respostas adequadas. Uma mãe que estabelece com o bebé uma vinculação segura reage de forma adequada às exigências do bebé, sabendo quando as satisfazer, quando respeitar os limites do bebé, e como ajudá-lo a aprender a acalmar-se dando o exemplo da sua própria calma e segurança. Quando o bebé tem um temperamento fácil, e a mãe se sente segura e tranquila no seu papel, este processo decorre de forma natural e fluida. Quando isto acontece, o bebé começa a aprender como e quando é adequado manifestar as suas necessidades, aprende a acalmar-se face ao seu próprio desconforto, aprende de maneira quase instintiva que quando não se conseguir acalmar a si mesmo poderá sempre contar com a mãe. No entanto, nem sempre isto acontece. Por vezes os bebés não nascem com um temperamento fácil, e também muitas vezes as mães podem sentir-se atemorizadas pelo seu papel, estar excessivamente preocupadas com a criança, ou demasiado atentas às suas próprias necessidades e medos. Quando isto acontece, é possível que a vinculação se estabeleça de uma forma insegura. Laços de vinculação inseguros caracterizar-se-ão por comportamentos de ausência de resposta adequada por parte da mãe: ou ficarem demasiado ansiosas quando o bebé chora, ou ignorá-lo, ou mesmo perder a calma e tornar-se agressivas (de forma recorrente, não apenas episódica!); podem ignorar a sua vontade de estar sós ou em paz e invadir os seus limites; podem ficar elas próprias demasiado aflitas com a aflição do bebé e pensarem apenas na sua imagem de si mesmas enquanto mãe, deixando de estar de facto atentas a ele e ao que precisa naquele momento. Quando se verifica um cenário destes, a aprendizagem do bebé é a de que as suas figuras cuidadoras poderão ser invasivas, ausentes ou hostis ao cuidar de si. Não lhe permitindo gerar expectativas consistentes a respeito do cuidado que poderá receber, ou expectativas de cuidados consistentemente negligentes ou desadequados. Claro está, nesta fase da vida todas estas aprendizagens estão muito aquém de ideias claras como aquelas que pensamos e geramos em adultos. Tudo isto antecede em muito as palavras, e expressa-se em termos de activação ao nível do nosso cérebro. Quando o bebé é sistematicamente ignorado e só recebe cuidado quando a sua expressão de aflição atinge níveis muito elevados, por exemplo, o cérebro poderá aprender que só activando em excesso assegurará a satisfação das suas necessidades e se reporá o equilíbrio interno.

 

À medida que crescemos, esta aprendizagem torna-se mais sofisticada. Ainda antes de sabermos falar, começamos a aprender através de mecanismos de recompensa muito simples: se fazemos A e recebemos B, sempre que quisermos B fazemos A. De igual modo, se sempre que C incomodar e nos retirarem o incómodo por fazermos D, faremos D sempre que sentirmos o incómodo de C. De modo inverso, se formos punidos sempre que fizermos E, pois claro, a nossa tendência será para evitar fazer E. Através destes mecanismos muito simples vamos acrescentando informação a respeito daquilo que podemos esperar do mundo em que vivemos, e dos outros que nos rodeiam. Se, sempre que uma criança chorar, lhe derem um doce, é certo que sabemos o que fará quando quiser um doce... De igual forma, estes mecanismos podem servir para aprendizagens distorcidas e com resultados prejudiciais, como quando uma criança aprende que se chorar por se magoar será castigada em vez de acarinhada.

 

Estas aprendizagens passam-se para além da dimensão do pensamento. Processam-se, também, ao nível das emoções e da satisfação das nossas necessidades mais essenciais ao nível da emoção: de protecção, de autonomia, de prazer, etc. Ao longo da vida, a informação organiza-se na nossa memória através de processos de semelhança e diferença, em que toda a informação se encontra ligada de uma maneira ou outra. À forma como esta informação se organiza em memória muitos autores chamam de esquemas. Estes esquemas são como que agregados de informação: contêm nomes, imagens mentais, associações entre as unidades de informação, assim como expectativas, tendências de comportamento e as correspondentes emocionais da informação que contêm. Quando nos deparamos com qualquer objecto, pessoa ou situação, o cérebro encarrega-se de ir buscar toda a informação a respeito dela ou o que mais semelhante conheça, e torna-a disponível para nós, tal e qual um computador em que corremos uma pesquisa. Estes esquemas são extremamente úteis! Permitem-nos tomar decisões sem desperdiçar tempo a analisar cada aspecto da situação: imagine o que seria ter que reflectir aprofundadamente cada vez que tivesse que dar um aperto de mão ou comprar um pacote de leite! Da mesma forma, são estes esquemas que nos ajudam a navegar e descodificar o complexo labirinto das nossas interacções sociais. Mais, permitem-nos seleccionar entre o nosso repertório emocional que expressão é adequada no momento. As emoções são muito mais que coisas que apenas sentimos. As nossas emoções informam-nos a respeito do comportamento que devemos exibir, mesmo a um nível biológico.

(…)

Quando as aprendizagens que fazemos são adequadas, os esquemas contêm informação realista e útil. Quando, pelo contrário, as aprendizagens que fazemos são disfuncionais, nomeadamente quando crescemos em contextos violentos ou simplesmente maltratantes, podemos desenvolver expectativas forte e irrealisticamente negativas acerca dos outros e de nós próprios. Da mesma forma, aprendemos a expressar emoção de forma desadequada, com consequências adversas. Por exemplo, se aprendermos que não podemos ou devemos expressar tristeza, é frequente que manifestemos zanga em seu lugar. Quando isso acontece, não só não recebemos o conforto de que necessitamos, como corremos o risco de ser agredidos em resposta. Dessa forma, não só não vemos a nossa dor aligeirada, como a vemos ainda agravada. Face a tudo isto, há que ter em conta que a nossa memória é um “órgão” extremamente fluido. Perante uma qualquer situação, o nosso cérebro regista essa informação nas suas componentes cognitivas e emocionais, e integra-a de forma harmoniosa no resto da informação, fazendo as devidas ligações e associações. No entanto, até este processo pode sofrer perturbações. Quando a situação em que nos encontramos é uma situação extremamente violenta ou carregada de medo ou dor, ou quando nos encontramos repetidamente em situações de mau trato, esta informação pode sofrer erros no seu processamento. É possível que se criem “nódulos” de informação carregada negativamente. No futuro, qualquer informação negativa que partilhe características com estes nódulos ser-lhes-á associada, aumentando a sua força para atrair mais informação. Da mesma forma, os estímulos no mundo real que se assemelhem à informação contida no nódulo activarão de imediato este nódulo e levarão a acções que se lhe adequem.

(…)

Estes nódulos configuram algo que se tornou um termo corriqueiro: Trauma.

Seja através de esquemas que contêm expectativas fortemente negativas e irrealistas face ao mundo, os outros e nós próprios, seja através de trauma, a violência na infância determina muito daquele que será o nosso comportamento em adultos. A forma como estas estruturas se consolidam e nos afectam na idade adulta será algo que a história do Rui nos permitirá compreender melhor e ver na prática.

(…)”

publicado às 11:33

Perguntas das crianças sobre sexualidade

por oficinadepsicologia, em 02.09.11

publicado às 10:15

"Desembrulhando" o nosso ser

por oficinadepsicologia, em 01.09.11
Irina António

O sentir-nos fechados dentro de uma embalagem simpática e feita à medida para corresponder às expectativas dos outros, faz cada vez mais parte das nossas vivências actuais.

 

Poder ser eu mesmo, com todas as particularidades da minha expressão já é visto como um luxo. Temos muito medo de partilhar o nosso interior com os outros, e assim optamos por ficar fechados num “embrulho” que por mais perfeito que ele seja, sempre é diferente daquilo que se esconde lá dentro.

 

Há quem compare a nossa sociedade com um supermercado que oferece uma grande diversidade de artigos em pacotes, caixinhas, papeis, sacos: coloridos, com música, às bolinhas, lisos, rugosos, com cheiro. Atrás das imagens lindas, ficam escondidos os produtos de qualidade duvidosa.

 

Gastamos imensa energia para criar uma “embalagem” apetitosa, investindo muito pouco no próprio produto – nós mesmos. Esta tendência faz aumentar ainda mais a sensação de insatisfação e de infelicidade, sendo que uma “embalagem” perfeita necessita de recursos para sua manutenção, recursos que vão faltar para fortalecer e desenvolver o nosso verdadeiro ser. E se experimentarmos comparar a sociedade com um mercado de frutas e de legumes frescos, onde se vendem produtos “em bruto”, com cheiro e toque natural, e com toda a imperfeição e singularidade?

 

As pessoas partilham o medo de se abrir, de deixar “o embrulho”, receando atitudes de rejeição e de reprovação por parte dos outros. Porque a descoberta da imperfeição expressa pelas nossas fraquezas e desequilíbrios vai sinalizar que nem tudo está a correr tão bem como se esforçavam por mostrar. Mas há um pormenor importante a ter em conta: o nosso poder em influenciar a opinião dos outros é limitado devido à subjectividade da percepção humana, ou seja cada um de nós vê somente a sua predisposição em ver determinadas coisas. E quem não aceita a sua própria imperfeição, faz o mesmo com os outros.

 

O desafio de sair para fora da “embalagem” não é dos mais fáceis, mas um dia, enchendo-se de coragem, atrevam-se a dizer aos outros o que realmente sentem, pensam, imaginam. Para começar, se calhar, escolham o meio mais seguro: amigos, colegas de trabalho mais próximos, filhos. Experimentem primeiro com coisas agradáveis, e à medida que vão ganhando mais segurança com feedback dos outros, arrisquem colocar desafios mais complexos e assim, progredir no caminho de se tornar mais próximo a si mesmo e, como consequência, aos outros. Porque as palavras sinceras vindas de alguém que as sente verdadeiramente, têm um “valor nutritivo” incalculável. O outro ganha uma oportunidade em conhecer e aprender com a sua realidade única, você – uma paz interior e autopercepção mais completa, e ambos – a sensação de proximidade que todos necessitamos para o nosso equilíbrio emocional e psicológico. 

publicado às 11:18

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