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Eu, mediano? Nunca!

por oficinadepsicologia, em 04.02.12

Autora: Tânia da Cunha

Psicóloga Clínica

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Tânia da Cunha

O perfeccionismo é uma tarefa de tempo inteiro que exige empenho completo. Os perfeccionistas são definidos por padrões excessivamente altos e por esforços incontestáveis.
Não há complacência, deve ser o melhor, o primeiro, o impecável. Se quiser ver os perfeccionistas aninhar-se de medo, chame-lhes medianos. Para os perfeccionistas vencer não é tudo, é a única coisa.

Os perfeccionistas podem chegar a parecer pessoas perfeitas, seres super-humanos. Qualquer pessoa ao seu lado se sente preguiçoso e ineficiente. Mas não se deixe enredar por este modo de funcionamento. O perfeccionismo não luta pela perfeição, mas sim evita a imperfeição, que lhe gera intensa tensão e ansiedade.

Os perfeccionistas tendem a ter bastante sucesso e ser alvo de admiração e/ou inveja.
Pode tornar-se num mundo assustador em que um passo em falso, o deixa deprimido e ansioso. Não é saudável viver com tanta exigência. Em vez de se focalizar em ser perfeito, pergunte a si próprio porque necessita de ser perfeito. Se ser imperfeito lhe provoca ansiedade, suspeite.

Se suspeita que está integrado num estilo de vida perfeccionista, aprenda a distinguir entre “Quero que” e “Tenho que”:

o    “Quero que” é conduzido por um desejo de auto-satisfação, não por qualquer motivo subsequente dirigido pelo controlo;

o    “Tenho que” é dirigido pela insegurança. É uma tentativa compulsiva e rígida de utilizar o que se está a fazer para se sentir com controlo.            

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publicado às 14:03

Crise: no mundo ou sobretudo dentro de nós?

por oficinadepsicologia, em 03.02.12

Autor: Ana Crespim

Psicóloga Clínica

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Ana Crespim

Falamos dela todos os dias… mesmo que optássemos por não o fazer, teríamos que ouvir com toda a certeza algum tipo de comentário, alguma notícia ou uma qualquer outra nova medida de austeridade. O que não ouvimos com muita frequência são os efeitos psicológicos da crise, os resultados de ela estar sempre presente no nosso espaço mental. Afinal, tantos são os estímulos à nossa volta a lembrar-nos dela, que se torna quase impossível não a ter de pano de fundo no nosso quotidiano.

Sabemos que as coisas já não são o que eram. Sabemos também que estamos a pagar por uma má gestão de quem nos representa, mas também nos sentimos muitas vezes culpados por termos desenvolvido estilos de vida que em pouco visavam o dia de amanhã ou a possibilidade de o dinheiro e de algumas regalias um dia chegarem ao fim.
Mas afinal, o que muda com a crise? Quais as consequências? Qual o seu impacto no nosso dia a dia? Além de termos perdido o nosso poder de compra, a crise tem-nos tirado outras coisas… a serenidade, a confiança, a esperança, e muito mais, que levam a outras perdas – sono, alegria, etc., etc..

O que podemos fazer perante isto? Se somos praticamente impotentes quanto à situação económica e financeira do mundo em que vivemos, o mesmo não podemos dizer a respeito dos seus efeitos em nós. Se não podemos mudar a realidade, nem os outros, temos sempre uma palavra a dizer quanto ao impacto que permitimos que tenham em nós.
Existem coisas que não nos podem tirar, atividades que tantas vezes menosprezamos, mas que fazem a diferença em matéria de felicidade. A crise não nos tira o sol, a possibilidade de estarmos com quem gostamos, de partilhar bons momentos com aqueles que nos são tão especiais. Mais ainda, a crise pode entrar dentro das nossas cabeças, mas apenas se deixarmos, se tivermos alguma porta ou janelinha por onde ela se possa enfiar. Por isso, depende de nós deixar que isto seja o motivo de acordarmos desanimados e de nos queixarmos constantemente.

O povo português é de facto muito dado ao queixume. Se alguém pergunta como é que estamos, a resposta habitual é: “Vai-se andando” ou “Mais ou menos”. Parece haver alguma relutância, ou melhor, alguma regra implícita que não nos permite dizer: “Estou bem!”, porque como se costuma dizer “Pode dar azo a invejas!”, o que o português interpreta como algo que pode levar a sua felicidade para bem, bem longe. O problema é que, de tanto nos ouvirmos dizer o mesmo, a mensagem entra, aloja-se no nosso espaço mental e acaba por ser considerada como uma verdade inquestionável.

 Vamos mudar isto? A crise é uma realidade de todos, mas não pode ser uma sentença de infelicidade ou uma desculpa para nos queixarmos constantemente da vida, como se fosse mau estar bem.

Pense nisto…

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publicado às 09:32

O embaraço

por oficinadepsicologia, em 01.02.12

Autor: António Norton

Psicólogo Clínico

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António Norton

 

Todos nós de uma forma ou de outra já nos sentimos embaraçados.
O Embaraço é considerado uma emoção resultante da auto-consciência social, na mesma linha da culpa, da vergonha ou do orgulho. O Embaraço acontece na relação com o outro. É uma emoção pública que resulta da sensação de exposição e arrependimento por uma acção praticada. A expectativa de uma avaliação social negativa relativamente a uma acção, pensamento ou emoção que governa o nosso comportamento está na base do embaraço (Lewis, 2008).
 
A experiência emocional do embaraço provém da sensação de falhanço no comportamento de acordo com certos padrões sociais que ameaça a ideia que os outros poderão fazer de si, bem como a forma como se irá avaliar a partir de tal comportamento.
 
Imaginemos uma situação em que se prepara para dar uma palestra e subitamente arrota de uma forma escandalosa. Imediatamente, sentirá embaraço e tal embaraço estará devidamente relacionado com a sua preocupação em relação à avaliação negativa que os outros poderão fazer de si e à própria imagem que fará de si próprio.
 
Geralmente, o embaraço resulta de comportamentos acidentais que o levam a sentir-se mal consigo próprio, mesmo quando não houve qualquer intenção de violar os padrões sociais vigentes.
De acordo com a investigação, a maior parte das situações de embaraço resultam de tropeçar, entornar bebidas, rasgar as calças, expor pensamentos ou sentimentos privados, flatulência acidental, arrotar, receber atenção indesejada, esquecer o nome de outras pessoas ( (Keltner & Buswell, 1996; Miller, 1992; Miller & Tangney, 1994; Saltier, 1966). Não é preciso muito tempo para cada um de nós se lembre de uma situação embaraçante.
 
Quando estamos embaraçados geralmente apresentamos sinais caracteristícos tais como: Baixar o olhar, apresentar um sorriso nervoso, ou um sorriso amarelo, virar a cabeça para o lado, tocar na cara, corar (Keltner, 1997, Keltner and Buswell, 1997).
 
O embaraço também está relacionado com a pessoa corar. As pessoas coram quando um estimulo emocional leva as glândulas a libertar a hormona adrenalina no corpo. A Adrenalina tem um efeito no sistema nervoso, que leva os vasos capilares a transportar o sangue para as extremidades da pele, fazendo a pessoa corar. O que é interessante é que perante a sensação de ameaça social os receptores venosos no pescoço e nas bochechas dilatam (Drummond, 1997). A sensação de exposição social poderá ser ameaçadora e gerar insegurança e receio de não aceitação e integração social.
 
É interessante que em situações especificas e em circunstâncias sociais, comportamentos, à partida embaraçantes podem ser percepcionados com diversão e humor, como por exemplo, arrotar na presença de um amigo próximo ou parceiro amoroso. Mas se tal comportamento fosse feito na presença de um estranho ou de alguém com algum estatuto social, tal como um possível empregador, chefe, professor ou futura sogra então a sensação de embaraço seria muito mais intensa.
 
O contexto social e a expectativa de aceitação são elementos essênciais para a eventual expressão não verbal do embaraço.
O embaraço é uma resposta emocional adaptativa perante a percepção de não integração/aceitação social.
 
Curiosamente, as situações de embaraço não são apenas aquelas em que existe a percepção de ameaça social. Poderão ser situações em que somos expostos a algo de positivo, meritório, engrandecedor. O que implica sempre é uma exposição. Podemos ficar perfeitamente embaraçados perante a experiência do elogio, da promoção laboral na presença de outras testemnhas e colegas de trabalho 
 
Então qual é a utilidade do embaraço se nos coloca numa posição desconfortável?
 
Evolutivamente, o embaraço surgiu para manter a ordem social (Miller, 2007).
 
As investigações demonstraram que as pessoas que apresentam sinais de embaraço perante as suas testemunhas têm maior probabilidade de gerar empatia nos outros, de ser perdoadas e alvos de confiança. (Keltner e Anderson, 2000)
 
Portanto o embaraço é algo positivo mesmo quando sentimos desconforto com tal experiência. 
 
Existem situações em que o embaraço é semelhante à sensação de vergonha. Alguns investigadores defendem que o embaraço é uma forma menos intensa de vergonha, relacionada com a auto-avaliação negativa (Lewis, 2010; Tompkins, 1963). Apesar de poder existir alguma relação entre ambas as emoções a verdade é que as expressões faciais e o comportamento não-verbal de ambas são distintas, o que as separa como emoções distintas (Lewis 2010).
 
O que fazer perante uma experiência de embaraço? Talvez seja importante rever mentalmente esta experiência por uma processo de visualização guiada e imaginar que as testemunhas ficaram tão embaraçadas e preocupadas quanto o actor do embaraço. Geralmente esta descentração ajudar a relativizar o impacto que a experiência poderá ter tido nos outros. Muitas vezes tendemos a exagerar o impacto social das nossas acções (Gilovich, Medvec, & Savitsky, 2000).
 
Lembre-se também que não é os seus erros, nem as suas acções. Os seus erros podem-no ajudar a crescer e a evitar novas situações semelhantes.
 
A expressão do embaraço promove a empatia dos outros, portanto se se encontrar numa situação assim aceite-a e não a dissimule.
 
"Não faça uma tempestade num copo de água"
 
António Norton
 
Referencias:

Gilovich, T.; Medvec, V.; & Savitsky, K. (2000). The spotlight effect in social judgment: An egocentric bias in estimates of the salience of one's own actions and appearance. Journal of Personality and Social Psychology, 78(2), 211-222.
Keltner, D., & Buswell, B. (1997) Embarrassment: Its Distinct Form and Appeasement Functions. Psychological Bulletin, 122:3, 250-270.
Keltner, D., & Buswell, B. (1996). Evidence for the distinctness of embarrassment, shame, and guilt: A study of recalled antecedents and facial expressions of emotion. Cognition and Emotion, 10, 155-171.
Keltner, D. & Anderson, C. (2000). Saving face for Darwin: The functions and uses of embarrassment. Current directions in psychological science, 9:6, 187-192.
Lewis, M. (2010). Self-conscious emotions: Embarrassment, pride, shame, and guilt. In M. Lewis & J. M. Haviland (Eds.), Handbook of emotions (pp. 742-756). New York: Guilford Press.

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publicado às 10:11

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