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Coerência

por oficinadepsicologia, em 14.03.12

Autora. Filipa Cristóvão

Psicóloga Clínica

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Filipa Cristóvão

Enquanto pensava em factores que poderão contribuir para uma maior prevenção de saúde mental e promoção de bem-estar, ocorreu-me que na verdade uma pequena palavra podia bem englobar tanto: Coerência.

E essa mesma atitude que pode ser definida aqui como a capacidade de agir de forma estruturada, com compreensão, e previsível perante as situações pode ter inúmeras aplicações:

  • Coerência na educação das crianças: Inúmeros estudos têm revelado como a consistência nos actos educativos são preditivos de um crescimento saudável. Ou seja, as crianças precisam de estrutura com alguma previsibilidade. Se a criança faz um erro e leva um castigo por isso, no dia seguinte perante o mesmo erro não pode levar um chupa. Sem perceber a ligação de acto/consequência, os padrões aleatórios tornam-se altamente ansiogénicos para uma criança que está a construir o seu mundo interno. Mais ainda, é extremamente importante a coerência entre o que se diz e o que se faz, a coerência entre os conteúdos que transmitem os distintos adultos no ambiente da criança, e a consistência nas mensagens através do tempo.

 

  • Sentido interno de coerência – Trata-se de um conceito desenvolvido por Antonovsky define a capacidade com a qual o indivíduo com um persistente e dinâmico sentimento de confiança encara os estímulos emanados dos meios internos ou externo de uma existência como estruturados, previsíveis e explicáveis; que o individuo tem ao seu alcance recursos para satisfazer as exigências colocadas por esses estímulos; que essas exigências são desafios capazes de catalisar o investimento e o empenho do individuo.

Esta capacidade de experimentar um sentido de coerência está também relacionada com a sensação de bem-estar subjectivo.

 

  • Coerência cardíaca - Até o nosso corpo aprecia alguma coerência. Investigadores do Hearthmath Institute demonstraram que o facto de se evocar uma emoção positiva ou focar a atenção numa sensação bem-estar, devido a uma recordação ou mesmo a uma cena imaginada induz muito rapidamente uma transição da variabilidade cardíaca para uma fase de coerência. Quando estamos centrados em pensamentos negativos, preocupações, estados de stress, diminui a coerência cardíaca, i.e, a variabilidade do ritmo cardíaco entre dois batimentos torna-se “caótica”. A coerência cardíaca influencia o cérebro emocional pois ao dar-lhe estabilidade, indica que fisiologicamente tudo está a funcionar normalmente. O cérebro emocional retribui reforçando a coerência do coração. Este efeito entre o coração e o cérebro estabiliza o sistema nervoso autónomo. Este equilíbrio traduz-se na saúde do corpo em geral pois confere uma sensação de auto-confiança para enfrentar os desafios, ajuda a controlar o stress, a tensão arterial, previne a perda de memória e a depressão, contribui para um aumento de concentração e imunidade.

 

 

Filipa Cristovão

publicado às 15:17

A alma nunca "pensa" sem uma imagem mental

por oficinadepsicologia, em 13.03.12

Autora: Susanne Marie França

Psicóloga Clínica

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Susanne Marie França

Será que Aristóteles tinha razão?

 

De acordo com o psicólogo e investigador Steven Pinker, as nossas vivências são representadas nas nossas mentes em forma de imagens mentais, formando ecos e reconstruções das percepções das nossas experiências do presente, memórias do passado e antecipações de situações e emoções do futuro.  

 

Quando falamos em imagética, geralmente pensamos em visualização. A imagética usa certamente a componente visual, mas a sensibilidade auditiva, visual, olfactiva, gustativa e cinestésica é poderosa, e surge em todos nós em diferentes graus e intensidades. Quem não se lembra de ter ouvido uma música e ser automaticamente transportado/a para uma situação no passado em que essa música teve um significado especial? Entramos num estado alterado de consciência, e saímos do momento presente, vivenciando e sentindo a experiência do passado como se ela estivesse a acontecer agora! Isto é um estado de hipnose! É o pensamento na sua qualidade sensorial pura.

 

Imagética e Cura:

Criar novas imagens mentais pode ser uma ferramenta fundamental nos processos de cura física e psicológica, uma vez que acciona todos os mecanismos sensoriais que por sua vez vão gerar alterações nos mecanismos fisiológicos, tais como alterações no tonus muscular, ritmo respiratório, sistema nervoso, química cerebral, funcionamento do aparelho digestivo, sistema imunitário, etc. 

Técnicas terapêuticas que façam uso do poder da imagética, podem ser aplicadas no sentido de ajudar a aceder e processar sensações do passado, desbloquear e construir novas percepções e sensações relativamente a situações do futuro e alterar a nossa auto-imagem.

Os requisitos básicos para o uso da imagética com sucesso são:

  • Ambiente propicio e calmo em que possa estar sozinho/a durante alguns minutos
  • Usar um estado alterado de consciência como por exemplo a auto-hipnose
  • Intenção e objectivos bem definidos antes de iniciar o processo de imagética
  • Praticar com regularidade. Pelo menos 3 a 4 vezes por semana durante 20 minutos

Então se calhar Aristóteles até que tinha mesmo razão. A linguagem da alma é mesmo a imagética!!!

Gostaria de experimentar sentir o poder da sua mente?

Saudações Hipnóticas

 

http://oficinadepsicologia.com/sobre-a-vida/optimizacao/auto-hipnose

publicado às 10:23

As nossas necessidades psicológicas vitais

por oficinadepsicologia, em 11.03.12

Autora: Joana Fojo Ferreira

Psicóloga Clínica

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Joana Fojo Ferreira

 

Mahatma Gandhi identifica 7 erros da humanidade:

  • Riqueza sem trabalho;
  • Prazer sem consciência;
  • Conhecimento sem carácter;
  • Comércio sem moralidade;
  • Ciência sem humanidade;
  • Adoração sem sacrifício;
  • Política sem princípios.

 

De forma semelhante, o professor e psicoterapeuta António Branco Vasco identifica 7 pares de necessidades psicológicas vitais, para as quais deixo o alerta:

 

  • (Prazer - dor) Procura o prazer, mas tolera a dor e percebe o seu significado;
  • (Proximidade - Autonomia) Equilibra-te entre a proximidade e a autonomia;
  • (Produtividade - Lazer) Investe nas coisas, produz, mas não te esqueças de o complementar com momentos de lazer, relaxamento;
  • (Controle - cedência) Controla o que está ao teu alcance, mas não te esqueças de ceder quando é preciso;
  • (Actualização/Exploração - Tranquilidade) Procura o novo, actualiza-te, sem descurar a tranquilidade de desfrutar do que já é teu;
  • (Coerência do self - Incoerência do self) Procura ser coerente contigo próprio, sabendo ao mesmo tempo tolerar incoerências ocasionais;
  • (Auto-estima - Auto-crítica) E estima-te sempre, mas identifica os teus erros e tolera e aprende com as tuas insatisfações pessoais.

publicado às 19:40

Não nasceu inseguro: aprendeu!

por oficinadepsicologia, em 10.03.12

Autora: Tânia da Cunha

Psicóloga Clínica

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Tânia da Cunha

O crescimento humano implica crescer com algum grau de insegurança. É inevitável. Ainda assim, e numa primeira instância, podemos afirmar que quer a ansiedade quer a depressão são sementes que crescem no solo fértil da insegurança. Se permitir que a insegurança conduza a sua vida então não espere ter a sua própria vida, pois a falta de segurança vulnerabiliza o modo como agimos no contacto com o mundo.

 

Compreendo que, confiar em si próprio para conseguir aquilo que necessita pode parecer à primeira vista aterrador, essencialmente se estiver deprimido. Lembre-se que a ansiedade e a depressão resistem ao movimento. No sentido de fazer face a este marasmo, é necessário o encorajamento adequado, motivação e orientação, e desta forma a inércia pode e deve originar movimento.

 

Se se sente enredado nesta temática da insegurança, seria útil compreender que os pensamentos precedem os sentimentos, por exemplo: muitas pessoas que se sentem ansiosas e deprimidas encaram-se como vítimas. As vítimas sentem que não têm escolha, alguém ou alguma coisa fá-las sentir em descontrolo, desassossegadas, perturbadas ou tristes. Assim, compreender que os pensamentos precedem os sentimentos permite-lhe compreender que não é impotente. Existe sempre alguma coisa que pode fazer. Pode mudar o modo como está a pensar e descobrir simultaneamente que está a sentir-se melhor.


Os pensamentos negativos e sentimentos de tristeza tendem a atrair a sua atenção para as coisas que não gosta, em vez de se enredar neles, experimente:

  • Concentrar-se nos acontecimentos que o rodeiam, por exemplo outras conversas, qualquer coisa que atraia a sua atenção e que lhe desperte interesse;
  • Realize qualquer actividade mental absorvente, como fazer cálculos mentais, jogos e puzzles, palavras cruzadas, leitura – especialmente que lhe agrade;
  • Pratique qualquer actividade física que o mantenha ocupado (por exemplo, uma caminhada).

publicado às 12:00

Autor: Gustavo Pedrosa

Psicólogo Clínico

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Gustavo Pedrosa

Nas famílias actuais, o stress laboral (relativo ao emprego) é um factor de particular importância. Um cônjuge apoiante, é sem dúvida um elemento de grande estabilidade no casal, mas, e quando ambos os cônjuges estão expostos a este stress?

 

O stress laboral tem impacto em todo o sistema familiar, resultando numa das principais causas de divórcios. No actual contexto social, com ambos os cônjuges empregados e submetidos a uma elevada exigência laboral, é importante perceber o efeito desse factor no sistema familiar.

O bem estar resultante de cônjuges apoiantes pode ser perceptível na vivencia familiar e, também, no emprego. Num estudo conduzido por Wayne Hochwarter, da Universidade Estadual da Flórida - College of Business, foi possível verificar a importância do apoio do cônjuge, independentemente do tipo de emprego e da sua  exigência laboral.

 

No estudo identificou-se que os casais que relataram altos níveis de stress, mas com um apoio conjugal forte, em comparação com casais com elevado stress, sem esse apoio, demonstraram os seguintes benefícios no sistema familiar:

  • Melhores índices de satisfação com o casamento (incremento de 50%);
  • Menor sentimento de culpa associada a negligência familiar ou doméstica (redução até 30%);
  • Probabilidade 30% menor de criticar a família (cônjuge, filhos);
  • Maiores índices de satisfação com a quantidade de tempo passado com os filhos (mais 25%);

Também ao nível laboral foi possível identificar os seguintes benefícios:

  • Maior probabilidade de relações positivas com colegas de trabalho (aumento de 33%);
  • Maiores níveis de concentração no trabalho (mais de 25%);
  • Menor probabilidade de se sentir cansado após o trabalho (redução descrita de 25%);
  • Melhor percepção da progressão das suas carreiras (melhoria de 20%), e
  • Níveis de satisfação no trabalho 20% mais elevados.

 

 

A incapacidade de criar um suporte conjugal para lidar com o stress laboral resulta num retorno ao local de trabalho com uma agitação ainda maior. Esse apoio, deverá ser criado por ambos os cônjuges, para que algumas tentativas de apoio não possam sair frustradas, piorando a situação.

 

Foram identificados alguns dos factores que distinguem o apoio favorável, do apoio desfavorável. O apoio favorável tem um impacto profundo e de longa duração, com várias características, que incluíam:

  • Ter consciência das exigências do trabalho diário do cônjuge (isto é, pressões de tempo, falta de recursos, prazos e supervisores).
  • Compreender que a comunicação é possível, independentemente das circunstâncias.
  • Reconhecer que o afastamento ou a agressividade não são comportamentos funcionais para obter ajuda.  Na verdade, tendem a piorar a comunicação, resultando no distanciamento e agressividade do cônjuge.
  • Ser capaz de equilibrar emocionalmente o cônjuge – alegrá-lo quando está deprimido e acalmá-lo quando está excessivamente agitado.
  • No ambiente familiar, não queixar-se sobre acontecimentos pouco relevantes do trabalho.
  • Não criar uma “competição” de quem teve o dia pior.
  • Ser racional e não conotar automaticamente o cônjuge como o “mau da fita".
  • Não manter um registo do que se dá e do que se recebe do cônjuge.
  • Não ter uma atitude exigente.

Quando ambos estão stressados do trabalho, devem manter-se os recursos mentais e emocionais necessários para ajudar o cônjuge. Nos casais bem sucedidos, os cônjuges conseguem lidar com o seu próprio stress, e quase sempre mantêm de reserva um fornecimento de suporte, para ser aproveitado em dias particularmente exigentes.

 

Os homens e as mulheres diferem nos comportamentos de apoio preferidos. Em geral, as esposas apreciam ser ajudadas nas tarefas domésticas; sentirem-se apreciadas, e receber manifestações de carinho e afecto. Os maridos, por sua vez, são mais propensos a responder positivamente às ofertas de ajuda, e a sentirem-se apreciados e necessários. No entanto, ambos apreciam a ajuda do cônjuge em conseguir algum tempo afastado do trabalho e dos problemas familiares, para simplesmente descansar e recarregar baterias.

Em qualquer relação, quando o stress está presente tem o potencial de unir ou de separar as pessoas. O estudo referido demonstra esta informação no que respeita ao stress laboral. É também evidente o papel fundamental da comunicação e da confiança entre os cônjuges, de forma a criarem uma base de relacionamento mais estável.

 

 

Hochwarter, W. (2012) “In Sickness and in Health: Importance of Supportive Spouses in Coping With Work-Related Stress“. 

publicado às 15:42

Entrevista no feminino

por oficinadepsicologia, em 07.03.12

A todas as Mulheres, os nossos votos de uma Vida Feliz! :)

 

Autora: Vera Martins

Psicóloga Clínica

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Vera Martins

Coração ou razão?
Coração, sempre!

Intuição ou certeza?
Intuição, concerteza!

Fácil ou difícil?
Dificilmente é fácil!

Simples ou complexo?
O simples é sempre complexo!

Teoria ou prática?
Na prática, uma boa teoria!

Princípio ou fim?
O princípio do fim!

Dizer ou pensar?
AMAR!

publicado às 10:18

Insatisfação com o corpo

por oficinadepsicologia, em 06.03.12

Autora: Filipa Jardim Silva

Psicóloga Clínica

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Filipa Jardim Silva

A imagem corporal refere-se à percepção de uma pessoa da estética e atratividade sexual do seu próprio corpo. O conceito de imagem corporal foi apresentado pelo neurologista austríaco e psicanalista Paul Schilder no seu livro A imagem e aparência do Corpo Humano (1935). A sociedade humana tem, em todos os momentos, dado grande valor à beleza do corpo humano, mas a percepção de uma pessoa do próprio corpo pode não corresponder aos padrões da sociedade.

O conceito de imagem corporal é usado em diversas disciplinas, incluindo a psicologia, medicina, psiquiatria, psicanálise, filosofia e os estudos culturais e feministas. O termo também é usado frequentemente nos media. Através destas disciplinas e meios de comunicação não existe uma definição consensual.

A Imagem corporal de uma pessoa é pensada para ser, em parte, um produto de suas experiências pessoais, da sua personalidade e de várias forças sociais e culturais. O sentido de uma pessoa da sua própria aparência física pode moldar a sua imagem corporal junto de outras pessoas. A percepção de uma pessoa da sua aparência pode igualmente ser diferente de como os outros percebem que ela realmente é.

A imagem do corpo pode ter uma ampla gama de efeitos psicológicos e efeitos físicos. Segundo o Dr. Aric Sigman, um biólogo britânico, o facto de algumas mulheres admirarem padrões de beleza com baixo peso e se sentirem insatisfeitas com o seu corpo terá uma mudança imediata na química do cérebro diminuindo a auto-estima e podendo aumentar a auto-aversão. Os investigadores nesta área notam que as pessoas com uma imagem corporal baixa vão tentar alterar o seu corpo de alguma forma, por dieta ou cirurgia plástica.

 

 

Espelho, espelho,
Um resumo dos resultados da investigação sobre a imagem corporal



Estamos todos mais obcecados com a nossa aparência do que gostaríamos de admitir. Mas isso não é uma indicação de 'vaidade'. Vaidade significa presunção, orgulho excessivo em sua aparência. Preocupação com a aparência é normal e compreensível. Pessoas atraentes têm vantagens distintas em nossa sociedade. Estudos mostram que:

  • Crianças atraentes são mais populares, tanto com colegas e professores. Os professores dão as avaliações mais altas para o trabalho de crianças atraentes e têm expectativas mais elevadas deles (que foi mostrado para melhorar o desempenho).
  • Candidatos atraentes têm mais hipóteses de conseguir emprego, e de receber salários mais elevados.
  • No tribunal, as pessoas atraentes são culpados menos frequentemente. Quando considerados culpados, eles recebem sentenças menos severas.
  • O "viés de beleza 'opera em quase todas as situações sociais - todos os estudos mostram que se reage de forma mais favorável às pessoas fisicamente atraentes.
  • Nós também acreditamos em "o que é bonito é bom" estereótipo - uma crença irracional, mas profundamente arraigada de que as pessoas fisicamente atraentes possuem outras características desejáveis, tais como competência, inteligência, habilidades sociais, de confiança - até mesmo a virtude moral. (A boa fada / princesa é sempre belo, a madrasta malvada é sempre feio)

Não é de surpreender que a atratividade física seja de extrema importância para nós.

Preocupação com a aparência não é apenas uma aberração da cultura ocidental moderna. Cada período da história teve seus próprios padrões do que é e não é bonito, e toda a sociedade contemporânea tem o seu próprio conceito distinto dos atributos físicos ideais. No século 19 ser bonito significava vestir um espartilho - causando respiração e problemas digestivos. Agora todos tentam dieta e exercício físico - muitas vezes com consequências ainda mais graves.

Mas apesar de parecer existir pontos em comum relativamente à nossa preocupação com a aparência com os nossos antepassados e outras culturas, há uma diferença no grau de preocupação. Avanços na tecnologia e em particular o aumento dos meios de comunicação têm causado preocupações normais sobre a forma como nos olhamos e no caminho para tornar-se obsessão.

 

Como? 3 razões:

  • Graças à comunicação social, os padrões de beleza tornaram-se extremamente rígidos e uniformes.
  • Na TV, outdoors e revistas vê-se pessoas bonitas permanentemente.
  • Os padrões de beleza têm, de facto, se tornado mais difícil de atingir, especialmente para as mulheres. Os meios de comunicação atuais difundem ideais de magreza para as mulheres que são realizáveis em menos de 5% da população feminina.

Mesmo as pessoas muito atraentes por vezes sentem inseguranças. Esquecemos que existem desvantagens em se ser atraente: as pessoas atraentes estão sob uma pressão muito maior para manter a sua aparência. Além disso, estudos mostram que as pessoas atraentes não se beneficiam do "viés para a beleza" em termos de auto-estima.

 

Imagens e reações: o que vemos e como nos sentimos sobre o corpo

O que as pessoas vêem e como eles reagem ao seu reflexo num espelho irá variar de acordo com: espécie, sexo, idade, etnia, orientação sexual, humor, transtornos alimentares, o que assiste na TV, as revistas que lê, estado civil, que tipo de infância que teve, em que fase do ciclo menstrual está, gravidez,…

 

Género

Todas as pesquisas até o momento sobre a imagem corporal mostram que as mulheres são muito mais críticas com a sua aparência do que os homens - muito menos propensos a admirar o que veem no espelho. 8 em cada 10 mulheres ficarão insatisfeitos com o seu reflexo, e mais da metade pode ver uma imagem distorcida.

Os homens quando se olham no espelho são mais propensos a sentir-se satisfeitos com o que veem ou indiferentes. A pesquisa mostra que os homens geralmente têm uma imagem corporal muito mais positiva do que as mulheres – eles tendem a superestimar a sua capacidade de atracção.

Porque serão as mulheres muito mais auto-críticas do que os homens? Porque as mulheres são mais julgadas pela sua aparência do que os homens, e os padrões de beleza feminina são consideravelmente maiores e mais inflexíveis. As mulheres são constantemente bombardeadas com imagens do rosto 'ideal' e figura - o que Naomi Woolf chama de "o organismo oficial '. A exposição constante às imagens idealizadas de beleza feminina na TV, revistas e outdoors torna os padrões excepcionais e a boa aparência parece normal e tudo o que é aquém da perfeição parece anormal e feio. Estima-se que as mulheres jovens agora veem mais imagens de mulheres excepcionalmente belas num dia do que as suas mães viram durante toda a sua adolescência inteira.

Além disso, a maioria das mulheres tenta conseguir o impossível: os padrões de beleza. Os meios de comunicação atuais promovem ideais para as mulheres realizáveis em menos de 5% da população feminina - e isso é só em termos de peso e tamanho. Se falarmos da forma ideal provavelmente é mais parecido com 1%.

 

 

Idade


Crianças: No Feminino a insatisfação com a aparência - má imagem do corpo - começa numa idade muito precoce. Os bebés humanos começam a reconhecer-se no espelho com cerca de dois anos de idade. Os seres humanos do sexo feminino começam a não gostar do que veem apenas alguns anos mais tarde. As últimas pesquisas mostram que meninas muito jovens iniciam dietas porque acham que estão gordas e não são bonitas. Numa pesquisa americana, 81% das meninas com 10 anos de idade já fizeram dieta pelo menos uma vez. Um recente estudo sueco descobriu que 25% das meninas com 7 anos haviam igualmente feito dieta para perder peso, com questões precoces de "distorção da imagem corporal”. Estudos semelhantes no Japão descobriram que 41% das meninas do ensino primário (algumas de 6 anos) pensavam acerca de si como sendo gordas. Mesmo as meninas com peso normal e baixo peso querem perder peso.

Os meninos são significativamente menos críticos da sua aparência: num estudo com raparigas com peso normal essas meninas expressaram significativamente mais preocupações sobre sua aparência do que um grupo de meninos obesos.

 

Adolescentes: Os meninos passam por uma fase curta de insatisfação em relação à sua aparência no início da adolescência, mas as mudanças físicas associadas à puberdade levam-nos rapidamente para mais perto do ideal masculino - ou seja, altos, mais largo nos ombros, mais musculoso, etc.

Para as meninas, no entanto, a puberdade só piora as coisas. As mudanças físicas normais - aumento de peso e gordura corporal, principalmente nos quadris e coxas - afasta-as do ideal cultural de magreza anormal. Um estudo da Universidade Harvard mostrou que até dois terços de raparigas de 12 anos com baixo peso se consideravam muito gordas. Aos 13 anos, pelo menos 50% das meninas são significativamente infelizes com a sua aparência. Por volta dos 14 anos, as raparigas tendem a ser mais focadas apresentando insatisfações específicas (quadris e coxas). Até aos 17 anos, apenas 3 em cada 10 meninas não seguiram uma dieta - até 8 de 10 sentir-se-ão infelizes com o que veem no espelho.

 

Adultos: Entre as mulheres maiores de 18 anos, a pesquisa indica que, pelo menos, 80% estão insatisfeitas com o que veem ao espelho. Muitas tendem a não ver um reflexo preciso, mas sim uma percepção distorcida da sua real imagem. vão mesmo estar vendo um reflexo preciso. Um número crescente de mulheres normais e atraentes, sem problemas de peso ou clínicos distúrbios psicológicos, olha-se no espelho e refere ver gordura e aspectos feios.

Na pesquisa mais recente, há alguma evidência de um aumento na insatisfação corporal entre os homens. Bem como em alguns inícios da adolescência, homens submetidos à chamada "menopausa no masculino"- isto é, homens entre as idades de cerca de 45 e 60 - têm mais probabilidade de estar insatisfeito com sua aparência. Quando os homens estão insatisfeitos, os principais focos de preocupação são a altura, estômago e barriga, e perda de cabelo.

 

Grupo étnico

Há algumas exceções para estas regras. As mulheres negras e asiáticas geralmente têm uma forma mais positiva da imagem corporal do que as mulheres caucasianas, embora isso dependa do grau em que tenham aceite os padrões de beleza da cultura dominante.

Um estudo de imigrantes mexicanos nos Estados Unidos descobriram que aqueles que haviam imigrado após a idade de 17 anos foram menos afetados pelo ideal super-fino do que aqueles que tinham 16 anos ou menos quando foram para os EUA. Num estudo da Universidade de Washington, as mulheres negras com auto-estima elevada e um forte senso de identidade racial, na verdade classificaram-se como mais atraentes do que fotos de modelos brancas com o suposto padrão de beleza “ideal”. Num outro estudo cerca de 40% de mulheres negras moderada e severamente obesas classificaram os seus tamanhos de roupa como requisitos para se ser atraente ou muito atraente.

 

Orientação sexual

Estudos recentes mostram que os homens homossexuais experimentam uma maior insatisfação corporal do que os homens heterossexuais, enquanto as mulheres homossexuais têm uma forma mais positiva da imagem corporal do que as mulheres heterossexuais. Isto parece ser principalmente devido à maior ênfase na aparência na cultura masculina gay - embora seja possível que a estabilidade das relações (ver abaixo) possa também ser um factor.

 

TV & Revistas

As reações das pessoas ao seu reflexo no espelho podem depender da exposição recente a imagens idealizadas de atratividade física. Estudos têm mostrado que as pessoas tornaram-se significativamente mais insatisfeitas com sua própria aparência depois de terem visualizado anúncios de TV com pessoas extremamente magras e bonitas. Ao grupo de controlo não mostraram anúncios relacionados cin a aparência e observou-se que não existiu alteração da classificação da sua própria atractividade.

Embora muitos programas de TV mostrem pessoas atraentes, os anúncios tendem a usar as imagens mais idealizadas, com recurso a programas informáticos de aprimoramento da imagem. O mesmo se aplica à leitura de revistas de moda. Experiências recentes mostraram que a exposição a fotografias de revistas de modelos super-magras aumenta a propensão e desenvolvimento de quadros como a depressão, stress, culpa, vergonha, insegurança, insatisfação corporal e aumento do estereótipo de mulher magra ideal.

 

Casado ou solteiro

Geralmente, as pessoas em relações estáveis (não necessariamente casadas) têm uma forma mais positiva da imagem corporal do que os solteiros. Isso aplica-se a todas as idades, embora um estudo americano acerca do comportamento no namoro adolescente mostrou que os adolescentes que estão integrados em grupos de amigos têm uma melhor imagem corporal do que aqueles que saem sozinhos com o seu namorado ou namorada.

 

Gravidez

Vários estudos têm indicado que as mulheres grávidas têm uma forma mais positiva da imagem corporal do que os não-gestantes - apesar do distanciamento da forma do corpo 'ideal', as suas preocupações sobre deixar de corresponder a esse ideal são reduzidos durante a gravidez.

 

Transtorno Dismórfico Corporal

Também conhecido como Dismorfofobia. Estas pessoas apresentam um nível extremo de perturbação da imagem corporal, insatisfação corporal, auto-consciência e preocupação com a aparência, que as leva a experimentar as reações mais negativas face ao espelho.

 

Obesidade

O preconceito contra o excesso de peso na nossa cultura é de tal forma severo que as pessoas obesas (principalmente mulheres) tendem a ter uma muito má imagem do seu corpo, para além de manifestações de ansiedade severa e depressão (estudos mostram que o bem-estar mental das mulheres obesas é pior) que pode conduzir a que estejam cronicamente doentes ou até mesmo gravemente incapacitadas. Muitos dstes problemas não são causados ​​pela obesidade em si mas pela pressão social e a associação de beleza a magreza.

 

Aceitação das normas socioculturais

A maioria de nós está consciente da ênfase da nossa sociedade sobre a importância da aparência. Mas nem todos nós aceitamos ou "internalizamos" esses padrões, não pelo menos de uma forma tão intensa e rígida: indivíduos com uma personalidade mais forte e definida, que rejeitam os padrões atuais, são mais propensos a ter uma imagem corporal positiva.

 

 

Adaptado de Kate Fox, de 1997.

publicado às 10:36

Quando procuramos a pessoa errada e repetimos os erros

por oficinadepsicologia, em 05.03.12

Autor: António Norton

Psicólogo Clínico

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A perpetuação de ciclos disfuncionais

 

 

António Norton

Todos nós vivemos em interacção com outras pessoas e muito do nosso bem-estar e da nossa satisfação interior provém das relações que estabelecemos com as outras pessoas.

 

 As nossas interacções começam desde os primeiros momentos de vinculação. Desde as primeiras experiências de prazer oral e de negação desse e de outros prazeres, que vamos aprendendo a interagir com as pessoas que nos rodeiam.

 

Primeiramente com as figuras máximas de vinculação, ou seja, geralmente os nossos pais, depois com os familiares e amigos dos pais, quer crianças, quer adultos e mais tarde com as crianças da pré-primária, primária e por aí fora. Nascemos e crescemos em relação.

 

Podemos ter desde sempre relações funcionais, em que aprendemos o que esperar das nossas figuras de vinculação e vamos crescendo e explorando o meio-ambiente, sabendo que temos um porto seguro, que são os nossos pais. Quando assim é falamos de uma vinculação segura.

Mas, também podemos ter desde os primeiros estádios de vida relações disfuncionais, em que vemos os nossos pais ansiosos ou altamente angústiados ou cheios de tristeza e desenvolvemos uma vinculação insegura em que não sabemos como lidar com as figuras de vinculação, pois não sabemos se poderão estar ansiosas ou deprimidas e se poderão estar ou não receptivas às nossas necessidades.  

 

Podemos ainda ter relações altamente disfuncionais, em que vemos os nossos pais como figuras ameaçadoras para nós que tanto nos batem, como nos dão amor, de uma forma aparentemente incompreensível para nós.

 

Estes estilos de vinculação, estes padrões de vinculação criam-se e desenvolvem-se desde tenra idade, e de uma forma ou de outra, tendem a se perpetuar, pois as nossas emoções, como resposta aos comportamentos das nossas figuras de vinculação ficaram condicionadas de uma determinada forma.

 

Cada pessoa é um mundo único e traz consigo as várias memórias de vinculação que viveu, sejam elas verbais ou pré-verbais. Traz condicionamentos, traz respostas emocionais adaptativas que a levaram a se comportar de uma determinada forma em determinadas situações primárias, ou seja que remontam aos primeiros estádios de vinculação.

Cada pessoa traz essa herança que viveu durante a formação do seu estilo de vinculação e quando parte para uma relação traz consigo essa herança. Traz o seu estilo de vinculação.

 

É importante perceber que quando falamos de respostas emocionais adaptativas a estilos de vinculação, estamos a falar de algo muito anterior à palavra escrita ou falada. Estamos no domínio do pré-verbal. São memórias muito antigas e que se desenvolveram para nos proteger. Aprendemos como reagir perante determinadas figuras com determinados estilos de vinculação.

Uma vez que aprendemos a lidar com determinados estilos vamos ter tendência para, ao longo da nossa vida procurar pessoas que correspondam ao mesmo estilo de vinculação. Quando falamos de estilos de vinculação não seguros então vamos ter tendência a procurar pessoas não seguras.

 

E obviamente surgirá uma pergunta completamente legítima: Porquê? Diz o leitor:  “Devíamos era fugir a sete pés de pessoas que vão lidar connosco como lidaram os nossos pais”.

 

Compreendo perfeitamente o seu espanto, mas a questão é que por muito desconfortável que possa ser a interacção com figuras de vinculação inseguras a verdade é que algures no nosso passado remoto aprendemos, de alguma forma, a lidar com estas figuras e, portanto, de algum modo, o nosso organismo vai procurar o que lhe é confortável e conhecido.

 

Mas a verdade racional é que é muito dificil ter uma relação amorosa satisfatória quando existe insegurança, quando não conseguimos confiar, quando não nos conseguimos entregar, quando temos ciúmes patológicos, quando sentimos raiva quando o nosso companheiro quer fazer amor connosco, quando o nosso corpo se fecha e não responde sexualmente e.t.c.

Todos nós queremos relações em que possamos amar e ser amados, numa palavra em que possamos dar e sentir segurança.

 

O que é que acontece quando duas pessoas não se entendem numa relação amorosa? Podem ficar juntas ou se separar. Se ficam juntas podem pensar:

“O amor vai ultrapassar todas as barreiras e vamos ficar bem”

Se ficam separadas podem pensar:

“Vou sofrer muito, mas o tempo tudo cura e eu vou ficar bem e encontrar a pessoa certa para mim”.

Ambas as ideias podem ser perigosas.

 

E porquê? Porque sem psicoterapia as pessoas vão ter tendência a repetir os mesmos padrões de vinculação. E por muito amor que tenham uma pela outra vão manter o seu analfabetismo na capacidade de se relacionarem uma com a outra. Sem psicoterapia é como se continuassem com vendas nos olhos a chocar contra as paredes e contra o parceiro, sem realmente o ver, porque não se conseguem ver a sí próprias.

Sem psicoterapia dificilmente vão quebrar os automatismos que trazem e que disparam perante determinada expressão facial, determinada expressão emocional, determinado gesto ou inflexão de voz. Não basta amar. O amor dificilmente será suficiente.

 

A segunda ideia também é perigosa. A pessoa até pode acabar a relação disfuncional, mas normalmente acaba por repetir o padrão que traz consigo, mas, desta vez, com outra pessoa, que normalmente apresenta o mesmo padrão de vinculação que a anterior e o sofrimento vai apenas repetir-se.

 

Muitas vezes as pessoas surgem em psicoterapia depois de terem repetido vezes sem conta estes padrões e terem tido relações disfuncionais.

Eu penso que infelizmente existem muitas relações interpessoais disfuncionais e felizmente existe a Psicoterapia para procurar dar resposta e ajudar a pessoa a ter auto-conhecimento da sua forma de interagir e dos seus ciclos interpessoais disfuncionais.

É mesmo importante que a Psicoterapia seja cada vez mais vista com seriedade e com urgência perante a sua mais valia na forma de ajudar pessoas que perpetuam ciclos interpessoais disfuncionais.

 

Pense nisto! Às vezes nem o tempo nem o amor chegam! É preciso algo mais!

publicado às 10:47

Terapia não é dar conselhos...

por oficinadepsicologia, em 02.03.12

Autor: Susanne Marie França

Psicóloga Clínica

www.oficinadepsicologia.com

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Susanne Marie França

"A única coisa a fazer com os bons conselhos é passá-los a outros; pois nunca têm utilidade para nós próprios"
Oscar Wilde 

 

Fiquei intrigada quando no outro dia uma paciente me perguntou se devia terminar uma relação afectiva com um rapaz com quem namora há dois anos. Andava baralhada e insegura, e o último terapeuta tinha-lhe dito que aquela relação era doentia, e que provavelmente seria terminar a relação….pois estava a agravar a depressão!

 

Por vezes confunde-se psicoterapia com dar conselhos. Muitos pacientes fazem-nos perguntas acerca da nossa opinião de como devem agir ou pensar...E muitos psicoterapeutas, caem na tentação de expressar essa opinião…e lá sai um conselho! Ninguém está a dizer que o terapeuta não é bem-intencionado, e que a opinião até nem é a acertada, mas terapia não é dar conselhos! Os pacientes e terapeutas têm uma relação forte, mas é uma relação terapêutica, que com o tempo e solidificação permite que o paciente seja o seu próprio “conselheiro”.

 

Se os pacientes necessitassem de conselhos não recorreriam a um terapeuta. Por vezes, já estão fartos de opiniões que os irritam e baralham… É o vizinho do lado que não se inibe de dizer o que pensa…é o pai…a mãe….o amigo…o tio….

 

A vulnerabilidade de um paciente que procura ajuda, pode torná-lo altamente sugestionável e sedento de aconselhamento, na tentativa de conseguir aliviar o desconforto e inquietação emocional. O papel do terapeuta será certamente ajudar ao paciente a lidar com esse desconforto, mas dar conselhos será, no meu ponto de vista, satisfazer mais uma necessidade do terapeuta do que do paciente, e adiar um processo terapêutico, que por sua vez pode ter repercussões bastante serias e nefastas para o paciente e sua vida pessoal.

 

publicado às 11:08

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