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Separação à vista?!

por oficinadepsicologia, em 20.10.12

Autora: Inês Mota

 

Psicóloga Clínica

 

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Inês Mota

 

Com cada vez mais frequência, tenho recebido em consultório tanto homens como mulheres numa fase particular e difícil da sua vida: a fase relativa ao período que antecede a concretização da separação.

 

Para estas pessoas em particular com quem me tenho cruzado, nesta situação particular, já nelas habita o sentimento definitivo da necessidade e vontade da separação. Muitas delas, inclusive, já têm a situação abordada com aquele que será o futuro ex-cônjuge e poderão naquele momento estar a atravessar uma fase de conflito mais ou menos aberto.

 

No entanto, para muitas delas o ponto importante a ser explorado em terapia consiste na neblina cinzenta que se lhes colou ao olhar e que não lhes permite avistar com transparência um futuro com maior claridade.

 

Sabem que estão perante uma travessia de vida nova e enigmática. Sabem que não querem voltar para trás, no entanto não sabem como continuar em frente.

 

Muitos não sabem do que precisam para continuar em frente!

 

Ao assumir que nesta fase cai de facto um nevoeiro denso sobre o caminho que se antevê, uma das questões a abordar em terapia poderá ser exatamente perceber como se acendem as luzes de nevoeiro para se poder estar atento aos eventuais perigos da estrada, visto esta poder ser a vez primeira que se toma as rédeas do volante em viagem.

 

De facto muitas destas pessoas raramente se aventuraram sozinhas e é então importante descobrirem o que precisam de levar na mochila, ou como o preparar ou como o adquirir.

 

Outras debatem-se com o atrito natural do reencontro consigo próprias, apenas porque estavam acostumadas ao desempenho desarticulado de uma dança a dois.

 

Esta é então uma fase em que é importante fazer testes de resistência alternados com sprints, testes de força, treinar vários tipos de saltos, fazer testes de equilíbrio, tudo na adequação aos possíveis tipos de pisos ou adversidades climatéricas.

 

É um treino em que se acordam forças e vontades adormecidas, denunciadas pelos olhares sempre mais amplos e luminosos.

 

Tem sido saboroso presenciar este encontro ou reencontro do próprio com ele próprio, e constatar como dele sai fortalecido e revigorado.

 

Tem sido saboroso presenciar a certeza de que doravante o caminho, esse continua desconhecido e enigmático, mas que há, no entanto, um novo e revigorado alento na vontade de seguir em frente.

 

 

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publicado às 10:21

Carrossel da vida – agarre-se!

por oficinadepsicologia, em 19.10.12

Autora: Filipa Jardim da Silva

 

Psicóloga Clínica

 

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Filipa Jardim da Silva

Se pudesse ter a oportunidade de escrever o guião da sua vida, escrevê-lo-ia? Podia escolher o início, meio e fim da sua aventura, definir tudo de forma inspirada e planeada, selecionar as pessoas que se iriam cruzar consigo, as palavras ditas, os gestos trocados, as resoluções aos obstáculos que decidisse semear. Poderia criar um final feliz, daqueles que tardam por vezes em chegar na vida real e imprevista, poderia fazer com que as pessoas lhe dissessem o que realmente sentem sem filtros que tendem a perturbar a comunicação, poderia ouvir todas as palavras de amor e carinho que por vezes nunca chegam apesar de tanto esforço, poderia dar um sentido claro a todas as lágrimas derramadas e a todas as desilusões experienciadas. E quando colocasse um ponto final tudo estaria fechado, sem possibilidade a alterações posteriores.

 

Parece-lhe tentadora esta possibilidade de ter uma vida perfeitamente previsível e controlada? Em alguns momentos talvez o seja. Já o terá sido a todos nós.

 

Muitas vezes prendo-me em relatos vários que têm um denominador comum: a dificuldade de aceitar e lidar com a ausência de controlo absoluto e a imprevisibilidade inerente à vida. Podem até surgir um conjunto de sintomas físicos de crescente intensidade, diretamente proporcional ao sentimento de insegurança e da multiplicação de perguntas em detrimento de uma subtração de respostas.

 

Mas será possível sentir-se vivo, verdadeiramente vivo no seu sentido absoluto e pleno, sem momentos de surpresa e descontrolo, em que se sente a derivar em alto mar, recuperando mais tarde o fôlego ao reencontrar terra firme? Ao saber todos os cheiros que iria experienciar, todos os paladares degustados, os toques sentidos, as palavras mencionadas, as paisagens visitadas... o que sobraria então? A previsibilidade excessiva não adormeceria os sentidos, que, por ausência de necessidade, se tornariam em pilotos automáticos de reconhecimento grosseiro de ingredientes listados num guião pré-definido? Ouvir palavras de amor pré-anunciadas não lhes retiraria a intenção com que são ditas e o poder inerente a um sopro imprevisto e quente no coração? A ausência de obstáculos confusos, de lágrimas algo injustas, de palavras incompreendidas, de meias palavras, de desencontros não anularia o sumo do que é viver e do que é agarrar a vida com as duas mãos?

 

Podemos querer teimar em caminhar apenas em solo firme ou abraçar o desafio de nos equilibrarmos numa corda bamba com uma vara que se vai desequilibrando para manter o desejado equilíbrio. E talvez nesse desequilíbrio equilibrado existam momentos em que esperamos que um génio de uma qualquer lamparina mágica surja com a possibilidade de pedirmos um guião de vida escrito; e existirão outros momentos em que respiramos fundo, mantemo-nos suficientemente firmes mas flexíveis no carrossel da vida e sentimos na pele a brisa da imprevisibilidade, a magia da surpresa e a energia da vitória, de quem a reconhece como tal porque também já perdeu.

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publicado às 15:47

Até que o perdão nos separe!

por oficinadepsicologia, em 18.10.12

Autor: Gustavo Pedrosa

 

Psicólogo Clínico

 

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Gustavo Pedrosa

 

Quando os casais se aborrecem por algum comportamento considerado menos correto por parte de um dos elementos, tendem a repetir padrões na sua forma de interagir e encarar esses problemas. Em geral, há dois tipos de “reações-padrão”: perdão ou rejeição; aceitação ou negativismo; carinho ou raiva; desculpabilização ou agressividade, passividade ou culpabilização!

 

Nem sempre a expressão aberta de emoções e sentimentos em situações de conflito é vista como saudável. A psicologia positiva tem apontado para uma reação de aceitação, para o perdoar e esquecer, para uma racionalização positiva dos problemas. Também nos casais começou a haver um discurso de abertura de expressão de opiniões e sentimentos, mesmo que muitas vezes nem sempre essa abertura seja real, pois quando existe uma expressividade franca por parte de um cônjuge, nem sempre o outro tem capacidade de aceitar a mesma.

 

Mas, por vezes, a expressão da raiva pode ser necessária para resolver um problema relacional, contrariando a passividade e o perdão. Segundo estudos recentes, uma interação conflituosa, menos passiva e mais honesta na expressão de emoções (como a raiva) poderá, a curto prazo, ser muito desconfortável, mas parece ser a mais benéfica para a saúde da relação a longo-termo.

 

A eficácia do perdão está dependente do nível de aceitação do cônjuge, da severidade e frequência da transgressão. Ou seja, a longo-termo, a psicologia positiva poderá não ser a mais eficaz em todos os cenários, pois a aceitação do cônjuge leva o outro a tornar-se, nalgumas situações, menos presente e apoiante, mais irresponsável financeiramente e até infiel. A expressão da raiva sinaliza ao cônjuge que o comportamento ofensivo não é aceite, levando-o a não repetir o mesmo. E quando o comportamento negativo não se repete, há melhorias relacionais a longo termo.

 

Tal como a psicologia positiva, a expressão da raiva não é a panaceia para todos os problemas. Pode não ser aceite em todas as relações e em todas as situações, dependendo do contexto e do meio, das expectativas, das crenças e das experiencias anteriores, de ambos os parceiros. Lembre-se que a expressão das suas emoções poderá ser mal-interpretada, seja pela passividade ou, pelo contrário, pela expressão da raiva e agressividade. A atitude correta estará no meio de ambos os comportamentos, no equilíbrio que tão dificilmente conseguiremos encontrar entre o perdão e a expressão da raiva!

 

Baseado no artigo:

Daily Science News, Sometimes Expressing Anger Can Help a Relationship in the Long-Therm; Aug. 2, 2012.

 

 

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publicado às 13:24

É fácil dizer “Não te preocupes, sê feliz”

por oficinadepsicologia, em 17.10.12

Autora: Tânia da Cunha

 

Psicóloga Clínica

 

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O coelho branco de Alice no País das Maravilhas, olhando constantemente para o relógio e resmungando com os seus botões, enquanto corre de um lado para o outro, constitui um bom retrato da ansiedade.

 

A ansiedade é a preocupação intensificada. Há momentos em que é apropriado estar-se preocupado ou ansioso. No entanto se ansiedade estiver presente na grande maioria do tempo, vale a pena debruçar-se sobre o assunto.

 

É evidente que há preocupações que convém tomar. Cuidados que é importante ter. Mas passar a vida a pensar nos possíveis perigos, nas prováveis doenças, transformando problemas banais, pequenos aborrecimentos, em verdadeiras catástrofes, é olhar de forma negativa para tudo o que acontece afasta-nos do caminho da felicidade.

 

A ansiedade é uma experiência comum a todos nós, quando desempenha uma função adaptativa. Algum nível de ansiedade é essencial para se obter um rendimento máximo ou óptimo, ainda assim, se a estimulação ansiogénica for excessiva ultrapassando o limiar adaptativo, entramos no campo da ansiedade patológica, ou seja, um padrão comportamental não adaptativo e prejudicial para a saúde.

 

Saber apreciar a vida, saborear aquilo que ela nos dá, nem sempre é fácil, deixo-vos algumas sugestões:

  • Conheça-se melhor – melhore as suas defesas e reforce as suas fraquezas. O autoconhecimento é a capacidade de discernir quem se é, o que se quer e não se quer, o que agrada e desagrada.
  • Estabeleça as suas prioridades – ordene aquilo que realmente conta na sua vida. Comece por clarificar o que é realmente importante, tome consciência de que percentagem de tempo dedica a cada actividade. Estabeleça objectivos hierarquizados e com metas definidas. 
  • Partilhe as preocupações com a sua família ou amigos – os familiares e amigos são quem podem prestar um apoio social mais imediato em alturas de crise.
  • Não seja excessivamente severo consigo próprio – aceite-se a si próprio. Aceitar-se pressupõe que se reconheça perfeitamente em determinadas facetas sem fazer juízos de valor ou tomar atitudes depreciativas.
  • Não seja relutante em procurar ajuda médica se estiver preocupado com a sua saúde!

 

 

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publicado às 16:05

Estima por mim

por oficinadepsicologia, em 16.10.12

Autora: Ana Beirão

Psicóloga Clínica

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Ana Beirão

Podemos definir auto-estima no sentido em que cada pessoa constrói uma ideia de si própria e, ao longo da sua vida e das suas experiências, constrói uma imagem. Imagem esta que varia com o tempo. É como se construíssemos o nosso auto-retrato ao longo da vida estando sempre a modificá-lo. A auto-estima é mais do que um juízo positivo de si próprio, pressupõe a existência de consciência e auto-conhecimento.

 

É uma representação afectiva que a pessoa tem de si no que respeita às qualidades e às habilidades, assim como a capacidade de conservar na memória essas representações de forma a actualizá-las e a superar dificuldades, a aceitar desafios e a viver com esperança. É um equilíbrio dinâmico e por vezes flutuante entre sobrestimar-se e subestimar-se. Por exemplo: No emprego consegui apresentar um projecto que foi bem aceite e sinto-me muito bem e sobrestimo-me. Mais tarde, tenho uma situação em casa que não consigo resolver e desvalorizo-me. Após esse período de desequilíbrio acalmo-me e volto a lembrar-me das minhas forças e qualidades e recupero a auto-estima. Assim, a auto-estima pressupõe um juízo realista de nós próprios. Um exemplo disto pode ser quando a pessoa diz de forma realista e honesta “Tenho qualidades, forças e talentos que fazem com que me atribua um valor pessoal, isso faz parte da minha bagagem, mas devo fazer face a dificuldades e conheço limitações em determinados domínios que não põem em causa o meu valor pessoal.” A auto-estima modifica-se e enriquece à medida que as experiências se sucedem e que a personalidade se desenvolve (Duclos, 2006).

 

Ter uma boa auto-estima implica integridade pessoal e consideração pelos outros. Implica também ter consciência das suas forças e dificuldades, aceitar-se no que se tem de mais pessoal e precioso. Assumir responsabilidades, ter objectivos pessoais e meios para os conseguir atingir.

 

A auto-estima é feita de 4 componentes:

  • Sentimentos de segurança e de confiança;
  • O auto-conhecimento;
  • Sentimento de pertença a um grupo;
  • Sentimento de competência;

 

Nas primeiras fases da nossa vida, aprendemos a sentirmo-nos seguros e a ganhar confiança e só depois surgem as outras componentes, componentes estas que podem ser estimuladas em todos os estádios do desenvolvimento.

 

 

Falamos muitas vezes de uma fraca auto-estima ou de uma diminuição desta. Quando tal acontece exprimimo-nos frequentemente através de sentimentos de indignidade pessoal ou de culpa e por um repúdio generalizado da vida, observável nas formas mais graves de depressão (Duclos, 2006).

 

Como dito anteriormente, a auto-estima não é fixa, e é possível encontrar estratégias para a fortalecer:

  • Identifique quais as atitudes negativas que assume e substitua-as por pensamentos positivos;
  • Seja carinhoso para consigo e cuide de si;
  • Tenha em atenção as situações - geralmente respondemos da mesma maneira a situações idênticas, pense no que está acontecer, na maneira como se sente e como poderá reagir;
  • Desenvolva as suas capacidades ao nível da experienciação das suas emoções, pensando em alternativas de resolução dos problemas; imponha limites (saiba dizer não); seja assertivo através dos seus pensamentos, emoções e desejos. Por fim seja receptivo ao que os outros têm para dizer, actuando com consciência dos acontecimentos e empatizando com as necessidades dos outros.

 

Quando em momentos de dúvida acerca de si mesmo, de como se vê, de como se sente visto(a) apreciado(a) pelos outros, pare para pensar e pergunte-se “O que estou a sentir neste momento é realista?; A avaliação que estou a fazer de mim é aceitável?; Reconheço o meu valor fora desta situação?, Quais são as minhas qualidades e  competências?; Qual o meu valor pessoal?; Como posso olhar de novo para esta situação?. Estas são apenas algumas questões que lhe podem permitir ser objectivo e carinhoso para consigo mesmo quando olha para a sua auto-estima.

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publicado às 11:18

Felicidade ou espelho?

por oficinadepsicologia, em 15.10.12

Autor: Gustavo Pedrosa

Psicólogo Clínico

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Gustavo Pedrosa

Com muita frequência nos perguntam se os resultados das cirurgias estéticas e/ou de emagrecimento são realmente tão benéficas e com um impacto tão significativo para a qualidade de vida das pessoas que as fazem como transparecem nos meios de comunicação social. Como em muitas outras situações, invariavelmente a resposta é “depende”… Depende dos objetivos que levam à realização da cirurgia, das expectativas criadas, do meio social e familiar, entre outros.

Toda a estrutura, física e psíquica, é afetada por este tipo de cirurgias, pelo que também a preparação pré-cirurgia é um importante fator de prognóstico.

 

Analisemos então um pouco melhor as cirurgias, por exemplo, as que envolvem redução de peso, como a implementação de uma banda gástrica. Este tipo de cirurgia, cada vez mais comum, procura obter uma melhoria da qualidade de vida do individuo, da sua saúde e das suas relações. Os resultados são, geralmente, muito positivos. Há uma melhoria dos problemas de saúde crónicos, como a diabetes, as doenças cardíacas, o colesterol elevado e a apneia de sono. Também a mobilidade acrescida leva ao aumento da atividade física e consequente melhoria da saúde geral.

 

As relações interpessoais também são beneficiadas. Alguns estudos demonstram que a cirurgia de redução de peso ajuda a reduzir as reações negativas à obesidade por parte da família e amigos, reportando melhorias nas relações e na vida social do individuo, bem como na diminuição de queixas de depressões.

 

Como foi referido no início, tanto as motivações como as expectativas da cirurgia são importante.

Segundo estudos realizados, as motivações para a realização da intervenção cirúrgica passam pela diminuição dos riscos de saúde, melhorar a aparência e autoestima, possibilidade de fazerem atividade física e ultrapassar o estigma de serem obesos. Quer isto dizer, que não são apenas critérios estéticos que guiam a motivação para a intervenção cirúrgica. Pelo contrário, envolvem uma série de situações que levam a uma melhoria geral da Qualidade de Vida e da socialização do individuo.

 

O incremento da autoestima e do autoconceito, associados ao resultado deste tipo de cirurgia, leva a que alguns dos receios sociais sejam postos de lado ou relativizados, levando-os a esquecer os anteriores comportamentos sociais disfuncionais ligados ao estigma de serem obesos.

As expetativas são, na maioria das situações, também elas superadas, pois a todos os benefícios físicos inerente, juntam-se os benefícios na vida social em geral, que levam a uma melhoria percecionada de muitas componentes da qualidade de vida.

 

Com estas alterações, além da saúde, também as relações sociais e, com isso, a qualidade de vida, saem beneficiadas, levando a uma melhoria geral da vivência quotidiana a todos os níveis após a intervenção cirúrgica. Daí se compreende, que após uma vivência marcada por limitações físicas e estigmas, a expressão dos resultados após as intervenções, sejam tidos como muito positivos e indutores de grande felicidade.

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publicado às 20:39

Laranja perfeita ou laranja podre?

por oficinadepsicologia, em 14.10.12

Autora: Fabiana Andrade

Psicóloga Clínica

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Fabiana Andrade

Na época do secundário tive a sorte de ter um professor de filosofia que me inspirou para sempre. Na altura, muitos dos conceitos trazidos por ele não foram imediatamente absorvidos por mim, mas foram suficientemente marcantes para que eu continuasse a pensar sobre eles anos mais tarde, até que seus significados ficassem claros.


Uma vez chegou à aula e colocou sobre a mesa duas laranjas. Uma madura, linda, redonda, e a outra cheia de bolor, com as naturais irregularidades de uma laranja que passou o prazo de ser consumida. Olhou para nós e perguntou: Qual dessas laranjas é perfeita para vocês?
Olhamos e respondemos: a madura!


E ele, com seu olhar sempre inquieto e desafiador, disse, “as duas!”.
Disse, “se pensarmos na essência das coisas, antes de as julgarmos, vamos perceber que muitas das nossas ideias de perfeição são desconstruídas. A laranja madura é perfeita enquanto laranja madura, que está nessa fase da sua existência, pronta para ser consumida. A segunda, é perfeita também, se pensarmos na essência do que é ser uma laranja podre, ou seja, uma laranja que está nessa fase da sua existência, e que não foi consumida antes”. Tudo depende daquilo que esperarmos desse mesmo tudo.


Todos os dias recebo clientes com ideias construídas de perfeição, por exemplo, a Marina que tem 25 anos e está ansiosa pois não se sente realizada no trabalho onde está, o Carlos, que está ansioso pois está muito insatisfeito com a sua relação, esperava que após 6 meses de namoro as coisas estivessem mais estáveis, ou a Rebeca que terminou seu casamento de 17 anos e esperava que passados 6 meses do divórcio ela estivesse mais feliz.


Estes são bons exemplos de pessoas que não são capazes de olhar para a situação ou fase em que estão e antes de fazerem um julgamento, questionarem, qual é a essência dessa fase?


No caso da Marina, que está no 1º emprego da sua vida, que tem 25 anos, a essência dessa fase profissional não é a estabilidade e sim a construção. Ela está na “laranja podre”. Olhando para a fase como aquilo que ela é realmente, uma fase de investimento, pouco retorno, aprendizagem, etc, podemos aceitá-la como sendo uma “laranja podre” e assim, tirarmos o proveito dessa situação em vez de ficarmos ansiosos a desejar que ela seja algo que não é, uma “laranja madura”.


O Carlos, gostaria que a sua relação fosse mais estável, sente que está em constante ajuste com a namorada e descreve a sua relação como sendo “de altos e baixos”. Gosta da namorada e não quer desistir, ao mesmo tempo que deseja que essa fase seja diferente. Ao analisarmos a essência de 6 meses de namoro com a sua namorada, observamos que é uma fase onde realmente os ajustes são necessários, onde se estão a conhecer, a perceber seus projetos, seus limites. Isso cria por vezes alguma instabilidade. Ao deixar de desejar que a sua relação seja nesse momento aquilo que não é, Carlos foi capaz de retirar da instabilidade de relação, a informação necessária para a construir mais forte e bem estruturada.


A Rebeca chega ao consultório muito triste e com algumas crises de pânico. Afirma que não entende o que se passa com ela, visto que “já me separei há 6 meses!”. Pergunto se ela considera que 6 meses é muito tempo e ela me diz que sim! Quando analisamos a essência de 6 meses de separação, após um casamento de 17 anos, Rebeca percebeu que essa fase é caracterizada por períodos de profunda tristeza, outros de leveza e alívio, por vários tipos de pensamentos e por uma sensação de perda. Também se sente instável e com altos e baixos emocionais. Essa é a sua “laranja podre”. Ao parar de tentar que essa fase seja o que não é, Rebeca sente-se mais leve e menos ansiosa, sem ataques de pânico.
Temos a tendência a julgarmos e a querermos terminar e afastar emoções que doem, pensamentos que são duros, e quando o fazemos, estamos a desrespeitar a essência de determinadas fases caracterizadas por essas emoções e pensamentos. Eles podem ser duros ou dolorosos, mas na maioria das vezes não são maus e trazem informações valiosas para nós.


Aceitar a essência das situações, das emoções, faz-nos mais livres, menos ansiosos e por consequência, mais capazes de tirar a informação e o proveito dessas mesmas situações e emoções.


Comece então por fazer uma lista de situações que o angustiam e depois questione-se sobre a sua essência. Perceba se grande parte da angústia não virá exatamente do facto de não estar a aceitar que a situação seja o que é.
Muitos clientes perguntam, mas se eu aceitar, isso não me fará passivo perante a situação?
Ao contrário. A aceitação é feita no presente, liberta-nos da ansiedade e dá-nos maior consciência e clareza, por consequência, maior espaço e liberdade para deixar a situação fluir e para resolvê-la com mais sucesso.

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publicado às 17:32

Os nossos sintomas são o nosso despertador

por oficinadepsicologia, em 12.10.12

Autora: Joana Fojo Ferreira

Psicóloga Clínica

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Joana Fojo Ferreira

Go to the heart of danger for there you will find safety
[Vai ao coração/âmago do perigo, lá encontrarás segurança]
Provérbio Chinês

 

A experiência de desenvolver um problema psicológico como ataques de pânico, ansiedade generalizada, depressão,… é frequentemente avassaladora. Por um lado há a sensação de perda de controlo de si, por outro lado os sintomas parecem ser desprovidos de sentido e há uma incompreensão muito grande de si próprio, e muitas vezes vem a vergonha e a culpa, vergonha da vulnerabilidade que os sintomas revelam e culpa por não ter sido capaz de evitar estas manifestações e por continuar sem as perceber.

 

Se prolongado no tempo, especialmente para problemas do foro da ansiedade, além da exacerbação dos sintomas iniciais, tendem a surgir novos, mais obsessivos e compulsivos, mais distantes da raiz do problema, e a incompreensão de si próprio é cada vez maior.

Muitas vezes não há de facto um sentido directo e claro para a sintomatologia, o que ela faz é sinalizar uma vulnerabilidade, como um despertador com alarme em crescendo, que se não é desligado ao início vai tocando com um volume cada vez mais alto até ser ouvido e atendido.

 

A mensagem dos sintomas é “go to the heart of danger, [vai ao âmago do perigo], não fujas, olha, procura, percebe; para te libertares”.

O despertador/sintoma é só um sinalizador que vai tocando mais forte à medida que a insegurança aumenta, que o medo aumenta, sempre a pedir “não fujas, olha, fica”.

 

Tomarmos consciência das nossas vulnerabilidades, dos pontos em que somos particularmente sensíveis, assusta, mexe com o nosso medo do descontrolo, da falta de poder sobre nós próprios, sem percebermos que tanto menos poder temos quanto mais ignoramos/negamos as nossas vulnerabilidades; quanto mais eu as conheço, compreendo e aceito, mais controlo tenho na realidade, porque mais sei com o que posso contar e posso mobilizar recursos para reparar ou apaziguar o problema de base, a essência.

 

Este é o trabalho que procuramos fazer em psicoterapia, traduzir sintomas (sinais, despertadores) em vulnerabilidades, em necessidades por satisfazer, em assuntos inacabados a processar e resolver, porque por doloroso que seja tomar consciência de aspectos sensíveis de nós, da nossa história, e percebermos as implicações que eles têm na nossa vida, no nosso funcionamento, é um trabalho fulcral, é o desligar o despertador e levantar da cama, é o retomar as rédeas, o controlo, é mobilizar para resolver.

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publicado às 14:25

Quais as relações que passam o teste do tempo?

por oficinadepsicologia, em 11.10.12

Autora: Isabel Policarpo

Psicóloga Clínica

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Isabel Policarpo

Aquilo a que nós chamamos amor, é talvez uma das áreas mais estudadas, mas também uma das áreas menos compreendidas em psicologia. É possível que os diferentes estudos efectuados nesta área, tenham cometido o erro de não realizar a investigação junto das pessoas “certas”.

O psicólogo K. Daniel O’Leary no sentido de ultrapassar essa lacuna realizou um estudo com casais, que vivem em conjunto há pelo menos 10 ou mais anos. Esse estudo, não só demonstrou que muitos casais ainda se amavam e estavam envolvidos após 10 ou mais anos de relação, como permitiu identificar os factores que ajudam a manter o amor vivo.

 

Acresce que os resultados desta investigação, contrastam fortemente com a visão sombria que habitualmente subsiste das relações de longa duração. Ao inverso do que seria expectável, as pessoas não estão condenadas a uma existência medíocre e sem graça, dado que uma parte significativa dos casais envolvidos no estudo detinha sentimentos positivos e de entusiasmo saudável em relação aos seus cônjuges, apesar das décadas de vida conjunta.

 

As teorias psicológicas sobre o amor referem que características, como a paixão, o compromisso, a intimidade, as necessidades emocionais e/ou a capacidade para comunicar, se afiguram como dimensões por excelência para predizer o grau de intensidade da relação. Mas quando se trata de predizer quais os relacionamentos que vão manter o amor ao longo do tempo, como será?

 

A pesquisa de O’Leary sugere que as pessoas que se mantêm mais intensamente apaixonadas, são aquelas que a par de uma forte atracção romântica, se envolvem conjuntamente em actividades novas e desafiadoras de auto- desenvolvimento.

Que outras dimensões que se revelaram importantes para predizer a longevidade da relação?

 

Pensar positivamente sobre o seu companheiro(a) é um aspecto relevante, na medida em que significa que é capaz de se concentrar nas qualidades pessoais do seu parceiro, no que este tem de bom e positivo. De um modo geral, remoer sobre as coisas que incomodam, só conduz a ampliar as fraquezas. As pessoas que estão envolvidas em bons relacionamentos, tendem a lembrar mais as experiências favoráveis que vivem em conjunto, do que as desfavoráveis.

 

Quando você deixa o seu parceiro durante algum tempo, você esquece-se da sua existência? Para você é fora da vista, fora do coração? Se assim for, este pode ser um sinal de que você não está muito envolvido nem apaixonado.


Pensar no seu parceiro(a) quando estão separados, surge como outro parâmetro importante. Não temos que gastar cada segundo do nosso tempo a suspirar ansiosamente pelo nosso parceiro, mas será expectável que de onde em onde nos recordemos dele.

 

Também a dificuldade em concentrar-se em outras coisas quando pensa sobre o seu companheiro(a) pode ser reveladora. Se é capaz de anular os seus pensamentos sobre o seu parceiro sem muito esforço, isso sugere que o ele ocupa apenas uma pequena quantidade da sua “carga cognitiva”.

 

Outra dimensão relevante prende-se com o passar tempo em conjunto e divertir-se em actividades novas e desafiadoras. O tempo que passam em conjunto surge como uma variável importante, mas não se trata apenas da quantidade de tempo, mas da qualidade do tempo que passam juntos, sendo esta aquela que mais influencia a satisfação com o seu relacionamento. O tempo conjunto deve incluir algumas actividades novas e desafiadoras, mas também as actividades domésticas e corriqueiras quando realizadas pelos dois podem aumentar a intensidade do amor - jardinagem, cozinhar, fazer compras e até mesmo limpar a casa são formas de reforçar o amor um pelo outro.

 

A expressão de afecto surge também como um preditor da longevidade da relação. Sentir amor pelo companheiro(a) é importante, mas importa igualmente expressar esse amor de forma física. Os pequenos toques de carinho permitem não só aumentar a ligação emocional com o parceiro, como também atiçar o desejo. Os respondentes que relataram amor mais intenso pelo seu parceiro no estudo O'Leary, disseram que sentiam os seus corpos responder quando o seu parceiro lhe tocava. Não é nenhuma surpresa que a relação sexual é uma expressão positiva da intensidade do amor. As pessoas apaixonadas são mais propensos a ter relações sexuais numa base regular. A actividade sexual constrói e mantém sentimentos de amor e de felicidade capazes perdurar no tempo.

 

Finalmente ter uma forte paixão pela vida afigura-se como uma dimensão de relevo. As pessoas que se aproximam da sua vida diária com entusiasmo e emoções fortes, parecem levar esses sentimentos intensos também para a sua vida amorosa. As pessoas que se sentem mais felizes com a vida têm também sentimentos mais fortes de amor para com seus companheiros. Os sentimentos de angústia pessoal, tendem a extravasar e a provocar sofrimento no relacionamento.

 

Os relacionamentos próximos são uma peça central do nosso sentido de identidade, ao mesmo tempo que são fundamentais para os nossos sentimentos de satisfação. O que pode esperar do seu relacionamento? Será que ele “tem pernas para andar”?  

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publicado às 10:23

Depressões zangadas

por oficinadepsicologia, em 10.10.12

Autor: Francisco de Soure

Psicólogo Clínico

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Francisco de Soure

Num artigo anterior, tive a oportunidade de ilustrar a utilidade da zanga enquanto emoção promotora da qualidade de vida, e protectora dos nossos limites individuais. Vimos a forma como a sua repressão e expressão excessiva (e, por vezes, como uma implica a outra) podem trazer-nos dissabores, assim como os claros benefícios que podem advir da sua expressão adequada.

 

Neste artigo, vamos poder olhar para as consequências a longo prazo da expressão desadequada de zanga para a nossa saúde mental. Tomemos como ponto de partida uma consideração fundamental que foi referida no anterior artigo: a zanga é a emoção que nos permite estabelecer limites, desempenhando um papel fundamental na regulação das nossas relações com os outros.

 

Para todos nós, existe um conjunto de necessidades psicológicas básicas que necessitam ser supridas de forma a assegurar a nossa saúde mental. A segurança, afecto, suporte emocional, autonomia e lazer são apenas algumas destas necessidades. Quando estas necessidades não estão satisfeitas, surgem dificuldades, muitas delas configurando quadros de perturbação psicológica. Por exemplo, a maioria das pessoas que sofrem de ansiedade não têm a sua necessidade de segurança satisfeita. Vivem com uma sensação profunda (e, muitas vezes, não reconhecida) de vulnerabilidade. Seja uma vulnerabilidade física (aprendida, por exemplo, ao longo de anos de agressões físicas às mãos de figuras de cuidado, ou de sofrimento físico causado pela negligência das mesmas), seja uma vulnerabilidade emocional ou social (aprendidas com experiências de humilhação ou abuso emocional), esta resulta uma constante quase subentendida na sua experiência de estar vivos. Esta vulnerabilidade sentida origina uma expectativa permanente de risco pessoal, que resulta num estado ansioso. Com expressões tão diversas, entenda-se, como a perturbação de pânico – na qual expressamos um medo desadequado da possibilidade de sofrer repentinamente perigo de vida ou de descontrolo total – ou a ansiedade social – a expectativa permanente de sermos avaliados muito negativamente pelos outros, com consequências catastróficas. É através da expressão das emoções que regulamos as nossas relações com os outros de forma a garantir a satisfação destas necessidades – por exemplo, num contexto adequado, a expressão adequada de medo por parte de uma criança conduz a que os seus pais procurem protegê-la. O exercício continuado destas emoções permite-nos criar uma expectativa de que, caso expressemos as nossas emoções de uma forma adequada, as nossas necessidades serão satisfeitas como resposta. Quando isto não acontece, o quadro torna-se muito diferente.

 

No caso particular da zanga, temos duas situações. Quem aprende desde cedo que só uma expressão constantemente intensa e agressiva da zanga consegue estabelecer os limites, tende a generalizar esta expressão agressiva em todas as situações nas quais sente que os seus limites estão a ser infringidos. Todos conhecemos alguém assim. Aquela pessoa que reage agressivamente de forma inesperada sempre que lhe é feito um pedido, ou reage constantemente com agressividade a brincadeiras que pretendemos ser inofensivas. Ou aquela pessoa que dá sempre feedback aos outros com “sete pedras na mão”. O contrário também conhecemos, seguramente. A pessoa que parece aceder a todos os pedidos e exigências sem argumentação. A pessoa que fica sem reacção quando confrontada, e parece acatar docilmente afrontas e insultos. Muitas vezes, a pessoa que parece explodir quando menos esperamos…

 

Imaginemos, por um momento, o efeito destas situações a longo prazo para ambos os estilos de expressão de zanga. A primeira, seguramente, sentir-se-á frequentemente distante dos outros. A sua zanga será reciprocada com zanga, pelo que será provável que sinta também que os outros levam sempre a mal quando estabelece limites. Sentirá que os seus limites não são respeitados, já que quando os estabelece estas tentativas são sempre correspondidas com mais agressão. Como se nunca fosse verdadeiramente aceite e respeitada. Já a segunda estará regularmente a privar-se de necessidades como tempo pessoal, o livre uso de recursos pessoais como a energia, o dinheiro, ou o seu espaço físico. A vida pode tornar-se muito pouco gratificante para quem parece estar sempre disposto a abdicar. Com o tempo, a repetição destas formas de abuso poderá resultar numa crença como: “eu tenho o que mereço. Se tenho muito pouco, deve ser porque mereço muito pouco”, ou “se os outros gostam de mim, tratar-me-ão bem. Se me tratam mal, deve ser porque não há grandes motivos para gostar”. Qualquer um destes cenários pinta um quadro de crónica insatisfação. Necessidades como a aceitação social, autonomia pessoal, privacidade, ou lazer poderão ser das mais afectadas.

 

Qualquer um de nós conhecerá seguramente alguém que já viveu uma depressão. Quem escutou o seu sofrimento, reconhecerá seguramente muitas destas privações como parte das queixas que quem está deprimido elenca: sentir que não é apreciado pelos outros; sentir que nada vale a pena porque os outros nunca o permitirão/respeitarão; sentir que o seu valor pessoal é diminuto; sentir-se encurralado por circunstâncias nas quais os outros parecem nunca estar disponíveis para ir de encontro às suas necessidades. Não pretendo, de modo algum, advogar que a expressão desadequada de zanga é a causadora exclusiva de aparecimento de sintomas de depressão. Tal alegação teria tanto de redutora como de absurda. No entanto, parece-me inegável que a dificuldade na expressão da zanga se pode constituir como um potentíssimo ingrediente no seu desenvolvimento.

 

Ao longo dos anos, a prática clínica tem-me posto em contacto com dezenas de pessoas com sintomatologia depressiva. Estaria a mentir se as dificuldades no estabelecimento de limites não fossem algo relatado pela vastíssima maioria destas pessoas. Num recente grupo de Depressão, como é regular realizar na Oficina de Psicologia, 6 dos 7 membros do grupo tinham nesta dificuldade o principal motivos das situações que precipitaram a sua situação. Da esposa que não conseguia que o marido regulasse as invasões de privacidade dos seus sogros, à mulher de meia-idade que não conseguia demonstrar aos seus filhos e amigos que determinados pedidos excediam a sua capacidade de lhes dar satisfação sem se sacrificar, o resultado era muito semelhante. Todas estas pessoas sentiam as transgressões que sofriam como o resultado da falta de valor pessoal, ou de afecto daqueles de quem gostavam

 

Deixo-lhe um convite: reflicta sobre a forma como estabelece limites. Sobre a forma como se posiciona face às suas necessidades e dos outros. O que quer partilhar connosco?

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publicado às 12:39



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