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Quando mais, é menos

por oficinadepsicologia, em 05.11.12

Autora: Isabel Policarpo

 

Psicóloga Clínica

 

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Isabel Policarpo

É natural que nos preocupemos com os nossos filhos mesmo quando eles já são jovens adultos, quer ainda vivam connosco ou se preparem para sair de casa.

 

Para nós pais, eles serão sempre os nossos filhos e durante muitos anos, enquanto eles ainda eram pequenos, sentimos que éramos responsáveis por eles e por muito do que lhes sucedia nas suas vidas.

 

Todos nós nos lembramos de um sem número de pequenas situações, que nos fizeram estar vigilantes e/ou que provocaram o acelerar do nosso coração, como quando, por exemplo, antecipávamos que algo poderia não ter o desfecho desejado e temíamos pelo seu eventual impacto nos “nossos miúdos”.

 

Provavelmente todos nós, em maior ou menor grau fomo-nos preocupando com uma enorme variedade de coisas e situações, pelo que nem sempre é fácil parar e mudar de registo à medida que os filhos  vão crescendo.

 

A preocupação dos pais com os filhos mais velhos, surge assim na continuidade de um conjunto de padrões que foram sendo desenvolvidos desde o início da relação pais-filhos, quando estes eram totalmente indefesos e incapazes de lidar com o mundo que os rodeava.

Acresce que ninguém tem dúvida que se alguém se preocupa connosco, isso pode ser visto como um sinal de amor e como uma expressão de proteção e cuidado. Todos nós nos sentimos reconhecidos e agradados em relações em que a outra pessoa manifesta alguma preocupação connosco e procura ajustar-se às nossas necessidades. Nesta acepção, a preocupação parece reflectir o investimento que uma pessoa faz numa determinada relação.

 

Contudo, é importante não esquecer que a preocupação em excesso em qualquer relação - e a relação pais-filhos não foge à regra - pode constituir-se como um elemento de afastamento, ao invés de contribuir para consolidar a relação. Imagine por exemplo, que sempre que o seu filho sai de carro lhe telefona de 5 em 5 minutos para verificar se ele já chegou, este tipo de preocupação é intrusiva e pode minar uma relação que à partida é positiva e saudável.

 

Sendo a preocupação social e emocionalmente aceite, é fundamental ter em atenção não só a frequência com que manifestamos as nossas preocupações, mas também o modo como o fazemos.

 

Tenha cuidado para que a quantidade de preocupação que manifesta, não represente um fardo para os seus filhos. Lembre-se também que quando manifesta uma preocupação isso causa sempre algum desconforto no outro, pelo que a forma como a expressa é realmente relevante. É importante que o seu filho(a) não sinta que você o olha como sendo incapaz de gerir os seus próprios assuntos e/ou como alguém que lhe está a passar um atestado de incompetência.

 

A manutenção da autonomia e da confiança são duas pedras angulares de qualquer relação saudável e que se pretende que perdure no tempo.

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publicado às 13:10

A inevitabilidade das desconexões

por oficinadepsicologia, em 04.11.12

Autora: Isabel Policarpo

 

Psicóloga Clínica

 

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Isabel Policarpo

Todos nós precisamos de estabelecer laços e de estar ligados a outras pessoas. Diversos autores demonstraram que esta é aliás uma necessidade básica dos seres humanos, bem como de alguns animais. Mas apesar disso a ligação ao outro nem sempre é fácil, digam lá o que disserem.

 

De facto todos nós nos recordamos de inúmeros episódios, em que estavam reunidas as condições para que aquele fosse um “ momento único “e onde apesar de todos os preparativos e afinidades em comum, o momento simplesmente não aconteceu.

 

Os pontos de proximidade existentes entre nós e os nossos amigos e companheiros, levam-nos a esquecer com facilidade que afinal habitamos corpos distintos e que tivemos percursos e histórias de vida díspares, pelo que é natural que não só não pensemos nem olhemos para a vida exactamente da mesma forma, como as circunstâncias não tenham o mesmo impacto em cada um de nós.

 

Uma parte significativa do sofrimento que ocorre nas relações interpessoais, advém da sensação de desconexão, entendendo-se a desconexão como uma quebra no sentimento de reciprocidade – isto é quando o “nós”, dá lugar ao “eu” e ao “tu”. Algumas desconexões são óbvias como quando o nosso companheiro comete uma infidelidade, outras são menos evidentes, como quando no meio de uma conversa o nosso companheiro decide ir ver o programa de desporto ou simplesmente não reparou que tínhamos uma camisola nova vestida.

 

O Homem tende a evitar a dor e o desprazer, e muitas vezes sem consciência de que está a fazê-lo. Tendencialmente quando nos confrontamos com emoções que não nos agradam – como o medo, o ciúme, a raiva, a vergonha ou a perda— tendemos a retirar-nos emocionalmente e dirigir a nossa atenção para outro lugar. Mas negar o que sentimos ou projetar nos outros os nossos medos e culpas, impede, por um lado, o nosso desenvolvimento e crescimento pessoal e, por outro, conduz a bloqueios entre nós e as pessoas de quem queremos estar próximos.

 

A prática de mindfulness afigura-se como uma ferramenta importante para lidar com os momentos desagradáveis da vida e com as nossas desconexões. O mindfulness envolve a um tempo a consciência do momento presente e outro a aceitação dessa experiência, entendendo-se a aceitação não como um tolerar ou perdoar um comportamento eventualmente abusivo, mas como algo que é inevitável e que tem de ser enfrentado para poder ser compreendido e acomodado dentro de nós. No âmbito das relações isso significa, por exemplo, aceitar a inevitabilidade de desconexões dolorosas e de utilizar esses momentos como oportunidades para trabalhar emoções difíceis.

 

Todos nós temos sensibilidades e temas pessoais – uma espécie de "botões quentes", que são facilmente evocados nas nossas relações mais íntimas. A prática do mindfulness, da atenção plena ajuda-nos a identificá-los e a reagir a eles de forma diferente, permitindo-nos manter ligados às pessoas que nos são queridas.

 

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publicado às 10:30

Viver sem ti!

por oficinadepsicologia, em 03.11.12

Autora: Marisa Gamboa

 

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Marisa Gamboa

“Talvez por não saber falar de cor, imaginei, talvez por não saber…” (The Gift)

 

 Já não sei o que é viver sem ti, aliás nunca saberei…provocarei sempre a memória, imaginando-te aqui, bem perto, imaginando como seria o teu rosto, como seriam as tuas doces rugas, como te vestirias hoje…deixarias os fatos, os lenços, o cabelo arranjado? Serias mais ousada?…Ou manterias a aparência elegante, discreta e provocatoriamente sorridente! Não vou provocar mais a memória. Vou imaginar-te como foste, aliás…vou imaginar-te como morreste dentro de mim…oh, vou imaginar-te como sempre imaginei! Não posso esconder de ti, aquilo que vês, aquilo que escutas e abraças (às vezes…não percebia que eram os teus braços que me transportavam…que me agarravam…que me abraçavam). Não posso esconder de ti. Tu sabes. Tu conheces a revolta, a raiva, a tristeza, a angústia, essas, que viveram bem ca dentro. Tu sabes. Achava que não tinhas o direito de ir embora, achava que tinhas lutado pouco. Não, não podias deixar-me. A culpa… a culpa estava do teu lado! Perguntaste-me como é que eu iria viver sem ti? Como é que ia respirar?  Quase que perdi a minha alma! Quase que desisti…. A dor era mais forte do aquilo que eu podia suportar. Fui devagar…não sei explicar…encontrei na dor a cura! Consegui perdoar-te! Consegui voltar a amar-te! E Hoje, trago-te comigo…e hoje sei que foste o que pudeste ser, sei que falhaste, sei que a porcaria da doença foi mais forte do que tu! Hoje dizem-me que trago o teu sorriso comigo! Hoje sinto-te…

Viver contigo!

 

Vamos sofrendo lutos, perdas, derrames… e parece impensável… como resistimos? Como superamos a adversidade? Como superamos a vulnerabilidade? Como continuar a viver com uma alma desfeita, descrente, devassada… como superar a morte de alguém, quando esse alguém representa tanto dentro de nós? Tão dolorosa perda pode ter significado? Podemos entendê-la ou devemos entendê-la?

O tempo que passa não faz passar!

 

Mas é necessário tempo para acolher a morte de alguém tão próximo dentro de nós… é necessário fazer crescer uma nova relação… uma vida, sem abraços, sem sorrisos, sem discussões, sem jantares… e tudo fica na imaginação, tudo pode voltar a acontecer na imaginação... mas não da mesma maneira.

 

Não há forma de substituir a perda, não há forma de reparar uma ferida para qual ainda não se encontrou qualquer medicação! Mas é reparador escrever, é reparador pensar sobre… é reparador negar a perda, é reparador aceitar a perda, é reparador gritar…

A psicoterapia pode ter um papel especial neste processo do luto!

                        

Trabalhar a aceitação da perda emocional e física, acolher alguns sentimentos/experiências dolorosas, ajudar a promover a adaptação ao novo meio com uma nova realidade (identidade, crenças, auto-estima).

 

É muito difícil determinar quando termina o luto, ainda que se possa imaginar que a chave está no momento em que olho para o passado, para a história passada, para a pessoa que perdi…q uando olho com afecto e alguma serenidade.

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publicado às 12:52

Autora: Fabiana Andrade

 

Psicóloga Clínica

 

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Fabiana Andrade

Olá a todos!

Espero que tenham lido e gostado dos primeiros episódios dos Contos Terapêuticos.

Para quem não sabe o que são os Contos Terapêuticos, fica aqui a breve explicação deste projeto: são um apanhado de várias temáticas que surgem diariamente nos consultórios da Oficina de Psicologia. Para falar dessas temáticas, criei personagens que representam muitas pessoas com quem trabalhei ao longo dos anos. Dessa forma, espero que o leitor se possa identificar com um ou mais personagens, e assim, beneficiar das estratégias utilizadas por eles.

Boa leitura!

 

Anita estava casada com António há 5 anos. Há cerca de três anos, sofreu um aborto espontâneo, e essa experiência foi bastante perturbadora para ela.

 

Não estava ativamente a tentar engravidar na altura, e a notícia da gravidez apanhou-a de surpresa. Nunca tinha olhado para si mesma como uma mulher fértil, pois já tinha relações desprotegidas com o marido desde sempre, sem nunca ter engravidado.

 

Sentiu-se feliz e surpresa com a notícia, para de seguida, na primeira ecografia, perceber que a gravidez não era viável. Ficaram ambos devastados, mas concordaram que não se deixariam abater e que passariam a tentar ter um bebé de uma forma mais consciente e ativa.

Anita, feliz por saber que poderia engravidar, deu início a uma serie de exames, e os resultados, tanto dela, como os de António, estavam dentro do esperado. Fisicamente, não havia nenhum impedimento para engravidarem.

 

Apesar de ter 36 anos, o seu médico foi bastante encorajador e incentivou-os a começarem a tentar, divertindo-se ao longo do processo.

Começaram a contabilizar os dias férteis e iniciaram o processo a que ela, hoje, chama de calvário. Refere que, nessa altura estavam felizes, como no início de uma viagem que tem tudo para ser fabulosa.

 

Passaram meses, e um após outro, o período insistia em aparecer normalmente, não dando sinal nenhum de que suas preces seriam atendidas.

 

Foram ao médico, e foi-lhes dito que teriam aqui de tomar uma decisão. Visto não haver problema nenhum, poderiam continuar a tentar, ou dar início a um tratamento de fertilização. Nessa altura, acharam que ainda seria cedo para tomar essa “estrada”, que sabiam ser violenta, quer física, quer financeira, quer emocionalmente.

 

Tiraram umas férias e decidiram não pensar mais no assunto, na esperança de relaxarem e deixarem que as coisas acontecessem tranquila e naturalmente.

 

Um ano se passou e Anita teve um primeiro longo atraso do período. Ficou muito agitada e feliz com a possibilidade da tão desejada gravidez. No dia de fazer o seu teste, 5º dia de atraso, teve uma hemorragia e aí Anita cedeu.

 

Começou um processo de depressão onde a conheço, e cujas queixas já ouvi de muitas mulheres na mesma situação:

. Culpa – “o que está de errado comigo? O que fiz de errado? É o que bebo, o que como? É porque fumo? É porque trabalho demais? Sou velha demais?”

. Porque não eu? – “a cada mulher grávida que vejo, sinto-me mal, sinto-me inferior, pequena, menos mulher, todas as minhas amigas conseguem e eu não”

. Dizem-me que se eu parar de pensar nisso, talvez aconteça - “como faço para deixar de querer ou de pensar em algo que é o que mais quero?”

 

Anita entrou numa espiral de confusão, culpabilização, que a deixou imensamente triste, sentindo-se uma mulher diferente, incompleta. Por consequência, este estado afastou-a do marido,  deixou-a fisicamente doente, o que a fez culpar-se ainda mais, entrando num ciclo negativo.

Quando chegou ao consultório já punha em causa o desejo de ser mãe, o casamento e a si mesma enquanto mulher.

 

Fizemos um longo trabalho que incluiu:

EMDR (http://oficinadepsicologia.com/emdr) – abordámos a situação anterior do aborto espontâneo e percebemos o quanto ela tinha sido traumática, deixando medos e tensões que não são produtivos no processo.

Também utilizámos o EMDR para aceder a situações muito precoces na sua vida, onde ela tinha interiorizado crenças negativas erradas sobre si mesma, como por exemplo, “há algo de errado comigo”.

 

Durante as sessões percebemos o significado que “ser mãe” tinha para ela, e qual seria a forma de se ver como “não mãe”.

Reforçámos a sua auto estima, flexibilizámos a sua relação consigo mesma, trazendo assim, a estrutura e estabilidade que estavam a faltar para gerir uma situação tão intensa como a tentativa de engravidar.

 

António também pôde aproximar-se e puderam em conjunto partilhar como estava a ser a experiência de um e de outro nessa situação.

Anita pôde, a partir daqui, encontrar ferramentas para dar início ao processo de tratamento especializado de fertilidade.

Está nesse processo, e anda na rua de cabeça erguida, mesmo que passe por uma mulher grávida. Já não se sente inferior e pode ficar feliz pela experiência de outra pessoa. Foca positivamente no seu próprio processo, tomando todos os dias decisões construtivas para si mesma.

 

A questão da fertilidade afeta milhares de mulheres por todo o mundo, criando nelas um enorme sofrimento, sensação de desconexão e solidão. Afeta física e emocionalmente essas mulheres, piorando a sua qualidade de vida e a das suas relações, o que por sua vez, dificulta ainda mais o processo de engravidar.

 

Se está nessa situação, peça ajuda e saiba que tudo tem solução!

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publicado às 13:41

Faça a Vida acontecer!

por oficinadepsicologia, em 01.11.12

Autora: Cristina Sousa Ferreira

 

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Cristina Sousa Ferreira

 

Muitas das nossas frustrações têm a ver com o  facto de pensarmos que tudo se deve a factores externos. Desperdiçamos muito tempo a culpar os outros e os acontecimentos externos  pelo que está errado nas nossas vidas.

 

Da próxima vez que algo não esteja a correr bem, pergunte-se  porquê.  O que poderia ter feito de diferente para melhorar a situação? Se discutiu com um amigo pergunte-se porque foi que aconteceu. Estará a esperar demasiado dele? Estará à espera que siga sempre as suas regras? Se se sente  desvalorizado no seu  trabalho questione-se se estará verdadeiramente a fazer tudo o que lhe é possível para mostrar o seu valor?  Tem constantes batalhas com os seus filhos? Veja como se comporta com eles, será que eles não estão as espelhar as suas atitudes?

 

Não se culpe por tudo o que lhe acontece, mas utilize a parte da situação sobre a qual tem controlo, (a forma como reage) e em que pode intervir para evitar mais frustração, zanga ou preocupação. É sobre fazer a vida acontecer em vez de deixar que a vida lhe aconteça como se fosse um espectador indefeso. Quando a sua atitude muda, vê as dos que o rodeiam mudar também.

 

Não é responsável pelo que os outros dizem e fazem, mas é responsável pela forma como reage ao que os outros dizem e fazem.

 

Faça a sua Vida acontecer!

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publicado às 14:27

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