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Família(s), Lugar(es) de afecto

por oficinadepsicologia, em 23.03.10

Autora: Inês Mota

Psicóloga Clínica

 

A família é esse lugar onde habitamos e nos desenvolvemos. É esse espaço privilegiado de interacções e aprendizagens. É esse local de vivência de relações afectivas profundas, lugar de emoções e afectos intensos e duradouros.

 

Nesse espaço e nesse lugar, na família, todo este conteúdo elaborado dá forma àquele vívido sentimento de sermos quem somos na pertença ou relação com aquela particular, sempre diferente, sempre única e sempre especial: a nossa Família.

 

“A Família” e a(s) nossas família(s) da actualidade acompanharam as mudanças religiosas, económicas e sócio-culturais de todos os tipos de sociedades nas quais estiveram sediadas e pela sua natureza criativa e inspiradora são hoje esse espaço continuamente renovado, continuamente reconstruído.

 

De facto, o ritmo célere da vida da contemporaneidade, o individualismo, a lei do mercado anunciam e afirmam por todo o lado o direito à reversibilidade das escolhas tendo sido a(s) família(s) marcadas por um aumento do número de separações, divórcios e recasamentos.

 

A Família encontra-se em vias de extinção?

A(s) família(s), lugar de afectos, fonte inspiradora continuadamente em re- criação, assume-se na actualidade sob  novas formas de organização familiar que já não pedem para ser escondidas, embora a sua configuração familiar e social possa ainda não ser legalmente aceite.

Essas formas de organização familiar, (que estiveram sempre presentes, no entanto, ocultas e condenadas) constituem-se como famílias que assumem composições que a sociedade de outrora não estava habituada a observar.

 

 

Constata-se então a existência das famílias monoparentais, que compreendem um adulto (pai ou mãe) a viver com o(s) filho(s), referindo-se a famílias onde só vive um dos progenitores que, ou nunca coabitou com nenhum cônjuge, ou viveu mas  separou-se e não voltou a viver com nenhum cônjuge.

 

As famílias “reconstituídas” são também cada vez mais frequentes e são aquelas que podem resultar de famílias monoparentais ou onde há divórcio, ou viuvez de uma primeira união e na segunda união coabitam ou não, crianças das uniões anteriores que não têm o mesmo pai e a mesma mãe, e por vezes, crianças da união actual.

 

As famílias adoptivas são aquelas que acolhem no seu seio crianças ou adolescentes que não têm laços de sangue com aqueles pais, mas que lhe estão ligados por laços afectivos e legais. Podem surgir por dificuldades do casal de levar a cabo uma gravidez biológica.

Surgem também as famílias homossexuais homoparentais que têm ou não filhos das relações anteriores.

 

Desafios de Família(s)!

“A Família” é mais do que a soma das partes; qualquer que seja a sua forma, mantém uma relação de interdependência entre os seus membros que tendendo para a coesão e equilíbrio ou para a crise quando há disfuncionamentos no sistema, poderá tender para um novo estado de equilíbrio face à reciclagem da energia dos recursos emergentes.

 

Estas configurações trazem sim desafios, semelhantes mas diferentes das tradicionais, “enfrentando” estas famílias a (re)construção de novos padrões de relação e (re)definição de novas regras de funcionamento familiar.

 

Nas famílias “reconstituídas” há que estabelecer-se novas regras sem negar o passado. O casal tem de se formar na presença dos filhos tendo a tarefa simultânea de se abrir ao exterior ao mesmo tempo que é impreterível que se centre sobre si próprio, sendo que subsistemas parental e conjugal convivem lado a lado. Ao nível do subsistema fraternal poderá surgir a questão da “lealdades nos filhos” formando-se eventuais alianças e coligações.

 

As famílias monoparentais encontram desafios ao nível do suporte do subsistema conjugal pela impossibilidade da partilha de tarefas e complementaridade de papéis. Ao nível do susbsistema fraternal a vivência da ausência de um dos progenitores pode ser encarada como factor de diferença.

 

As famílias adoptivas constituem-se na altura da chegada da criança e muitos dos desafios são marcados pela idade da criança ou jovem na altura desta constituição e pelos comportamentos de provocação por parte do(s) mesmo(s), por receio de novo abandono, apesar da sua disposição para aceitar o afecto.

 

As famílias homossexuais homoparentais encaram o desafio do subsistema parental não oferecer um modelo heterossexual do desenvolvimento das relações interpessoais tal como as famílias monoparentais. O sentimento de diferença é no entanto vivido de forma mais presente pelas sociedades que se encontram pouco receptivas a este tipo de organização familiar.

 

É verdade que há forma(s) de famílias para além da tradicional, marcadas por novos e desafiadores padrões de interacção, sendo que, se são diferentes os factores de stress e tensão os recursos e resiliência são também diferentes, constituindo-se como fontes criativas e inspiradoras para se atingir  novos padrões de equilíbrio, funcionalidade e satisfação.

 

Na contemporaneidade os desafios poderão ser encarados com maior satisfação consoante o nível de adaptação e desempenho das funções do sub sistema parental re-atribuídas. Falar de família parece ser então falar deste(s) sistema(s) de complexidades emergentes onde há sobretudo funções que precisando existir, se re-inventam e se potenciam.

 

A família é e continuará a ser esse espaço privilegiado de interacções e aprendizagens, é esse local de vivência de relações afectivas profundas, esse lugar de emoções e afectos intensos e duradouros. A família é e será sempre: a nossa família…

 

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publicado às 10:01



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