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Amores (im)perfeitos

por oficinadepsicologia, em 20.04.10

Autora: Inês Franco Alexandre

Psicóloga Clínica

 

Os números não param de subir: hoje em dia, mais de 1 em cada 4 casamentos termina em divórcio, e o aumento das taxas de divórcio tem sido, nos últimos anos, estrondoso. O que fará com que o divórcio, relatado como um dos acontecimentos mais negativamente marcantes na vida de alguém, seja cada vez mais a saída? Poderemos actuar no sentido de prevenir o crescimento destas taxas?

 

Muitos casais chegam à terapia numa fase já de ruptura, e nessas situações é por vezes difícil trabalharmos em conjunto. E isso nota-se, não tanto pela gravidade dos problemas, mas sobretudo pela dificuldade que muitas vezes os dois já têm em entrar em contacto emocional um com outro. Quando lhes pedimos para falarem sobre os aspectos positivos do outro, muitas pessoas surpreendem-se com a dificuldade. Felizmente, o contrário acontece mais vezes, surgindo a surpresa pelo facto de descobrirem que afinal algo que os uniu se mantém – que o outro os reconhece, os admira, os compreende. Por vezes, em poucos minutos, há um reencontro. É fundamental que o casal recrie esses encontros. Amar é uma arte: exige inspiração, mas também esforço. Há que cuidar da relação desde o início, e não apenas quando sentimos que ela chegou a um limite. Cuidar de uma relação é como cuidar da nossa saúde: não vamos começar a fazer exercício físico quando estamos a ter um enfarte.

 

Estes são alguns dos principais sinais de que a relação pode estar a precisar de ser melhorada: discussões frequentes; sentimento de ser incompreendido pelo outro; estranheza em relação ao outro (“parece que já não o conheço”); falta de objectivos e de projectos comuns; dificuldade em elogiar o outro; sentimentos de zanga e tristeza constantes; afastamento emocional; problemas íntimos antes não existentes; críticas mútuas.

 

 

Apesar dos números, há indícios de que algo de positivo começa a acontecer. Cada vez mais a terapia de casal é uma escolha (de mulheres e de homens), e há um esforço visível de muitos para melhorar a sua relação conjugal. E cada vez mais há a consciência de que procurar ajuda é um sinal de inteligência, e não de fraqueza. A flexibilidade, a capacidade de reinventar, é a característica chave para uma vida a dois em pleno. Isto não significa que não haja discussões, conflitos, dificuldades, divergências, amuos, virares de costas, crises, tristeza, zanga, que fazem parte de um crescimento a dois e adulto, sem a expectativa idealizada do outro e da relação (“nós adorávamo-nos, como é que não é tudo perfeito?!”). Quer antes dizer que as dificuldades e os problemas são vividos e ultrapassados, graças não só a um maior entendimento sobre o que se passa – sobre mim, sobre o outro, sobre a relação – mas também à capacidade de apreciar, viver e criar os pesos para colocar no outro lado da balança – cultivar os momentos positivos a dois, a admiração (por nós e pelo outro), o respeito (por nós e pelo outro).

 

Na Oficina de Psicologia desenvolvemos o Amores (im)perfeitos, um programa de optimização conjugal em que são abordadas as principais temáticas do casal: as principais fases de crise (e de oportunidade), as diferenças, a comunicação, os conflitos, as discussões, a intimidade, os projectos. Neste espaço apostamos nos recursos de cada casal, e também na partilha em grupo, que comprovadamente traz grandes benefícios. Até porque o fechamento do casal em si mesmo, o isolamento, potencia as emoções negativas e faz com que as pessoas sintam que apenas elas têm este tipo de problemas. A descoberta da existência do mesmo tipo de problemas noutros casais revela-se muito importante. E apostamos também na prevenção: não é necessário ou proveitoso deixar arrastar situações difíceis e levá-las ao limite. Vamos aproveitar quando ainda há elos de ligação entre as pessoas. Para que possamos, realmente, ir vivendo (im)perfeitamente felizes. Para sempre.

 

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publicado às 15:26



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