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A depressão infantil

por oficinadepsicologia, em 15.01.10

Autora: Ana Magalhães

Psicóloga Clínica

 

A Depressão na Criança e mesmo no Adolescente só começou a merecer a atenção devida na segunda metade do século passado, apesar de poder ter um impacto devastador na vida das crianças. Este facto levou a que se falasse da “conspiração do silêncio”, em relação a esta perturbação infantil.

Devido à sua dependência ao adulto, a criança é muito sensível às perdas por morte de pessoas significativas do seu círculo e às separações, mais ou menos duráveis, dessas pessoas e em especial dos pais. Quanto mais nova é a criança, mais os estados de luto se tornam estados depressivos; estas depressões reaccionais surgem não só face a acontecimentos de perda, mas como consequência de interacções conflituais com os pais. Com o tempo, as interacções deprimentes fazem com que as reacções depressivas tenham tendência a ser internalizadas pela criança, sob a forma de uma conflitualidade depressiva mais ou menos intensa, reflectindo-se a depressividade nas estruturas da personalidade.

Quanto mais nova é a criança, mais inibição existirá nas suas manifestações depressivas.

As depressões da criança muito pequena são marcadas pelo desinvestimento, a apatia e a inibição. Pelo contrário, em crianças no final da idade de latência e sobretudo nos adolescentes, a expressividade dos afectos penosos e dos sinais de dor moral aumenta, de modo que as suas manifestações depressivas se assemelham às dos adultos.

A tendência da criança para não tomar consciência dos seus vividos negativos, em especial a tristeza e as perturbações da auto-estima, faz com que não lhe possamos aplicar os critérios diagnósticos dos estados depressivos utilizados para os adultos.

A tristeza importante e durável raramente é manifesta na criança. Muitas vezes, a tristeza expressa-se por uma expressão “sombria” ou “demasiado séria,” com uma incapacidade de ter prazer ou de manifestar interesse.

As inibições desempenham um papel central no quadro: motricidade afrouxada, linguagem lacónica, jogos e desenhos pobres ou pouco imaginativos.

A baixa auto-estima poderá manifestar-se pela expressão de ideias de incapacidade, de impotência, de auto descrédito: “não sei”, “não consigo”, “faço sempre tudo mal”.

 

 

A criança na latência, falará mais das suas preocupações e ideias mórbidas em relação a doenças e acidentes, e em relação à morte de pessoas da sua envolvência, principalmente dos seus pais.

As manifestações do quadro depressivo são acompanhadas de sintomas do tipo somático e funcional, bem como de problemas de comportamento e de aprendizagem, o que torna este quadro difícil de estabelecer.

Na criança muito nova, as perturbações de humor exprimem-se por meio de manifestações defensivas contra a depressão, dando lugar à síndrome hipomaníaca da criança muito pequena, com tendência para a euforia, a hiperactividade e a instabilidade motora.

 

Cada vez mais vemos crianças que aos 4, 8 ou 10 anos de idade nos dizem: “não gostei de ter nascido”, “é melhor morrer do que viver”, “não gosto de brincar nem de ir à escola”… Da experiência de observação e tratamento de crianças pode-se salientar que:

-  A depressão na criança não é o reconhecimento da tristeza manifesta.

-         Os sintomas que trazem a criança à consulta são diversos: instabilidade, anorexia, queixas somáticas, gaguez, tiques, encoprese, enurese e insucesso escolar na latência.

-         Muitas vezes são crianças vivas, mas que nos fazem sentir interiormente a sua própria tristeza.

-         A depressão pode surgir sob a forma de negação por uma questão de defesa

 

-         Sinais e Sintomas mais comuns a que os pais devem estar alerta:

-         Mudanças de humor significativas

-         Perturbação do sono

-         Cansaço matinal

-         Diminuição do rendimento escolar

-         Condutas agressivas

-         Condutas anti-socias e auto- mutilantes

-         Negativismo e sentimentos de rejeição.

 

Que fazer:

Hoje em dia, as pessoas mais importantes da vida da criança parecem estar cada vez mais indisponíveis.Com a prevalência das famílias onde ambos os pais trabalham fora de casa, bem como das famílias monoparentais, cada vez é mais difícil existir tempo dedicado exclusivamente às crianças.

Os pais podem ficar chocados ao descobrirem que o seu filho/a está deprimido/a, mas é importante que reajam o mais rápido possível e procurem ajuda profissional.

Devem aconselhar-se com o seu médico pediatra e/ou médico de família, para depois agirem com mais segurança. Não se devem culpabilizar nem procurar culpados para o problema.

A Psicoterapia ligada à terapêutica medicamentosa é o tratamento mais usado e mais eficaz para esta problemática, apesar de que ainda existe algum estigma e receio em usar este tipo de medicação em crianças, por parte das famílias.

Para além da ajuda profissional, a criança deve ter o apoio da família e da escola, que em parceria com os técnicos, trabalharão os recursos da criança para ultrapassar o mais rapida e consistentemente possível, estes momentos menos positivos da sua infância.

O afecto deve estar sempre na ordem do dia destas crianças.

 

publicado às 08:55



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