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Crianças e psicofármacos

por oficinadepsicologia, em 07.05.10

Autor: Francisco de Soure

Psicólogo Clínico

 

Um estudo recente no Journal of Marital and Family Therapy, uma publicação norte-americana, veio trazer a lume revelações preocupantes acerca da utilização de psicofármacos em crianças e adolescentes. De acordo com os autores deste estudo, nos EUA assiste-se a um cenário em que um em cada cinquenta cidadãos é considerado permanentemente inválido por razões de saúde mental, e que existirá um número tão elevado como 8 milhões de crianças americanas a serem medicadas com psicofármacos.

 

Num contexto em que a tendência em Portugal passa por um aumento também ele continuado do recurso á psicofarmacologia, este cenário também nos deve preocupar a todos. O estudo acima citado revelou que, para perturbações cujo diagnóstico têm sofrido um boom nos últimos anos (como a perturbação bipolar de manifestação precoce e as perturbações de atenção como a hiperactividade), embora existam evidências de benefício a curto prazo no uso de psicofármacos em crianças, existem muito poucos dados acerca dos seus efeitos e benefícios a longo prazo.

 

Apesar de intensas campanhas de divulgação e promoção de novos fármacos por parte das farmacêuticas, e de esforços de reinvenção de fármacos antigos, continuam a ser muito escassos os dados acerca dos efeitos a longo-prazo deste tipo de medicação. Na ausência de dados referentes aos efeitos secundários do seu uso em contexto psiquiátrico,  podemos esperar pelo menos aqueles observados na população adulta.

É, neste momento, para os pais e para os médicos, uma decisão de grande responsabilidade a prescrição de psicofármacos para uso com crianças.

 

Sendo os psicofármacos substâncias que alteram o estado de consciência e o funcionamento neuroquímico do cérebro, e observando a ascensão meteórica da sua utilização, parecemos correr o risco de nos tornarmos um país de toxicodependentes, e cada vez mais jovem. Num cenário preocupante como este, para quando uma discussão séria e implantação efectiva no Serviço Nacional de Saúde acerca de uma intervenção com resultados comprovados: a psicoterapia?

publicado às 14:54



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