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Quando o sol tarda em brilhar

por oficinadepsicologia, em 11.06.10

Autora: Ana Crespim

Psicóloga Clínica

 

Pois é… Pensávamos nós que estávamos livres do mau tempo… Que Junho era altura de sol, calor, boa disposição… Sente-se bem-disposto? Não?! Então junte-se ao grupo!

De facto, isto do tempo interferir no nosso estado de espírito é algo inegável. No entanto, convém não confundir aquele queixume natural de quem lhe apetece ir para a praia e não pode porque o tempo lhe pregou uma partida, com um estado depressivo mais estável, que insiste e persiste em certas alturas do ano, e que tanto pode interferir no nosso funcionamento normal e produtividade.

 

Apesar desta psicopatologia ser reconhecida e descrita nos manuais de diagnóstico de perturbações mentais, infelizmente os questionários que são utilizados no sentido de identificar a Depressão Sazonal, nem sempre são sensíveis para o efeito. Para um correcto diagnóstico é de extrema importância que a entrevista clínica seja o mais detalhada possível. Pois, pois… Está a ver aquela fila enorme que costuma estar no centro de saúde? Imagine o que seria se o médico demorasse cerca de uma hora com cada um dos seus utentes… Uhhhhh… Cheira-me que não daria um bom resultado. Percebeu a ideia? Com o sistema de saúde que temos, é extremamente difícil que se proceda a um correcto diagnóstico da Depressão Sazonal. Sendo que o médico de clínica geral e/ou o médico de família são habitualmente a porta de entrada quando sentimos que algo não está lá muito bem, e que é a partir daqui que muitas vezes se fazem os encaminhamentos, não admira que o cenário seja (tal como o tempo) “cinzento”.

 

 

Pelo referido, não é conhecida a verdadeira prevalência desta perturbação. O que se sabe é que varia de acordo com a localização hemisférica e com o grupo étnico (“Magnusson A. An overview of epidemiological studies on seasonal affective disorder”. Acta Psychiatr Scand 2000;101:176-84 and Mersch P, et al. “Seasonal affective disorder and latitude: a review of the literature”. J Affect Disord 1999;53:35-48).

Torna-se, portanto, vital que se conheçam os sintomas, as manifestações desta perturbação que não mata, mas pode levar ao suicídio, e sim mói e de que maneira, de forma a que se torne mais fácil a cada um de nós identificar os sinais de alerta e pedir ajuda o quanto antes. Isto em matéria de meteorologia, ainda não podemos mandar (infelizmente, que se diga de passagem), mas podemos sempre tentar travar os efeitos que ela pode deter sobre as nossas vidas.

 

De forma a simplificar esta tarefa, aqui ficam alguns critérios de diagnóstico desta perturbação:

- Acontece num período particular do ano e pode manifestar-se por um episódio depressivo grave, ou seja, um período de tempo em que a pessoa manifesta sintomas depressivos severos (tristeza, distúrbios do sono, apetite, etc.), ou por varações acentuadas de humor, do tipo bipolar, em que a pessoa oscila entre períodos de euforia e de tristeza profunda;

- Remissão total ou a alteração acentuada de humor também numa altura certa do ano (por exemplo, a depressão desaparecer na Primavera);

- De forma a comprovar a relação sazonal, esta depressão é diagnosticada quando se verifica a sua ocorrência em dois anos seguidos, distingui-a do episódio depressivo “normal”.

 

A Depressão Sazonal está associada com níveis anormais de serotonina e outros neurotransmissores no Sistema Nervoso Central, pelo que outras psicopatologias relacionadas com os mesmos neurotransmissores, podem ocorrer em simultâneo. São exemplo a Ansiedade Generalizada; a Perturbação de Pânico; a Bulimia; a Hiperactividade; a Síndroma de Fadiga Crónica, entre outras.

 

A literatura dá-nos muitas informações, dados, resultados de estudos, mas não nos podemos esquecer que está em constante actualização, e que as verdades de hoje podem ser as mentiras de amanhã. O mais importante de tudo é a forma como se sente, a sua análise do caminho que percorreu até ao aqui e agora, da forma como se sente em determinados momentos, se há ou não alteração. É que também não nos podemos esquecer que, fruto da mão do Homem, a Natureza tem sofrido inúmeras alterações e as estações já não são o que eram. Já não se diferencia com aquele mesmo rigor o final de uma estação e o aproximar de outra. Esta semana tem sido um espelho de todas estas alterações. O que eu quero dizer com isto é que importa estar atento a si e à percepção dos que lhe são mais próximos.

 

Pense nisto e… SEJA FELIZ!

 

publicado às 09:34



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