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De pais para filhos: as drogas são todas más

por oficinadepsicologia, em 15.01.10

Autora: Inês Mota

Psicóloga Clínica

 

 

Portugal e Prevenção

Os núcleos de prevenção de substâncias psicoactivas em portugal destacam como um dos objectivos principais prevenir o início do consumo de substâncias psicoactivas (SPA), sobretudo junto da camada jovem portuguesa, visto os estudos terem demonstrado que estes consumos têm início em idades cada vez mais precoces. Tem-se verificado também que os actuais padrões de consumo dos jovens passam pelo poli-consumo que, de um modo geral, inclui o álcool e que tem lugar em contextos de lazer.

 

 

Pais e Responsabilidades

Se é verdade que os pais não são responsáveis por todas as acções que os filhos cometem é também verdade que têm uma grande influência sobre a sua conduta.

 

No que toca a esta temática, e tendo em conta os “facilitismos” e pressões presentes na sociedade, uma dose eficaz de “vacina” pode de facto ser administrada pelas mãos dóceis daqueles que executam o poder parental.

 

Se registar o seguinte pensamento como “ O meu filho jamais será um consumidor de droga!”, fique alerta, registe que este é um pensamento do tipo “pensamento mágico” que tem como função tranquilizar a consciência de pai e permitir que permaneça tranquilo mas talvez absorto relativamente à temática. Apesar da tranquilidade que este pensamento nos fornece, ele por si só não quer dizer que o seu filho não entre no mundo do consumo; a realidade pode ser diferente!

 

 

Desenvolvimento, envolvimento e sobre-envolvimento

Os jovens passam por períodos críticos no seu desenvolvimento que correspondem aos períodos de maior risco de consumo..

A etapa mais perigosa corresponde à da pré-adolescência (11 aos 13 anos).É por exemplo mais fácil ter acesso e adquirir drogas se: o jovem tem mais de 13 anos, dispõe de dinheiro, vive numa zona urbana, gosta de sair em grupo para bares e discotecas, o seu grupo de amigos é instável ou variável.

Apesar dos riscos e das idades de risco, há que saber estar atento e presente na dose certa, mantendo a distância necessária à boa relação de confiança.

Este “trabalho” seria facilitado se houvesse uma lista de sinais, à qual os pais pudessem recorrer para detectarem de forma infalível os hábitos e consumos de SPAs dos filhos.

No entanto, tal não é possível pois o comportamento humano não se rege por padrões rígidos de actuação e o mesmo sinal pode supor formas distintas de conduta, que se podem atribuir a diferentes causas.

Assim, os pais devem estar atentos a sintomas reveladores de que os filhos possam estar a consumir PSA como (olhos avermelhados, cheiro a tabaco, nariz a pingar, comportamento estranho - falar pouco, sorrir pouco, fracasso nos estudos, comportamentos agressivos), embora devam também sempre e sem dramatismos avaliar previamente outras possibilidades que expliquem esses indícios,  de forma a evitar no confronto um maior afastamento por parte dos filhos.

 

Tente sempre assumir uma educação positiva, esteja presente na dose certa, mas evite ser detective (segui-lo durante as suas saías, escutar as suas conversas telefónicas, remexer nas suas coisas, revistar os seus bolsos ou mochila), pois a consequência desta conducta, se descoberta, pode ter um efeito exponecialmente negativo ao serem quebrados os laços de confiança.

 

Invista na análise da comunicação. De facto, os pais deixam escapar grande parte das oportunidades que têm para comunicar com os filhos, não porque não as queiram aproveitar mas porque não têm consciência da importância que têm para ambos, filhos e pais.

 

Desenvolvimento - Efeitos da Educação

Os pais devem  também estar conscientes de que o seu próprio comportamento e  padrão de consumo de substâncias está presente na educação dos seus  filhos. (sempre presente).

 

Os pais são os modelos dos filhos, sobretudo nesta etapa crítica e muitas das aprendizagens por modelagem são feitas neste contexto.

 

Especial atenção deve ser dada ao consumo de tabaco e o álcool pois são sem dúvida drogas que prejudicam gravemente a saúde, ainda que em certas ocasiões isso fique indevidamente esquecido porque são de extenso uso social.

Lembre-se: todas as drogas são más, “duras” ou “leves”, legais ou ilegais!

 

Tenha atenção por exemplo:

- às farmácias familiares e ao seu uso - Evite aconselhar o consumo de um medicamento pela sua crença de que faz bem (auto-medicação). Tente introduzir o médico como mediador entre a dor e o consumo de um analgésico. De facto pessoas jovens que estão expostos e se habituam aos   efeitos da auto-medicação, podem assimilar esta aprendizagem e ter mais   facilidade em aceitar substâncias oferecidas (ex: forma de comprimido).

 

- aos bares familiares e encontros de amigos: A associação entre álcool, diversão e reunião de amigos poderá facilmente ser estendida pelo jovem ao seu meio introduzindo a noite como quarto elemento da relação: álcool- diversão- reunião de amigos-noite.

 

Mudar de hábitos- Prevenir Comportamentos de risco!

 

Verifique todos aqueles comportamentos que podem estar relacionados com os seus hábitos de saúde, de vida ou costumes relacionados  com o consumo de drogas em geral, que serão os que mais informações lhes darão para tentar corrigir o seu próprio comportamento.

 

Se se sentir zangado, confundido, frustado, ou mesmo perdido, há quem o consiga aconselhar de forma a encontrar o rumo e navegar de forma segura.

 

São adiantadas algumas sugestões de conselhos que poderá passar a utilizar na presença dos seus filhos: elogiar as bebidas sem álcool, as suas propriedades e sabores; oferecer bebidas sem álcool aos amigos que o visitam em casa; evitar fumar em casa e no carro; evitar aconselhar medicamentos, etc..

 

Parece então não serem necessárias mudanças radicais para serem conseguidas mudanças significativas no nosso estilo de vida. Parece mais importante que estas mudanças suaves mas significativas podem conseguir um impacto muito positivo ao nível da prevenção de comportamentos de risco do seu filho e dos jovens em geral.

 

publicado às 09:34


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