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Será que tem preocupação excessiva?

por oficinadepsicologia, em 15.09.10

Autora: Isabel Policarpo

Psicóloga Clínica

 

 

A preocupação é uma resposta normal do nosso organismo sempre que nos deparamos com uma situação cujo o desfecho é imprevisível. Todos nós  nos confrontamos e enfrentamos  de onde em onde algum nível de preocupação,  o que sucede é que alguns de nós tendem a preocupar-se mais com o que os rodeia.

 

A diferença está assim na quantidade e na frequência com que essa preocupação nos invade – e para lá de um determinado limite, a preocupação  começa a ser disfuncional e perturbadora do funcionamento normal de uma pessoa, e quando isso sucede, estamos perante uma perturbação de ansiedade  designada de Perturbação da Ansiedade Generalizada que é caracterizada pela preocupação excessiva e incontrolável sobre um conjunto de situações quotidianas .

Porque respondemos de tão forma diversa? Aquilo que se sabe hoje é que alguns de nós têm maior sensitividade para os acontecimentos, e esta  maior ou menor sensibilidade face aquilo que nos rodeia vem  definida nos nossos genes  e contribui para mais facilmente nos sentirmos ansiosos e tensos. Mas a preocupação excessiva também pode ser aprendida ao longo da nossa infância, imagine que enquanto crescia, de um modo mais ou menos explícito lhe fizeram notar que o mundo  era um local ameaçador e perigoso, ou que lhe incutiram a ideia de que não pode errar ou que errar é um sinal de incompetência, como é que  acha que reagiria?  Sem dúvida com preocupação.

Os estímulos que podem precipitar a preocupação tanto podem ser externos - como por exemplo quando um dos nossos familiares vai fazer uma viagem , ou internos – como quando por exemplo nos incumbem de uma determinada tarefa, mas em qualquer dos casos tendem a conduzir a um  ciclo de preocupação caracterizado pela presença constante e consecutiva de perguntas do tipo  “E se...?”. “E se o meu filho tiver um acidente?”.“E se eu não conseguir fazer a tarefa?”. “E se o banco não me conceder o empréstimo?”. “O que é que eu faço se não passar no exame?”.

 

A preocupação diz respeito a acontecimentos futuros e do quotidiano, que envolvem alguma incerteza quanto ao seu resultado e/ou desfecho, e que tendencialmente  são vistos através de uma lente negativa, que é acompanhada por sentimentos de ansiedade.

Viver continuamente numa espiral de preocupação é extremamente fatigante, quer do ponto de vista físico, quer mental. Senão vejamos.

Se os nossos pensamentos são negativos e pessimistas e olhamos as situações como sendo catastróficas e sem esperança, há uma tendência crescente para acreditar que os acontecimentos negativos vão ocorrer, mesmo que a sua probabilidade seja mínima. Neste contexto, somos invadidos por um conjunto de sentimentos e emoções negativas, que vão da frustração e insegurança, à sensação de incapacidade, incompetência, desespero e abandono. E sentimo-nos tensos, irritados e agitados, incapazes de relaxar ou dormir e progressivamente a nossa capacidade de concentração,  de raciocinio e/ou  de tomar decisões é comprometida. Acresce que a preocupação  com o que está para vir, interfere com a atenção que damos às coisas que estão à nossa frente, pelo que mais facilmente nos distraimos e cometemos erros, o que conduz  a quebras importantes de produtividade e de eficácia na resolução de problemas, que desta forma se tendem a acumular. Um cenário que ao longo de meses ou mesmo anos de preocupação e ansiedade, conduz  à exaustão, à desmoralização,  à depressão e isolamento.

É possível aprender a controlar os seus níveis de preocupação e ansiedade – a preocupação em excesso não é útil, só paralisa. É possível aprender a gerir a intolerância à incerteza que é o combustível da preocupação – não pode eliminar a incerteza da sua vida, mas pode aumentar a sua tolerância face à mesma.

A sua vida pode ser diferente daquilo que tem sido até aqui. Na Oficina de Psicologia temos psicólogos vocacionados para lidar com este problema, pode inclusivé integrar um grupo de Ansiedade Generalizada e perceber que aquilo que sente não sucede apenas consigo, o grupo ajuda-nos a sentir menos sós e estranhos, ao mesmo tempo que permite partilhar e aprender com as experiências dos outros.

 

publicado às 16:22


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