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Depressão

por oficinadepsicologia, em 19.09.10

Autor: Francisco de Soure

Psicólogo Clínico

 

Não me resta nada, sinto não ter forças para lutar
É como morrer de sede no meio do mar e afogar
Sinto-me isolado com tanta gente à minha volta
Vocês não ouvem o grito da minha revolta
Choro a rir, isto é mais forte do que pensei
Por dentro sou um mendigo que aparenta ser um rei
Não sei do que fujo, a esperança pouca me resta
É triste ser tão novo e já achar que a vida não presta
As pernas tremem, o tempo passa, sinto cansaço
O vento sopra, ao espelho vejo o fracasso
O dia amanhece, algo me diz para ter cuidado
Vagueio sem destino nem sei se estou acordado
O sorriso escasseia, hoje a tristeza é rainha
Não sei se a alma existe mas sei que alguém feriu a minha
Às vezes penso se algum dia serei feliz
Enquanto oiço uma voz dentro de mim que diz…

 

Chorei
Mas não sei se alguém me ouviu
Enão sei se quem me viu
Sabe a dor que em mim carrego e a angústia que se esconde
Vou ser forte e vou-me erguer
E ter coragem de querer
Não ceder, nem desistir eu prometo

 

Busquei
Nas palavras o conforto
Dancei no silêncio morto
E o escuro revelou que em mim a Luz se esconde
Vou ser forte e vou-me erguer
E ter coragem de querer
Não ceder, nem desistir eu prometo

Não há dia que não pergunte a Deus porque nasci
Eu não pedi, alguém me diga o que faço aqui
Se dependesse de mim teria ficado onde estava
Onde não pensava, não existia e não chorava
Sou prisioneiro de mim próprio, o meu pior inimigo
Às vezes penso que passo tempo demais comigo
Olho para os lados, não vejo ninguém para me ajudar
Um ombro para me apoiar, um sorriso para me animar
Quem sou eu? Para onde vou? De onde vim?
Alguém me diga porque me sinto assim
Sinto que a culpa é minha mas não sei bem porquê
Sinto lágrimas nos meus olhos mas ninguém as vê
Estou farto de mim, farto daquilo que sou, farto daquilo que penso
Mostrem-me a saída deste abismo imenso
Pergunto-me se algum dia serei feliz
Enquanto oiço uma voz dentro de mim que me diz…

 

Chorei
Mas não sei se alguém me ouviu
Enão sei se quem me viu
Sabe a dor que em mim carrego e a angústia que se esconde
Vou ser forte e vou-me erguer
E ter coragem de querer
Não ceder, nem desistir eu prometo

 

Busquei
Nas palavras o conforto
Dancei no silêncio morto
E o escuro revelou que em mim a Luz se esconde
Vou ser forte e vou-me erguer
E ter coragem de querer
Não ceder, nem desistir eu prometo

 

Estas são palavras que ficaram celebrizadas por Boss AC e Mariza, na sua canção “Alguém me ouviu (mantém-te firme)“ com a qual se fizeram representar no projecto UPA.

 

Para muitos portugueses, serão provavelmente palavras nas quais encontram uma descrição da sua experiência, num ou noutro momento da vida. Para muitos outros, descreverão aquilo que observam ou observaram naqueles que lhes são próximos e sofrem ou sofreram daquele que é apontado como o flagelo do séc. XXI: a depressão. Com consequências graves ao nível pessoal, familiar e até mesmo sociológico, a depressão é uma perturbação psicológica que tem vindo a sofrer um crescimento galopante no nosso país, e no mundo. A OMS estima que, durante o presente século, a depressão venha a ser a segunda causa de morte a nível mundial. Estima-se neste momento que, ao longo da sua vida, 20 a 30% da população mundial possa sofrer desta perturbação. Tornou-se de tal forma comum que surpreendente é, actualmente, encontrar uma família que nunca tenha sido por ela afectada.

 

Apesar de sobejamente falada e vivida por milhares, independentemente de profissão, estatuto sócio-económico, etnia ou nível de educação, a depressão continua a ser, para muitos, um “bicho-papão” do qual pouco se sabe de concreto. Ainda que o seu diagnóstico seja complexo, alguns pontos reúnem acordo. Os sintomas mais frequentes são a falta ou excesso de sono, apetite e/ou apetite sexual, um humor persistentemente e anormalmente negativo, as frequentes crises de choro, o retraimento social, a falta de prazer em actividades anteriormente gratificantes, e a presença de ideias fortemente negativas em relação a si e ao mundo. Quem vive ou viveu com depressão conhece de perto a sensação de tanto na vida ser cinzento, sem sentido, sem prazer. A sensação de se ser hoje menos que se foi em tempos. E o sofrimento que todas estas manifestações provocam em nós. Independentemente de as opiniões se repartirem quanto à sua origem, sabemos hoje que a depressão se mantém com base no comportamento que decorre de todos estes pensamentos negativos, e de um bloqueio que se forma dentro de nós e nos impede de viver a nossa tristeza de uma forma saudável, que lentamente dá lugar à paz e ao crescimento com a dor, sendo que frequentemente existe uma alteração bioquímica ao nível do cérebro.

 

Tornou-se um lugar comum tomar anti-depressivos. De acordo com as estatísticas, estes medicamentos encontram-se entre os mais vendidos nos países ocidentais. É frequente ver a depressão tratada como uma doença crónica, que se faz acompanhar de uma toma de psicofármacos ao longo de penosos anos de tratamento, frequentemente sem visíveis melhoras, apenas com a manutenção de um estado “menos mau”. Não quer isto dizer que os anti-depressivos sejam nossos inimigos e não sirvam uma função. Bem pelo contrário, frequentemente são de uma utilidade extrema. O risco que corremos, enquanto indivíduos e enquanto sociedade é o de que, no limite, recorramos apenas a eles como solução para a depressão. A investigação tem vindo a demonstrar que a psicoterapia demonstra níveis de eficácia semelhantes aos dos anti-depressivos mais comuns, sendo que a combinação das terapêuticas oferece os melhores resultados.

 

Foi neste contexto que a Oficina de Psicologia detectou a necessidade de criar um programa integrado de intervenção na depressão. Para além do acompanhamento individual que está disponível desde o seu arranque, a OP disponibiliza agora um serviço de acompanhamento da depressão em forma de terapia de grupo. Sendo uma das mais ricas e eficazes intervenções psicológicas, representa uma clara mais-valia para quem sofre de depressão. Procure-nos!

 

www.oficinadepsicologia.com

publicado às 19:20


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