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Stresses do Natal

por oficinadepsicologia, em 20.11.10

Autora: Madalena Lobo

Psicóloga Clínica

 

Goste-se ou não se goste, o Natal é inevitável. Jingle Bells, onde quer que entremos e Pais Natais para todos os gostos, presépios, do microscópico ao gigante, bolas e árvores, anjinhos e velas, numa inundação de vermelhos e verdes a recordar-nos que ainda não comprámos tudo o que devíamos, ainda não conseguimos articular as famílias modernas em torno das mesas de 24 e 25 de Dezembro, ainda nos faltam os jantares de empresa e os cartões a conhecimentos mais periféricos, a juntar à habitual incontinência de SMS e e-mails de última da hora enviados e recebidos a passageiros infrequentes nas nossas vidas.

 

Escapa-se-me por completo como é possível a sociedade empenhar-se desta forma em complicar o que poderia ser simples, mas é o mês de Dezembro que temos e o stress que daí deriva torna-se incontornável. Melhor prevenir do que remediar, por isso, aqui ficam algumas sugestões práticas.

 

 

1.       Estabeleça um orçamento máximo para gastar com presentes e faça uma lista das pessoas a quem, necessariamente, tem de oferecer uma prenda de Natal. Dividindo o orçamento pelo número de pessoas, obtém logo uma noção clara da média do valor que pode gastar por pessoa, o que ajuda a não ter de passar os próximos 6 meses a amortizar um cartão de crédito.

 

2.       Aproveite para se divertir com os presentes e enfeites de Natal, rentabilizando algum talento que tenha: recicle, crie, construa, invente, utilize toda a sua criatividade para personalizar o que vai oferecer e o que vai utilizar para decorar a casa (o meu presépio de Natal é feito de garrafinhas de leite para gato, e coisas que fui encontrando pela casa…).

 

3.       Tire um dia intensivo para fazer as compras, com ajuda da sua lista. Pode ficar estafado no final do dia, mas deixa de ter de pensar no assunto.

 

4.       Entre a consoada do dia 24 e o almoço do dia 25, a gestão de pais e filhos de casamentos em várias versões pode tornar-se num problema logístico de difícil gestão. Acima de tudo seja prático e assuma, se necessário, um horizonte temporal mais alargado, para conseguir conciliar diferentes agregados familiares: este ano é assim; no próximo ano é de outra forma. E proteja-se – passar um Natal a correr de uma casa para a outra é o suficiente para transformar o prazer de estar no stress da correria.

 

5.       A alteração radical dos hábitos alimentares pode ser considerada como stress orgânico. Vigie a ingestão excessiva dos fritos tradicionais, de doces e refeições copiosas regadas ao bom vinho português, sobretudo se estiver habituado a uma alimentação mais ligeira e saudável.

 

6.       Muitas pessoas entram automaticamente em modo de reflexão e balanço pessoal ao aproximar-se o final do ano e isto, que pode ser um mecanismo útil e promotor de bem-estar futuro, efectuado sob o stress da época, facilmente se transforma em negativismo das avaliações do ano que passou e em catastrofização do ano que nos aguarda ou, igualmente pouco funcional, em decisões radicais e nada realistas quanto a mudanças que vamos promover. Este ano, se costuma fazer um pequeno balanço da sua vida por volta desta altura, concentre-se em identificar também o que de bom aconteceu e decida-se por pequenos passos para o novo ano que sinta que podem acrescentar um aumento qualitativo na sua vida.

 

7.       Aprenda a dizer não. Não a todos os pedidos excessivos; não a todos os encontros que falham em genuinidade; não às expectativas de que somos omnipresentes; não à tentação natalícia que nos faz confundir carinho com consumo; não a gastar todo o subsídio de Natal em presentes que muitos não valorizarão; não às compras excessivas encaixadas em momentos livres que já teimam em desaparecer das nossas vidas…

 

8.       Ofereça um presente a si: uma tarde livre a fazer apenas aquilo de que gosta, uma massagem ou momento de relaxamento, um jantar ou almoço com alguém de que goste verdadeiramente e tenha saudades, um concerto ou passeio que tem adiado para o fim da lista de prioridades. Merece :=)

 

9. Não descure o sono. Dormir bem é um dos grandes recursos que temos para amortecer o desgaste quotidiano.

 

10.       E prepare-se… O stress cobra uma factura que se concretiza numa lista impossível de esgotar– em irritabilidade ou ansiedade, incómodos e reactividade física, dificuldades cognitivas (como atenção, concentração e memória ou tomadas de decisão dificultadas), cansaço e negatividade. Como numa gripe, ponha-se confortável e espere paciente e tranquilamente que passe.

 

11.   Finalmente, lembre-se que o stress é um agente agravante de realidades prévias; se sofre de depressão ou de um quadro ansioso, de problemas médicos ou estados crónicos é provável que os seus sinais se façam ouvir com maior volume. Cuide de si e esteja atento à necessidade de uma intervenção. Tal como nos diagnósticos médicos, também a intervenção psicoterapêutica deve ser tão precoce quanto possível.

 

Coragem! Só há um Natal por ano ;=)

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publicado às 14:00



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