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Este consultório da Oficina de Psicologia tem por objectivo apoiá-lo(a) nas suas questões sobre saúde mental, da forma mais directa possível. Coloque-nos as suas dúvidas e questões sobre aquilo que se passa consigo.
Autora: Tânia Cunha
Psicóloga Clínica
Para alguns autores, a definição de psicossomática, pode ser entendida, como uma filosofia, porque envolve uma visão do ser humano, uma maneira de definir o ser humano, e uma ciência que tem como objecto os mecanismos de interacção entre dimensão mental e dimensão corporal.
A doença como veículo de comunicação e contacto constitui, para mim como psicoterapeuta, uma área de especial interesse.
Desde cedo que o “adoecer psicossomático” pode andar de mãos dadas com o indivíduo, como as doenças infantis que curiosamente a grande parte delas que atinge as crianças afectam sobretudo os olhos, o nariz, os ouvidos, a garganta e a pele.
Segundo Lise Bourdeau, uma doença infantil é uma mensagem recebida pela criança como efeito de se deixar perturbar com o que se passa à sua volta e sentir cólera interior. A criança pode ter dificuldade em exprimir o que sente porque não sabe como fazer ou porque os adultos não lhe permitem que o faça. As doenças infantis, sobrevêm muitas vezes no momento em que a criança não recebe bastante atenção, não é bastante admirada.
Entendo o “adoecer psicossomático” como uma carência a dois níveis, intimamente relacionados, o afectivo e o relacional no processo de crescimento psíquico do próprio.
O trabalho corporal é parte integrante da Gestalt terapia, em que a atenção ao corpo é permanente com a observação da postura, respiração, olhar, voz etc.
O corpo humano traz consigo todas as experiências diárias que se vai moldando de acordo com o que é emocionalmente vivido ao longo da história de cada um. Assim, o corpo sente, aprende, disciplina-se, condiciona-se, deprime, cresce, expande-se, contrai-se...
Podemos encontrar nas pessoas diferentes posturas, onde cada uma possui uma forma particular e pessoal de ser e de agir. Reich percebeu que o corpo traz consigo todos os conflitos emocionais e possui uma linguagem própria, comunicada através de gestos, postura, tom de voz, movimentos.
O conflito psíquico possui um equivalente somático muscular, ou seja, o ser humano é afectado no seu corpo, mesmo quando os problemas pertencem à esfera do psíquico.
O nosso corpo regista todos os acontecimentos vividos durante a nossa vida, principalmente aqueles ocorridos na primeira infância, quando as formas que encontramos para nos defender ainda são precárias.
O trabalho corporal em psicoterapia permite: