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Perda de emprego e bem-estar mocional

por oficinadepsicologia, em 16.01.11

Autora: Madalena Lobo

Psicóloga Clínica

 

 

De 2011 já se falou tanto e tão mal que mais parece ano que já passou do que novinho em folha, pronto a inaugurar. Por isso, não vale a pena mencionar o óbvio, invocando cenários negros. Vamos, em vez disso, falar de boas notícias escondidas dentro das más.

 

 

Num estudo publicado agora pela Associação Americana de Psicologia, chegou-se à conclusão que o impacto negativo provocado pela perda de emprego se desvanece com o tempo (independentemente do se ter assumido um novo emprego entretanto), e as pessoas retomam os níveis de satisfação com a vida que tinham antes desse acontecimento. Parece ser a versão negativa do Euromilhões – menos de 1 ano após se ter sido o feliz contemplado, também os níveis de satisfação com a vida retomam a mesma plataforma anterior. Bom ou mau? Eu diria: responsabilizador!

 

Repare: se for uma pessoa que se concentra naquilo que está sob a sua esfera de controlo e responsabilidade e se encontra satisfeito com a sua vida, independentemente das boas surpresas com que a vida o presenteia ou das partidas de mau gosto que lhe prega, então venha bom ou venha mau, você reage em conformidade durante uns tempos mas logo retoma o ponto anterior, que era de satisfação. Se, pelo contrário, andava de mal com a vida, seja o que for que lhe aconteça, seguirá o mesmo caminho e você dará por si a aterrar de volta (ou a permanecer) num estado de insatisfação e mal-estar.

 

Voltemos ao desemprego – neste estudo verificou-se, igualmente, que a perspectiva da perda de emprego gerava maior mal-estar do que quando efectivamente acontecia.

 

Talvez seja mais fácil lidarmos com a angústia de uma situação destas se mantivermos presente que:

  1. Uma má situação parece sempre pior quando é imaginada do que aquilo que vai ser na realidade
  2. Por pior que nos estejamos a sentir depois de um acontecimento negativo, podemos sempre antecipar que vamos voltar a sentirmo-nos de uma forma semelhante àquela de onde viemos; cerrar os dentes e esperar que o tempo passe e as nossas estratégias e recursos pessoais comecem a funcionar, permitindo-nos, entretanto, encontrar soluções práticas para os desafios que a vida nos coloca
  3. Confrontados com um acontecimento de vida tão desestabilizador e traumático como a perda de emprego, é fundamental activar todos os recursos pessoais que nos permitam criar hipóteses rápidas de soluções possíveis. Para o fazer, convém termos uma base emocional sólida que nos garanta clareza de raciocínio e tranquilidade nas decisões a tomar.

publicado às 13:03



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