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Algumas palavras do reino da Psicologia...

por oficinadepsicologia, em 20.02.11

A 21 de Fevereiro celebra-se o Dia Internacional da Língua Materna, uma iniciativa proclamada pela Conferência Geral da UNESCO em Novembro de 1999 que se assinala desde o ano 2000. Esta comemoração tem como objectivo promover o reconhecimento e a prática das línguas maternas no mundo, nomeadamente, a diversidade linguística e cultural e o plurilinguísmo.

 

Dicionário da Oficina de Psicologia

 

 

Ambivalência – é ter simultaneamente sentimentos contrários em relação a uma mesma pessoa, objecto, ideia ou situação. Quando nos sentimos ambivalentes é como se estivéssemos a ser puxados em duas direcções mutuamente exclusivas ou pretendêssemos alcançar objectivos opostos.

Isabel Policarpo

 

 

Alexitimia - Acentuada dificuldade em identificar e diferenciar sentimentos, bem como em expressá-los e regulá-los.

Atenção, não se trata de uma ausência de sentimentos, na qual nos é vedada a sua vivência. Trata-se sim, de não uma dificuldade extrema em perceber o que se sente, dar nome a esses sentimentos e em expressá-los verbalmente.

Sabemos que por vezes, perceber o que estamos a sentir e traduzi-lo em palavras é uma tarefa bem complicada. Face a autênticos tornados emocionais, não é nada invulgar expressarmos prontamente um “eu nem sei o que estou a sentir”, evidenciando como nos é complicado compreender e pôr em palavras tais experiências. Mas mesmo nestes casos, quando o tornado desaparece, conseguimos fazê-lo. Contudo, na Alexitima, essa dificuldade persiste e a expressão “eu nem sei o que estou a sentir” assume-se como constante no padrão normal de funcionamento.

Joana Florindo


Descentração - Uma fantástica capacidade que nos leva a observar o nosso próprio comportamento! No calor da emoção é difícil ver o que se passa na nossa vida... Com a ajuda do terapeuta, a poeira assenta e torna-se mais fácil ver, descrever, desenhar e até escrever de uma forma mais distanciada e lógica os eventos que nos perturbam. É sair fora de nós e construir o mapa do terreno, facilitando a aquisição de bem-estar pela tomada de consciência das possibilidades em aberto e que é seguida por decisões mais adequadas.

Luís Gonçalves

 

Descomplicómetro - serve para medir a capacidade de cada um para descomplicar. Muitas vezes tendemos a complicar e a andar com um mundo de preocupações às costas. Não vale muito a pena. Sempre que estiver com uma taxa de stressolémia no sangue muito alta, não conduza. O melhor é parar e relaxar.

Hugo Santos


Emoção - A emoção relaciona-se com a situação presente ou futura. Tem algo a ver com a sensação, a percepção e a representação: acompanha-as e enriquece-se com aquilo a que habitualmente chamamos “ressonância emocional”. É uma ressonância que se faz com o corpo, que amplia e prolonga a enfermidade da simples percepção. Não é por acaso que a emoção é mais duradoura na memória e na modificação das atitudes, sendo então um forte componente da intencionalidade. Assim, a vivência que se acompanha deixa de ser submetida às contingências do mundo: inscreve-se no próprio corpo e é auto-alimentada na interacção da consciência com o seu corpo.

Tânia Cunha

 

Empatia – Consiste em apreender momento a momento o que ocorre no mundo interior de outra pessoa, como o vê e sente, sem que percamos a nossa própria identidade ao fazê-lo. Experimente imaginar-se a calçar os sapatos da outra pessoa e a caminhar com eles, vai ver como se torna mais fácil perceber o porquê dos seus calos.

Helena Gomes


Epistemologia- também chamada de teoria do conhecimento é o ramo da filosofia que se ocupa dos problemas que se relacionam com o conhecimento humano. A epistemologia estuda a origem, a estrutura, os métodos e a validade do conhecimento assim, a ciência que a psicologia é hoje derivou da filosofia e, em parte, destes ramos do estudo do conhecimento. Para brindar a língua materna, podemos pensar que atitude queremos ter perante a possibilidade do conhecimento humano...

Dogmáticos? Cépticos? Relativistas? Perspectivistas?

Desejo-lhe uma excelente procura do significado destas palavras para se perceber a si próprio e à sua visão do conhecimento humano!

Nuno Mendes Duarte


Frustração - (vem do latim “frustratio”- decepção, desapontamento) estado emocional desagradável que advêm do facto de não se conseguir o que se deseja, e sobre qual, se tinham expectativas positivas.

Frustração surge como reacção sempre negativa (raiva, ansiedade, inveja, sentimento de culpa) em resposta a contacto com obstáculos no caminho de satisfação das necessidades. Os factores que desencadeiam frustração podem ser tanto externos, como internos. Habitualmente os externos estão ligados a outros seres humanos que não corresponderam às expectativas, e às circunstâncias. Na lista dos factores internos constam medo, limitações físicas, normas e regras interiorizadas, vergonha, etc.

Frustração tem um traço próprio – surge sempre na sequência de algo que já aconteceu, um facto que não pode ser alterado.

A perspectiva psicológica do desenvolvimento olha para frustração como factor importante na introdução de uma mudança na vida da pessoa. Já que a vida é muito generosa na oferta de experiências emocionais negativas, precisamos de aprender estar à altura destes desafios. “O que não me mata, torna-me mais forte”, dizia Friedrich Nietzsche

Irina António


Hipno-Dessensibilização Sistemática - Técnica usada em Hipnose Clínica em casos de fobia. Consiste em encenar mentalmente (exposição in vitro) o estimulo ou situação que gera o medo, de um modo gradual, intercalando e associando ao uso do relaxamento hipnótico. Este processo é repetido até que a resposta ao estimulo ou situação, fique neutralizada e deixe de provocar a reacção de evitamento.

Susanne Diffley


Idiossincrasia- Refere-se ao conjunto de disposições particulares referentes a um indivíduo, por exemplo atitudes comportamentais ou motivacionais, que o identificam nas suas "especificidades"  como "aquela pessoa única e especial". Todos nós temos as nossas idiossincrasias!

Inês Mota


Introspecção - Diz respeito à acção a, partir da qual, qualquer pessoa pode observar os vários elementos que compõem os seus estados mentais, procurando tomar consciência deles. Quando falamos de elementos mentais estamos a nos referir a memórias (visuais, auditivas, olfativas, sonoras, tacteis...,) imagens mentais, pensamentos, crenças...  Qualquer um destes elementos vem sempre acompanhado de uma ou mais emoções.
Na vida do dia a dia, no "corre-corre", muitas vezes esquecemos que dentro de nós existe um mundo interior rico, complexo, profundo e que precisa que o ouçamos com a nossa máxima dedicação. Muitas vezes as emoções são tantas e tão confusas que nos sentimos totalmente perdidos no trânsito emocional e nos engarrafamentos interiores.
É fundamental não esquecer que temos sempre a possibilidade de calar o barulho externo e olhar atentamente para o nosso interior.
Esta viagem interior, ou seja, este convite à introspecção é uma das propostas de qualquer processo psicoterapêutico.

António Norton


Mutismo Selectivo - A criança fala fluentemente em casa mas parece ficar bloqueada noutros contextos sociais, como a escola. Timidez extrema. Manifestação de ansiedade, por parte da criança. Medo exagerado de falar em determinado contexto, falando despreocupadamente noutros contextos, percepcionados como seguros. Interfere com a capacidade global de funcionamento, podendo ter impacto em áreas como a auto-estima, as relações sociais ou o rendimento académico.

Inês Afonso Marques


Psicoterapia - Fala-se muito de “psicoterapia”. Mas o que quer dizer afinal? Se procurarmos uma definição científica, poderemos encontrar algo do género:

“Método e técnicas, cientificamente fundamentados, de alteração do comportamento ou estados psicológicos considerados inadequados, por meios psicológicos”.

Ui! Que lindo! Linguagem cara, chique… Mas ficamos quase na mesma, não?

A Psicoterapia não é nenhum bicho-de-sete-cabeças, nem se pretende que seja. É sim um esforço conjunto para percorrer um caminho, fazer um percurso, em que, terapeuta e cliente, funcionam como uma equipa, caminhando de mão dada, lado a lado e de igual para igual, procurando a melhor forma possível, por meio de avanços e retrocessos para atingir a meta.

Em suma, técnicas, existem muitas. Cabe ao terapeuta, em conjunto com o cliente, tomando sempre em conta a sua opinião, após uma explicação prévia das possibilidades, escolher as mais adequadas para cada caso. Nenhum trabalho pode ter melhores resultados do que aquele que envolve activamente o cliente. Afinal, as respostas estão sempre em si, o terapeuta está lá apenas para o guiar nessa auto-descoberta.

Ana Crespim

 

 

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publicado às 19:49


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