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Ansiedade e cirurgia

por oficinadepsicologia, em 28.02.11

E-mail recebido

 

Olá,
Tenho 21 anos e sofro de ataques de pânico e ansiedade desde os 18 anos. Já faço psicoterapia e tomo medicação. No entanto, nada parece resultar e quando pensava que já estava curada tive uma recaída. O que eu gostaria de saber é se existe alguma cirurgia que possa ser feita ao cérebro/amigdala para acabar com a ansiedade os ataques de pânico? Mesmo que isso signifique não ter ansiedade em situações em que a ansiedade é normal.
Obrigada,

N

 

 

Cara N

 

Ao ler o seu pedido de ajuda, salta à vista o quanto parece estar a sofrer com a ansiedade que sente. Gerir diariamente o convívio com a ansiedade pode tornar-se um pesadelo, uma limitação tão severa e pesada como viver sem pernas ou braços. Quanto mais intensa e frequente esta ansiedade, maior o grau de limitação que sentimos. Especialmente se esta se fizer acompanhar de ataques de pânico, que nos deixam a temer a iminência de perder o controlo a qualquer momento. Aquilo acerca do que nos questiona parece ser uma solução muitíssimo radical. Para que chegue a esse ponto, especialmente tendo em conta que já conta com tratamento, faz-me imaginar que a ansiedade que sente se tenha tornado absolutamente insuportável. Tanto quanto sei, não existe nenhuma solução cirúrgica (pelo menos que seja segura ou vantajosa) que se enquadre naquilo que nos questiona. Particularmente se isso implicar deixar de ser capaz de sentir medo, pode ser altamente perigoso. A ansiedade é uma resposta exagerada de medo em circunstâncias inofensivas. Este medo é desagradável e limitador, no contexto em que se verifica. No entanto, o medo enquanto emoção é o nosso “cinto de segurança”. Viver sem medo implicaria potencialmente entrar em comportamentos de elevado risco. Atravessar a estrada sem olhar, não se preocupar com o estado de conservação daquilo que come ou conduzir de forma arriscada são apenas alguns exemplos de comportamentos que o nosso medo nos ajuda a prevenir. Em qualquer caso, na Oficina de Psicologia a nossa equipa é constituída por psicólogos. Isto implica que o nosso conhecimento das possíveis soluções cirúrgicas nunca se comparará aquele que poderá encontrar junto de um neurologista ou psiquiatra. Posto isto, parece ser importante discutir com o seu psicoterapeuta a severidade dos sintomas que sente, assim como procurar a ajuda especializada de um médico. Se houver algo mais em que a possamos ajudar, por favor não hesite em contactar-nos.

Um abraço,

 

Francisco de Soure

Oficina de Psicologia

 

publicado às 18:44


4 comentários

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De Rita a 09.07.2011 às 10:14

Olá, chamo-me Rita, tenho 18 anos e há cerca de tres meses que não ando bem. Fui ao médico fazer exames ao coraçao e fiz analises a algumas coisas e nao acusou nada. Sinto-me mal a todas as horas e todos os minutos. Os sintomas são falta de ar,cansaço, nó na garganta, aperto no peito(sensaçao de desfalecimento), enjoos,dor de cabeça entre outros menos frequentes. Os médicos apontam para disturbia do sistema nervoso, pode ser ansiedade. Podes dizer-me quais eram os teus sintomas? eu vivo numa agonia total, nao posso fazer nada com medo de me sentir mal. Gostava de conhecer alguem que sofresse de um problema semelhante que me pudesse orientar ou acalmar pelo menos.

Agradecia resposta em breve.

Atentamente, Rita Mendes
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De oficinadepsicologia a 21.07.2011 às 09:13

Cara Rita

De facto, a julgar pela descrição dos seus sintomas, tudo aquilo que sente neste momento parece ser muito físico e muito intenso. Tendo já feito o rastreio de qualquer dificuldade orgânica que pudesse ser identificada medicamente, parece também que, de facto, o que descreve encaixa bem na descrição de um quadro ansioso. É frequente (particularmente no final da adolescência) haver alturas em que nos sentimos particularmente vulneráveis e sob stress. Quando isso acontece, é também possível que não nos demos conta de exactamente quão stressados estamos até que o nosso corpo comece a exibir sinais claros. E, mesmo nessa altura, por vezes o corpo precisa de gritar para se fazer ouvir: disse são exemplo situações como a tensão muscular, as dores de cabeça, as tonturas ou enjoos. Isto é algo muito perturbador quando se sente na pele e, ainda que seja muito comum, não é particularmente focado nas conversas de dia-a-dia. Normalmente, a resolução deste género de problemáticas passará pela criação e promoção de uma relação mais próxima com o corpo, nomeadamente por uma maior consciência dos seus estados e de como os aliviar. E para conseguir isto, há que criar competências psicológicas para reduzir a ansiedade (por exemplo, alguns exercícios de contenção do pensamento perturbador) e competências de respiração e relaxamento que permitam reduzir o desconforto no próprio corpo. Naturalmente, este é um processo que exige treino e acompanhamento de qualidade.Importa saber que em situações como a que descreve a Rita, a investigação aponta para que o tratamento das perturbações de ansiedade seja tanto mais eficaz quanto mais cedo se inicia. Espero que a nossa resposta a tenha ajudado.
Um abraço,
Francisco de Soure
Oficina de Psicologia
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De Anónimo a 12.05.2020 às 09:18

eu tenho ansiedade podemos conversa
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De Anónimo a 26.07.2018 às 16:11

Olá,Boa tarde,sempre que vou fazer alguma coisa que me deixa ansioso,uma viagem uma consulta ao médico,uma notícia que estou esperando receber,passo mal,meu corpo esquenta,como se estivesse dormente,me da náuseas,dor de barriga,isso se enquadra em ansiedade?estou fazendo tratamento com escitalopram receitado por um neurologista,15 mg/dia.

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