Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Dia da Mulher: de nós para si!

por oficinadepsicologia, em 07.03.11

 

 

"Pessoas em geral são uma coisa, homens e mulheres - outra. Sou uma mulher e dentro de mim existe um homem. Forte, astuto, atrevido, extravagante e sedutor. Fiz esta curiosa descoberta quando estava a tirar o curso de psicoterapia numa das experiências em que depois de pintar a barba e meter um pepino nas calças entrei, por instante, no território masculino. Identificando-se com este lado secreto, tomei consciência que a minha força propulsora vinha daí, que a vontade de atirar-se às experiências e a capacidade de vibrar com novos contactos se alimentam da fonte masculina – pragmática e objectiva. E apesar do prazer no contacto com ela senti que me faltava qualquer coisa e só percebi o que era quando voltei a “vestir” a minha pele feminina. Senti a falta do meu lado feminino simples, despretensioso, redondo, cuidador e com capacidade de integrar todas as conquistas “caçadas” pelo meu “homem” interno. A vivência masculina trouxe uma luz de consciência mais viva à minha feminilidade, trouxe uma sensação de maior segurança nas escolhas que quero fazer quando me apresento perante o mundo e a mim mesma.

Gosto de partilhar esta experiência com os meus clientes e convido-os criar, romper os limites no processo de autodescobrimento através destas duas polaridades poderosas."

Irina António

 

 

A essência da mulher dos tempos modernos combina a independência, a responsabilidade por si mesma, a suavidade e flexibilidade, apoiando-se nos seus próprios pés não só economicamente, como também intelectual e emocionalmente.”

Tânia Cunha

 

“É bom ter um dia que festeje quem todos os dias dá tanto de si. Mulher, mãe, filha, profissional, amiga, muitos são os papéis que nos cabem. Mas sabem que mais? Nós somos muito mais que tudo isto. Somos emoção, corpo, sentido, vida… muitas vezes complexas numa simplicidade de amor e vontade… amor por tudo o que é vida, vontade de deixar a nossa marca, nos que nos rodeiam, no mundo.

Com tanto o que se pode dizer sobre as mulheres, vem também uma carga que muitas vezes nos leva a questionar-nos: “Será que estou a ser uma boa mãe, filha, esposa, amiga, trabalhadora?” Quantas de nós já não se questionaram a respeito de qualquer um dos seus papéis? A verdade é que é muito difícil manter o equilíbrio, chegar a tudo, pelo que acabamos muitas vezes por sentir que estamos a falhar ou em falta com algumas das partes.

Não desespere! Não está sozinha. Muitas vezes isto não é verbalizado pelas outras mulheres com quem convive, mas isso não tem que significar que elas não sintam as mesmas pressões. Sabe, não é fácil colocá-lo em palavras, admitir perante alguém que tem os mesmos papéis que nós, que não estamos a conseguir ser super-mulheres.

Talvez fosse mais fácil se partilhássemos estas e outras angústias com quem confiamos e que, de alguma forma, sentimos que nos pode compreender. Estar a 100% em todo o lado, não só é uma utopia, como a pode levar a não estar em lado nenhum. A dificuldade está em encontrar um equilíbrio entre os diferentes papéis e funções, mantendo como pano de fundo que o que recebeu menos atenção da nossa parte hoje, pode sempre ser o privilegiado de amanhã.

Pressões? Vão sempre existir. No entanto, está nas suas mãos a forma como elas se irão ou não reflectir em si.

Pense nisto e… seja feliz!”

Ana Crespim     

 

Hoje é dia da Mulher e eu vou celebrar a feminilidade que há eu mim. Na minha experiência enquanto mulher, reconheço-a na expressão emotiva do sentir, no voo intenso dos sonhos, no permanente e atento cuidar ou na necessidade de um abraço protector. Reconheço-a na sensibilidade do acolher, na inquietação da dúvida, na multi-activação do fazer ou no forte desejo de querer sentir e viver a maternidade. Mas para que me possa sentir completa e equilibrada, tenho consciência que preciso também de chamar à celebração o meu lado masculino. Aquele que conduz à experiência as minhas ideias, que acciona as minhas intenções, que ajuda a combater os meus medos ou que tranquiliza de forma lógica e pragmática as minhas incertezas. Hoje é dia da mulher e estes meus dois lados juntam-se em celebração, harmonizando a mulher que sou.

Joana Florindo

 

Falar sobre a Mulher, que desafio ou que arrepio. Arrisco ou não arrisco. Desejo ou não desejo. Tudo o que me dá tudo o que me tira. Esquecemos de quem somos para nos lembrarmos de onde viemos.

Por se assustar com a complexidade da mulher, um homem faz o que melhor sabe. Partilha de homem para homem enganando-se ao pensar que vai perceber alguma mulher. Todos os homens sabem que não podem saber nada sobre uma mulher. Temos a certeza que ela nos leva para algum lado misterioso, diz quem sabe que é ao fundo do mar:

 

"Espalhem a notícia
do mistério da delícia
desse ventre
Espalhem a notícia
do que é quente e se parece
com o que é firme e com o que é vago
esse ventre que eu afago
que eu bebia de um só trago
se pudesse
(...)
Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
(...)
Depois de entre os escombros
ergueram-se dois ombros
num murmúrio
e o sol, como é costume, foi um augúrio
de bonança
sãos e salvos, felizmente
e como o riso vem ao ventre
assim veio de repente
uma criança
(...)
Falei-vos desse ventre
quem quiser que acrescente
da sua lavra
que a bom entendedor meia palavra
basta, é só
adivinhar o que há mais
os segredos dos locais
que no fundo são iguais
em todos nós

Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo do mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher"
Sérgio Godinho
Nuno Mendes Duarte

 

Ao vasculhar o meu baú de ideias sobre este grande tema “Mulher” várias coisas foram surgindo nomeadamente sobre o sentido do sexo que se traduz na qualidade de “Ser Homem” ou “Ser Mulher “ou sobre a identidade do género o ser “Feminino” ou ser “Masculino”. Poderia fazer uma ligeira dissertação sobre o assunto, mas correndo o risco de me tornar deveras maçuda e teórica lembrei-me de um tema que poderia ser bem mais apelativo e objecto de reflexão para muitas de nós.

Lembrei-me de várias mulheres que recorrem ao apoio psicoterapêutico em profundo sofrimento, por dificuldades relacionais com o sexo oposto. Criam com facilidade relações de dependência e quase fusão com o outro. O que me levou a pensar que há mulheres que, de facto, “amam demais”.

E todas elas têm padrões comuns de funcionamento:

 Passam grande parte do tempo da sua vida em torno daquilo que consideram uma relação insatisfatória mas que é tudo para elas; os seus companheiros representam o seu significante e o seu significado; tentam ignorar aquelas características, valores, e comportamentos que não consideram de todo positivas, com a ideia ilusória que o podem mudar; desculpam o seu “mau feitio” porque eles tiveram uma infância menos feliz e incorrem no erro de tentarem ser suas “terapeutas”; a maior parte das suas conversas giram em torno deles; olham para elas próprias e verificam que deixaram de fazer tantas coisas que gostavam para minimizarem chatices, etc.

Se se reconhecem no que acabamos de descrever, então minhas caras amigas, peço desculpa pelo diagnóstico precipitado e simplista (correndo o risco por isso mesmo de não estar correcto) mas possivelmente são mais umas das mulheres que “amam demais”.

Muitas vezes esta “perturbação relacional” esconde na sua raiz uma dificuldade, dificuldade de encarar o medo ou a existência do medo só por si. O medo do desconhecido, o voltar a viver sem essa pessoa, o medo de estarem sós, o medo de não voltarem a ser amadas, o desejo constante de sentirem que são amadas pelos companheiros, etc. Mas citando Aung San Suu Kyi,

“O medo é a única prisão, e a única verdadeira liberdade consiste em viver livre do medo”

Por isso lhes propomos neste Dia da Mulher uma pequena reflexão, e uma tomada de consciência da realidade da vossa relação, e oferecemos-lhes um pouco de motivação para alterarem o que tendencialmente se torna num padrão recorrente, por mais relacionamentos que tenham. Reorientem a vossa atenção quase que obsessiva por um homem, para uma outra que será de libertação, aprendendo uma forma melhor e mais saudável de viver a relação a dois baseada no principio da independência.

Neste dia da mulher que traduz exactamente isso, a afirmação daquilo que somos e representamos com direitos e valores que são nossos enquanto género, procurem viver sem medo sendo exigentes com o que querem para vós.

Feliz Dia da Mulher.

Fátima Ferro

 

Hoje e à semelhança do que vai sucedendo noutras áreas da nossa vida, assistimos a mutações importantes ao nível dos valores e das atitudes. No fundo, “a tradição já não é o que era” e os nossos estereótipos a respeito da mulher e do homem parecem questionáveis e fora de moda.

De facto, as mulheres vão à luta, são determinadas e combativas. Podem inclusive  ser frias, racionais e ambiciosas, para não falar já que de conquistadas, passaram a assumir-se como conquistadoras.

Os homens por seu lado são capazes de chorar, ser carinhosos e sensíveis. E com tanto orgulho vão ao futebol, como participam na festa da escola dos miúdos.

Assim, de repente, tudo parece assustador, mas acho que ganhamos todos com estas mudanças. É bom sabermos que podemos contar connosco e com a nossa autonomia. É positivo sabermos que não se espera de nós sempre o mesmo papel. É uma grande aprendizagem ser capaz de vestir os sapatos do outro género, nem que seja só por breves momentos.

Historicamente, percebo a existência de um Dia da Mulher, embora considere que faz falta um Dia do Homem, do Homem com letra grande, capaz de englobar ambos os géneros – o feminino e o masculino. Um dia que chame a atenção entre outros para a precariedade das condições de vida, para a ausência de respeito e dignidade e para a carência de trabalho.

Isabel Policarpo

 

Eu sou aquela que te enrola e que te ajuda,

Que te engana e de ti cuida,

Sou a Eva fértil e benevolente e a venenosa serpente.

 

Das tuas dores sou a plácida enfermeira,

A que põe a água na fervura,

E no calor da luta que perdura,

Sou eu, a corajosa guerreira

 

Luto por ti e por mim e por todos os meus irmãos,

Dou de comer aos meus filhos com o trabalho das minhas mãos

Trago no corpo esta luta e nos olhos trago doçura,

Mas não te deixes ofuscar por esta breve candura

 

Sou o berço onde nasceste e o caixão onde morreste

Sou a terra, sou o vento, sou o sol e sou o mar

Sou o local de onde partiste e o porto onde queres chegar.

Maria João Galhetas

 

 

Mulher,

Frágil e delicada como uma princesa,

Ao mesmo tempo forte e determinada, boa profissional, inteligente e dedicada.

Mãe, cuidadora da família e da casa,

Contudo, sensível, disponível e sedutora.

Politicamente correcta, espirituosa e educada,

Sempre elegante, jovem e em forma.

Hoje mais que mulheres somos artistas,

Precisamos saber todo o "beabá" da culinária, de cosmética e beleza, de fitness, 

de como sermos boas mães, como agradar ao marido, de como sermos boas profissionais e chegar a lugares de topo.

Dê-se ao luxo de não ser perfeita, de ter defeitos, fraquezas, de se enganar e de muitas vezes não corresponder às expectativas dos outros.

Catarina de Castro Lopes

 

“Às mulheres dos 7 ofícios”

 

As mulheres lutaram durante séculos pela igualdade entre os sexos, pela sua posição no mundo. Desde o direito a votar, a ter uma representação política, a estudar, a trabalhar fora de casa, etc., em suma existem muitas batalhas ganhas.

Mas Nós mulheres adoptamos algures a expressão que tantas vezes enalteceu o homem, como nossa e tornámo-nos nas “mulheres dos 7 ofícios”, temos um trabalho fora de casa; fazemos as lidas domésticas, somos mães; somos cuidadoras; somos esposa/ companheira/ namorada; somos ouvidas e até respeitadas pelos nossos pares, nós somos e queremos ser, mais e melhor, queremos ser perfeitas, mas na procura da Pseudo -Super-mulher, esquecemo-nos da nossa essência, esquecemo-nos de nos amar pelo que somos e não pelo que fazemos, pois nós mulheres somos mais do que dita a sociedade.

 

Nós temos um 6º sentido, nós choramos com alguma facilidade, Ok com muita facilidade, mas também rimos com muita facilidade, nós temos TPM, nós sabemos sempre quem culpar pelas desventuras da vida (o homem); temos sempre o que dizer; para nós a vida continua apesar de uma constipação e do clube de futebol perder, só nós sabemos porque vamos aos pares à casa de banho, só nós conseguimos perceber a gratificação de ir às compras, nós mulheres somos únicas e é ai que reside a nossa força… Por isso Viva a Nós Mulheres e como somos solidárias viva também aos homens que não vivem sem nós.

Helena Gomes

 

Percorrendo emoções.

Descobrindo caminhos. E ilusões.

No infinito acreditar.

Amar.

 

No soluço, o colo.

No gelo, o calor.

Na lágrima, o beijo.

Amor.

 

Filha. Companheira. Mãe. Amante. Menina. Amiga.

Mundo.

Mulher.

Inês Marques

 

 

Fascinam-me sem fim. Com elas aprendi a aprender, a ler nas entrelinhas, a amar sem barreiras, a ser cada vez melhor. Deram-me a mão, passearam comigo nos jardins da vida e mostraram-me que podia ser frágil sendo forte. Entre o brilho dos seus sorrisos e o calor das suas lágrimas, conduzem sabiamente a humanidade… pelo que não precisam de fazer e pelo que não precisam de dizer, são muito mais que isso.

Um magnífico Dia da Mulher, merece-o!

Luís Gonçalves

 

“Quanto ao lado feminino sinto-me à vontade para falar sobre tal temática. Nas várias áreas da minha vida, sempre convivi muito com mulheres. O meu curso superior é Psicologia, uma área tipicamente feminina, dominada por mulheres e onde os homens representam sempre uma minoria. Para lá das psicologias também frequento aulas de Canto Jazz, onde abundam os seres femininos. Portanto, desde aproximadamente os meus 18 anos que convivo muito com mulheres.
Falando um pouco das minhas inclinações artísticas, sempre me senti seduzido pelo lado frágil, melancólico e altamente emotivo de artistas como Chopin, Damien Rice, Anthony and the Jonhsons e Jeff Buckley. Seres que expandem sem pudor toda a sua feminilidade.
Se entendermos lado feminino como lado emocional, sensitivo e emotivo, então eu sou muito desse lado e portanto a minha identificação é fácil e natural.
As emoções, o seu estudo a sua vivência, a sua cumplicidade e a sua riqueza são simplesmente o caminho que tracei para dar um sentido à minha vida.
Até se pegarmos no meu signo que é Caranguejo vamos rapidamente encontrar a Lua como planeta regente e como metáfora do sentimento poético com todo o fatalismo que a palavra encerra.
Até no registo vocal sinto-me muito inclinado para o uso do falsetto, ou voz de cabeça, tipicamente um recurso feminino.
Penso que qualquer ser humano é um misto destes dois mundos, o feminino ligado à emocionalidade, sensibilidade, intuição, sexto sentido, mas também à fragilidade, à dependência, ao conflito emocional, à necessidade de protecção e o masculino ligado à Assertividade, à Racionalidade, ao sentido prático, à capacidade visuo-espacial, ao controle emocional, à segurança e à capacidade de proteger o outro.
Arrisco-me até a dizer que qualquer perturbação também poderá ser observada à luz do desequilíbrio entre o pólo masculino e o pólo feminino. Assim uma pessoa que tem dificuldades de decisão, provavelmente terá dificuldades de autonomia, o que remeterá para um lado feminino demasiado polarizado. Parte do trabalho terapêutico será o de fornecer ferramentas para ganhar proactividade, assertividade, domínio, controle e decisão.
De igual modo, um cliente altamente racional tenderá a ter um lado feminino pouco desenvolvido e aí o trabalho terapêutico tenderá a se focalizar mais na exploração e na descoberta do universo emocional.
Qualquer boa psicoterapia deverá ter ferramentas masculinas e femininas e qualquer bom terapeuta deverá ter a sensibilidade e a disponibilidade para navegar nestes dois mundos que se complementam totalmente, reflectindo a simetria e perfeição da natureza.

 

António Norton

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:11


Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.



Mais sobre mim

foto do autor



Arquivo

  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2012
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2011
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2010
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2009
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D