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Pânico

por oficinadepsicologia, em 15.01.10

Tenho 34 anos e, por diversas vezes, já tive de me deslocar às urgências hospitalares, com um mal-estar muito grande, uma sensação de que estava a ter um ataque de coração. Isto já dura há 7 ou 8 anos e penso que já fiz todos os exames médicos possíveis e tudo indica que eu não tenho nada. Ultimamente, os médicos têm-me dito que eu tenho ansiedade, que está tudo na minha cabeça e que devia procurar um psicólogo, porque são ataques de pânico. Há alguns anos que a minha vida tem sido um inferno: para além de me sentir mal, sem conseguir perceber porquê e sem conseguir prever, fui gradualmente optando por não andar de metro, por não ir a centros comerciais com muita gente, evito filas no supermercado, sinto-me mal em auto-estradas e começo a ter medo, mesmo, de conduzir em qualquer circunstância porque não sei o que posso acontecer quando tenho um destes ataques - tenho medo de desmaiar ou de me descontrolar completamente.
O que mais me baralha é dizerem-me que são coisas da minha cabeça, quando o que sinto é muito real e, por mais que me esforce e que tente lutar contra isto, não passa. Tenho uma profissão exigente, sou casada com dois filhos pequenos e começo a sentir que estou a limitar toda a minha vida.
É mesmo um psicólogo que tenho de procurar? Isto cura-se? E como é que se cura a falar, se o que sinto é físico?

 

Resposta

Cara A.

De facto, com base no que descreve, parece sofrer de perturbação do pânico, com agorafobia (deve sempre ser efectuado um diagnóstico durante uma consulta com um psicólogo clínico). Na perturbação de pânico, ocorrem picos muito elevados de ansiedade, que se reconhecem por um conjunto de sintomas físicos extremamente desagradáveis e assustadores - denominados ataques de pânico - durante os quais as pessoas se convencem realmente de que correm perigo de vida ou de enlouquecerem. Estes episódios acontecem "sem mais nem porquê", inesperadamente, ainda que muitas vezes se comecem a associar a determinados locais ou situações. A agorafobia, frequentemente associada à perturbação de pânico, corresponde precisamente a essa associação: refere-se ao medo intenso de se encontrar em locais ou situações de onde seja difícil ou embaraçoso sair ou obter ajuda em caso de necessidade. No seu caso deu alguns exemplos: locais muito concorridos ou onde se sinta "presa", como numa auto-estrada de onde apenas se pode sair para procurar ajuda em locais pré-determinados.

 

A perturbação de pânico com agorafobia é uma das perturbações da ansiedade e, infelizmente, é muito mais comum do que aquilo que julga. Uma das coisas que não ajuda nada à sua divulgação é precisamente o facto de as pessoas julgarem que estão a enlouquecer ou que são fracas porque não conseguem dominar e fazer desaparecer os sintomas apenas pela força da sua vontade, o que fz com que se sintam incomodadas em explicar a quem as rodeia o que se passa com elas. E, no entanto, os sintomas são bem físicos e reais! E, tal como uma dor de dentes, não vão embora, só porque queremos, nem a sua presença possui qualquer significado quanto à personalidade ou força de carácter de quem deles sofre.

 

Em psicoterapia, ao tratar a perturbação do pânico, confiamos menos nas palavras do que nos exercícios que se destinam a regular as emoções. Grande parte das consultas iniciais servem para uma explicação pormenorizada do que se passa no seu corpo (sim, no seu corpo!) durante o processo ansioso e para ensinar e praticar vários exercícios que permitem repor uma situação de equilíbrio e de conforto. Depois, existem diversos exercícios para poder retomar a sua autonomia e liberdade de acção, também em conforto. E apenas depois de a sua vida ter retomado a normalidade (ou o ritmo que entender adequado para si), poderemos analisar com algum cuidado as circunstâncias que a possam ter levado a uma activação tão forte da ansiedade, de modo a conseguir prevenir uma recaída futura.

 

O tratamento desta perturbação ansiosa tem demonstrado elevados níveis de eficácia, obtendo-se bons resultados com alguma rapidez, por isso, não hesite em procurar ajuda rapidamente. Infelizmente, e gostaria de lhe poder dizer o contrário, a perturbação de pânico não vai desaparecer por si só (aliás, sem tratamento eficaz, tende mesmo a piorar ao longo do tempo), mas é possível voltar a ficar bem!

Um abraço solidário,

Madalena Lobo

Oficina de Psicologia

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publicado às 19:27


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