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Os olhos também comem...

por oficinadepsicologia, em 26.03.11

Autora: Joana Florindo

Psicóloga Clínica

 

 

Joana

“Comer com os olhos” é certamente uma expressão familiar para a maioria de nós. Tendemos a apreciar a comida pela sua apresentação, pelo seu aspecto, tamanho, forma e cor, e facilmente nos rendemos a alimentos que despertam deliciosamente os nossos sentidos. Se a isto adicionarmos ainda uma forte expectativa de que determinada comida terá um sabor divinal, é certo que o iremos confirmar.

 

 

Mas será que a apresentação, o volume dos alimentos e até as experiências anteriores que temos com eles, influenciam a intensidade e a duração da fome que sentimos após uma refeição? Pesquisas recentes parecem confirmar estas questões.

 

 Vejamos os resultados de um estudo apresentado por um conjunto de investigadores da Universidade de Bristol, Reino Unido, na Conferência Anual da Sociedade para o Estudo do Comportamento de Ingestão, citados na edição on-line de 14 de Julho de 2010 do ScienceDaily. A experiência envolvia a elaboração de um batido, com a exibição prévia de diferentes quantidades de fruta a dois grupos de participantes – um dos grupos observava uma maior quantidade de fruta a ser utilizada e o outro uma menor quantidade, ainda que na realidade, e sem que desconfiassem, fosse ser utilizada a mesma porção em todos os batidos. E de seguida, a todos os participantes pedia-se que estimassem a fome que esperavam vir a sentir após a ingestão do preparado e a fome experimentada 3 horas mais tarde. Os resultados obtidos levaram os autores a afirmar que o volume e a quantidade dos alimentos influenciam realmente a fome sentida após as ingestões. Os participantes que observaram antecipadamente maiores quantidades de fruta, referiram sentir significativamente menos fome, e durante um maior período de tempo, quando comparados com os participantes que observaram menores quantidades de fruta.

 

Tendemos a apoiarmo-nos na quantidade e no volume dos alimentos para sabermos se comemos muito ou pouco, e em consequência disso percebermos se sentimos mais ou menos fome. Mas quantos de nós conseguimos calcular a quantidade de  calorias existentes na refeição que comemos ao almoço? Poucos certamente. No entanto, conseguimos facilmente dizer que comemos duas coxas de frango e três colheres de arroz, tentando sempre apontar para quantidades que consideramos razoáveis. Somos guiados pelos nossos olhos, e desta forma acreditamos não ser a quantidade de calorias que vai dizer ao nosso corpo e a nós próprios que estamos cheios ou satisfeitos, mas sim o volume que percepcionamos ingerir.

 

Os mesmos investigadores referem ainda não ser só o volume ou a quantidade dos alimentos que condicionam a intensidade e a duração da fome sentida. As experiências passadas com os alimentos podem ter também um peso determinante nesta questão. Eles avançam com a ideia de que as experiências anteriores com um determinado alimento levam-nos a criar crenças e expectativas acerca das futuras ingestões, bem como a mudar o nosso comportamento. E deste modo, se à luz da nossa experiência anterior, acreditarmos que nos iremos sentir “cheios” ou “empanturrados” se ingerirmos determinado alimento, tendemos não só a ingeri-lo em menores quantidades, como  a sentirmo-nos satisfeitos e sem fome por maiores períodos de tempo. 

 

Esteja atento à sua percepção e faça a experiência da próxima vez que olhar para o seu prato de comida. Repare se não é o tamanho do bife ou a quantidade de sopa que tem diante de si que imediatamente lhe vão indicar se vai sentir-se satisfeito ou esfomeado após a refeição. 

O nosso estômago tende a ser enganado pelos nossos olhos e aquilo que percepcionamos comer pode ser bem diferente daquilo que realmente comemos. 

 

publicado às 10:06


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