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Adaptação ao infantário

por oficinadepsicologia, em 10.05.11

E-mail recebido

 

"Não sei se estou a escolher o canal de contacto ideal mas este artigo caiu-me que nem uma luva. Tenho uma bebé de 18 meses que era super risonha e dada mas desde que foi para o infantário (aos 11 meses, até lá esteve com a avó) que manifesta um sofrimento imenso cada vez que eu me afasto, de tal forma que não quer mais ninguém, nem mesmo o pai ,e para além disso regrediu imenso no seu desenvolvimento. Já dizia umas palavrinhas e desde que foi para o infantário deixou de dizer, e ainda não anda sem ajuda.

Já fomos a uma consulta de neurologia pediátrica e segundo opinião médica a nível neurológico esta tudo bem.

Mas para mim, como mãe está a ser cada vez mais difícil saber como lidar com esta situação, até porque a minha filha mais velha(8anos) também já se está a ressentir pois a bebé não me deixa tempo nem espaço nenhum para mais nada. Além disto tudo de cada vez que estamos com mais pessoas ela fica super nervosa e nem deixa ninguém aproximar-se.

Não sei mais o que fazer, será que me podiam dar alguma conselho ou sugestão para menorizar esta situação?

Obrigada"

 

 

Cara S

 

Fez muito bem em entrar em contacto connosco. É com muito gosto que faremos o melhor para a ajudar. É extremamente aflitivo para qualquer mãe ou pai quando sentem que um filho está a sofrer com uma mudança na vida. De facto, é frequente que a entrada para o infantário seja sentida como um grande choque para as crianças e, como resultado, estas exibam comportamento de procura de atenção insistente e, no limite, indícios de retrocesso no seu desenvolvimento. Tendo em conta que já fez o despiste de qualquer dificuldade a nível neurológico, fortalece-se a hipótese de que estejamos na presença de dificuldades a nível emocional. Em situações como a que refere, numa primeira instância será de extrema importância articular com as educadoras do infantário: perceber como se relaciona com as educadoras e as outras crianças, explorar como se comporta nas refeições e na hora da sesta, verificar se existem outras manifestações de que algo está fora do normal no comportamento dela. Com algum trabalho de detective pode descobrir pistas que a ajudem a perceber o que se passa. Dessa forma, é possível também sinalizar às educadoras a necessidade de mais atenção ao comportamento dela e, eventualmente, articular no sentido de encontrar em conjunto algumas possíveis soluções e testá-las na prática. Especialmente no sentido de tornar a experiência de estar no infantário mais agradável, mais próxima da vivência em casa, mais apoiada. Se esta abordagem não oferecer resultados significativos, o ideal será munir-se de toda a informação ao seu dispor e dirigir-se a um psicólogo infantil. Cada criança é uma criança, e nestas situações (especialmente quando as crianças são tão pequenas) não existem fórmulas. Com a ajuda de um técnico especializado, será seguramente possível desenvolver um plano de intervenção adequado às necessidade da sua filha. E lembre-se, apesar da sua aflição, as crianças são tão mais flexíveis e abertas a novas aprendizagens quanto mais novas são. Quer isso dizer que, quanto mais cedo tomar medidas, mais eficazes estas serão.

Espero que este resposta lhe traga algo de novo. Caso lhe possamos ser úteis de mais alguma forma, por favor não hesite em contactar-nos.

Um abraço,

Francisco de Soure

Oficina de Psicologia

 


publicado às 22:52



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