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Sorria! Está em terapia!

por oficinadepsicologia, em 15.05.11

Autor: Luís Gonçalves

Psicólogo Clínico

 

 

Luis Gonçalves

A influência positiva do humor em psicoterapia está bem fundamentada pela investigação, assentando na capacidade do terapeuta em criar um ambiente seguro em que qualquer emoção tem o seu espaço legítimo. A título de exemplo, e independentemente de ser tristeza, vergonha ou alegria que sente, o cliente deve sentir que a relação terapêutica o aceita e acolhe incondicionalmente. É que a capacidade de o cliente conseguir, a certa altura do processo, brincar com a sua própria experiência é um óptimo indicador de melhoria e mudança. Não defendo aqui um positivismo descolado do sentimento humano mas sim o uso do humor como ferramenta de trabalho nos caminhos empoeirados da vida.

 

 

Relembre agora uma altura em que esteve mais em baixo. Isso, deixe que o acontecimento surja espontaneamente e se imponha…. Parece que via a sua vida a preto e branco, sem cor nem esperança. Qualquer acontecimento negativo, por mais pequeno que fosse, tinha um impacto enorme em si. Como se apenas reparasse, automaticamente, em sinais que confirmavam o seu estado depressivo e “ignorasse” dados positivos e de melhoria. É como se estivesse a observar um quadro com uma bela paisagem mas desse apenas importância a um defeito na moldura.

 

A certa altura do processo terapêutico, algo irresistível começa a acontecer. Relembro um início de sessão em que o cliente vinha irritado devido a uma multa de estacionamento. Aquele evento tornou-se mais uma confirmação para o cliente de que “tudo lhe corria mal na vida”, sendo que aquela semana parecia já estragada. Alguns meses depois, foi imensamente curioso verificar a reacção diferente do cliente perante o mesmo evento. É que, infelizmente, este foi multado outra vez mas o modo como relativizou e brincou com a situação foi até contagiante!

 

É que o terapeuta é fundamental na orientação desta mudança de perspectiva, conduzindo o cliente a procurar o que de positivo terá uma situação difícil. O cliente torna-se “resiliente”, cultivando uma nova atitude que o ajudará a viver a beleza da paisagem ou a presença da tal imperfeição. Neste novo caminho que se inicia, transformar um detalhe de vida numa bela piada reduz a ansiedade e fomenta o bem-estar do corpo e mente.

 

O próprio terapeuta deve ter essa capacidade, dentro e forma do consultório. Também ele precisa de rir com momentos menos felizes. E despeço-me agora, antes que o jantar queime e tenha de usar o humor para com os meus dotes de cozinha!

publicado às 11:18



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