Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Romeu e Julieta - a história que se repete

por oficinadepsicologia, em 19.05.11

Autora: Ana Crespim

Psicóloga Clínica

 

Ana Crespim

 

 “Penso logo existo”… Será? Parece que por vezes a nossa mente nos atraiçoa-a… Porque não, então, “Sinto logo existo”? Se pararmos para pensar nisto, os nossos sentimentos, por vezes, determinam mais as nossas acções, escolhas e estados de espírito, do que propriamente o que pensamos… Aliás, quantos e quantas vezes o que pensamos não é fruto do que sentimos?

 

Será? Infelizmente, para os mais românticos, os sentimentos não vêm do coração. Também vêm da mente. Tudo começa por aqui e da relação entre racional e emocional, ou da disputa, sim, porque apesar de produto da nossa brilhante mente, nem sempre é clara a relação entre ambos – e por vezes temos a parte mais racional à bulha com a emocional - temos como resultado as nossas acções, comportamentos.

Pois é, no amor encontramos estes dois pólos… O que pensamos, por um lado, e o que sentimos, por outro. E estes dois aspectos, nem sempre conseguem atingir a tão esperada harmonia que o ser humano persegue com tanta insistência.

 

 

Sabemos de cor (podíamos até dar palestras sobre o assunto) que um casal é composto por duas entidades independentes que se juntam numa terceira, mas mantendo a individualidade de cada um. O problema é que esta terceira entidade por vezes prega-nos algumas partidas, e começamos a confundir um pouco as coisas. Quantas vezes damos por nós a não conseguir distinguir onde acabamos e começa o outro? Esta confusão não deixa de ser bonita, e até poética… quando a relação está um “mar de rosas”… ou quando não paramos para pensar no sufoco que isto é. O que é que acontece se uma relação de cariz fusional termina? A verdade é que perdemos a nossa própria identidade, ficamos “sem chão”.

 

Seguem-se três fases extremamente penosas: negação da perda; a revolta; e, a depressão, que matreira e oportunista, se apercebe da fraqueza e se apodera da sua presa.  Mas todas estas fases têm lugar em qualquer ruptura, em qualquer perda. O que é diferente aqui?

Podemos encontrar diversas diferenças importantes, das quais destaco a intensidade com que se vivencia cada uma destas fases, que tende a ser superior, com consequentes repercussões negativas exacerbadas, o que se pode reflectir num maior impacto em termos de funcionalidade – isto é, torna-se por vezes mais difícil manter o nosso grau de produtividade no trabalho e em outras tarefas do nosso dia-a-dia. Em casos extremos, podemos mesmo falar em suicídio. Surpreso? Se equacionarmos aquela pessoa como parte de nós e vice-versa, é perfeitamente natural que surjam sentimentos de perda de identidade, como se nos arrancassem um bocado. Em resultado, o mundo surge muitas vezes como vazio e sem sentido, o que se junta a uma dor quase que insuportável, sem fim à vista pelo que o desespero pode conduzir a atitudes extremas.

Importa aqui, que tenhamos em atenção a forma como nos relacionamos com os outros. E não falo só em termos de relação conjugal, como também em relações com outras pessoas significativas da nossa vida. Se a tendência é para não conseguir separar um do outro, isto pode ser, de facto, um sinal de alerta.

 

A forma de nos relacionarmos é passível de ser trabalhada em contexto terapêutico. Apesar de se tratar de uma característica mais estanque de cada um de nós, que tende a cristalizar progressivamente à medida que os anos passam, não tem de ser uma sentença e muito menos uma premonição de infelicidade nas relações. Afinal, mesmo que a relação não termine, será que é saudável, que consegue ser feliz e fazer o outro, sem o conseguir conceber como uma entidade separada, com vida própria?

 

Pense nisto… e Seja Feliz!

 

publicado às 12:07



Mais sobre mim

foto do autor



Arquivo

  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2012
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2011
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2010
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2009
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D