Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]




A epidemia do negativismo

por oficinadepsicologia, em 23.05.11

Autora: Madalena Lobo

Psicóloga Clínica

 

Madalena Lobo

Acordamos e sabemos que a vida está má. Saímos à rua e dizem-nos que vai ficar pior. Cabeçalhos de jornal escritos a negro, conversas deprimentes enquanto tomamos o café, entre suspiros dos casos reais que nos contam. E nós contagiamo-nos. Quando começamos o dia já levamos os ombros abatidos pelo peso destes dias que não queremos. E a crise lá fora instala-se cá dentro, rouba-nos as cores com que vemos o mundo, trava-nos o impulso para saltar em frente, impede-nos o riso solto e, sobretudo a candura para acreditar que podemos chegar ao destino.

 

Mas, se pouco podemos fazer pelo contexto em que estamos, já é possível melhorar a forma como o vivemos e abordamos as nossas opções. De nada nos serve permitirmo-nos fluir ao sabor do pessimismo nacional ou deixar que as sombras de um futuro incerto nos retirem a energia para acreditar que é possível… Possível o bem-estar, possível reagir, possível construir momentos de vida intensa.

 

Algumas dicas para sobreviver a crises internas deste vírus de negativismo que ameaça uma epidemia:

  • Antes de repetir para si próprio o que ouve (“é impossível”, “não há emprego”, “isto está mau”, “não há dinheiro para nada”, “não vale a pena”), pense criticamente sobre o que acabou de ouvir

o   Não existiram já situações em tudo pareceu negro e, no entanto, uns tempos mais tarde, as dificuldades foram ultrapassadas?

o   Conhece casos de sucesso, apesar das dificuldades?

o   Em cada dificuldade que ouvir descrita, invista uns minutos do seu tempo a pensar criativamente: assumindo que é possível retirar algo de bom disto, o que poderia ser? Que fresta, ainda que pequena, é que consegue encontrar nesse muro, por onde se possa escapulir?

o   De que indicadores positivos é que se consegue lembrar que contrariem a magnitude ou, pelo menos, equilibrem, o que acabou de ouvir?

  • Proteja-se – precisa mesmo de ouvir o noticiário? Ler toda essa informação em jornais e portais de notícias? Manter essas conversas negativistas? Qual a utilidade real para si? Além de se deprimir, claro…
  • Repare nas suas conversas internas: quanto tempo de antena é que atribui ao negativo, ao impossível, aos pensamentos ansiosos, às projecções futuras catastróficas? E quanto tempo de antena dedica a pensar construtivamente sobre o que pode fazer para maximizar as hipóteses de um futuro onde possa recolher segurança e tranquilidade? E a avaliar realisticamente aquilo com que pode contar – qualificações académicas e profissionais, características de personalidade que representam uma mais-valia no seu posicionamento pessoal, recursos sociais,…?
  • Que se está a preocupar é quase certo – porque estamos todos, actualmente. Mas o que está a fazer, de facto, na prática? Está a dedicar-se mais ao trabalho e/ou estudos? A poupar (muito ou pouco, não interessa)? A construir uma rede social que o possa apoiar em caso de necessidade? Fazer algo, ainda que pequeno, dá-nos a sensação de controlo sobre as nossas vidas, o que pode representar a diferença entre sentirmo-nos totalmente impotentes perante a vida ou sentirmos que seguramos as rédeas nas nossas mãos - ainda que sejam as rédeas de um cavalo um bocado endiabrado e imprevisível...
  • E, já agora, o que está a fazer pela comunidade? Sabe que investir nos outros – tempo, carinho, dedicação, seja que recurso for – está directamente ligado ao bem-estar de quem, generosamente, se dedica?
  • Há frases que, repetidas com convicção, nos orientam e mantêm firmes, quando tudo o resto treme – umas vezes, muito pessoais, outras retiradas da sabedoria popular, outras, ainda escutadas à avó ou aquela pessoa que nos marcou. Enquanto encontra as suas (e as escreve em post-its que vai deixando no monitor do computador, espelho da casa de banho, porta do frigorífico!), deixo-lhe algumas das minhas amigas invisíveis de tempos difíceis:

o   Nada é tão mau quanto parece

 

o   Entre mortos e feridos, alguém há-de escapar

o   Enquanto há vida, há esperança

o   Se estou a respirar, é porque está tudo bem

o   Se há pessoas que conseguem, eu também consigo

o   O mundo é grande e contém todas as possibilidades

o   Queixo erguido, ombros levantados, o caminho é em frente

o   Não interessa se caí, nem quantas vezes caí; o que interessa é levantar-me

 

Por favor, não pense que estou a fazer a apologia do optimismo ou da construção cor-de-rosa da vida; estou apenas a convidá-lo(a) a sacudir um pouco desta escuridão para onde parece estarmos a ser sugados. Nada é tão mau quanto parece... Ah! E o mundo é grande e contém todas as possibilidades :=)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:03


Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.



Mais sobre mim

foto do autor



Arquivo

  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2012
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2011
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2010
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2009
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D