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As emoções do desemprego

por oficinadepsicologia, em 04.06.11

Autora: Helena Gomes

Psicóloga Clínica

www.oficinadepsicologia.com

 

Helena Gomes

Ouvimos diariamente declarações como “o desemprego está a crescer até níveis inquietantes”, “mais de 600 mil desempregados em 2011”, “a crise económica traz consigo uma crise social”, “ o aumento do desemprego tem um carácter explosivo”. O desemprego é uma das piores consequências da situação económica em que nos encontramos.

 

Esta situação social resulta numa vulnerabilidade e instabilidade não só de carácter financeiro, como igualmente psicológico. Como consequência, deparamo-nos com sucessivas situações de empregos ocasionais, e de precárias condições laborais, de segregação de grupos com condicionantes específicas, como a idade, de um sucessivo estar de “corda ao pescoço” vivido também por aqueles que têm os seus empregos em risco. Viver no desemprego implica não ter dinheiro, que implica não pagar as contas, que implica na diminuição de algumas actividades, na perda de noção de estruturação do seu tempo e do contacto social, aumento do sentimento de não se estar a ser útil na sociedade e, por sua vez, de esta os estar a abandonar. Que papel tenho na sociedade, e o que o futuro me reserva, quando vou conseguir ter a minha casa, o que o futuro reserva aos meus filhos/ netos, são questões e inseguranças recorrentes.

 

               

O estar desempregado não passa apenas por questões financeiras, mas as sucessivas preocupações ao nosso redor impedem-nos de olhar para o nosso interior, de nos estruturarmos a partir de dentro. Este impacto inicialmente manifesta-se pela tendência a fugir da realidade, numa negação temporária (ouvimos frases como “estou a ter umas férias”, “eles é que perdem”), a que se segue um grande entusiasmo e optimismo (“vou começar a trabalhar muito brevemente”); depois, vem um aumento do estado depressivo, (“não devo ser suficientemente bom, ninguém me chama”, “não há nada que eu possa fazer”); e a contínua desorganização do tempo, (“não sei como ocupar os meus dias”).

Confrontado com uma situação de desemprego ou precaridade laboral significativa é importante:

  • Manter rotinas com horas certas que estruturem os seus dias
  • Aperceber-se da base estatística de todo e qualquer esforço: quanto maior o número de tentativas, maior a probabilidade de sucesso; enviou 100 CVs? Envie 1.000!
  • Investir nas suas relações sociais – a componente relacional é fortemente protectora de situações depressivas
  • Seja diferente: estão todos a enviar CVs e ficar a aguardar? Então, envie o seu e telefone depois para insistir numa reunião de apresentação
  • Lembre-se que tem de passar por muitos “Não” até ter uma oportunidade; são de esperar, uma inevitabilidade, pelo que convém não lhes atribuir mais importância do que uma contagem no rácio nº de tentativas/sucesso
  • Seja realista na avaliação do esforço que vai ser necessário e nas oportunidades que se abrem à sua frente
  • Desenvolva a criatividade: que tipo de competências tem que possam ser rentabilizadas de uma forma financeira? Todos os dias, a comunicação social destaca exemplos de pessoas que conseguiram transformar as suas crises pessoais em sucessos, porque pensaram de uma forma diferente. Leia estas histórias e vá pensando como se poderiam aplicar no seu caso.
  • Esteja atento aos seus níveis de auto-confiança: partir para uma luta com um espírito de auto-derrota é mais de meio caminho andado para a derrota certa
  • Se sentir que o sentimento de impotência, desespero, letargia ou depressão se está a apoderar de si, procure ajuda rapidamente, junto de profissionais de saúde!

publicado às 21:36


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