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Insatisfação e solidão

por oficinadepsicologia, em 21.06.11

E-mail recebido

 

"Olá. Boa tarde.

Tive a oportunidade de vos encontrar via facebook e desde então tenho sido assídua da vossa página e blog. Parabéns pelas belíssimas dicas, conselhos e ajuda; Parabéns pelo vosso trabalho.

Venho por este meio, como meio de desabafo e ao mesmo tempo colocar algumas questões que me tem perseguido nos últimos tempos.

Eu chamo-me M e tenho 25 anos. O motivo que me levou a contactar-vos prende-se com o facto de me sentir constantemente insatisfeita e infeliz. Ultimamente tenho tendência para me isolar, não me apetece estar com ninguém, não me apetece falar muito.. apenas ficar no silêncio, escutar o vazio à minha volta. Contudo, sinto-me demasiado sozinha, apesar de ser eu a afastar as pessoas. De algum modo, não me compreendo. O ser humano é realmente um constante insatisfeito. No mês passado andei com a tensão altíssima para a minha idade e com dores muito fortes no peito. Fiz exames e analises e não tenho nada. Tudo indica que o motivo é sistema nervoso.

Quando penso sobre o assunto, e tento realizar uma análise interna, fico envolvida no sentimento de que apenas desejo ser feliz, e não o consigo ser. Não sou feliz na grande maioria das coisas da minha vida e sinto-me tão triste por dizer isto, como se estivesse a maltratar a grande oportunidade - que é estar vivo.

Resumidamente, eu sei que tenho de mudar para ser feliz. Eu sinto isso todos os dias, como uma voz que dentro de mim grita "tens de mudar".

Mas pergunto-me mas como? E pergunto-vos mas como? Que caminho devo prosseguir para atingir o meu bem-estar emocional e físico?

Obrigada pela atenção e disponibilidade.

Peço que assegurem a minha confidencialidade.

Aguardo uma resposta se possível.

Com os melhores cumprimentos."

 

 

Cara M

 

Antes de mais, muito obrigado pelas simpáticas palavras que nos dedica! É sempre gratificante para todos nós quando as pessoas que nos acompanham se revêm e encontram utilidade nos textos que publicamos.

 

A descrição que nos deixa da sua situação atual parece muito dura. Parece que vive permanentemente com uma enorme insatisfação, e calculo que seja muito penoso sentir uma tamanha solidão.

As perguntas que nos coloca são um bom exemplo do quão perdida e desejosa de ser ajudada se parece sentir. E que bom seria se dispuséssemos de respostas universais para essas perguntas! Ainda assim, por aquilo que nos conta, poderá ser possível levantar algumas hipóteses. Os sintomas físicos que nos descreve parecem ser característicos de estados de elevada anisedade. Estes estados, a longo prazo, frequentemente dão origem a estados que se aproximam da depressão, nomeadamente pela forma como parece estar a isolar-se socialmente. Claro está, isto é tudo o que lhe poderia dizer tendo em conta a informação de que disponho. Em qualquer caso, manifesta uma vontade grande de mudar. E este parece ser um importante e valioso ponto de partida! Quando pergunta o que fazer, parece-me que uma resposta que lhe pode oferecer um bom ponto de partida será esta: procure ajuda. Falando com um terapeuta, este poderá ajudá-la a enquadrar e dar sentido às suas dificuldades, e ajudá-la a encontrar soluções. Bem sei que pouco aliviará o seu sofrimento, mas parece ser a solução mais adequada para este momento da sua vida.

Se, de mais alguma forma lhe pudermos ser úteis, por favor não hesite em contactar-nos!

Um abraço,

Francisco de Soure

Oficina de Psicologia

 


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publicado às 15:31



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