Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Ciberbullying

por oficinadepsicologia, em 21.06.11

Autora: Inês Afonso Marques

Psicóloga Clínica

www.oficinadepsicologia.com

 

Inês Afonso Marques

O Bullying não é um mero comportamento agressivo dirigido ao outro. Ele é intencional, repete-se ao longo do tempo, existindo uma relação unidireccional, com o poder centrado no agressor. Não sendo um problema novo, o bullying continua difícil de controlar, em parte devido às novas formas, que as tecnologias oferecem, das crianças se desafiarem. De facto, o cyberbullying pode alargar o alcance e poder dos piores bullies, sujeitando a vítima a provocações que podem surgir de contextos mais alargados, que a sua escola ou vizinhança. O cyberbullying leva a que o problema possa ser constante. Longe vão os tempos em que as crianças temiam os encontros com os rufias no autocarro, ou mesmo no pátio da escola. Através de sms, e-mails e redes sociais, os bullies podem atormentar as suas vítimas 24 horas por dia e estas podem sentir que não têm forma de escapar a esta rede constante de mau-trato e abuso.

 

Algumas crianças e jovens sentem-se relutantes em relatar que estão a ser vítimas, mesmo aos pais. Por esse motivo, é difícil ter uma real noção dimensão deste problema. Ansiedade, depressão e outras perturbações associadas ao stress decorrem deste sofrimento profundo e silencioso, em que crianças e jovens mergulham.

 

 

Os pais sentem-se muitas vezes desesperados, sem saber como ajudar os seus filhos que estão a ser abusados. É suficientemente difícil lidar com os rufias da escola, pelo que surge muitas vezes a questão: o que pode ser feito quando os abusadores, frequentemente anónimos, se escondem atrás do monitor do computador?

 

Existem alguns sinais, relativamente ao cyberbullying, para os quais pais e educadores podem estar alerta.

- angústia durante e após o uso da Internet;

- afastamento dos amigos e da família;

- evitamento de encontros com grupo de amigos ou colegas;

- resultados escolares mais baixos;

- reacções impulsivas de zanga, sem razão aparente;

- alterações no humor, no comportamento, no sono e no apetite;

- desejo de deixar de usar o telemóvel e o computador;

- aparência agitada ou nervosa ao receber um sms ou e-mail;

- recusa em participar em discussões sobre as actividades do computador ou telemóvel.

 

Algumas crianças acabam por não contar o que se está a passar com receio de perder os privilégios do computador. É, por isso, importante assegurar à criança que elas não terão de perder o acesso à internet, apesar da informação que circula precisar de ser cuidadosamente avaliada. Quando possível, bloqueie o bullie dos grupos e perfis online do seu filho, assim como no telemóvel e contas de e-mail. Encorage a criança a não responder, pois dessa forma está a agravar ainda mais a situação. Contudo, mantenha uma cópia das mensagens ameaçadoras, imagens e textos, pois poderão ser usadas como prova junto dos pais dos abusadores, na escola ou polícia. Pondere dar conhecimento à direcção da escola, particularmente se o bullie frequentar a mesma escola que o seu filho.

 

Mas, e se o bullie for o seu filho? Proceda de forma a terminar com os seus comportamentos desajustados. Explique que gozar e provocar podem parecer comportamentos inofensivos, mas que, na realidade, eles têm forte impacto na vida de quem está a ser alvo de bullying. O gozo e a provocação magoam os sentimentos e podem conduzir a consequências negativas em casa, na escola e na comunidade. Se ainda assim, os comportamentos se mantiverem, aplique filtros no computador, crie restrições ao uso do computador e do telemóvel.

 

Embora menos faladas, as crianças que são espectadores destes jogos de poder, onde impera o mau trato, também sofrem com o que observam, podendo tornar-se inseguras e receosas. Estes observadores, muitas vezes, não contam o que vêem com medo de represálias e de poderem vir a ser as próximas vítimas.

 

A ajuda de um Psicólogo é útil tanto no caso do seu filho estar a ser vítima de bullying, como no caso dele ser o abusador, perpetuador desta forma de mau-trato entre iguais, como ainda se for um observador desta forma de agressividade.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:59



Mais sobre mim

foto do autor



Arquivo

  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2012
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2011
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2010
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2009
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D