Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Amor Platónico

por oficinadepsicologia, em 04.02.10

Autora: Catarina Mexia

Psicóloga Clínica

 

O amor platónico ou o amor idealizado deve o seu nome a Platão (350 a.C.), filósofo grego que acreditava na existência de dois mundos: o das ideias, onde tudo era perfeito e eterno, e o mundo real, finito e imperfeito, cópia mal acabada do mundo ideal.

Nesse sentido, viver um amor platónico é viver em dois mundos simultaneamente: um onde estamos sozinhos e outro onde namoramos, somos felizes e realizados com a pessoa perfeita que é objecto do nosso amor.

Amor impossível. Este tipo de amor baseado no impossível envolve a mistificação do ser amado, que é geralmente colocado numa posição inatingível. Ocorre muito frequentemente durante a adolescência e em jovens adultos, principalmente em pessoas mais tímidas, introvertidas e que sentem mais dificuldade em aproximar-se de quem amam. A insegurança, imaturidade e inibição emocional estão muitas vezes na origem deste comportamento. A forte idealização do objecto amado gera o medo de não atender aos seus anseios, o que contribui para amar à distância e impede viver a experiência não só de amar mas também de nos sentirmos amados, não só de cuidarmos e nos preocuparmos mas também de nos sentirmos acolhidos e amparados. Esta troca de experiências emocionais é que permite o sentimento de que amar vale a pena, com a vantagem acrescida de poder ainda ajudar a superar conflitos e dificuldades do quotidiano.

Amar por medo. Muitas vezes as pessoas têm um amor platónico por medo de sofrer. Isto porque preferem viver um amor que nunca irá realizar-se do que lidar com os eventuais desapontamentos e tristezas inerentes à relação. Nada disto é necessariamente mau ou errado, desde que saibamos racionalmente que aquilo que julgamos ter não existe, até porque o outro desconhece totalmente os sentimentos que alguém nutre por ele.

A maioria das pessoas fantasia acerca das relações amorosas: "Um dia encontrarei o par ideal, que será capaz de me compreender, sem discussões, onde a compatibilidade será perfeita. A magia do amor estará sempre presente e a paixão será eterna." A realidade das relações amorosas, no entanto, é muito diferente. Todo o processo de namoro é uma situação tremendamente arriscada. Somos e sentimo-nos postos àprova, principalmente se aceitarmos darmo-nos a conhecer tal como somos, o que significa arriscar sermos amados, mas também rejeitados. E a rejeição não é fácil de aceitar.

Uma relação amorosa é uma das melhores oportunidades de crescimento pessoal. E não há crescimento que não implique sofrimento. Todavia, também inclui uma felicidade enorme. Tal como noutras situações da nossa vida, aquilo que obtemos depende da vontade de lutar por essa relação, arriscando-nos a deixar o nosso "lugar seguro". Geralmente, antes do fim do primeiro ano de relacionamento, oselementos do casal começam a experimentar as primeiras discussões, desentendimentos e dificuldades. É normal. Resulta da necessidade de estabelecer regras de conduta na relação. A cultura familiar de cada elemento do casal permite-lhe crescer com regras, que são forçosamente diferentes do outro. Mas estas funcionam a um nível inconsciente, e muitas vezes não nos damos conta que estamos a tentar impô-las ao outro.

Herança cultural.Recordo a este propósito um casal constituído por um português e uma alemã, onde o trabalho inicial da terapia consistiu em perceber como a "importância de dormir com a roupa da cama entalada ou solta" não resultava da má vontade do outro, mas de uma herança cultural (para uma alemã, que geralmente dorme com um edredão não fazia sentido dormir presa pela roupa. Mas muitos de nós recorda como a mãe, na hora de irmos dormir, nos vinha aconchegar na cama, entalando a roupa debaixo do colchão).

 

Sem nos darmos conta, mantemo-nos fortemente leais à cultura e crenças da nossa família de origem e, geralmente, cada um acredita firmemente que a sua abordagem é a mais correcta.

Este é um período importante na construção de uma relação. É frustrante e doloroso. Obriga-nos a fazer cedências, a olhar para o outro, não como o ser perfeito que imaginámos, mas alguém que "não nasceu ontem à espera de ser moldado pelo outro" e que tem uma história.

 

Arriscar e crescer.Todas as relações começam por ser platónicas. Todos os namorados começam por ser idealizados, imaculados. Mas tal como não podemos permanecer eternos adolescentes, necessitamos de nos envolver com o outro para podermos crescer.

Crescer também é arriscar. Se estivermos dispostos a arriscar, podemos crescer e tirar o prazer de desfrutar de uma relação amorosa dinâmica e partilhada.

 

publicado às 08:05


1 comentário

Sem imagem de perfil

De T. a 05.01.2013 às 16:28

É triste. Não sei mais o que fazer da minha vida. Tudo bem que sou jovem demais pra pensar dessa maneira, tenho apenas 18 anos, mas sinto um vazio no peito toda vez que penso nele. Contarei minha história pois preciso desabafar, mesmo se alguém ler isso um dia ou não.

Há dois anos e meio conheci um garoto. Estávamos no primeiro ano do ensino médio, eu tinha mudado de escola pois minha anterior cobria apenas o ensino fundamental. Era uma época em que estava começando a aceitar minha homossexualidade, o que foi meio difícil. Achei ele bastante atraente, o que era exclusivo de mim pois ele está completamente fora dos padrões estabelecidos há tempos. Mas acima de tudo, ele era gentil e gostava de mim pela minha companhia. Nos tornamos melhores amigos em menos de um mês.
Perto do meu aniversário estávamos na minha casa, e começamos a fazer brincadeiras de luta, dignas de adolescentes. Eu já tinha começado a sentir algo muito forte com ele, e nesse dia ele me disse que estranhamente estava sentindo uma atração inexplicável por mim, pois ele é heterossexual. Acabamos tendo uma conversa em que nos abrimos sobre isso. Lembro de que ele não queria aceitar isso, pois sempre gostou de mulheres apenas. Mas ele me fez prometer que até o fim de tal ano teríamos ao menos uma relação sexual. Dois meses depois tivemos, foi algo horrível, nos arrependemos. No mês seguinte tivemos uma briga demos um fim na nossa amizade.
Passamos quase um ano sem trocarmos uma palavra. Em agosto de 2011 senti necessidade de retomar a amizade com ele, pois sentia falta das conversas, amizades e etc. Não havia até então um interesse físico. Precisei beber pra tomar coragem de falar com ele. Conseguimos conversar, lembro que uma das primeiras coisas que ele disse nessa primeira conversa foi que ele realmente se arrependia de ter me forçado a fazer aquilo, que tem certeza que ficaria apenas com mulheres para o resto de sua vida. Aceitei esse fato, principalmente pela certeza de que queria apenas a amizade dele novamente. Isso durou até fevereiro de 2012, volta as aulas, enfim no 3º ano do ensino médio. Percebi que não conseguia desviar o olhar dele na sala e só pensava no momento em que poderia ir conversar com ele pessoalmente. Então me dei conta que todo aquele amor indesejado que senti no 1º ano voltou. Tudo que fiz foi tentar reprimir esse sentimento o tempo todo, mas daí voltei a frequentar a casa dele, e lá ele começava umas brincadeiras que mexiam comigo. Mesmo sabendo que eu acho ele bonito, que sou gay e que sinto atração por pessoas com o porte dele, ele começava a me abraçar gratuitamente, dizia que me amava, sorria em momentos de toques físicos, me tocava regularmente. A ideia que forcei na minha cabeça de que ele era heterossexual para não me iludir no futuro começou a enfraquecer com o tempo, pois todas as vezes que ia na casa dele essas coisas aconteciam com mais frequência. Até os olhares que ele me dirigia começaram a ser diferentes, e assim comecei a sentir uma obsessão em tê-lo. Então em novembro de 2012 tivemos uma briga e ficamos sem nos falar por um mês. Nesse meio tempo ele retomou umas amizades estranhas, nunca me agradaram. Também tem sido mais frio comigo, aparentemente não deseja que eu nunca mais vá em sua casa. Isso acabou comigo, pois depois de me fazer sentir algo muito forte por ele, ele deu início a um certo tipo de desprezo. Não que ele me evite, mas aquela intimidade toda parece não existir mais, na verdade como se nunca tivesse existido. Ainda conversamos, mas ele está um tanto diferente do que era há 2 meses atrás. Todos os dias sinto uma tristeza imensa por esse fato. E o pior de tudo é que nunca mais poderemos nos ver como antes pois a escola acabou, e moramos próximos um do outro, mas é uma distancia que cansa bastante.

Minha vida tem sido maçante desde então, mesmo com apoio dos amigos. Ainda rio, me divirto, saio por aí, mas sem aquele peso que ele tinha no meu dia-a-dia, onde não suportávamos ficar 24h sem conversar um com o outro, não tem sido a mesma coisa. Pelo contrário, parece que viver tem se tornado uma "obrigação".

Suicídio passa longe da minha mente, simplesmente por bom senso. Mas do que adianta tentar ser feliz justamente pelo vazio no peito que sinto toda vez que penso nele? Sinto que não conseguirei.

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.



Mais sobre mim

foto do autor



Arquivo

  1. 2013
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2012
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2011
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2010
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2009
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D