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A importância da mastigação

por oficinadepsicologia, em 30.07.11

Autora: Fabiana Andrade

Psicóloga Clínica

www.oficinadepsicologia.com

 

Fabiana Andrade

Diariamente ouço relatos de clientes carregados de expressões tais como: “devia”, “é suposto”, “tenho de”, ou então, “sou fraco/a”, “sou medroso/a”, “sou incompetente”, “sou tímido/a” etc.

 

Quando começamos a “descascar a cebola”, ou seja, a explorar a origem de tais crenças, na maioria das vezes vamos encontrar uma quantidade de informação que foi absorvida sem ser digerida.

 

Desde pequenos que “papamos” uma quantidade enorme de informações e ideias sobre nós, sobre os outros e sobre o mundo. Estas informações nos são transmitidas pelos pais, pela família, pela sociedade, pela cultura, por tudo a nossa volta e contribuem para a nossa aprendizagem e para a construção da nossa própria identidade. No entanto, quando somos crianças, ainda não temos “dentes”, e por isso, “papamos” aquilo que nos é dado sem mastigar!

 

O perigo aqui é o facto de nem toda esta informação ser útil e positiva. Há uma parte que também é “engolida” e que é negativa e nos prejudica. Esta é a informação que traz ideias pessimistas, ideias que nos tornam mais rígidos e fechados e por consequência, têm um impacto negativo na auto-estima e na nossa forma de estar connosco e com o mundo.

 

 

Quando ouço um cliente dizer por exemplo, “eu sei que nunca vou conseguir fazer isto ou aquilo”, ou, “sempre foi assim na minha vida e sei que vai continuar a ser”, e eu pergunto, “e como sabes?”, “como pode prever o futuro?”, “de onde veio esta noção?”, as pessoas ficam surpreendidas por não saberem responder e na maioria das vezes dão-se conta que nunca antes tinham questionado tais crenças ou ideias.

Ao aperceberem-se de que “paparam” algo sem mastigar, começa o processo de questionamento, de triagem, de escolha da informação que o próprio indivíduo quer e escolhe manter.

 

Depois de um processo de “mastigação” e “digestão” de informação, a pessoa é capaz de dizer e pensar sobre o que verdadeiramente QUER, sobre o que lhe faz sentido, e esta capacidade a coloca numa posição de maior poder e responsabilidade sobre a sua vida e suas decisões. Este poder e responsabilidade são grandes promotores de auto-estima e por consequência, da qualidade de vida.

Aqui ficam algumas dicas para desenvolver “dentes” fortes e saudáveis, capazes de mastigar qualquer coisa:

 

- faça psicoterapia. O processo de auto-conhecimento e conexão com a própria vontade e responsabilidade são um dos grandes objectivos do processo psicoterapêutico

 

- faça uma lista das definições e rótulos que habitualmente aplica a si mesmo, às situações e aos outros. No fim, leia cada um deles com atenção e questione se é isso que realmente sente

 

- utilize a palavra “agora” no final de cada definição, por exemplo, estou insegura agora, em vez de sou insegura. Todos nós somos alguma coisa em diferentes situações, mas nunca somos só isso!

 

- em vez de julgar-se a si próprio imediatamente, explore a situação, faça perguntas, analise os recursos presentes na situação específica e questione se está a fazer o melhor que pode com os recursos que tem no momento

 

- mantenha-se no presente. Não temos uma bola de cristal e por isso não sabemos o futuro. Mesmo que uma situação se tenha repetido no passado, isso não significa que se repita no futuro

 

- respire 5 vezes antes de falar e pense sobre o que está a sentir. A seguir, escolha o que vai dizer

 

- não “engula” rótulos ou definições que os outros possam fazer de si. Esta pode até ser a opinião deles naquele momento, mas não quer dizer que a sua opinião seja a mesma

 

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publicado às 21:35



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