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Este consultório da Oficina de Psicologia tem por objectivo apoiá-lo(a) nas suas questões sobre saúde mental, da forma mais directa possível. Coloque-nos as suas dúvidas e questões sobre aquilo que se passa consigo.
Autor: António Norton
Psicólogo Clínico
É natural que a intensidade e o fulgor sexual tenham tendência a esmorecer à medida que a relação amorosa vai ganhando estabilidade e continuidade. A paixão sexual muitas vezes dá quase lugar à hibernação. Passamos do estádio de tensão sexual para o de desinteresse. O corpo, o cheiro, o toque, a magia e a excitação iniciais deixam de ter a intensidade que tinham e passam a ser mais banalizadas e secundarizadas.
O que fazer para manter viva a chama sexual? Aqui ficam algumas dicas:
No inicio da paixão é comum os amantes não se conseguirem despegar um do outro. É natural esta necessidade quase inevitável de fusão. Cada vez que passam um pelo outro existe um beijo, um toque, um olhar sedutor, um sorriso diferente, uma carícia mais erótica. Quando a relação atinge uma certa habituação passa quase a haver uma separação entre a área sexual, propriamente dita, e as tarefas domésticas/familiares. O que é importante é manter alguma erotização no contacto com o seu parceiro/parceira. Relembrando-lhe que sexo não é apenas confinado a um determinado espaço ou tempo. As brincadeiras sexuais furtivas e inocentes permitem criar e aumentar o desejo sexual. Muitas vezes essas brincadeiras não conduzirão a um envolvimento sexual, mas terão o condão de despertar e aumentar o desejo sexual.
Quando a paixão impera é natural que sejamos assaltados durante o dia por pensamentos que invadem a nossa mente racional e nos reenviam, ainda que por breves instantes, para os mundos eróticos que percorremos com o nosso parceiro/a. Os beijos, os toques, as palavras, os ambientes. É justamente este lado do fantasiar acordado que deve continuar a existir, obviamente já não com a mesma natural insistência, mas, mesmo assim procure trazer essas recordações enquanto está a caminho do seu trabalho, ou numa pausa do pequeno-almoço ou almoço. Enfim procure que, de algum modo, essa recordação perdure e envolva-se nela, ainda que por breves instantes. É muito importante procurar também transpor esta capacidade de fantasiar para os momentos em que vê o/a seu/sua parceiro/a em momentos não propícios à pratica sexual, relacionados com as rotinas domésticas/familiares.
Nos seus períodos de solteiro/a quantas vezes olhou com outro olhar para revistas, filmes, anúncios em que proliferam imagens de forte teor sexual? Quantas vezes deu por si estimulado/a por estas solicitações de natureza erótica? Poderá achar incorrecto ou moralmente errado estimular-se com imagens que não dizem respeito ao/a seu/sua parceiro/a , mas a verdade é que estas imagens têm justamente a capacidade de estimular o seu lado mais erótico. Não há qualquer erro em o aceitar livremente. Somos seres humanos e sensibilizados eroticamente. Não há nada de errado em tal. Se estiver outra disponibilidade para aceitar o seu eu sensual também terá outra predisposição para não permitir a hibernação da sua vida sexual.
Espero que estas ideias ajudem a apimentar a sua relação sexual!