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Motivação: boi ou carroça?

por oficinadepsicologia, em 15.08.11

Autora: Madalena Lobo

Psicóloga Clínica

www.oficinadepsicologia.com

 

Madalena Lobo

Vezes sem conta me deparo com pessoas que justificam a sua inacção por se encontrarem à espera de serem atingidas por esse raio mágico chamado motivação, que se irá ser responsável pelas tarefas que urgem ser feitas, sem esforço, nem obstáculos.

E, vezes sem conta, me vejo perante a necessidade ingrata de ter de explicar que isto não é motivação, mas sim pós de pirili-pim-pim… E que a fada Sininho tem andado desaparecida…

 

A vida está pejada de obrigações, rotinas aborrecidas e, genericamente, tarefas que não nos apetecem – se alguém lhe contou algo em contrário foi, seguramente, no contexto de um qualquer conto de fadas. Por isso, de uma forma ou de outra, temos de encontrar processos que nos facilitem iniciar as acções que temos de cumprir – obrigarmo-nos a agir, portanto. Felizmente, existem estudos que demonstram que basta vencer a resistência inicial a uma acção para que a sua execução se torne mais facilitada. Como diz um ditado antigo: “comer e coçar, o pior é começar”.

 

E como fazer isto? Bem,… Obrigando-se, claro! Vamos tentar com um cenário que é familiar à maioria de nós: um dia de sol tórrido, uma piscina de azul convidativamente refrescante; uns optam por uma abordagem cautelosa e vão arrefecendo os pés e pernas, salpicando os braços, um passinho de cada vez, entrando devagarinho, numa habituação progressiva à temperatura mais baixa. Outros tomam balanço, ensaiam uns passos de corrida, apertam o nariz e atiram-se. E outros, ainda, mais incautos, lá se decidem depois de levar um duche dos amigos que se atiraram com tanta resolução :=). As 3 estratégias funcionam – a que não funciona é ficar imóvel numa espreguiçadeira lá longe da acção; a não ser que não queira mesmo ir dar umas braçadas bem-dispostas e aproveitar o que o Verão tem para lhe oferecer, claro!

 

 

Podemos transpor para as tarefas que nos fazem suspirar de mal-estar, só de pensarmos nelas? Tem “ISSO” para fazer – é aborrecido, longo e consegue lembrar-se de 400 outras coisas muito mais interessantes com que ocupar o tempo.

 

Estratégia 1: Seleccione uma parcela claramente identificável como tal, pequena, simples ou, pelo menos, que lhe seja menos desagradável. Agora faça-a! Mais animado? Provavelmente sim; e, provavelmente, a famosa motivação começa a espreitar perante uma tarefa que já foi começada. Seleccione a próxima parcela, respire fundo, e dê mais esse passinho. Continue assim – vai descobrir que cada novo passo custa menos do que o anterior, sobretudo quando começar a ver o fim do que se propôs fazer e estiver a ficar satisfeito consigo e/ou com os resultados do que está a fazer. Um bolo grande come-se da mesma maneira do que uma fatia: dentada a dentada!

 

Estratégia 2: Endireite os ombros, levante o queixo, olhe em frente, cerre os punhos, encha o peito de ar e… atire-se! Coloque as distracções todas de lado, não perca tempo com preparativos, corra depressa para iniciar “ISSO” o mais rapidamente que conseguir. Passado muito pouco tempo, depois de iniciar o que tem para fazer, o esforço já desapareceu (ou tornou-se irrelevante) e, talvez mesmo, se esteja a sentir envolvido, empenhado, interessado no que está a fazer – e, repare, que são palavras sinónimas de motivação!

 

Estratégia 3: Arranje companhia (se isso for possível, claro)! “Pique” alguém com quem possa competir ou peça a alguém que colabore consigo. Quem sabe, até pode acontecer que “ISSO” se torne divertido!

 

Esperar que a motivação surja do nada é uma estratégia de fracasso pessoal. Ao ser humano, motiva-o saber que é capaz, superar-se, atingir objectivos, divertir-se, sentir que controla a sua vida, entre outros. Tudo coisas que implicam acção, por isso, se quer sentir-se motivado a fazer algo, comece a fazer, e a motivação seguir-se-á. Afinal, sempre há uma sequência lógica entre bois e carroças, mas convém não confundir qual é qual.

 

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publicado às 15:05



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