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Como combater a solidão?

por oficinadepsicologia, em 06.02.12

Autor: António Norton

Psicólogo Clínico

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António Norton

 

Todos nós já experienciamos a solidão. Existem períodos particulamente propicios que nos relembram a nossa solidão, tais como: O período das férias, o dia dos namorados e durante períodos de muito stress. A solidão faz parte da vida, mas quando é muito intensa torna-se disfuncional. Muitas pessoas não encontram estratégias para sair deste estado. A solidão pode afectar as pessoas de muitas maneiras:
 
Dor Física - Os estudos indicam que existem semelhanças entre as áreas do cérebro relacionadas com as emoções provocadas pela exclusão social e a dor física, o que ajuda a perceber cientificamente a explicação romantizada do "coração partido" e da dor interna.
 
Depressão - Estudos revelam que as pessoas sozinhas apresentam maior número de síntomas depressivos. As pessoas sozinhas e deprimidas experiênciam menores competências sociais para criar laços. Os estudos apontam para uma estreita ligação entre a depressão e a solidão, cada uma alimentado a outra.
 
Saúde Física - Estudos apontam para uma redução da saúde física e do bem-estar nos sujeitos vítimas de solidão. Estes também apresentam maior vulnerabilidade ao aparecimento de doenças. O seu sistema imunitário está mais frágil.
 
Aqui ficam algumas ideias sobre o que fazer perante a solidão:
 
Entre num grupo - Poderá ser um grupo ligado às artes ou ao desporto, ou um grupo comunitário. Entrar num grupo imediatamente conduz a uma integração num conjunto de pessoas que partilham interesses comuns. Poderá trazer um sentimento de pertença. A integração num grupo e o convívio com outras pessoas estimula a criatividade, poderá ser algo que o faça desejar o dia seguinte, ajudando a combater a solidão.
 
Faça voluntariado - Tornar-se voluntário por uma causa em que acredita poderá trazer elevados beneficios. Conhecer outras pessoas, fazer parte de um grupo, criar novas experiências. Praticar e sentir o altruismo poderá trazer outro sentido à sua vida, o que contribuirá para aumentar a sua felicidade e o seu bem-estar, diminuindo a solidão. Trabalhar com os outros mais desfavorecidos pode fazer olhar para a sua vida e para as possibilidades que tem com outros olhos.
 
Procure suporte virtual - Cada vez mais o facebook, e outros portais virtuais têm o condão de dinamizar e fazer crescer as suas relações sociais. Existem muitas pessoas online na mesma situação que você e que estão desejosas que entre em contacto com elas. Existem pessoas com boas intenções que também procuram criar relações, criar laços, criar amizades ou relações amorosas e que procuram o veículo virtual.
 
Invista nas suas relações sociais - Certamente tem pessoas na sua vida que talvez conheça mal, que ainda sejam apenas conhecidos, mas que sempre teve curiosidade de os conhecer melhor. Também poderá investir nas suas relações familiares e torná-las mais profundas e íntimas. Ligue mais aos seus amigos! Hoje em dia, existem serviços de operadores de telemóvel que permitem ligações muitssimo baratas. Invista nas suas relações! Convide os seus amigos para sair! Organize jantares de amigos que tragam dois amigos, dinamizando os encontros sociais e tornando-os fontes de novidade constante.
 
Compre um animal de estimação - Os cães e os gatos, em especial podem trazer vários beneficios e um deles é a prevenção da solidão. Cuidar de um animal reúne principios de altruismo e de companheirismo. Passear um cão leva a comportamentos espontãneos de pessoas que passeiam e que afagam o animal e podem meter conversa consigo, sejam eles pessoas com ou sem animal de estimação. Os animais permitem dar amor incondicional, que poderá ser um extraordinário trunfo para vencer a solidão.  
 
Faça psicoterapia - A psicoterapia tem inúmeras vantagens. Permite criar uma relação de confiança e de exposição da sua intimidade com alguém que o ouve atentamente, com atenção plena e com genuina empatia. Estes elementos são muito reconfortantes para uma pessoa que sofra de solidão. Além de promover este conforto a terapia fornece uma série de estratégias para sair da solidão e reencontrar o seu bem-estar.

 

Entre para um grupo terapêutico - Os grupos terapêuticos são óptimas soluções para combater a solidão. Fornecem uma série de ferramentas importantes para vencer a solidão, desenvolvem competências sociais fundamentais para reconstruir laços, permitem trabalhar e treinar competências sociais através de exercicios de simulação com outras pessoas em situações idênticas, sempre sob o olhar atento e profissional de um ou mais psicoterapêutas. Aproveito para recordar que a Oficina de Psicologia tem à sua disposição grupos terapêuticos para lidar com a depressão e a ansiedade social que muito o poderão ajudar!

 

Como vê, existem muitas formas de combater a solidão.

 

Espero que artigo o possa ajudar!

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publicado às 10:36

O embaraço

por oficinadepsicologia, em 01.02.12

Autor: António Norton

Psicólogo Clínico

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António Norton

 

Todos nós de uma forma ou de outra já nos sentimos embaraçados.
O Embaraço é considerado uma emoção resultante da auto-consciência social, na mesma linha da culpa, da vergonha ou do orgulho. O Embaraço acontece na relação com o outro. É uma emoção pública que resulta da sensação de exposição e arrependimento por uma acção praticada. A expectativa de uma avaliação social negativa relativamente a uma acção, pensamento ou emoção que governa o nosso comportamento está na base do embaraço (Lewis, 2008).
 
A experiência emocional do embaraço provém da sensação de falhanço no comportamento de acordo com certos padrões sociais que ameaça a ideia que os outros poderão fazer de si, bem como a forma como se irá avaliar a partir de tal comportamento.
 
Imaginemos uma situação em que se prepara para dar uma palestra e subitamente arrota de uma forma escandalosa. Imediatamente, sentirá embaraço e tal embaraço estará devidamente relacionado com a sua preocupação em relação à avaliação negativa que os outros poderão fazer de si e à própria imagem que fará de si próprio.
 
Geralmente, o embaraço resulta de comportamentos acidentais que o levam a sentir-se mal consigo próprio, mesmo quando não houve qualquer intenção de violar os padrões sociais vigentes.
De acordo com a investigação, a maior parte das situações de embaraço resultam de tropeçar, entornar bebidas, rasgar as calças, expor pensamentos ou sentimentos privados, flatulência acidental, arrotar, receber atenção indesejada, esquecer o nome de outras pessoas ( (Keltner & Buswell, 1996; Miller, 1992; Miller & Tangney, 1994; Saltier, 1966). Não é preciso muito tempo para cada um de nós se lembre de uma situação embaraçante.
 
Quando estamos embaraçados geralmente apresentamos sinais caracteristícos tais como: Baixar o olhar, apresentar um sorriso nervoso, ou um sorriso amarelo, virar a cabeça para o lado, tocar na cara, corar (Keltner, 1997, Keltner and Buswell, 1997).
 
O embaraço também está relacionado com a pessoa corar. As pessoas coram quando um estimulo emocional leva as glândulas a libertar a hormona adrenalina no corpo. A Adrenalina tem um efeito no sistema nervoso, que leva os vasos capilares a transportar o sangue para as extremidades da pele, fazendo a pessoa corar. O que é interessante é que perante a sensação de ameaça social os receptores venosos no pescoço e nas bochechas dilatam (Drummond, 1997). A sensação de exposição social poderá ser ameaçadora e gerar insegurança e receio de não aceitação e integração social.
 
É interessante que em situações especificas e em circunstâncias sociais, comportamentos, à partida embaraçantes podem ser percepcionados com diversão e humor, como por exemplo, arrotar na presença de um amigo próximo ou parceiro amoroso. Mas se tal comportamento fosse feito na presença de um estranho ou de alguém com algum estatuto social, tal como um possível empregador, chefe, professor ou futura sogra então a sensação de embaraço seria muito mais intensa.
 
O contexto social e a expectativa de aceitação são elementos essênciais para a eventual expressão não verbal do embaraço.
O embaraço é uma resposta emocional adaptativa perante a percepção de não integração/aceitação social.
 
Curiosamente, as situações de embaraço não são apenas aquelas em que existe a percepção de ameaça social. Poderão ser situações em que somos expostos a algo de positivo, meritório, engrandecedor. O que implica sempre é uma exposição. Podemos ficar perfeitamente embaraçados perante a experiência do elogio, da promoção laboral na presença de outras testemnhas e colegas de trabalho 
 
Então qual é a utilidade do embaraço se nos coloca numa posição desconfortável?
 
Evolutivamente, o embaraço surgiu para manter a ordem social (Miller, 2007).
 
As investigações demonstraram que as pessoas que apresentam sinais de embaraço perante as suas testemunhas têm maior probabilidade de gerar empatia nos outros, de ser perdoadas e alvos de confiança. (Keltner e Anderson, 2000)
 
Portanto o embaraço é algo positivo mesmo quando sentimos desconforto com tal experiência. 
 
Existem situações em que o embaraço é semelhante à sensação de vergonha. Alguns investigadores defendem que o embaraço é uma forma menos intensa de vergonha, relacionada com a auto-avaliação negativa (Lewis, 2010; Tompkins, 1963). Apesar de poder existir alguma relação entre ambas as emoções a verdade é que as expressões faciais e o comportamento não-verbal de ambas são distintas, o que as separa como emoções distintas (Lewis 2010).
 
O que fazer perante uma experiência de embaraço? Talvez seja importante rever mentalmente esta experiência por uma processo de visualização guiada e imaginar que as testemunhas ficaram tão embaraçadas e preocupadas quanto o actor do embaraço. Geralmente esta descentração ajudar a relativizar o impacto que a experiência poderá ter tido nos outros. Muitas vezes tendemos a exagerar o impacto social das nossas acções (Gilovich, Medvec, & Savitsky, 2000).
 
Lembre-se também que não é os seus erros, nem as suas acções. Os seus erros podem-no ajudar a crescer e a evitar novas situações semelhantes.
 
A expressão do embaraço promove a empatia dos outros, portanto se se encontrar numa situação assim aceite-a e não a dissimule.
 
"Não faça uma tempestade num copo de água"
 
António Norton
 
Referencias:

Gilovich, T.; Medvec, V.; & Savitsky, K. (2000). The spotlight effect in social judgment: An egocentric bias in estimates of the salience of one's own actions and appearance. Journal of Personality and Social Psychology, 78(2), 211-222.
Keltner, D., & Buswell, B. (1997) Embarrassment: Its Distinct Form and Appeasement Functions. Psychological Bulletin, 122:3, 250-270.
Keltner, D., & Buswell, B. (1996). Evidence for the distinctness of embarrassment, shame, and guilt: A study of recalled antecedents and facial expressions of emotion. Cognition and Emotion, 10, 155-171.
Keltner, D. & Anderson, C. (2000). Saving face for Darwin: The functions and uses of embarrassment. Current directions in psychological science, 9:6, 187-192.
Lewis, M. (2010). Self-conscious emotions: Embarrassment, pride, shame, and guilt. In M. Lewis & J. M. Haviland (Eds.), Handbook of emotions (pp. 742-756). New York: Guilford Press.

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publicado às 10:11

Ria! É o melhor remédio!

por oficinadepsicologia, em 29.01.12

Autor: António Norton

Psicólogo Clínico

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António Norton

A pesquisa releva que os efeito do riso são inúmeros. Rir ajuda a aliviar a dor, traz maior felicidade e até aumenta a imunidade! A psicologia positiva sublinha que o Riso é uma das armas que uma pessoa tem para vencer estados depressivos. O Yoga do riso tem cada vez mais adeptos.
Aqui ficam detalhadamente algumas vantagens de rir:
 
Nível hormonal - Rir reduz a produção de hormonas de stress tais como o Cortisol, Adrenalina, Dopamina e hormonas de crescimento. Aumenta o nível de hormonas que promovem a saúde como as endorfinas e os neurotransmissores. Rir aumenta a produção de anticorpos e a eficácia das células T, o que significa um sistema imunitário mais resistente e menores efeitos físicos do stress.
 
Libertação emocional - Às vezes rimos de tal maneira que até os nossos olhos começam a lacrimejar! O riso limpa e liberta pressões e tensões emocionais.
 
Promove o exercicio físico - Quando rimos muito estamos a exercitar o diafragma, a contrair o abdomen e até a trabalhar os ombros, deixando os músculos mais relaxados. Até tem beneficios cardíacos!
 
Distracção - Rir retira o foco na zanga, na ira, na raiva, na culpa e no stress. É mais benéfico que outras distracções.
 
Mudança de perspectiva - Quando rimos vemos as dificuldades de uma forma mais leve, mais descontraída. A nossa tendência para complicar é reduzida.
 
Beneficios nas relações sociais - Rir conecta-nos aos outros. Assim como sorrir ou ser amável. O riso é algo contagiante. Se rir mais fará os outros também se rirem mais, o que fará os outros se sentirem bem ao seu lado e quererem a sua companhia.
 
Como usar o riso?
 
Tv e internet - Pode ver um série ou um filme cómico e começar praticamente instantaneamente a rir-se ou pode ir à internet e, por exemplo ao Youtube e ver vídeos que imediatamente o fazem rir quase descontroladamente. Use a sua natural criatividade!
 
Rir com amigos - Ir a um clube de comédia, ir a um espectáculo de comédia de improvisação, ir a um teatro cómico, ir ao cinema ver um filme cómico. Ir com amigos têm o condão de fazer qualquer piada ser ainda mais hilariante, pois o riso e a cumplicidade tornam-se contagiantes! Qualquer pessoa sabe anedotas ou piadas ou histórias cómicas e todas estas ideias podem ser postas em prática num contexto social.
 
Encontre humor na sua vida - Procure ver a vida de forma diferente. Olhe para as situações que lhe acontecem de uma forma leve e até com humor.
 
Como vê rir pode mesmo ser um remédio extraordinário!
 
Aproveite e ria!
 
António Norton
   
Sources:
Bennett MP, Lengacher C.
Humor and Laughter May Influence Health: III. Laughter and Health Outcomes.Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine, March 2008.
Bennett MP, Zeller JM, Rosenberg L, McCann J.
The Effect of Mirthful Laughter on Stress and Natural Killer Cell Activity.. Alternative Therapies in Health and Medicine, March-April 2003.
Berk LS, Felten DL, Tan SA, Bittman BB, Westengard J.
Modulation of Neuroimmune Parameters During the Eustress of Humor-Associated Mirthful Laughter.. Alternative Therapies in Health and Medicine, March 2001.
Skinner N, Brewer N.
The Dynamics of Threat and Challenge Appraisals Prior to Stressful Achievement Events.Journal of Personality and Social Psychology, September 2002.

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publicado às 17:09

Vantagens dos grupos terapêuticos

por oficinadepsicologia, em 12.01.12

Autor: António Norton

Psicólogo Clínico

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António Norton
Quais as vantagens dos grupos terapêuticos?
Já alguma vez sentiu-se estranho, diferente de todos, a pensar que tem um problema único?
Talvez a solução seja integrar um grupo terapêutico.
Existem várias vantagens em integrar grupos terapêuticos. Aqui ficam as mais importantes. 
Uma das principais vantagens é a possibilidade de receber suporte e encorajamento dos outros membros do grupo. Quando está num grupo terapêutico é reconfortante saber que existem outras pessoas que também têm o seu problema, as suas dúvidas, os seus medos, os seus receios, que, por vezes, tanto o podem assustar e fazer sentir-se estranho e anormal. Acima de tudo, num grupo terapêutico sentir-se-à menos sozinho e muito mais acompanhado.  
Os elementos pertencentes a um grupo terapêutico podem funcionar como modelos para os outros membros. Num grupo terapêutico todos os elementos aprendem e crescem uns com os outros. Quando vê alguém que começa a saber lidar com a sua perturbação, a evoluir, a descobrir formas de superar os seus problemas e os seus desafios, percebe que também para si existe esperança e percebe que a recuperação é possível. Quando alguém evolui essa pessoa serve como um modelo e uma figura de suporte para os outros elementos. O sucesso do outro ajuda a catalisar sentimentos de realização pessoal. 
Outra das grandes vantagens dos grupos terapêuticos é a de oferecer um espaço controlado, seguro e terapêutico, onde poderá ensaiar vários comportamentos que dificilmente poria em prática em contextos sociais que se tornaram aversivos para si. 
Como vê existem muitas vantagens em integrar um grupo terapêutico. 
A equipa da Oficina de Psicologia sempre preocupada com o seu bem-estar psicológico abre novamente grupos terapêuticos.
Tome nota: A primeira edição dos grupos terapêuticos de 2012 tem inicio já a 23 de Janeiro.
Não hesite e inscreva-se.

 

Referencias:

1Dies, R.R. (1993). Research on group psychotherapy: Overview and clinical applications. In Anne Alonso & Hillel I. Swiller (Eds.), Group therapy in clinical practice. Washington, DC: American Psychiatric Press.

2Manor, O. (1994). Group psychotherapy. In Petrūska Clarkson & Michael Pokorny (Eds.), The handbook of psychotherapy. New York, NY: Routledge.

3Yalom, I. D., & Lesczc, M. (2005). The theory and practice of group psychotherapy. New York, NY: Basic Books

4McDermut W et al. (2001) The Efficacy of Group Psychotherapy for Depression: A Meta-analysis and Review of the Empirical Research. Clinical Psychology: Science and Practice, 8, 98-116

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publicado às 11:15

Música e bem-estar

por oficinadepsicologia, em 26.12.11

Autor: António Norton

Psicólogo Clínico

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António Norton

 

O que nos leva a nos sentirmos bem quando ouvimos música?
 
O nosso complexo e maravilhoso cérebro está equipado desde que nascemos para entender e processar a música.

 
Porque razão assim é?
 
A compreensão da música e a sua necessidade sempre foi um mistério, uma vez que não é fundamental para a nossa sobrevivência. As necessidades básicas são sexo, comer e dormir. Quando preenchemos estas necessidades o nosso cérebro liberta dopamina. A dopamina é o neuroquímico envolvido na experiência do prazer e da recompensa.
De igual forma, quando ouvimos música este químico é libertado.

Em 2011, foi realizado um estudo na Universidade de McGill no Canadá. O estudo teve o seu inicio com 217 participantes que acabaram por ficar reduzidos a 8. Todos estes sujeitos respondiam da mesma forma sempre que ouviam música, independentemente do ruido exterior.
Para realizarem este estudo, os investigadores recorreram à tecnologia do PET scanning (tomografia de emissão de positrões) e ao fMRI (Técnica de Imagem de Ressonância Magnética), com o objectivo de analisar o cérebro dos 8 participantes enquanto ouviam música durante três sessões. Era também pedido para os participantes preencherem um questionário, no qual, avaliavam quantitativamente quão prazeirosa tinha sido a experiência musical.
O PET scanning revelou que a dopamina era libertada no corpo estriado durante momentos de intensidade emocional que surgiam durante a audição musical. A técnica de fMRI, por sua vez, mostrou uma diferença distinta entre timing e estruturas envolvidas. O núcleo caudado estava activo, quando antecipava a activação emocional e o núcleo accubens ficava mais activo quando a intensidade emocional era efectivamente experiênciada.
Portanto, quando antecipamos e depois fruimos da experiência intensa da música o nosso cérebro reage diferentemente para libertar a Dopamina.

 
O que é que isto significa?
 
Do ponto de vista académico este é um estudo fascinante. Podemos estar perante o primeiro estudo que prova a libertação de dopamina como efeito de recompensa de prazer quando se dá a realização de uma actividade não fundamental para a sobrevivência como o é a fruição da música.
 
Sempre se pensou que as recompensas provenientes das actividadades não fundamentais para a sobrevivência fosse muito mais de natureza cognitiva, ligadas ao pensamento, à auto-estima e à identidade. Este estudo revela, de alguma forma, a importância evolutiva da experiência musical. Existem circuitos e caminhos neuronais antigos envolvidos na fruição musical. O nosso cérebro está preparado para tal experiência e reage evolutivamente sinalizando estados de prazer no organismo, através da libertação da dopamina e da reacção selectiva de diferentes partes do cérebro.
 
Este estudo leva-nos efectivamente a pensar na ligação entre o corpo e a mente e na importância evolutiva da música.
 
Portanto quando ouve música dá prazer a sí próprio! E felizmente cada vez é mais fácil poder ouvir música, onde quiser e como quiser.
 
Lembre-se disso e boa música!!
 

 
Referencia:

Salimpoor, V.N., Benovoy, M., Larcher, K., Dagher, A. & Zatorre, R.J. (2011). Anatomically distinct dopamine release during anticipating and experience of peak emotion to music. Nature Neuroscience

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publicado às 18:05

Percepções

por oficinadepsicologia, em 16.12.11

Autor: António Norton

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António Norton
Querer mostrar um determinado traço de personalidade a alguém poderá influênciar a percepção que cria dessa pessoa!
 
Talvez não seja má ideia de todo relembrar este facto a próxima vez que encontrar alguém novo!
 A ideia que quer passar de si próprio irá influenciar a avaliação que fará da pessoa que está a conhecer! Ou seja, não é apenas a outra pessoa que será influenciada pela ideia que lhe quer transmitir, mas também você próprio fará um julgamento diferente da outra pessoa!
Este é o resultado de um estudo que incluiu centenas de participantes que viram um pequeno filme e depois discutiram-no com outro participante. 
Desta grande amostra, metade recebeu um objectivo bem definido: Quando fosse conversar com a nova pessoa teria que se fazer passar por um sujeito introvertido, extrovertido, esperto, confiante ou feliz. 
Portanto teria, de alguma forma, de condicionar o seu discurso e o seu comportamento não verbal. 
Após uma breve conversa, todos os participantes faziam uma breve avaliação de si próprios e da pessoa com quem tinham falado, de acordo com uma série de traços de personalidade, previamente determinados. 
As pessoas, que tinham ordens para condicionar o seu comportamento verbal e não verbal de acordo com uma característica pré-definida, acabaram por avaliar de uma forma inferior essa mesma característica na pessoa com quem falaram. Ou seja, se, por exemplo estavam a se fazer passar por felizes acabaram por considerar que a pessoa, com quem estavam a falar, estava menos feliz que eles. 
Estes resultados apresentaram valores estatísticos significativos, o que leva a supor que tal não parece ser fruto do acaso... Apenas o traço enfatizado pelos sujeitos sujeitos à ordem é que era avaliado de forma inferior, comparativamente com o próprio sujeito. 
Tal deve-se ao facto de que, quando queremos enfatizar uma determinada característica em nós acabamos por sobre-valorizar e criar expectativas muito altas na outra pessoa e normalmente essa pessoa não atinge tais expectativas, o que pode gerar frustração, ou distanciamento posterior, ou desinteresse. 
Ou seja, se por exemplo, estamos a conhecer uma pessoa por quem nos sentimos atraídos e somos extremamente enfáticos na forma como mostramos estar felizes por estar com essa pessoa, provavelmente vamos achar que essa pessoa não está assim tão feliz por nos ver. O importante a reter é que se tal acontecer isso não significa que a pessoa não esteja interessada em si, apenas significa que a sua percepção do outro está condicionada pelo seu investimento exagerado no que quer transmitir.

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publicado às 11:56

A natureza dos ataques de ciúme

por oficinadepsicologia, em 26.11.11

Autor: António Norton

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António Norton

Muitas vezes o ciúme é o causador da destruição de muitos casamentos, de muitos namoros, de muitas relações amorosas que tinham tudo para dar certo, que tinham tudo para proporcionar a ambos os parceiros realização e satisfação.

Mas o ciúme irrompe num impulso descontrolado e destrói tudo. É difícil separar a ideia de ciúme da ideia de impulsividade ou impulso. Na verdade, muitas vezes, o ciúme surge num impulso descontrolado e avassalador.

Como em qualquer perturbação do espectro da Psicologia, também o ciúme possui um gradiente de nível ou intensidade de perturbação. Assim temos desde o ciúme normal e totalmente controlado até ao ciúme patológico, absolutamente disfuncional e altamente perturbado.

Ter ciúme é algo saudável, desde que seja dentro de determinados limites.

 

Gostaria de distinguir dois tipos de ciúme:

Existe o ciúme imaginado e o ciúme percepcionado.

Quando falamos de ciúme imaginado estamos a falar de uma situação em que o ciúme é causado por uma visualização mental, ou seja nada está necessariamente a acontecer, mas a nossa imaginação constrói um determinado filme em que vemos claramente a pessoa de quem gostamos a ter atitudes que geram, em nós, desconfiança, insegurança e ciúme. Por exemplo, podemos imaginar que a pessoa de quem gostamos está, neste momento, a conhecer alguém e a eventualmente a se sentir interessada por essa pessoa e essa visualização mental, conduzir a uma sensação de insegurança que redunda em ciúme.

 

 

 

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publicado às 15:14

Autor: António Norton

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António Norton

“Para ser grande, sê inteiro; nada teu exagera ou exclui; sê todo em cada coisa; põe quanto és no mínimo que fazes; assim em cada lago, a lua toda brilha porque alta vive.”  - Fernando Pessoa

 

Muitas pessoas acordam de manhã mais ou menos sempre à mesma hora, tomam o mesmo pequeno-almoço rotineiro, vão de carro e fazem o mesmo trajecto, ouvem o mesmo posto de rádio, chegam ao trabalho e recebem uma série de ordens que acatam sem pestanejar, executam o seu trabalho de forma maquinal e desinteressada, fazem inúmeras pausas, onde fumam cigarros e falam sobre os mesmos assuntos de sempre, almoçam no mesmo restaurante, voltam ao trabalho, fazem as mesmas pausas, saem do trabalho, fazem o mesmo percurso, vão para casa, não variam substancialmente na ementa do jantar, vêem um pouco de televisão desinteressadamente, fazem a sua rotina de higiene, fazem amor da mesma forma de sempre, e dormem pensando que já falta menos para a tão aguardada reforma, onde se esquecem que, à partida, terão muito menos energia física e mental.

 

Pode parecer um retrato extremado e demasiado pessimista, mas confesso que tenho algumas dúvidas que realmente o seja. Infelizmente, acredito que muitas pessoas vivem assim a sua vida.

 

O perigo desta forma de agir, de estar, de viver é a consequente dramática e altamente preocupante falta de criatividade, que fica estampada na passividade, apatia, desinteresse e perda de sentido existencial.

 

Haverá solução para esta situação?

Posso ser um optimista irrealista, mas acredito que sim. Acredito que podemos ser diferentes.

Para mim, a resposta está neste poema de Fernando Pessoa. A chave está na perpetuação da nossa identidade através da ferramenta extraordinária da criatividade.

A minha reflexão será justamente em torno desta duas ideias basilares: Identidade e criatividade.

Vou colocar a tónica do meu discurso sobretudo na questão da criatividade, que me parece ser uma questão chave para entender o marasmo, no qual, muitas pessoas escolhem estar.

 

 

 

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publicado às 18:50

Quando a palavra de um amigo não basta

por oficinadepsicologia, em 18.10.11

Autor: António Norton

Psicólogo Clínico

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António Norton

Gostaria de falar consigo sobre a diferença entre consultar um psicólogo e socorrer-se do ombro e dos conselhos de um amigo.

 

Quando temos problemas psicológicos, sejam de carácter depressivo, ansioso ou de outra natureza sabe bem e é totalmente gratuito procurar o consolo de um amigo. E qual é o problema de o fazer? Esta pessoa conhece-me tão bem que certamente me poderá ajudar! Ficamos convencidos que a cumplicidade que criámos com a outra pessoa é uma garantia de ela nos poder ajudar. Simplesmente, esta ajuda nem sempre é a mais eficaz. E o que leva a que não seja? Porque razão um amigo não é o suficiente?

 

O primeiro aspecto que eu gostaria de reflectir diz respeito à genuinidade da relação. Quando me refiro à genuinidade refiro-me até que ponto, numa relação entre amigos, é possível expor a plenitude da nossa identidade, sem medo de ferir ou de desiludir as expectativas que queremos que o nosso amigo tenha de nós?  Vou procurar explicar-me um pouco melhor. Em qualquer relação de amizade existe uma construção da relação baseada na ideia que queremos que o outro tenha de nós. Existe assim um condicionamento enraizado na ideia de não desiludir o outro. Quando estamos a construir uma relação de amizade queremos ser aceites pelo outro e para tal procuramos não o desiludir. Assim vamos transmitir ao outro uma ideia que vá de encontro às expectativas que pensamos que essa pessoa tem de nós. Deste modo, uma relação de amizade tem um condicionamento que, de algum modo, a sustenta.

 

 

 

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publicado às 10:17

Gravidez interrompida

por oficinadepsicologia, em 23.09.11

Autor: António Norton

Psicólogo Clínico

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António Norton

Gostaria de propor reflectir sobre que consequências psicológicas decorrem da situação em que uma mulher, que sofreu um aborto espontâneo, ao voltar a engravidar resolve esconder o seu estado biológico.

 

Resolvi escolher esta questão, uma vez que é um tema comum dentro do universo psicológico de uma mulher que sofreu um aborto e voltou a engravidar.

 

Uma gravidez interrompida involuntariamente traz uma herança psicológica pesada. O corpo deixa de ser cem por cento confiável, passa a ser uma “casa” que gera insegurança, desconforto e desconfiança. Uma mulher que sofreu um aborto espontâneo sente que o corpo a traiu, sente quase como uma incapacidade de identificação com o seu corpo. É frequente surgirem pensamentos como: “ Como foi possível o meu corpo fazer-me algo assim?” “Eu estava tão feliz, como foi possível?”.

 

A incredulidade e a desilusão são motores psicológicos que geram na futura gravidez insegurança e desconforto: “Eu não confio no meu corpo”. É comum surgir a hipervigilância com todos os sinais que o corpo apresenta e a gravidez deixa de ser vivida de forma harmoniosa para passar a ser habitada por estados de tensão e ansiedade.

É comum surgirem pensamentos como “E se corre mal?” “E se o meu corpo volta a rejeitar o meu bébé?”.

A dúvida passa a habitar e não abandona a grávida, mantendo-se até ao nascimento.

As ecografias positivas que garantem a saúde do feto dão alguma segurança, mas a dúvida continua sempre a corroer interiormente e a ter o seu efeito na criação de tensão.

 

 

 

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publicado às 09:46


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