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Os pontos fixos no nosso mundo

por oficinadepsicologia, em 13.09.12

Autora: Vanessa Damásio

Psicóloga Clínica

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Vanessa Damásio

Observo que procuramos constantemente um ponto fixo, um ponto de equilíbrio, algo que nos mantenha seguros, no meio de um mundo repleto de mudanças, transformações, ou melhor, transições. Tal significa que realizamos passagens de um estado, forma ou local para outro distinto e não obrigatoriamente pior ou melhor. Dão-se constantes transições a todos os níveis da nossa vida, e inclusivamente, se repararmos bem, nem no próprio universo temos um domicílio fixo: o planeta terra viaja pelo espaço a vários quilómetros por segundo, mudando a sua posição de segundo a segundo, sendo que num segundo estamos ali, e noutro acolá, sem sequer termos consciência disso! As estações do ano seguem-se umas às outras de forma cíclica: Primavera, Verão, Outono e Inverno; e até a o estado da água pode passar por diferentes transformações segundo a temperatura e pressão do contexto, passando de líquido a sólido ou gasoso e vice-versa.

 

Mas uma das transições mais difíceis de aceitar será quiçá a das etapas do ciclo da vida. Passamos a vida a tentar encontrar a estabilidade nas famílias e relações, na carreira, na localização e até no universo, e muitas vezes não conseguimos digerir as passagens da idade e do tempo, principalmente a nível pessoal e familiar. A nível pessoal é de destacar o quão por vezes é difícil passar da fase infantil à adolescência e desta à fase adulta. Em cada nova fase temos que nos readaptar, transformar e reconstruir, passando por metamorfoses como se de borboletas nos tratássemos.

 

A nível familiar e relacional verificam-se diversos eventos naturais que, necessariamente provocam mudanças na organização do sistema familiar, que podem ser previsíveis, como por exemplo o casamento, ou imprevisíveis e que alteram o tempo e as funções da família, de forma a modificar o ciclo vital, como por exemplo a morte precoce ou a gravidez na adolescência.

 

A cada transição de fase do ciclo vital, a família deve enfrentar uma situação nova, que põe em cheque as antigas modalidades de funcionamento, necessitando uma nova ordem familiar.

Cada transição pressupõe assim uma certa forma de crise, mais ou menos intensa para cada indivíduo e sistema familiar em que se encontra. O problema está precisamente quando o indivíduo e suas relações não se conseguem adaptar às crises e mudanças, e quando a razão e a realidade se misturam com emoções negativas e frustrações permanentes.

Onde está o nosso ponto fixo, um “porto seguro” e reconfortante, no meio deste universo de transformação constante?

Quero acreditar que a resposta reside na capacidade que dispomos para olhar para o nosso interior, para a nossa mente e mentes que nos rodeiam, e se necessário pedir ajuda a uma relação que nos dê amor, valor e carinho, a um amigo ou familiar, ou quiçá a um psicólogo! Porque a psicologia é para todos e poderá ser esse mesmo ponto fixo que nos ajuda a superar uma transição que nos bloqueia o crescimento.

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publicado às 10:58

Começar de novo

por oficinadepsicologia, em 09.09.12

Autora: Filipa Jardim Silva

Psicóloga Clínica

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Filipa Jardim Silva

Paro, olho à volta e demoro uns segundos até que a visão deixe de ficar turva. Sinto-me como se tivesse sido atropelada por um camião em câmara lenta. Cinco caixotes e duas malas é o que ocupa três anos da minha vida. 1095 dias reduzidos a tão pouco espaço físico, mas arquivados numa biblioteca imensa dentro do meu espaço psicológico. As coisas pesam pouco, as recordações pesam toneladas. Fecho os olhos à espera que por um segundo esteja a ter um pesadelo, mas depressa o eco de sons nesta casa vazia me puxam para a realidade. Acabou. O amor juntou-nos, o amor separou-nos. Filmes em sucessivo correm dentro da minha cabeça: filmes de amor, de suspense, de terror, de drama por fim. Tivemos tudo, terminámos no nada, quando as palavras se esvaziaram, quando nos perdemos de nós.

 

O Sol invade o meu espaço sem pedir autorização, recorda-me que começou um novo dia, quase a gritar-me que também eu estou a começar uma vida nova. Empurro-me até a um banho frio que me acorda para o momento presente. Limpo as lágrimas, visto-me e arregaço as mangas. Os músculos estão fracos, a mente trémula, mas tudo se treina e fortalece. É tempo de começar de novo no dia de hoje com intervalos para chorar o ontem e instantes para sonhar o amanhã. Não tenho resposta a todos os porquês mas também não ambiciono ter. Fecho a porta aos “se’s” que se atropelam uns aos outros. Guardo o que há bom de guardar, e a cada dia que passa a respiração serena, o sono acalma e o apetite volta. Por uma história de amor não ter um final feliz não significa que foi um fracasso. Recuso-me a sintetizar três anos da minha vida a uma palavra como falhanço. Todas as gargalhadas que dei foram magia pura, todas as partilhas cúmplices conquistas, todas as aprendizagens feitas são heranças eternas que nem o tempo nem gente podem apagar. Ninguém me tira o amor que vivi mas também ninguém me pode puxar para a vida novamente, apenas eu. É tempo de recomeçar. Voltar a preencher os dias de maneiras distintas, descobrir sítios até agora desconhecidos, viajar sozinha, carregar sacos pesados, dar espaço a novas pessoas. Não é uma vida a substituir a outra, é uma nova vida. Passado algum tempo recordo com um sorriso a história vivida e sim, há noites chuvosas que me levam a derramar uma lágrima de nostalgia sobre o que foi e mais ainda podia ter sido. Mas o dia amanhece e revigora a alma, para esta que é mesmo uma vida nova. Estou agora numa relação comigo mesma, e como em qualquer início de relação estou a descobrir-me, a mimar-me, a tentar surpreender-me, à procura das palavras que me fazem brilhar o olhar, dos sítios que me aquecem a alma, dos cheiros que me arrepiam, dos sabores que me extasiam.

 

Esta é a história da Alice que podia chorar o ontem mas estaria a enevoar a visão do hoje e a bloquear o amanhã. Podia lamentar o que não resultou e até quiçá procurar culpados, mas estaria a reduzir uma história de amor a um desencontro final. Podia designar-se de pouco afortunada mas nunca gostou de rótulos. Preferiu arrumar a bagagem das viagens passadas e seguir com uma mochila leve no presente. A Alice não é mais que ninguém e conhece bem as suas fragilidades, mas desde que saiba que merece e quer ser feliz, tem as coordenadas necessárias que a orientam por entre as tempestades e conduzem a oásis perdidos. Porque é sempre possível começar de novo.

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publicado às 11:01

Autora: Marta Gonçalves Porto

Psicóloga Clínica

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Marta Gonçalves Porto

Hoje gostaria de relembrar a história de Robinson Crusoe. Quem não se recorda da história de um dos grandes heróis da literatura inglesa? Um homem que aquando de uma intensa tempestade, ficou naufragado e sozinho numa ilha que durante algum tempo pensou estar deserta.

Torna-se fundamental, então, reflectir sobre o que permitiu a sobrevivência deste homem, tendo em consideração prévia que apenas poderá ter sido um método digno de um herói.

 

Crusoe ao deparar-se com a sua situação potencialmente trágica e sentindo-se com pouca esperança de um dia vir a ser salvo, decidiu, apesar das circunstâncias, reagir à adversidade. Foi exactamente esta decisão que promoveu a sua sobrevivência.

 

Ao concluir que nenhuma situação poderia ser tão catastrófica que leve um homem a perder definitivamente a esperança, mudou a forma como estava a encarar as suas circunstâncias. Neste sentido, ao não se entregar a um compreensível desespero que colocaria a sua vida em risco, optou por acentuar conscientemente o lado positivo da sua realidade, elegendo uma nova perspectiva.

 

Esta nova perspectiva foi automaticamente acompanhada de uma mudança ao nível das suas cognições, isto é, dos seus pensamentos: “Fui parar a uma ilha solitária” – “Mas ainda estou vivo e não me afoguei, como todos os meus camaradas”; “Fiquei isolado, entre todos os seres humanos fui eu o escolhido para sofrer estas privações” – “Mas também, entre toda a tripulação, fui o escolhido para escapar à morte”; “Nem sequer tenho roupa para me cobrir” – “Mas estou numa região quente, onde quase nunca precisaria de usar roupa, mesmo que a tivesse.”


Neste momento, admito que tudo o que foi supracitado pode ser fácil demais para ser verdade. Não obstante, torna-se fundamental referir que esta mudança ao nível das cognições se encontra na base de uma das Terapias mais eficazes no tratamento das perturbações mentais e do comportamento, ou seja, a Terapia Cognitiva preconizada por Aaron Beck.

 

Por último, gostaria de partilhar o seguinte prisma, influenciado pelo Método de Robinson: Todos nós podemos ser heróis das nossas vidas, alterando a perspectiva da nossa realidade.

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publicado às 10:04

Sobre a felicidade

por oficinadepsicologia, em 04.09.12

Autora: Joana Fojo Ferreira

Psicóloga Clínica

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Joana Fojo Ferreira

Para ser absolutamente honesta tenho que partilhar que não sei se sei escrever sobre isto, é tão subjectivo, tão abstracto, e com potencial para seguir tantos caminhos, que me assusto sempre face à perspectiva de ser demasiado reducionista. Decidi contudo arriscar e partilhar uma das várias possibilidades de olhar para isto da felicidade.

 

A primeira questão que me surgiu foi O que é que significa ser feliz?


A primeira resposta foi Não faça a mais pequena ideia. Depois, talvez fruto da frustração, questionei-me Será que é relevante? Será que existe tal coisa? Mas como qualquer uma destas respostas deixava o meu intento de escrever sobre a felicidade cair por terra, a brincar com as palavras da própria questão pensei E se o significado de ser feliz for precisamente viver com significado, com sentido?


Não sei como é que isto vos soa, para mim confesso integrou muito bem tudo o que me apela para felicidade.

Ser feliz é viver com sentido, de forma coerente com o que a cada momento se sente, se precisa. É dar significado às coisas e viver de acordo com o significado que têm para nós.

 

Sorrir quando apetece chorar não faz sentido e não traz felicidade. Só dar quando se precisa também receber pesa, não faz sentido, não traz felicidade. Estar próximo dos outros quando se precisa mesmo é estar só não faz sentido, não traz felicidade…

 

Ser feliz é sorrir, ou mesmo gargalhar, quando dá vontade. Mas é também chorar quando as lágrimas pedem para sair. Ser feliz é dar quando se pode e se deseja. Mas é também receber quando se precisa. Ser feliz é estar próximo quando se precisa de proximidade. E é afastar-se quando se precisa de isolamento. Ser feliz é abrirmo-nos ao mundo quando tanto nós como o mundo estão disponíveis. E é recolhermo-nos em nós próprios quando precisamos de um tempo para nós, de introspecção.

 

Para ser feliz não há uma receita porque a felicidade não é um produto final. Ser feliz é um processo, de simplesmente ser como se é, estar onde se está, como se precisa ser e estar a cada momento, sem nos cobrarmos por isso.

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publicado às 12:05

Gerir o tempo

por oficinadepsicologia, em 29.08.12

Autora: Tânia da Cunha

Psicóloga Clínica

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Tânia da Cunha

Muitas vezes parece que temos de nos desdobrar para arranjar tempo para tudo. É possível que sinta que o dia nunca tem horas suficientes, ou será que tem? Sabia que racionalizar aquilo que faz pode conceder-lhe tempo livre?

Ser-se “atento” ajuda-nos a reconquistar parte desse tempo. Aqui ficam algumas sugestões:

  • Convido-o a experimentar a tirar cinco minutos no início de cada dia para planificar e também dar uma vista de olhos ao impacto que o seu dia de hoje causará no resto da semana.
  • Se se sentir sobrecarregado de trabalho, examine com atenção o seu calendário diário e decida se está ou não a exigir de mais de si mesmo.
  • Estamos sujeito a diferentes biorritmos (ciclos de energia quando estamos mais ou menos produtivos). Na grande maioria das pessoas, a maior atividade cerebral atinge o auge antes do meio-dia, por isso resolva as tarefas difíceis entre as 8 da manhã e o meio-dia. Evite trabalhos difíceis à noite. A exceção a esta regra parece aplicar-se a algumas pessoas criativas que gostam de utilizar as sossegadas horas do período noturno para pensar. 
  • Delegue tarefas sempre que se justificar. Se tiver tendência para fazer tudo sozinho, reflita por que razão o faz.
  • Se verificar que está constantemente a interromper o trabalho para ir verificar os e-mails, o mais certo é distrair-se também na execução de outras tarefas. Experimente verificar apenas os seus e-mailsnum máximo de três vezes por dia a horas previamente definidas por si (de manhã, depois do almoço e antes de sair do emprego).
    • Não desperdice o seu tempo a pensar em desculpas para não ter ainda terminado uma coisa. Esconder-se por detrás de desculpas nunca resulta a longo prazo. Isso só lhe vai criar stress, incerteza a quem está do outro lado e consome uma quantidade valiosa de energia. 

 

Partilhe connosco outras alternativas que têm funcionado consigo.

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publicado às 09:41

Resolver problemas e tomar decisões

por oficinadepsicologia, em 25.08.12

Autora: Tânia da Cunha

Psicóloga Clínica

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Tânia da Cunha

 

Pergunto-me como seria a vida sem ter necessidade de resolver problemas ou tomar decisões. São realidades que não podemos camuflar, ou será que podemos? Deparamo-nos todos os dias com escolhas que temos de fazer. As pessoas que não têm escolhas, ou que acham que não têm, são as mais propensas aos efeitos do stress. Deixo-vos algumas sugestões que podem facilitar o processo de tomada de decisões e suavizar o problema.

  • Mude a utilização da palavra “problema” para “desafio” e da expressão “resolver problemas” para “tomar decisões”.
  • A vida está cheia de “ses”, “es” e “mas”, que complicam a tomada de decisões. A parte mais difícil é muitas vezes o processo efetivo de chegar a uma decisão. Assim que chegar a esse ponto, normalmente ele vai parecer-lhe bastante fácil. Quando tomar uma determinada decisão, não desperdice energia preocupando-se com o que poderia ter acontecido se tivesse escolhido seguir por outro caminho.
  • Habitue-se a detetar e mudar as ideias que podem ser limitadoras. Pensamentos como “Não sou bom nisto” ou “Não entendo isto” podem ser prejudiciais. Eles vão limitar o seu potencial e o seu prazer.
  • Uma das principais razões por que as decisões podem ser difíceis de tomar é por causa daquela vizinha tagarela dentro da cabeça que diz: “E se alguma coisa corre mal?” ou “E se eu fizer a escolha errada?”. Em vez disso pode questionar-se: “Qual é a pior coisa que pode acontecer se alguma coisa correr mal?” – 99% das vezes irá verificar que não vai acontecer nada de tão mau assim.
  • Experimente escrever os prós e os contras de uma determinada situação. Se os mantiver apenas na memória, tenderão a rodopiar dentro da sua cabeça de forma desfocada, porém se os passar para o papel, muitas vezes surgirá uma solução clara.
  • Se a sua decisão vier a revelar-se algo imperfeita, não se sinta frustrado mas aprenda com a experiência.
  • Mantenha a concentração e a calma ao longo de todo o processo. O nervosismo ou a ansiedade não ajudam em nada a resolver essa disputa, servirá apenas para criar mais pressão.

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publicado às 09:34

Subtexto, dimensão que nos revela

por oficinadepsicologia, em 24.08.12

Autor: Pedro Diniz Rodrigues

Psicólogo Clínico

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Pedro Diniz Rodrigues

O subtexto ou entre-linhas como também conhecemos na linguagem de senso comum, assume-se na comunicação humana como um padrão de pensamento subjacente da mensagem a que está associado. Toda a nossa expressão (ou não expressão) contém subtexto. É portanto um aspecto importante da nossa comunicação, sobre o qual gostaria de reflectir consigo.

 

Quando interagimos, este subtexto aparece como que camuflado, pois normalmente não o vemos de forma totalmente clara. A sua mensagem é ofuscada pela mensagem principal, que o nosso interlocutor nos quer transmitir.

 

Por exemplo, se está num restaurante com um grupo de amigos e uma das pessoas com quem está a conversar lhe diz que está bem-disposta por alguma razão, o normal será interpretar o que lhe foi dito como verdade.

 

No entanto, se notar que essa pessoa está com um ar triste ou com uma postura abatida, é provável que já fique com algumas dúvidas sobre a veracidade dessa mensagem.

 

O que se pretende mostrar com este exemplo, é que o subtexto é algo que se estivermos atentos, poderemos observar, está lá na interação, e revela-nos informação adicional que enriquece a forma como interpretamos as situações.

 

De uma maneira mais ou menos evidente e por vezes repetitiva, revela-nos detalhes dessas situações, permitindo-nos ajustar melhor a essa realidade, e adequar (ou não) o nosso comportamento a um dado contexto social.

 

Se pensarmos novamente no exemplo do jantar, mas supondo agora que não conhecíamos ninguém, certamente nos será útil ter a noção de aspectos, como os melhores momentos para iniciar uma conversa ou dar uma opinião, e a receptividade ou interesse da outra pessoa em relação ao que estamos a dizer, para saber se continuamos ou não com a conversa. Esta informação é normalmente revelada pelo subtexto.

 

O valor desta linguagem implícita na nossa comunicação reside no seu elevado nível de verdade, na autenticidade da sua mensagem, na qualidade da informação que nos fornece sobre a nossa pessoa, através daqueles e sobre aqueles que interagem connosco. A importância do subtexto reside também na sua relação próxima com a auto-estima. Ao interagirmos, reflecte o que queremos e não queremos, caminhando lado a lado com as nossas emoções. A auto-estima por sua vez, está intimamente ligada às qualidades que apreciamos em nós e nos outros, bem como ao que nos faz sentir bem e ao que nos faz sentir mal.

 

O que implicitamente dizemos de nós, o modo como o dizemos, o destaque que damos a determinados aspectos da nossa personalidade em detrimento de outros, evidencia a existência de recursos internos que estão a ser mobilizados num dado sentido.

 

Simplificando, se estiver atento ao que é importante para si e para o outro, independente do tema da conversa, a interação torna-se mais satisfatória e gratificante.

 

Acha que nos apercebemos do subtexto que transmitimos aos outros?

 

Em parte sim, mas a grande maioria da informação que transmitimos não é diretamente perceptível, ou seja, só nos apercebemos quando estamos a conversar com alguém e essa pessoa nos diz por exemplo: O que se passa contigo hoje? Pareces um pouco irritado(a). Aconteceu alguma coisa? – Nessa altura reparamos por exemplo no quanto a conversa que tivemos nessa manhã com um vizinho, nos está ainda a aborrecer e a influenciar o nosso comportamento com as outras pessoas.

 

Haverão muitas formas de nos apercebermos da informação que transmitimos, mas se estivermos atentos a aspectos simples como este, passaremos a estar mais conscientes das entre-linhas da nossa comunicação e da riqueza do subtexto enquanto meio privilegiado de olharmos para nós e para o mundo.

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publicado às 12:26

Equilibradamente em desequilíbrio

por oficinadepsicologia, em 23.08.12

Autora: Joana Fojo Ferreira

Psicóloga Clínica

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Sometimes to lose balance is part of living a balanced life

 

Joana Fojo Ferreira

Quando pensamos no que é que queremos para a nossa vida, do que é que precisamos para a nossa saúde mental, cada vez mais reconhecemos que precisamos é de equilíbrio, em contraponto a uma busca utópica de um estado permanente de felicidade e bem-estar.

Apesar deste reconhecimento, velhos hábitos são difíceis de deixar, e o risco é desejarmos sim equilíbrio, mas deturparmos o conceito e rigidificarmo-nos numa postura de não nos permitirmos nem grandes desânimos nem grandes entusiasmos, contentarmo-nos com o mediano, como se equilíbrio fosse sinónimo de meio-termo, nem muito nem pouco, assim-assim.

 

Clarifiquemos então a ideia de equilíbrio:

Equilíbrio é um “estado” dinâmico de compensação de forças em que, quando puxo para um lado, activo em consequência uma força contrária que puxa para o outro, no sentido de não permitir a queda ou a destruição. Equilíbrio não é portanto um estado estático mas implica um movimento oscilatório entre polos opostos, sempre com duas forças contrárias e compensatórias a puxar. Equilíbrio não é uma coisa que se adquire mas um processo que se vive.

 

Paradoxal que possa parecer, estar em equilíbrio implica portanto estar disponível para o perder aqui e ali.

Neste sentido, talvez a pergunta-chave não seja como é que me equilibro mas como é que me disponibilizo para me desequilibrar.

E disponibilizo-me para me desequilibrar quando me permito sentir o que estou a sentir, seja agradável ou doloroso, quando arrisco experimentar coisas novas, diferentes, quando me permito depender momentaneamente dos outros quando preciso de colo e afastar-me momentaneamente quando preciso de dar os meus passos sozinho… Quando confio que posso dar qualquer passo porque sei que tenho a capacidade de analisar os erros, de analisar o risco, e confio que quando necessário consigo mobilizar recursos num sentido compensatório e recuperar o equilíbrio ou transformá-lo num equilíbrio diferente, mais adequado às novas necessidades ou exigências.

 

Preciso confiar que consigo estar próximo da queda sem cair. Preciso disponibilizar-me para o desequilíbrio para viver equilibradamente.

Não esqueça: não se atinge o equilíbrio, vive-se equilibradamente em desequilíbrio.

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publicado às 09:31

É possível a amizade entre homens e mulheres?

por oficinadepsicologia, em 20.08.12

Autora: Catarina Mexia

Psicóloga Clínica

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Catarina Mexia

A crença antiga e ainda muito vulgar de que a amizade entre homens e mulheres não é possível provém do tempo em que os nossos antepassados tinham tarefas perfeitamente divididas: a mulher em casa e o homem no trabalho. A única maneira de poderem estar juntos era quando queriam iniciar um romance.

 

Atualmente, no entanto, homem e mulher trabalham e praticam desporto juntos e estão envolvidos desde cedo num processo de socialização que deixa espaço para desenvolver com sucesso uma amizade próxima e com cada vez mais boas razões para o fazer.

 

O que é a amizade? Comecemos por definir o que é amizade. Trata-se de um sentimento complexo que aparece sem aviso ou premeditação. Não conhece critérios de idade, de condição social ou de origem e é um misto de confiança, abandono, sensibilidade e amor desinteressado. A questão está em saber se esta genuinidade resiste numa relação entre um homem e uma mulher. Se um conjunto de pessoas responderia sem hesitar que não, outro diria ser perfeitamente possível. A maioria, porém, iria hesitar antes de responder num ou noutro sentido.

A verdade é que a sexualidade prejudica a amizade entre homens e mulheres. Quantas vezes um homem se contenta em manter-se apenas amigo quando o que deseja é ser amante?

De facto, é muito difícil lidar com uma proposta para mantermos apenas a amizade, até porque isso desencadeia sentimentos opostos. Tantos os homens como as mulheres podem sentir rejeição num primeiro momento, mas logo a seguir felicidade, justamente por compreenderem as vantagens de uma relação que não passa necessariamente pela cama. Quando tal acontece, já nada é como dantes. Curiosamente o inverso pode acontecer, ou seja, uma relação de amantes pode tornar-se numa relação de amigos.

 

Lidar com o desejo. O tema desejo é quase inevitável nas relações de amizade entre homens e mulheres. A questão é saber se queremos estragar ou modificar uma relação que até aí funcionou bem. Nesses momentos de particular tensão em que o desejo ganha força, a proximidade e o toque físico devem ser evitados, para que a distância permita tomar uma decisão sem comprometer a posição do outro. Como bons amigos, tal será compreendido como uma necessidade íntima a respeitar e não como um afastamento precipitado.

O contexto que uma amizade cria, e a forma pode ser partilhada no que respeita aos nossos amigos, filhos, pais e trabalho, não afasta nem permite negar a existência desta tensão sexual, mas ajuda a delimitar a intimidade de cada um. Acontece que estas amizades, tal como as que se desenvolvem entre pessoas do mesmo sexo, baseia-se na possibilidade de falar, ouvir, servir de suporte ao outro, de ser companheiro, de partilhar algo mais profundo do que uma relação sexual que provavelmente não teria futuro.

 

Que vantagens? Quando um homem e uma mulher mantêm urna relação de amizade, com frequência nos perguntamos que benefícios existem nessa relação. Será a sua função constituir um pilar afectivo baseado numa relação democrática e igualitária numa sociedade sem respostas nem certezas?

Na vida amorosa os sentimentos explodem como fogo de artifício, enquanto que na amizade são canalizados com paciência, limites e compreensão. Mas esta amizade exige renúncia e, por isso, precisa de acontecer entre dois seres emocionalmente maduros. Ao invés das amizades entre pessoas do mesmo sexo, esta beneficia de uma dualidade muito enriquecedora que se traduz em perspectivas diferentes, por vezes novas mas sempre complementares, que o outro tem sobre determinados assuntos.

Cumplicidade, estímulo intelectual e serenidade são razões que convidam a estabelecer uma relação de amizade com uma pessoa do sexo oposto. Mas por vezes essas razões podem dissimular perturbações de identidade ou revelar dificuldades de identificação em relação aos outros, uma vez que se trata de uma relação menos exigente do que o amor e que responde, na nossa época, ao medo de envolvimento.

 

Quase casais. "Ficar apenas amigos" significa menos compromissos. E estes "quase casais" são cada vez mais numerosos. Algumas ideias feministas sobre a independência das mulheres e certas tendências masculinas que privilegiam uma via individualista encorajam o seu aparecimento. Uma vez encontrado o amor desinteressado, não o devemos deixar partir. A amizade entre homens e mulheres segue o mesmo caminho da amizade entre pessoas do mesmo sexo, mas deve resistir aos caminhos da sedução e deslocar-se no sentido da conivência, confiança e suporte para poder sobreviver. Não pode ser um modelo universal a seguir, pois alimenta- se da particularidade de cada relação e responde a necessidades mais ou menos confessáveis.

Nasça antes ou depois de uma relação marcada pela sexualidade, antes ou depois de uma relação de casal, a amizade entre homens e mulheres é importante e preciosa num mundo pouco amigável e pobre em laços humanos.

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publicado às 13:54

Era uma vez um manjerico mágico

por oficinadepsicologia, em 17.08.12

Autor: Luís Gonçalves

Psicólogo Clínico

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Luis Gonçalves

 

Era uma vez um manjerico como outro qualquer. Sim, leu bem… vim contar uma história sobre uma dessas plantas tão típicas dos Santos Populares. E uma pergunta fará já de seguida: mas que tem a ver uma planta com psicologia? Nada, aparentemente nada. Mas talvez esta o inspire, a minha ideia é essa.

Certo dia, um rapaz comprou um manjerico por altura do Santo António. Depois de ouvir e ver histórias sobre a sua grande sensibilidade e curto período de vida, decidiu abraçar este ambicioso projeto. Juntou então a sua grande ligação à Natureza ao gosto por desafios e decidiu tentar manter a planta viva e facilitar o seu crescimento. Não arranjou o manjerico por uma questão de ser habitual as pessoas terem-nos por esta altura. Nem tão pouco pela quadra tão típica que ele trazia, por muito cativante que fosse como prenda amorosa seguindo a tradição popular. A sua intenção era apenas cuidar atenciosamente dele, fazendo-o sobreviver e reproduzir-se. Mas sem sequer pensar que o desafio se iria tornar muito maior do que ele alguma vez supôs…

E os primeiros dias revelaram-se promissores. O manjerico parecia estar a corresponder muito bem à atenção que lhe era dada. Parecia saudável e o contentamento do rapaz crescia de dia para dia. Afinal de contas, tinha feito uma “aposta” com a sua mãe. Havia sido ela que, em tempos distantes, lhe tinha dado a conhecer este ser vivo tão lisboeta e bem cheiroso. Na sua infância, lembrava-se dela comprar sempre um para festejar o Santo António e alegrar a casa. Mas eles não duravam muito, havia ali qualquer coisa que falhava. E o rapaz decidira agora que estava na altura de tentar inverter a tendência. Tudo parecia apontar para o sucesso, à medida que o manjerico se mostrava cheio de vitalidade e pronto para crescer. Até que um dia…

Até que um dia surgiu uma corrente de ar em casa que fez tombar o vaso, criando um cenário desolador. Em segundos, havia bocados de barro cozido, terra e de manjerico por todo o lado. O rapaz ficou desolado porque não gostava de ver nenhum ser vivo naquele estado. E claro que se sentiu frustrado por, mais uma vez, assistir ao fim de um manjerico. A tal planta que era suposta dar alegria.

Manjerico da OP



Mas ele não se deu por vencido: pegou meticulosamente nos pedaços que sobraram, improvisou um vaso e juntou-lhe alguma terra. Não havia tempo a perder! Acreditou ser possível fazer renascer este resquício de vida apenas com o seu afeto. Houve até momentos em que achou que não ia conseguir, a tarefa tinha-se tornado gigante. Dia após dia manteve o seu cuidado pelo que sobrava do manjerico outrora vistoso e jovial. E à medida que o tempo passava, havia algo nele que lhe dizia para continuar. Para persistir. Para acreditar.

Chegou então um dia em que o rapaz olhou com maior detalhe para o seu manjerico sobrevivente, como se procurasse secretamente um sinal do desfecho desta história. E tal não foi o seu espanto quando reparou que a planta estava de ótima saúde, verde e cheia de vitalidade. Mas não era tudo, o melhor vinha a seguir. Observou que pequenas folhas despontavam por todo o lado, num fenómeno de vida simplesmente notável. O desafio que era grande e que, mais tarde, se tornou quase intransponível, havia sido vencido com um grande sorriso à mistura!

O que tirei desta história foi que devemos sempre lutar por aquilo em que acreditamos. Aconteça o que acontecer, há que manter a fé e a determinação. Devemos continuar sensíveis à sensibilidade que nos rodeia, mesmo quando a desilusão toma conta de nós e nenhum resultado vemos do nosso esforço. Seremos até resilientes ao ponto de transformar obstáculos em momentos de superação e energia, ressignificando-os como recursos positivos. E que nunca devemos esquecer o mundo natural. Devemos aprender a lê-lo e respeitá-lo: ele tem chaves que mudarão a nossa existência.

E no final disto tudo, olharemos para trás e sentiremos que valeu a pena. Que nos tornámos mais e melhor. Que conseguimos.

(Já agora, o rapaz da história sou eu e o manjerico valente é este!)

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publicado às 10:36


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