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Desaprender

por oficinadepsicologia, em 15.01.10

Autora: Inês Alexandre

Psicóloga Clínica

 

 

Então minha menina, como anda? Conte-me. Lembro-me que andava agitada.

Sim. Pega no carro, percorre a cidade, estaciona, concentra-te, pega no carro, percorre a cidade. Ouve, decide, age, a cabeça às voltas, às voltas. Aprendemos assim Dra., desde que nascemos.

Como assim desde que nascemos?

Acorda. Come. Sorri. Responde aos estímulos, senão que infelicidade. Anda, não te esqueças da mala, não te esqueças do passe, não te esqueças de prestar atenção. Concentra-te. Vê bem todas as perguntas. Um mundo justo em que estamos, se responderes sempre a todas as perguntas. Vais conseguir. Não sei bem o quê mas consegues. Anda, não pares. Acho que desaprendemos, Dra.

Desaprendemos o quê?

 

 

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publicado às 10:00

Marés vivas da infância

por oficinadepsicologia, em 15.01.10

Autora: Irina António

Psicóloga Clínica

 

 

“Estou farta! Cada vez que vou a casa dos meus pais, saio dali irritada. Mas porque é que a minha mãe continua a tratar-me como se eu fosse uma adolescente de 12 anos, faz umas conversas que não me dizem nada, perguntas a que não tenho vontade de responder?” – lamenta a Teresa de 35 anos, funcionária do departamento de sinistros numa companhia de seguros, que mesmo em situações de maior stress consegue manter o domínio sobre as situações. Mas basta passar a porta da entrada da casa dos pais, e ela, como Alice no País das Maravilhas, começa a “diminuir em tamanho” e as perguntas da mãe entram nos seus ouvidos como intrusos ressuscitados dos tempos passados. A Teresa diz que começa a sentir-se invadida e desrespeitada e perde toda a capacidade de manter uma conversa de adultos.

 

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publicado às 08:52

Acrescentos

por oficinadepsicologia, em 15.01.10

Autora: Inês Alexandre

Psicóloga Clínica

 

 

Bom dia Dra!

Bom dia! Mas que boa disposição…

Hum, não sei se lhe diga a verdade ou não.

Então? Sobre o quê?

Sobre a minha disposição.

Mas não é para isso que aqui está?

Sinceramente, já não sei bem…porque ando por aqui. E na verdade ando a sentir-me bastante irritada. Por estas conversas nossas andarem a revelar-se tão importantes para mim. Esta minha dificuldade no corte deixa-me apreensiva.

É natural, sobretudo com a sua história.

Ah, quer dizer que não acontece sempre assim.

Não.

 

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publicado às 08:43

O acidente

por oficinadepsicologia, em 15.01.10

Autor: Nuno Mendes Duarte

Psicólogo Clínico

 

 

A valeta doutor. Eu lembro-me da valeta. Como é que posso falar do que não me quero lembrar. Posso acender este cigarro? Importa-se, doutor? Claro que não se importa… As pessoas não se importam de aturar quem sofre. Sim, porque eu sei que me está a aturar. No fundo, que é que quer de mim, ah claro, eu é que vim ter consigo. Engana-se. Eu não vim ter consigo. Eu estou aqui. Mas não vim ter consigo. Porque eu não consigo estar com ninguém agora… sou uma amálgama de destroços de carro embutidos em mim. Oiço berros de vidros estilhaçados e gemidos de ferro torcido que surgem do vento. A valeta. A valeta era uma poça de sangue. Cor de rubi, escarlate, sangue vivo que se esvai de um corpo que ainda corre para apanhar a vida, que já começou a fugir pela ladeira abaixo. Não sabe que isto é uma ladeira desde que nascemos. É sempre a descer e acaba a qualquer instante. Se fecho os olhos é isto que está cá. Uma valeta em tons de escarlate com cheiro a morte. Eu não me quero lembrar, mas tenho um filme a correr no limite do meu olhar. Um filme com ligação directa ao peito…

Imagine alguém sentado sobre o seu peito doutor, a fazer força. Agora experimente respirar quando o horror lhe sopra ao ouvido. O ar não entra, e há um choro sufocado que aperta ainda mais. Que vida é esta de sobressalto e tremuras? Eu não consigo pensar em entrar num carro. São varas verdes, trémulas e gelatinosas que me enchem o lugar das pernas. E o horror do sangue na valeta que não me larga a pele… não lhe cheira aqui a sangue, doutor?

 

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publicado às 08:41


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