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Privacidade Global

por oficinadepsicologia, em 05.01.13

Autora: Catarina Mexia

 

Psicóloga Clínica

 

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Catarina Mexia

"Se há no mundo alguma coisa mais irritante do que sermos alguém

de quem se fala, é ninguém falar de nós."

Óscar Wilde

 

 

As noções de privacidade e intimidade são aquisições recentes na evolução da cultura ocidental. Aliás, a título de curiosidade, antigamente as camas tinham dossel porque não existia uma dependência da casa reservada ao casal, podendo esta estar colocada num local de passagem ou partilhado por outros.

 

Até há pouco tempo, nas comunidades mais pequenas, as portas não se fechavam e era comum partilhar as casas de acordo com as necessidades e o prazer da companhia.

 

O mundo ocidental tem vindo a evoluir de uma dimensão pública para a privada. O fim dos anos 80 e o início dos anos 90, com o aparecimento da geração cocoon, foi a expressão mais clara deste movimento, que atinge atualmente contornos patológicos no Japão, com os adolescentes capazes de passar dois, três ou até sete anos fechados no seu quarto sem qualquer contato direto com o mundo exterior.

 

O aparecimento do teletrabalho, da Internet, da televisão interativa vieram favorecer este movimento centrípeto na vida das pessoas, do qual os portugueses não são exceção.

 

Paradoxalmente, ou talvez não, e na medida em que nos refugiamos cada vez mais no nosso canto, cresce o interesse por programas designados por reality shows e proliferam os blogues, de escrita ou de fotografia, os facebook,  verdadeiros diários online acessíveis a qualquer um na Internet. São ferramentas do mundo moderno que podem ser sinónimo de liberdade de expressão e possibilidade de exercer um direito da democracia, mas a verdade é que revolucionam o conceito de privacidade e o que podemos fazer com ela.

 

Quanto às "novelas da vida real", onde um punhado de pessoas são pagas para conviverem num espaço confinado, com regras específicas e num tempo determinado, com frequência me questiono o que leva estas pessoas a fazê-lo e porque tem tanto impacto junto do público.

 

O processo de construção da noção de privacidade ocorre simultaneamente com o da construção da identidade e do conceito de si próprio face aos outros. É um conceito que vai sendo alicerçado em normas, valores e crenças da cultura em que vamos evoluindo e que vamos absorvendo através do meio familiar e social desde a mais tenra infância. Este é uma das características que mais cedo começa a ser estruturada na construção da personalidade do ser humano.

 

Muitos dos comportamentos que o bebé e mais tarde a criança desenvolvem, voltados para o autoconhecimento do seu corpo e associados a necessidades fisiológicas, vão ser remetidos para a esfera do privado por modelação do meio social e familiar, nomeadamente no que respeita aos sentimentos de pudor. A forma como cada um vai viver a sua intimidade e privacidade são o resultado da forma como a afetividade é estimulada, como é respeitada a sua autonomia e como a família lida com os limites do próprio face aos pais e ao exterior.

 

Recordo-me de que há algum tempo atrás senti a necessidade de trabalhar com uma mãe e um filho pré-adolescente os limites e noção de privacidade, pois havia alguma dificuldade em compreender que o espaço da casa de banho era privado e, como tal, não era o melhor local para se entrar e contar histórias ou fazer pedidos. Mas esta mãe levou cerca de dez anos para sentir que precisava de demarcar este espaço da sua privacidade.

 

Existem algumas situações de desvio à normalidade e que podem constituir-se em áreas do foro da psicopatologia. Nestas, alterações no desenvolvimento harmonioso da esfera afectiva da pessoa enquanto criança traz alterações à forma de vivenciar o desejo e a sua capacidade de se envolver numa relação afectiva plena, gerando-se, no limite, uma dissociação entre o ato sexual, a afectividade e a relação interpessoal. Subjacente está muitas vezes o medo de entrega e problemas sérios de autoimagem e autoconfiança.

 

Qualquer um de nós, no entanto, tem características de voyeur e ou exibicionista em maior ou menor grau, sem estarem associadas ao ato sexual.

 

Contudo, uma das questões que se coloca na atualidade remete para que as nossas vidas possam ser alvo dos olhares de terceiros, sem o nosso conhecimento ou consentimento. E este é um assunto polémico, na medida em que ao fazê-lo atentamos contra uma das necessidades mais básicas do indivíduo, que é a segurança e a noção de controlo da sua vida. Mais uma vez, e paradoxalmente, fazemo-lo em nome da segurança, sendo indiscutível o seu valor em casos de violência.

 

Mas, num sentido da perversidade, ser espiado pode ter consequências sérias ao nível de um aumento da ansiedade, alterações de humor e um crescente sentimento de insegurança por desconhecimento das intenções e consequências de quem o faz. Se existir uma exposição dos factos espiados, pode haver um comportamento do indivíduo no sentido do isolamento, evitando ou recusando mesmo o contacto com terceiros.

 

Mas, o que nos atrai nas pessoas que aceitam expor a sua vida privada? Na realidade todos somos diferentes em público e em privado. O comportamento humano é produto da personalidade, mas também do meio em que nos encontramos. E a situação contém normas, rituais, regras, crenças, etc., que são interiorizadas através do nosso processo de socialização e que nos orientam para o que pode ou não ser feito em público e em privado.

 

Se para cada um de nós esta é uma verdade que reconhecemos com facilidade, ficamos sempre na dúvida se o mesmo se passa com outros, especialmente quando se tratam de figuras muito mediatizadas. Assim, quando pensamos nas "novelas da vida real", estamos a falar da outra face da moeda, ou seja, do exibicionismo mais ou menos voluntário. Como diria Andy Warhol, todos temos direito a "15 minutos de fama", mas esta só acontece se for testemunhada por outros e, para tal, algumas pessoas esforçam-se ativamente para a conseguirem.

 

A procura da visibilidade pública através da divulgação de pormenores do âmbito da nossa intimidade e privacidade está muitas vezes associada a ganhos secundários, sejam eles dinheiro ou o reconhecimento social. Tal permite recuperar alguma da autoestima perdida, que se vai reconstruindo aos poucos pelo reconhecimento do público, de amigos, dos outros. Afinal, a nossa autoestima é também resultado de um processo interativo.

 

 

publicado às 15:47

E qual a minha Patologia?

por oficinadepsicologia, em 04.01.13

Autor: Gustavo Pedrosa

 

Psicólogo Clínico

 

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Gustavo Pedrosa

Em saúde mental, existem publicações quase “bíblicas”. O DSM – IV – TR e o CID – 10 são as referências da Psicopatologia; publicações que servem de referência aos diagnósticos e às estatísticas utilizadas para as terapias. No entanto, são tão importantes, como por vezes inúteis.

 

Raramente os nossos clientes possuem um quadro clinico claro, conciso e sem comorbidez, ou seja, raramente apresentam apenas sintomas de uma patologia.

 

Acima de tudo, estas publicações são pontos de referências para os terapeutas agruparem sintomas e para dirigirem as suas diferentes formas de fazer terapia, pois servem apenas para realizar diagnósticos simples e claros.

 

Em muitos casos, estes diagnósticos são mais importante para os clientes do que para os terapeutas. A necessidade que atualmente as pessoas têm em catalogar as suas patologias e em explicar o seu mau estar, leva a que haja uma procura de uma semântica patológica.

 

Também temos que perceber que, nessa necessidade de catalogar e agrupar patologias, há muitas vezes alguns fatores sociais envolvidos. Nos anos 90 falava-se em depressão; no início do milénio o autismo e a hiperatividade foram termos que começaram a ser usados com muito mais frequência e, atualmente, muito se discute sobre as pessoas bipolares.

 

Este movimento de patologia social poder-se-á explicar pela evolução na compreensão ou desenvolvimento de programas terapêuticos para cada quadro clínico, ou simplesmente pela exposição das problemáticas que anteriormente eram escondidas do panorama social.

 

As perturbações do desenvolvimento foram também muito exploradas nos últimos anos. Como referido acima, o autismo e a hiperatividade são termos que atualmente estão muito presentes no contexto escolar.

 

Também relativamente a outras patologias presentes na fase de desenvolvimento, notou-se que os familiares começaram a procurar nomes para os sintomas. Muitas vezes notamos que, por exemplo na deficiência mental, se procura saber qual a síndrome que explica a razão da existência dessa deficiência. Claro que, neste caso, além da categorização, há também a procura de uma razão e de um termo clinico que seja socialmente aceite mais facilmente. E, neste caso, mesmo os técnicos que não estão ligados diretamente à saúde mental, mas que trabalham com este tipo de população, perguntam frequentemente qual a causa e a patologia da deficiência mental.

 

Tudo isto serve apenas para explicar que nem sempre é fácil fazer um diagnóstico claro e conciso, pois em muitos casos existe comorbidez com diversas patologias, além dos sintomas “escondidos” ou menosprezados pelo cliente, dificultando o diagnóstico claro. E esse diagnóstico serve muito mais a compreensão e aceitação do cliente, do que a estruturação terapêutica leva a cabo pelo técnico de saúde mental.  Trata-se muitas vezes de uma estruturação pessoal e social, e não tanto de uma estruturação patológica.

publicado às 15:25

À Descoberta dos Nossos Traços de Personalidade

por oficinadepsicologia, em 03.01.13

Autora: Isabel Policarpo

 

Psicóloga Clínica

 

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Isabel Policarpo

Geralmente gostamos de perceber melhor quem somos e de como são as pessoas que nos são mais importantes. Neste sentido, e tendo como ponto de partida a teoria dos “Cinco Factores de Personalidade” – extroversão, neuroticismo, abertura à experiência, afabilidade e consciência, aqui fica o desafio de descobrir onde se encontra em cada um desses traços.     

 

É importante notar que cada um dos cinco traços da personalidade representa um intervalo entre dois extremos. Por exemplo, a dimensão extroversão representa um continuum entre a extroversão e a introversão extrema. No mundo real, a maioria das pessoas tende a estar em algum lugar entre as duas extremidades de cada dimensão. Acresce que apesar da posição relativa que tendemos a ocupar nas diferentes dimensões, cada um de nós tem ainda a capacidade de se movimentar em cada um dos eixos de acordo com as situações e circunstâncias.

 

Aqui fica uma descrição sucinta de cada um desses cinco traços que representam grandes áreas da personalidade. Cabe-lhe a si perceber como tendencialmente se posiciona em cada uma dessas dimensões e encontrar a constelação única dos seus traços de personalidade.

 

Abertura à experiência

As pessoas abertas à experiência são intelectualmente curiosas, criativas, imaginativas e mais propensas a manter ideias pouco comuns. Apreciam a arte, a aventura, a variedade de experiências e são sensíveis à beleza. 

 

Na outra extremidade as pessoas mais fechadas à experiência tendem a ter interesses mais convencionais e tradicionais. Preferem o simples, o directo e o óbvio, sobre o complexo, o ambíguo e o subtil. Privilegiam a familiaridade em detrimento da novidade, porque são cautelosas e resistentes à mudança. Podem olhar as artes e as ciências com desconfiança e/ou considera-las desinteressantes.

 

Consciência

A consciência é a tendência para mostrar autodisciplina, para agir com sentido do dever e com vista a alcançar metas pré-definidas. Há uma preferência pelo planeamento e reflexão, em detrimento de um agir baseado na espontaneidade. As pessoas tendem a ser organizadas, eficientes, conscientes dos detalhes e apresentam um bom controle de impulsos.

 

Na outra ponta da escala as pessoas têm dificuldade em regular e dirigir os seus impulsos, tendendo a ser indisciplinadas, inconsistentes e pouco confiáveis.

 

Extroversão

Esta característica inclui características como sociabilidade, loquacidade, assertividade e expressividade emocional. A extroversão é caracterizada por emoções positivas e pela tendência para procurar estimulação no exterior e na companhia dos outros. Os extrovertidos gostam de estar com as pessoas, e muitas vezes são vistos como cheios de energia. Tendem a ser entusiastas, orientados para a acção e são propensos a dizer "Sim!" ou "Vamos lá!" às oportunidades de excitação. Em grupo gostam de falar, afirmar-se e de chamar a atenção para si.

 

Na outra extremidade da escala os introvertidos têm menos necessidade de socialização e de actividade. Tendem a ser calmos, discretos, reservados e solitários. A falta de envolvimento social não deve ser interpretada como timidez ou depressão, simplesmente têm menos necessidade de estimulação e precisam de mais tempo para estarem sós. Podem igualmente ser activos e enérgicos, simplesmente não socialmente.

 

Afabilidade

Esta dimensão de personalidade inclui atributos como confiança, altruísmo, bondade e carinho.

É a tendência a ser compassivo e cooperativo, a gerar harmonia social em detrimento de uma atitude antagónica e de suspeição em relação aos outros. As pessoas tendem a ser agradáveis, atenciosos, simpáticos, generosos e a ter uma visão optimista da natureza humana.

 

Na outra ponta da escala os indivíduos pouco afáveis colocam o interesse próprio acima do dos outros. Tendem a ser despreocupados com o bem-estar do outro e menos propensos a entenderem-se com os demais. O seu cepticismo sobre as pessoas em geral, faz com que sejam desconfiados, hostis e pouco cooperativos.

 

Neuroticismo

Esta dimensão da personalidade inclui a tendência para experimentar facilmente emoções desagradáveis como ansiedade, raiva, irritabilidade, instabilidade emocional, tristeza e vulnerabilidade. São pessoas emocionalmente reactivas e vulneráveis ao stress e a estímulos aversivos. Têm tendência a interpretar situações normais como ameaças e vivenciam as pequenas frustrações como situações irremediavelmente difíceis. As suas reacções emocionais negativas tendem a persistir por períodos longos de tempo. A dificuldade na regulação emocional diminui a capacidade da pessoa para pensar com clareza, tomar decisões e lidar de forma eficaz com o stress.

 

Na outra ponta da escala, os indivíduos que pontuam baixo nesta característica são menos reactivos. Tendem a ser calmos, seguros e emocionalmente estáveis.

 

publicado às 20:06

Sabe o que deve fazer se ficou sem emprego esta manhã?

por oficinadepsicologia, em 02.01.13

Autora: Cristina Sousa Ferreira

 

Psicóloga Clínica

 

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Cristina Sousa Ferreira

Ficou sem emprego esta manhã? Não sabe o que fazer? Então siga-nos...

 

1-      Telefone, envie mails, contacte pelo menos 10 dos seus amigos mais próximos nas próximas horas e conte-lhes o que aconteceu. Dá-lhe algo para fazer e, para além disso,  contar a sua história ajuda-o a sentir-se menos mal.

 

2-  Tenha uma conversa com a sua família próxima e conte-lhes o que precisam de saber sobre a sua perda de emprego. Eles preocupam-se  consigo mas também se perguntam como se estará a sentir e como podem ajudar. Podem ter receio de perguntar, por isso “abra o jogo” voluntariamente e mantenha-os informados.

 

3- Se tem papéis legais para rever e assinar, peça uma opinião jurídica.

 

4- Mantenha-se calmo, respire, mantenha-se calmo, respire, mantenha-se calmo. Respire. Experimente este exercício disponivel no site da OP .

 

5- Se precisar de chorar, chore. Chorar não é vergonha. Chorar não vai mudar a situação mas liberta um pouco as emoções causadas pelo despedimento. Cada lágrima  tem algo para contar e traz consigo o peso das preocupações e tristezas, contribuindo deste modo para uma sensação de alívio.

 

6- Se não conseguir dormir esta noite navegue pela internet, vai ver que não está sózinho.

 

7- Vá a uma livraria ou procure on-line dicas sobre a transição de carreira e comece já a ler e aprender mais sobre o processo de procura de emprego.

 

8- Vá ao site da Oficina de Psicologia e descubra o Programa que temos para si - Brevet OPEm sessões individuais e em  Grupo pode melhorar a sua qualidade de vida, aprender a descomplicar as suas emoções e aprender e a reaprender competências diversas.

 

Há muita, muita coisa para pensar, contemplar e fazer enquanto lida com esta situação. Hoje, amanhã, este fim de semana, um passo atrás do outro, você pode fazer isto – dizer a si mesmo que vai conseguir.

Conte com a nossa ajuda e o nosso Brevet OP.

Inscrições a decorrer, basta enviar email para brevetop@oficinadepsicologia.com

publicado às 11:59

Renascer, nunca é tarde para renascer

por oficinadepsicologia, em 01.01.13

Autor: Luís Gonçalves

 

Psicólogo Clínico

 

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Luís Gonçalves

Há anos na vida em que o tempo passa... passa sem se passar nada. Um vazio de entusiasmo, de brilho e de desafios que nos entristece minuto a minuto. Os dias e as noites arrastam-se e o traço da nossa estrada esbate-se sem retorno ou conserto. Não nos apetece, não vale a pena.

 

Ficámos velhos por dentro e deixámos para trás aquele sorriso por quem os nossos avós se apaixonaram um dia. Perdemos cedo demais a inocência e achamos agora que sabemos demais. Desistimos de ser surpreendidos e apenas sobrevivemos, abdicámos de viver. Deixámos de regar a árvore da vida por não acreditarmos que ela voltasse a florescer...

E, num dia como outro qualquer, a magia acontece. Uma gota de chuva gélida entra-nos na alma pelo nosso corpo cansado do tal nada. Subitamente, apetece renascer quem somos, como se não houvesse um amanhã. Num piscar de olhos, um arrepio leva-nos ao frenesim de uma criança que corre, salta, se suja e brinca com tudo o que este e o outro mundo lhe dão. Porque para ela todos os minutos são curtos, deliciosamente curtos.

 

Brinque.

Revisite tudo o que já fez, quem amou, quem perdeu, o que conquistou.

 

Percorra outra vez o caminho que fez centenas de vezes para ir para a escola e descubra que, afinal, esta vida é mais e melhor do que nos convencemos.

 

Saboreie o seu prato preferido e acompanhe-o com a sua bebida de eleição. Tenha prazer. Volte às suas raízes, relembre a pessoa única que é e que o tempo queria apagar.

 

Ame.

Relembre que as pessoas podem ser amáveis, justas e sinceras sem pedir nada em troca. Que os nossos sonhos de infância eram a coisa mais bela e pura que alguma vez tivémos. E que vamos bem a tempo de lá chegar, porque a vitalidade do dia e a inspiração da noite jamais se perderam. Estiveram sempre lá, tal e qual as pessoas mais importantes da sua vida.

 

Sonhe.

Descobrimos até que esse passado que você e eu vivemos já não pesa. Ficámos tão leves que a liberdade que hoje sentimos nos empurra sabiamente para a felicidade. Saímos da zona de conforto que se tornou desconfortável e partimos rumo ao horizonte. É que tudo o que vivemos tornou-se uma fonte de aprendizagem que nos permite agora dar e receber como nunca, aproveitando a vida da melhor forma. A sua forma.

 

Liberte-se.

E como um menino que cai e se levanta com um sorriso traquina ou uma menina que colhe uma bonita flor no local mais inacessível do jardim, também você pode ultrapassar qualquer obstáculo. Abraçando-o. Sim porque naqueles tempos tudo parecia simples e puro, sem limites. Permita-se mesmo a fechar os olhos e deixar-se cair para trás em direção à existência, há sempre alguém que nos agarra. Deixe partir o medo e a culpa.

 

Abraçe.

Não deixe nada por dizer ou por fazer. Descanse muito mas divirta-se mais. Tire o relógio, desligue o computador e atire com o telemóvel, por breves momentos que sejam. Há sítios e pessoas que precisam de si há tanto, mas tanto, tempo. Deixe a sua marca. Viaje com a curiosidade da primeira visita de estudo. Aprenda e ensine como quando repetia a tabuada em voz alta com os seus melhores amigos. Ria-se de tudo e de nada. Declare-se à pessoa que o(a) deixa fora de si. Beije-a e dê-lhe a mão. Lembre-se do quanto ficava feliz quando o(a) convidavam para entrar num jogo ou brincadeira. Isso, convide as pessoas que o rodeiam todos os dias.

 

Sorria.

Repare que a mesma nuvem não passa outra vez. Acredite na mudança.

E tudo começou com uma simples gota. Uma gota de vida.

publicado às 17:47

Mas o que é isto que estou a sentir?!

por oficinadepsicologia, em 30.12.12

Autora: Cláudia Almeida

 

Psicóloga Clínica

 

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Cláudia Almeida

O ataque de pânico é um episódio de intenso medo ou desconforto acompanhado por pelo menos 4 de 13 sintomas físicos ou cognitivos. Tem início súbito e aumenta rapidamente, atingindo um pico (geralmente em 10 minutos) acompanhado por um sentimento de perigo ou catastrofe iminente e uma vontade de fugir.

 

Os sintomas físicos são:

- Coração batendo rapidamente / palpitações,

- Tremores,

- Tontura ou vertigem com/sem sensação de desmaio,

- Sensação de falta de ar ou sensação de asfixia,

- Dores no peito,

- Sudorese (transpiração),

- Agitação

- Náuseas ou desconforto abdominal,

- Medo de perder o controlo ou enlouquecer,

- Medo de morrer,

- Desrealização (sensação de irrealidade) ou despersonalização (estar distanciado de si mesmo),

- Parestesias (dormencia ou formigueiro),

- Calafrios ou ondas de calor.

 

Os pensamentos/cognições podem incluir a sensação de que se:

- Está fora de controlo físico e/ou emocional,

- Quer fugir do sitiu onde se está,

- Está a ter um ataque cardíaco,

- Está a desmaiar,

- Está a enlouquecer ou morrer.

 

Um ataque de pânico é uma intensa reação em cadeia, física e mental. Pode começar com uma simples sensação corporal ou um pensamento sobre algo ameaçador. Em poucos segundos, uma reação em cadeia é accionada, envolvendo pensamentos de medo, reações físicas e sentimentos de terror e desespero. Na maioria dos casos, um ataque de pânico pode começar com uma variedade de sintomas e atingindo um pico dentro de 10 a 15 minutos, sendo que depois vai gradualmente diminuindo.

 

É importante relembrar-se que está a sentir uma intensa ansiedade e o mais certo é ser desproporcional a qualquer perigo real que possa julgar estar presente nesse momento.

 

É importante relembrar-se que o pânico nunca é permanente, a maioria dos ataques de pânico nunca duram mais do que alguns minutos (em média, 4 a 6 minutos). Depois de atingir um pico de desconforto a tendência é para que a intensidade dos seus sintomas diminua.

 

Relaxe

O relaxamento é a chave para superar os ataques de pânico. As técnicas de relaxamento, tais como, relaxamento imagético, controlo da respiração e meditação podem ser praticados para ajudar a relaxar.

 

Um exemplo de controlo da respiração é a respiração lenta e profunda. Exemplo: respire calmamente e em silêncio, conte para si mesmo à medida que vai inspirando: 1 … 2 … 3 … 4 … 5…, e expire continuando a contar para si: 1 … 2 … 3 … 4 … 5 …, mantenha um pouco a respiração pelo periodo que considere confortável. Repita o processo durante cerca de cinco minutos para que o equilíbrio de oxigénio e dióxido de carbono possa voltar ao normal. Este é um processo muito eficaz quando utilizado aos primeiros sinais de um ataque de pânico.

 

Alguns pontos-chave que se deve ter em consideração são:

- Não evitar situações ou atividades habituais;

- Evitar a auto-medicação;

- Evitar o desenvolvimento de hábitos prejudiciais.

publicado às 14:21

Solidão: Querer partilhar a vida e não ter com quem

por oficinadepsicologia, em 29.12.12

Autora: Tânia da Cunha

 

Psicóloga Clínica

 

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Tânia da Cunha

Um dos maiores problemas do nosso tempo é, sem dúvida, a solidão.

 

Podemos falar de dois tipos de solidão: por um lado, o isolamento emocional, correspondente à falta de uma relação profunda e emocionalmente satisfatória com alguém, por outro lado, o isolamento social ou ausência de um círculo de amigos emocionalmente suficiente.

 

Podem sentir-se sós todos aqueles que, por uma razão ou por outra, não sentem as suas raízes, sentindo-se isolados, ou até todos aqueles que de alguma forma, se sentem abandonados, traídos, rejeitados e incompreendidos.

 

Sentir-se solitário é sentir-se desligado, separado das pessoas que são importantes do ponto de vista emocional. Podemos sentir-nos sozinhos mesmo quando nos encontramos rodeados por outras pessoas.

 

Uma das maiores conquistas dos nossos tempos é precisamente a consciência de que a solidão é algo que merece a nossa atenção, na tentativa de determinar como será possível dar a volta e conviver o melhor que possa com este sentimento. Neste sentido, deixo-vos algumas reflexões a considerar:

 

- Não precisamos forçosamente de outras pessoas para sentir alegria – procure desfrutar de experiências que realiza sozinho. Claro que, também poderá sentir prazer em partilhar alguns desses momentos com outras pessoas, mas tente não considerar que essas experiências são menos válidas se forem vivenciadas sozinho.

 

- Elabore uma lista de coisas de que gosta de fazer e construa uma nova estrutura da sua vida. Se ,por exemplo, manteve um relacionamento prolongado que acabou recentemente, ou os seus filhos acabaram de sair de casa, é possível que sinta solidão ao ver a sua rotina alterada. Este vazio pode ser preenchido com novas atividades.

 

- Se não fizer pequenos esforços pode passar na realidade a achar a sua companhia bastante desagradável, valorize a sua própria companhia! Se estiver com outra pessoa é possível que queira preparar uma refeição elaborada e requintada, mas se estiver sozinho aquece apenas um prato rápido para comer diante da televisão ou computador. Deste modo, está a indicar a si mesmo que não é digno de tanto trabalho e tempo e só o tempo que despende para os outros é valorizado.

 

- E porque não inscrever-se em clubes já existentes e começar a dar alguns jantares e pequenas festas? Despois de ter decidido apreciar a sua própria companhia, faça alguma coisa em relação à sua vida social, saindo mais para conhecer novas pessoas.

 

 

 

 

publicado às 10:52

Autora: Susanne Marie França

 

Psicóloga Clínica

 

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Susanne França

Os resultados de um estudo efectuado na Mayo Clinic nos Estados Unidos, apontam para uma associação entre a vivência de experiências traumáticas na infância e na vida adulta e o desenvolvimento da Síndrome do Cólon Irritável (SCI).

 

Na realidade, há muito que se acredita que o stresse e ansiedade estão associados aos sintomas característicos desta síndrome. E parte deste stresse e ansiedade poderá provir de experiencias traumáticas, uma vez que cerca de 50% das pessoas diagnosticadas com SCI reportam terem sido vítimas de abuso sexual na infância.

 

Todavia, um dos factores cruciais neste estudo é a chamada de atenção para o facto de existirem outras formas de trauma associadas à SCI que no passado têm sido provavelmente ignoradas. Referimo-nos a experiências como a morte de um ente querido, catástrofes naturais, divórcio, acidentes, etc.

 

É importante salientar que os resultados deste estudo apontam para o facto de que pessoas com SCI reportam experiências presentes e/ou passadas de trauma quando comparadas com pessoas sem SCI. Acredita-se que situações de trauma poderão estar na origem de um desequilíbrio na relação entre a mente e o intestino, nomeadamente no controlo dos músculos e nervos intestinais.

 

Existem diversas abordagens terapêuticas que podem ajudar no processamento de experiências traumáticas e no controlo dos sintomas da SCI. A Hipnoterapia Clínica tem excelentes resultados no controlo e atenuamento da sintomatologia associada à SCI, e o EMDR é a terapia de eleição para o processamento de experiencias traumáticas.

 

Uma abordagem integrativa e focada em objectivos bem delineados e realistas pode contribuir para facultar uma melhor qualidade de vida às pessoas com SCI, cuja sintomatologia pode ser de tal modo debilitante ao ponto de condicionar o funcionamento quotidiano e o bem-estar emocional e físico.

 

 

 

Fonte: American College of Gastroenterology (2011, October 31). Psychological traumas experienced over lifetime linked to adult irritable bowel syndrome. ScienceDaily.

 

publicado às 11:23

Meses Difíceis

por oficinadepsicologia, em 21.12.12

Autor: Gustavo Pedrosa

 

Psicólogo Clínico

 

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Gustavo Pedrosa

Muitas vezes, após o Verão, os clientes tendem a falar-nos de meses de “depressão”, meses difíceis. Mas serão mesmo os piores meses para quem sofre de depressão? Será mesmo a pior altura do ano para as pessoas com predisposição para a Depressão?

 

Primeiro há que clarificar o porquê das pessoas ficarem com maior apatia ou aparente tristeza nos primeiros dias de Inverno. Tudo está relacionado com o quotidiano, com o regresso às rotinas após as férias, com o inicio das aulas, com os dias mais frios e com menos horas diárias de luz, sintomas ampliados pela mudança horária, que pode implicar um menor contacto social e uma menor motivação para “sair de casa”. Chegam os dias descritos como “dias de sofá”...

 

A menor exposição com a luz solar leva a ligeiras alterações hormonais, que nos podem deixar menos activos ou com maior procrastinação, mas estes sintomas não deverão ser confundidos com depressão, pois a Depressão Major tem critérios que não se enquadram nesta astenia temporal e vão muito mais além dela.

 

Tal como a “Astenia de Outono”, se assim a podemos chamar, a Depressão envolve perca de interesse, lentificação psicomotora e perda de energia. Mas a Depressão envolve também sintomas como o choro e a irritabilidade ou, mais importante, a sensação de vazio e de tristeza.

 

As alterações de sono e do apetite são comuns, tal como as alterações de peso, a fadiga recorrente, pensamentos de desvalorização ou culpa excessiva. E podem até aparecer pensamentos recorrentes sobre a morte. Tal como todas as psicopatologias, a Depressão tem que cumprir uma linha temporal em que os sintomas são persistentes.

 

Ao contrario da normal “preguiça” no fim de semana de Inverno e da menor vontade de realizar tarefas fora das nossas rotinas habituais ou das nossas obrigações, que nem todas as pessoas sentem de igual forma, a Depressão é algo de mais profundo, mais concreto no diagnóstico e no que toca a sintomas, que não depende apenas do ambiente exterior ou dos dias mais ou menos solarengos.  Para o tratamento da Depressão existem protocolos terapêuticos específicos, diferentes dos criados para lidar com a desmotivação ou a astenia.

 

No entanto, se tem dúvida relativamente aos sintomas sentidos ou às alterações sofridas nestes meses outonais e de invernia, não há nada melhor do que contactar profissionais indicados para o diagnostico dos mesmos.

publicado às 11:25

Será que Existem Mesmo Traços de Personalidade?

por oficinadepsicologia, em 20.12.12

Autora: Isabel Policarpo

 

Psicóloga Clínica

 

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Isabel Policarpo

Identificar as características e a estrutura da personalidade humana afigurou-se, desde sempre, como um dos objectivos fundamentais da psicologia. Neste sentido, foram sendo realizados ao longo do tempo estudos com o intuito de descobrir as dimensões e/ou traços que permitiriam descrever a personalidade humana.

 

Existem várias modelos de traços de personalidade, mas um dos que é mais utilizado na psicologia dada a sua robustez para compreender a personalidade é o dos “Cinco Factores da Personalidade”, de Costa & McCrae. De acordo com este modelo os cinco traços de personalidade são - Extroversão; Neuroticismo; Abertura à Experiência; Afabilidade  e Consciência.     

 

A consistência deste modelo advém, não só do facto do mesmo ter sido descoberto e definido por diversos pesquisadores independentes, mas decorre também do facto de posteriormente ter sido demonstrada a sua universalidade.

 

Hoje assume-se que as cinco dimensões gerais do modelo contêm os traços de personalidade mais conhecidos, configurando-se ainda como a estrutura base sobre a qual assentam todas as outras características ou traços de personalidade.

 

De algum modo pode dizer-se que esses cinco traços de personalidade representam as qualidades mais importantes que moldam a nossa paisagem social.

 

A ideia de que existem traços de personalidade é fácil e acessível. Todos nós temos a noção de que existe alguma consistência na forma como cada um de nós e dos outros se comporta ao longo do tempo, sendo assim fácil dizer que, por exemplo, determinada pessoa é reservada enquanto outra é extrovertida.

 

Os traços de personalidade podem assim ser equacionados como padrões habituais de comportamento, pensamento e emoção. Afigurando-se como características que são relativamente estáveis ao longo do tempo.

 

Ter um traço de personalidade não implica que as pessoas se comportem sempre da mesma maneira, todos nós apresentamos alguma variabilidade nos nossos comportamentos não só em função da fase do ciclo de vida onde nos encontramos, mas também fruto das próprias circunstâncias, contudo isso não nos impede de perceber que cada um de nós mostra padrões de personalidade facilmente reconhecíveis ao longo do tempo.

 

Efectivamente cada um de nós tem a capacidade de se mover ao longo de cada dimensão ou traço à medida que as circunstâncias sociais ou temporais mudam. O nosso comportamento envolve e requer sempre a interacção entre os traços de personalidade e as variáveis situacionais.

 

A situação em que a pessoa se encontra, desempenha um papel relevante na forma como a pessoa reage. Cada pessoa não deve por conseguinte, ser posicionada numa das extremidades de cada um dos traços, como se de uma dicotomia fixa se trata-se, mas antes ser compreendida como movimentando-se num continuum, apresentando contudo algumas características mais frequentemente do que outras.

publicado às 11:40


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