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Expressões faciais das emoções

por oficinadepsicologia, em 06.04.12

Autora: Sandra Duarte

Psicóloga Clínica

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Sandra Duarte

Numa conversa entre duas amigas:

- Ontem esqueci-me de te enviar a morada do médico – disse a Ana desiludida.

- Não te preocupes – diz a Bárbara.

- Ficaste zangada? Era importante para ti – questionou a Ana.

- Não, não fiquei. Estás desculpada amiga – disse calmamente a Bárbara.

 

Estas amigas entenderam-se sobre um simples compromisso que ambas tinham feito. Mas mesmo assim pode ter existido alguma dificuldade no reconhecimento das emoções que uma e outra estavam a demostrar. Por exemplo a zanga, que foi questionada pela amiga A. Será que a expressão facial de cada uma das amigas estava em harmonia com o conteúdo que estavam a verbalizar, o seu tom de voz e postura corporal?

Para Ellis e Singh (1998), desde bebés que os seres humanos começam a ler mensagens emocionais expressas nas faces humanas, primordialmente das suas mães. À medida que vão crescendo e transpondo as fases da vida que se apresentam, aprendem diferentes noções das emoções. Na esfera afectiva, vai-se interiorizando que o sucesso das relações interpessoais depende, em larga escala, do modo como se percepciona correctamente o efeito que a informação que se está a transmitir/comunicar tem no outro (receptor), através da observação e interpretação da expressão facial do receptor da mensagem.

 

Mas como é que se faz essa percepção? Neste exemplo de comunicação interpessoal, visualiza-se que consoante a contracção ou a extensão de um determinado músculo da configuração da face em detrimento de outro, significa que uma emoção particular está a ser expressa. Assim uma pessoa tem a capacidade de distinguir uma face triste de uma alegre ou uma zangada de uma surpreendida.

 

Sem dúvida que não é assim tão simples. Existe uma enorme variabilidade humana, pois algumas pessoas reconhecem expressões faciais de emoção melhor do que outras pessoas, ou reconhecem expressões faciais do tipo alegre melhor do que a zangada. Geralmente as pessoas conseguem interpretar correctamente as mensagens emocionais, sendo que, de acordo com Ellis e Singh (1998), a maioria reconhece correctamente emoções pelas expressões faciais do outro, em pelo menos 80% das situações em que se encontram em interacções interpessoais.

 

Destaca-se que as dificuldades humanas no correcto reconhecimento das seis expressões faciais básicas das emoções (felicidade, medo, nojo, raiva, surpresa e tristeza), segundo as autoras podem estar associadas a problemáticas de perturbações de humor, autismo, esquizofrenia, entre outros. Neste tipo de patologias pode-se confirmar o que Shean, Bell e Cameron (2007) defendem, que a dificuldade para percepcionar correctamente expressões emocionais está relacionada, no âmbito interpessoal, com a desconfiança, a falta de relações de amizade, de intimidade ou isolamento. O facto das expressões faciais manifestadas continuadamente, serem ou não adequadas ao contexto comunicacional, verbal ou não-verbal é o factor-chave (Wolf et al, 2006).

 

Se sente esta dificuldade relacional no reconhecimento de emoções, venha saber mais sobre a criação de um vínculo relacional, a importância da interactividade de afectos entre as pessoas, a sua exteriorização pelas expressões faciais, de forma a conseguirem estabelecer esse elo de ligação.

publicado às 12:17

Estado de amor ou estado de medo?

por oficinadepsicologia, em 23.03.12
Fabiana Andrade

Autora: Fabiana Andrade

Psicóloga Clínica

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Cada vez mais dou por mim a identificar nas pessoas que me procuram, ou mesmo em amigos próximos, dois tipos de Estado. Chamo-lhe estado pois estamos a falar de um nível estrutural de ser e de viver.

 

O Estado de Amor ou o Estado de Medo.

 

Veja se isso lhe parece familiar?

Ana está infeliz no seu trabalho, todos os dias acorda sem vontade de ir trabalhar. Está num sítio com o qual não se identifica e o trabalho em si não a realiza. No entanto, não questiona sair. Seus pensamentos são: “O país está em crise; e se eu saio e não consigo trabalhar em outra coisa; eu devia era estar agradecida de ter esse trabalho”. E assim por diante, numa lista infindável de boicotes à sua felicidade e à sua capacidade.

 

Quando falamos sobre o seu sonho: trabalhar ao ar livre, viver no campo. Ela o vê como inatingível.

Pedro está infeliz na sua relação. Todos os dias se sente preso, sem energia, triste. No entanto, não questiona sair pois têm uma casa juntos, o país está em crise e essa não é a melhor altura para vender a casa. “E se eu fico sozinho?”, “E se nunca mais conheço ninguém interessante?”.

Quando falamos no seu sonho: viver fora de Lisboa, sair dessa relação, estar feliz. Ele também o vê como inatingível.

 

Essas histórias parecem familiares? A mim sim! Todos os dias trabalho com pessoas que estão infelizes no seu contexto actual mas ao mesmo tempo não conseguem sair dele pois se sentem COM MEDO. Com medo de não serem capazes de fazer transformações felizes, com medo de não atingirem resultados, com medo e com medo disso e daquilo. Esse estado de medo faz com que elas não tomem as rédeas da sua vida e fiquem presas em situações ou pessoas que trazem uma falsa sensação de segurança.

 

Aquilo que está na raiz desse estado de medo é uma desconexão precoce das suas capacidades. De alguma forma essas pessoas perderam a fé em si mesmas, nos seus recursos e nas suas capacidades, e assim, entregam a sua segurança à algo externo. O problema é que essas fontes externas não trazem segurança e sim sensação de prisão, estagnação.

 

Em oposição a este estado de medo, temos o Estado de Amor, que é exactamente o oposto. As pessoas nesse estado trazem em si mesmas (e sabem disso), os recursos, as ferramentas e as capacidades para gerir e resolver tudo em sua vida. Essa real segurança permite liberdade, permite que elas possam fazer mudanças, arriscar em direcção à sua felicidade sem sentir  medo paralisante.

 

Todos nós podemos deixar de estar e de viver em estado de medo e passar a viver em estado de amor se assim o quisermos. A psicoterapia é uma ferramenta nesse sentido. Permite à pessoa conhecer-se melhor, aceitar-se tal como é, entrando em contacto com as suas capacidades.

Permite também fazermos uma distinção do que são as nossas capacidades reais e do que são crenças negativas que interiorizamos sobre nós mesmos, ao longo dos anos e que servem de boicote à nossa felicidade.

 

É um trabalho cujo objectivo final é esse mesmo, voltar à conectar o indivíduo com o seu estado de amor, por si mesmo, pelos outros e pelo mundo, acabando com os “e se” e com “porque eu não faço, ou não sou”. Passamos então a funcionar num estado de permanente observação, consciência, concentração, foco, acesso à todas as nossas capacidades e dimensões de nós mesmos, com total aceitação.

 

É por isso que me sinto todos os dias feliz por fazer o que faço. Assim, tenho a oportunidade de observar e participar dessa fantástica viagem do indivíduo ao encontro de si mesmo.

publicado às 10:47

A poesia e a psicoterapia

por oficinadepsicologia, em 21.03.12

Autor: Gustavo Pedrosa

Psicólogo Clínico

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Gustavo Pedrosa

A criação do poema é tangente ao inicio do processo terapêutico. 

 

Estabelecemos um objectivo e, com base no sonho, emoção e sentimentos, damos cor e vida a uma sincronia de palavras e frases, dançando com estímulos, personagens e caminhos, que tentamos ordenar numa mistura entre o real e o que é apenas percepção.

Descrevemos sentimentos, desejos e o que antecipadamente imaginámos, mas o mais complexo é confrontarmo-nos com a definição da nossa própria personagem.

 

Como no filme "Florbela", no qual o evoluir das cenas permite ouvir o queimar dos cigarros com maior intensidade, como uma aliteração que nos transporta para a vivência do texto, também o terapeuta, durante o relato, se serve da empatia para a vivência de uma vida que não é a sua. 

São caminhos de um mapa claro e fácil, pelo menos na ideia inicial, na inspiração. No final, mesmo sem nada rimar, mesmo sem ponto em comum com o pretendido, tudo nos faz sentido.

publicado às 10:37

Quando procuramos a pessoa errada e repetimos os erros

por oficinadepsicologia, em 05.03.12

Autor: António Norton

Psicólogo Clínico

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A perpetuação de ciclos disfuncionais

 

 

António Norton

Todos nós vivemos em interacção com outras pessoas e muito do nosso bem-estar e da nossa satisfação interior provém das relações que estabelecemos com as outras pessoas.

 

 As nossas interacções começam desde os primeiros momentos de vinculação. Desde as primeiras experiências de prazer oral e de negação desse e de outros prazeres, que vamos aprendendo a interagir com as pessoas que nos rodeiam.

 

Primeiramente com as figuras máximas de vinculação, ou seja, geralmente os nossos pais, depois com os familiares e amigos dos pais, quer crianças, quer adultos e mais tarde com as crianças da pré-primária, primária e por aí fora. Nascemos e crescemos em relação.

 

Podemos ter desde sempre relações funcionais, em que aprendemos o que esperar das nossas figuras de vinculação e vamos crescendo e explorando o meio-ambiente, sabendo que temos um porto seguro, que são os nossos pais. Quando assim é falamos de uma vinculação segura.

Mas, também podemos ter desde os primeiros estádios de vida relações disfuncionais, em que vemos os nossos pais ansiosos ou altamente angústiados ou cheios de tristeza e desenvolvemos uma vinculação insegura em que não sabemos como lidar com as figuras de vinculação, pois não sabemos se poderão estar ansiosas ou deprimidas e se poderão estar ou não receptivas às nossas necessidades.  

 

Podemos ainda ter relações altamente disfuncionais, em que vemos os nossos pais como figuras ameaçadoras para nós que tanto nos batem, como nos dão amor, de uma forma aparentemente incompreensível para nós.

 

Estes estilos de vinculação, estes padrões de vinculação criam-se e desenvolvem-se desde tenra idade, e de uma forma ou de outra, tendem a se perpetuar, pois as nossas emoções, como resposta aos comportamentos das nossas figuras de vinculação ficaram condicionadas de uma determinada forma.

 

Cada pessoa é um mundo único e traz consigo as várias memórias de vinculação que viveu, sejam elas verbais ou pré-verbais. Traz condicionamentos, traz respostas emocionais adaptativas que a levaram a se comportar de uma determinada forma em determinadas situações primárias, ou seja que remontam aos primeiros estádios de vinculação.

Cada pessoa traz essa herança que viveu durante a formação do seu estilo de vinculação e quando parte para uma relação traz consigo essa herança. Traz o seu estilo de vinculação.

 

É importante perceber que quando falamos de respostas emocionais adaptativas a estilos de vinculação, estamos a falar de algo muito anterior à palavra escrita ou falada. Estamos no domínio do pré-verbal. São memórias muito antigas e que se desenvolveram para nos proteger. Aprendemos como reagir perante determinadas figuras com determinados estilos de vinculação.

Uma vez que aprendemos a lidar com determinados estilos vamos ter tendência para, ao longo da nossa vida procurar pessoas que correspondam ao mesmo estilo de vinculação. Quando falamos de estilos de vinculação não seguros então vamos ter tendência a procurar pessoas não seguras.

 

E obviamente surgirá uma pergunta completamente legítima: Porquê? Diz o leitor:  “Devíamos era fugir a sete pés de pessoas que vão lidar connosco como lidaram os nossos pais”.

 

Compreendo perfeitamente o seu espanto, mas a questão é que por muito desconfortável que possa ser a interacção com figuras de vinculação inseguras a verdade é que algures no nosso passado remoto aprendemos, de alguma forma, a lidar com estas figuras e, portanto, de algum modo, o nosso organismo vai procurar o que lhe é confortável e conhecido.

 

Mas a verdade racional é que é muito dificil ter uma relação amorosa satisfatória quando existe insegurança, quando não conseguimos confiar, quando não nos conseguimos entregar, quando temos ciúmes patológicos, quando sentimos raiva quando o nosso companheiro quer fazer amor connosco, quando o nosso corpo se fecha e não responde sexualmente e.t.c.

Todos nós queremos relações em que possamos amar e ser amados, numa palavra em que possamos dar e sentir segurança.

 

O que é que acontece quando duas pessoas não se entendem numa relação amorosa? Podem ficar juntas ou se separar. Se ficam juntas podem pensar:

“O amor vai ultrapassar todas as barreiras e vamos ficar bem”

Se ficam separadas podem pensar:

“Vou sofrer muito, mas o tempo tudo cura e eu vou ficar bem e encontrar a pessoa certa para mim”.

Ambas as ideias podem ser perigosas.

 

E porquê? Porque sem psicoterapia as pessoas vão ter tendência a repetir os mesmos padrões de vinculação. E por muito amor que tenham uma pela outra vão manter o seu analfabetismo na capacidade de se relacionarem uma com a outra. Sem psicoterapia é como se continuassem com vendas nos olhos a chocar contra as paredes e contra o parceiro, sem realmente o ver, porque não se conseguem ver a sí próprias.

Sem psicoterapia dificilmente vão quebrar os automatismos que trazem e que disparam perante determinada expressão facial, determinada expressão emocional, determinado gesto ou inflexão de voz. Não basta amar. O amor dificilmente será suficiente.

 

A segunda ideia também é perigosa. A pessoa até pode acabar a relação disfuncional, mas normalmente acaba por repetir o padrão que traz consigo, mas, desta vez, com outra pessoa, que normalmente apresenta o mesmo padrão de vinculação que a anterior e o sofrimento vai apenas repetir-se.

 

Muitas vezes as pessoas surgem em psicoterapia depois de terem repetido vezes sem conta estes padrões e terem tido relações disfuncionais.

Eu penso que infelizmente existem muitas relações interpessoais disfuncionais e felizmente existe a Psicoterapia para procurar dar resposta e ajudar a pessoa a ter auto-conhecimento da sua forma de interagir e dos seus ciclos interpessoais disfuncionais.

É mesmo importante que a Psicoterapia seja cada vez mais vista com seriedade e com urgência perante a sua mais valia na forma de ajudar pessoas que perpetuam ciclos interpessoais disfuncionais.

 

Pense nisto! Às vezes nem o tempo nem o amor chegam! É preciso algo mais!

publicado às 10:47

Terapia não é dar conselhos...

por oficinadepsicologia, em 02.03.12

Autor: Susanne Marie França

Psicóloga Clínica

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Susanne Marie França

"A única coisa a fazer com os bons conselhos é passá-los a outros; pois nunca têm utilidade para nós próprios"
Oscar Wilde 

 

Fiquei intrigada quando no outro dia uma paciente me perguntou se devia terminar uma relação afectiva com um rapaz com quem namora há dois anos. Andava baralhada e insegura, e o último terapeuta tinha-lhe dito que aquela relação era doentia, e que provavelmente seria terminar a relação….pois estava a agravar a depressão!

 

Por vezes confunde-se psicoterapia com dar conselhos. Muitos pacientes fazem-nos perguntas acerca da nossa opinião de como devem agir ou pensar...E muitos psicoterapeutas, caem na tentação de expressar essa opinião…e lá sai um conselho! Ninguém está a dizer que o terapeuta não é bem-intencionado, e que a opinião até nem é a acertada, mas terapia não é dar conselhos! Os pacientes e terapeutas têm uma relação forte, mas é uma relação terapêutica, que com o tempo e solidificação permite que o paciente seja o seu próprio “conselheiro”.

 

Se os pacientes necessitassem de conselhos não recorreriam a um terapeuta. Por vezes, já estão fartos de opiniões que os irritam e baralham… É o vizinho do lado que não se inibe de dizer o que pensa…é o pai…a mãe….o amigo…o tio….

 

A vulnerabilidade de um paciente que procura ajuda, pode torná-lo altamente sugestionável e sedento de aconselhamento, na tentativa de conseguir aliviar o desconforto e inquietação emocional. O papel do terapeuta será certamente ajudar ao paciente a lidar com esse desconforto, mas dar conselhos será, no meu ponto de vista, satisfazer mais uma necessidade do terapeuta do que do paciente, e adiar um processo terapêutico, que por sua vez pode ter repercussões bastante serias e nefastas para o paciente e sua vida pessoal.

 

publicado às 11:08

O Sr Homeostase e o Sr Homogénese

por oficinadepsicologia, em 15.02.12

Autora: Joana Fojo Ferreira

Psicóloga Clínica

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Joana Fojo Ferreira

Eu sei, eu sei, dois grandes palavrões; mas passo a apresentá-los.
De uma forma simplista, poderíamos dizer que há duas motivações base para procurar terapia: “Ajude-me a voltar a ser o que era”, ou “Não gosto da minha vida, ajude-me a mudá-la”.


O primeiro discurso é o discurso do Sr. Homeostase, que procura recuperar o equilíbrio inicial, voltar ao estado de base; o segundo discurso é o discurso do Sr. Homeogénese, que também procura equilíbrio, mas integrando as novas exigências/desafios e as novas conquistas numa nova versão de si.


De certa forma o Sr. Homeoestase anda à procura de recuperar o passado, e o Sr. Homeogénese anda a tentar preparar-se para o futuro.
Ao Sr. Homeoestase eu tenho o cuidado de alertar que voltar ao que era implica continuar vulnerável ao tipo de coisas que o trouxeram ao que está hoje. Ao Sr. Homeogénese eu tenho o cuidado de sensibilizar para o risco de perder o rumo caso não integre o que ficou para trás.
Com qual dos senhores gosto mais de trabalhar? Eu cá confesso que eu gosto mesmo é quando eles se cruzam na sala de espera e começam a trocar ideias. Porque é quando me chegam preparados para integrar o passado numa narrativa presente que os ajude a construir um futuro diferente, que eu sei que chegaremos a bom porto.

publicado às 12:54

Conseguir maior autocontrolo com a ajuda da voz interna

por oficinadepsicologia, em 26.01.12

Autora: Irina António

Psicóloga Clínica

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Irina António

Sabia que o hábito aparentemente estranho de falar consigo mesmo, pode ser uma boa ferramenta para conseguir uma maior sensação de autocontrolo?


 “Enviamo-nos constantemente mensagens na tentativa de controlar o nosso comportamento: pedimos para continuar a andar quando nos sentimos cansados, para parar de comer quando nos apetece comer ainda mais uma fatia de bolo ou contermo-nos quando nos apetece descarregar em alguém durante uma discussão”, explica a doutorada em filosofia Alexa Tullett, autora principal da investigação “A voz do autocontrolo: bloqueio da voz interna leva a aumento das respostas impulsivas”, publicada no jornal Acta Psychológica.


Alexa Tullet e o professor de psicologia Michael Inzlicht, ambos da Universidade de Toronto Scarborough, com a ajuda de voluntários fizeram uma série de testes de avaliação do autocontrolo que consistiam na resolução de um exercício no computador. Para testar o efeito da falta da voz interna, foram tomadas medidas no sentido de bloquear a possibilidade de recorrer à mesma para perceber como este factor influencia a capacidade de executar a tarefa


 “Com base nos resultados de vários testes percebemos que as pessoas agem mais impulsivamente quando não podem recorrer à sua voz interna e falar consigo mesmo no processo de execução da tarefa, refere Inzlicht. Incapacitados de expressar pelas palavras as mensagens dirigidas a si mesmo, as pessoas não se sentem tão aptos de controlar bem o processo”.  


Pelas palavras da Alexa Tullett, não existe nenhuma novidade no facto de se saber que as pessoas desenvolvem diálogos internos, mas não havia uma ideia clara sobre a importância desta voz. Agora percebe-se que o diálogo consigo mesmo através da voz interna ajuda às pessoas a conseguir uma maior sensação de autocontrolo e impede-as de tomar decisões por impulso. Curiosamente, segundo psicólogos da área de desenvolvimento, a voz interna representa um dos nossos mecanismos mais primários de autoregulação.


Faça experiências com a sua voz interna nos momentos de maior agitação e de angústia e descubra o seu efeito auto-regulador.   

publicado às 10:02

Sobre a ansiedade

por oficinadepsicologia, em 14.01.12

Autora: Joana Fojo Ferreira

Psicóloga Clínica

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Joana Fojo Ferreira

Go to the heart of danger for there you will find safety
[Vai ao coração/âmago do perigo, lá encontrarás segurança]
Provérbio Chinês

Proponho uma reflexão sobre o que são e de onde vêm as perturbações da ansiedade.
A ansiedade é matreira: dirige a nossa atenção para as nossas sensações corporais ou para estímulos externos percepcionados como perigosos, para esconder o significado implícito deste medo exagerado. A pessoa ansiosa como que foge de si própria, desenvolve estratégias de evitamento que se materializam nos sintomas de ansiedade e, neste esforço de evitar o contacto com as suas feridas psicológicas, vai reforçando mais e mais a sua percepção negativa de si.

Como é que se desenvolve uma perturbação da ansiedade?
Cada vez mais se reconhece que as perturbações da ansiedade têm origem em experiências de vida dolorosas: experiências traumáticas, traições por outros significativos, respostas ineficazes a acontecimentos de vida, entre outros. Estas experiências criam feridas do self, percepções negativas de si, como incapaz de lidar com os desafios da vida, e estas feridas são tão poderosas, estão tão presentes na vida das pessoas (embora de uma forma implícita, não consciente), que as tornam hipersensíveis a qualquer situação no presente que se assemelhe de alguma forma a estas memórias dolorosas, que active a ferida. No esforço de prevenir a exposição a estas feridas, desenvolvem-se estratégias de protecção desadequadas, que são os sintomas mais visíveis da ansiedade.

Como é que se quebra este ciclo de sintomatologia ansiosa?
Apesar destes comportamentos de protecção desadequados trazerem algum alívio imediato por impedirem o contacto com as feridas, tendem a agravar o sofrimento por reforçarem a perspectiva negativa de si, como incapaz, desadequado, vulnerável…
Apesar do sofrimento imediato que acarreta entrar em contacto com as nossas feridas psicológicas e com as memórias dolorosas que lhes deram origem, é este contacto, no seio de uma relação terapêutica segura e apoiante, que permitirá atender a elementos adaptativos que não foram anteriormente processados e recuperar uma imagem de si mais positiva, capaz de mobilizar recursos para lidar de forma eficaz com os desafios da vida.

A Oficina de Psicologia reabre este mês grupos terapêuticos que se têm mostrado muito eficazes no tratamento de perturbações de ansiedade, temos grupos de ansiedade generalizada, de pânico e de fobia social. Consulte a nossa página e solicite a integração no grupo que mais se adequar à sua problemática. Não adie mais o seu bem-estar.

publicado às 11:08

Vantagens dos grupos terapêuticos

por oficinadepsicologia, em 12.01.12

Autor: António Norton

Psicólogo Clínico

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António Norton
Quais as vantagens dos grupos terapêuticos?
Já alguma vez sentiu-se estranho, diferente de todos, a pensar que tem um problema único?
Talvez a solução seja integrar um grupo terapêutico.
Existem várias vantagens em integrar grupos terapêuticos. Aqui ficam as mais importantes. 
Uma das principais vantagens é a possibilidade de receber suporte e encorajamento dos outros membros do grupo. Quando está num grupo terapêutico é reconfortante saber que existem outras pessoas que também têm o seu problema, as suas dúvidas, os seus medos, os seus receios, que, por vezes, tanto o podem assustar e fazer sentir-se estranho e anormal. Acima de tudo, num grupo terapêutico sentir-se-à menos sozinho e muito mais acompanhado.  
Os elementos pertencentes a um grupo terapêutico podem funcionar como modelos para os outros membros. Num grupo terapêutico todos os elementos aprendem e crescem uns com os outros. Quando vê alguém que começa a saber lidar com a sua perturbação, a evoluir, a descobrir formas de superar os seus problemas e os seus desafios, percebe que também para si existe esperança e percebe que a recuperação é possível. Quando alguém evolui essa pessoa serve como um modelo e uma figura de suporte para os outros elementos. O sucesso do outro ajuda a catalisar sentimentos de realização pessoal. 
Outra das grandes vantagens dos grupos terapêuticos é a de oferecer um espaço controlado, seguro e terapêutico, onde poderá ensaiar vários comportamentos que dificilmente poria em prática em contextos sociais que se tornaram aversivos para si. 
Como vê existem muitas vantagens em integrar um grupo terapêutico. 
A equipa da Oficina de Psicologia sempre preocupada com o seu bem-estar psicológico abre novamente grupos terapêuticos.
Tome nota: A primeira edição dos grupos terapêuticos de 2012 tem inicio já a 23 de Janeiro.
Não hesite e inscreva-se.

 

Referencias:

1Dies, R.R. (1993). Research on group psychotherapy: Overview and clinical applications. In Anne Alonso & Hillel I. Swiller (Eds.), Group therapy in clinical practice. Washington, DC: American Psychiatric Press.

2Manor, O. (1994). Group psychotherapy. In Petrūska Clarkson & Michael Pokorny (Eds.), The handbook of psychotherapy. New York, NY: Routledge.

3Yalom, I. D., & Lesczc, M. (2005). The theory and practice of group psychotherapy. New York, NY: Basic Books

4McDermut W et al. (2001) The Efficacy of Group Psychotherapy for Depression: A Meta-analysis and Review of the Empirical Research. Clinical Psychology: Science and Practice, 8, 98-116

publicado às 11:15

Quando a terapia faz sentido

por oficinadepsicologia, em 11.01.12
Rita Castanheira Alves

Uma cliente, nova por certo, mas tão capaz e tão permeável à terapia, ao espaço terapêutico, tão sedenta de trabalhar o que a atrapalha, de expor o que a sufoca, de partilhar com quem se recolhe com ela naquela sala uma vez por semana e onde finalmente tudo é permitido dizer, pensar, sentir. Finalmente pode estar em segurança, chorar o que a corrói todos os dias, gritar sem ser julgada. Chega ansiosa, é dona da sua hora de terapia, não quer perder um único segundo, programa como pode continuar a ir e festeja pouco tempo após iniciar o processo, as suas primeiras conquistas, segundo ela, fruto de um trabalho terapêutico que a faz respirar. Tão nova por certo e tão certa do que é a psicoterapia, de como a pode usar em benefício próprio, como tão nova na vida e tão nova na terapia se apropria desde o primeiro instante em que fica sozinha comigo na sala daquele espaço como um espaço seu, genuinamente e intensamente terapêutico. E no final termino e penso: “ É por isto que faz sentido.”


Rita Castanheira Alves

publicado às 10:11


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