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Estima por mim

por oficinadepsicologia, em 16.10.12

Autora: Ana Beirão

Psicóloga Clínica

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Ana Beirão

Podemos definir auto-estima no sentido em que cada pessoa constrói uma ideia de si própria e, ao longo da sua vida e das suas experiências, constrói uma imagem. Imagem esta que varia com o tempo. É como se construíssemos o nosso auto-retrato ao longo da vida estando sempre a modificá-lo. A auto-estima é mais do que um juízo positivo de si próprio, pressupõe a existência de consciência e auto-conhecimento.

 

É uma representação afectiva que a pessoa tem de si no que respeita às qualidades e às habilidades, assim como a capacidade de conservar na memória essas representações de forma a actualizá-las e a superar dificuldades, a aceitar desafios e a viver com esperança. É um equilíbrio dinâmico e por vezes flutuante entre sobrestimar-se e subestimar-se. Por exemplo: No emprego consegui apresentar um projecto que foi bem aceite e sinto-me muito bem e sobrestimo-me. Mais tarde, tenho uma situação em casa que não consigo resolver e desvalorizo-me. Após esse período de desequilíbrio acalmo-me e volto a lembrar-me das minhas forças e qualidades e recupero a auto-estima. Assim, a auto-estima pressupõe um juízo realista de nós próprios. Um exemplo disto pode ser quando a pessoa diz de forma realista e honesta “Tenho qualidades, forças e talentos que fazem com que me atribua um valor pessoal, isso faz parte da minha bagagem, mas devo fazer face a dificuldades e conheço limitações em determinados domínios que não põem em causa o meu valor pessoal.” A auto-estima modifica-se e enriquece à medida que as experiências se sucedem e que a personalidade se desenvolve (Duclos, 2006).

 

Ter uma boa auto-estima implica integridade pessoal e consideração pelos outros. Implica também ter consciência das suas forças e dificuldades, aceitar-se no que se tem de mais pessoal e precioso. Assumir responsabilidades, ter objectivos pessoais e meios para os conseguir atingir.

 

A auto-estima é feita de 4 componentes:

  • Sentimentos de segurança e de confiança;
  • O auto-conhecimento;
  • Sentimento de pertença a um grupo;
  • Sentimento de competência;

 

Nas primeiras fases da nossa vida, aprendemos a sentirmo-nos seguros e a ganhar confiança e só depois surgem as outras componentes, componentes estas que podem ser estimuladas em todos os estádios do desenvolvimento.

 

 

Falamos muitas vezes de uma fraca auto-estima ou de uma diminuição desta. Quando tal acontece exprimimo-nos frequentemente através de sentimentos de indignidade pessoal ou de culpa e por um repúdio generalizado da vida, observável nas formas mais graves de depressão (Duclos, 2006).

 

Como dito anteriormente, a auto-estima não é fixa, e é possível encontrar estratégias para a fortalecer:

  • Identifique quais as atitudes negativas que assume e substitua-as por pensamentos positivos;
  • Seja carinhoso para consigo e cuide de si;
  • Tenha em atenção as situações - geralmente respondemos da mesma maneira a situações idênticas, pense no que está acontecer, na maneira como se sente e como poderá reagir;
  • Desenvolva as suas capacidades ao nível da experienciação das suas emoções, pensando em alternativas de resolução dos problemas; imponha limites (saiba dizer não); seja assertivo através dos seus pensamentos, emoções e desejos. Por fim seja receptivo ao que os outros têm para dizer, actuando com consciência dos acontecimentos e empatizando com as necessidades dos outros.

 

Quando em momentos de dúvida acerca de si mesmo, de como se vê, de como se sente visto(a) apreciado(a) pelos outros, pare para pensar e pergunte-se “O que estou a sentir neste momento é realista?; A avaliação que estou a fazer de mim é aceitável?; Reconheço o meu valor fora desta situação?, Quais são as minhas qualidades e  competências?; Qual o meu valor pessoal?; Como posso olhar de novo para esta situação?. Estas são apenas algumas questões que lhe podem permitir ser objectivo e carinhoso para consigo mesmo quando olha para a sua auto-estima.

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publicado às 11:18

Reflexões em torno da auto-estima

por oficinadepsicologia, em 02.10.12

Autor: António Norton

Psicólogo Clínico

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António Norton

Hoje em dia cada vez mais se fala em auto-estima e em problemas de auto-estima.

Numa sociedade cada vez mais competitiva, mais arrogante, mais fria e distante nunca se sentiu, como agora, a importância vital da auto-estima.

 

Na minha prática clínica recebo, diariamente, pacientes que dizem ter baixa auto-estima.

 

Mas afinal o que é a auto-estima?

Dito por palavras é algo muito simples. É simplesmente gostar de si, ter afecto e amor pela sua pessoa.

As palavras são simples, mas, efectivamente, muitas vezes não é nada fácil gostarmos de nós mesmos.

 

Gostaria de acrescentar outra ideia fundamental à questão da auto-estima: Ter auto-estima é, simplesmente, gostar de si porque sim, porque existe e porque é! Não é por ter um bom carro, um bom emprego, um corpo bonito ou um rosto bonito ou o que for. Para ter auto-estima, simplesmente basta sentir amor e aceitação por si. Apenas.  Nem mais nem menos do que isto.

 

Essencialmente, não precisa de Ter, mas sim de Ser. E, para Ser, não precisa de nada, uma vez que simplesmente já o é.

 

Quando um bebé é desejado e nasce, é apenas um ser minúsculo cujo cabelo muitas vezes muda de cor, cujos olhos podem mudar de cor, cujo tom de pele, por vezes, também muda. Este bebé não tem um corpo pelo qual se destaca, ou um emprego, ou um carro, ou conhecimentos e não precisa de nenhum destes requisitos para ser amado. Ele simplesmente é amado porque existe  e assim recebe o amor dos seus pais. E essa é talvez a maior riqueza sem preço que os pais podem dar aos seus filhos – o seu amor - simplesmente pelo facto de serem seus filhos.

 

Quando um bebé nasce e sente-se amado e aceite começa a amar-se a si mesmo. É nessa base de aceitação e amor que irá construir a sua identidade.

 

E quando este amor, normalmente dado pelos pais, não existe?

 

Entramos, pois, em dinâmicas condicionais de aceitação. Quando os pais apenas valorizam os êxitos, os sucessos, os objectivos cumpridos, a beleza, a inteligência então a criança vai esforçar-se sempre por agradar os pais, de modo a receber a sua atenção, reforço, afecto e amor. Aprende que, para merecer ser amado, tem de ter boas notas, ou um bom comportamento, ou ser bonito e entra numa espiral de condicionamento.

 

Passa a querer Ter, para sentir que pode Ser. Passa a viver a equação existencial de  - para eu Ser tenho de Ter - e é um forte candidato a desenvolver problemas de auto-estima. Convém não esquecer que nem sempre é possível Ter.

Então, quando não Tem, abre feridas no seu Eu vulnerável e surgem problemas de auto-estima. Aparece um sentimento de culpa, como que uma voz interior muito crítica que diz: “Tu não mereces Ser porque não Tens.

 

Outro candidato a ter problemas de auto-estima é a criança que vai crescendo com pais que por mais que ela se esforce nunca é valorizada, reconhecida, aceite e amada e aí também entramos em espirais condicionais de Ter para poder Ser.

 

O problema da auto-estima é o problema do Ser. Para se amar a si mesmo não precisa de Ter um rosto bonito, um corpo fantástico, ser inteligente, ter um carro, uma boa casa ou o que for. Precisa simplesmente de Ser.

 

Pense nisto e goste de si porque, essencialmente, é!

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publicado às 10:30

Auto-estima realista procura-se! (parte 4)

por oficinadepsicologia, em 26.09.12

Autora: Irina António

Psicóloga Clínica

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Irina António

Para última etapa de trabalho proponho experiências que ajudam a dar suporte à sua autoestima mais realista e ajustável a cada momento.

 

Experimentamos por começar a mudar frases expressas pela voz crítica. Por exemplo: “eu digo sempre disparates” em “eu digo coisas que me fazem sentido neste momento”.

 

É importante que esta nova frase esteja sintonizada com uma sensação interna “eu falo de acordo com algo que me faz sentido, e não só com o que os outros querem ouvir ou esperam de mim”.

 

Experimente procurar a modificar a cada frase “critica” de várias maneiras até encontrar uma que expresse melhor como quer ser, sentir e agir. Sensações de leveza, descontracção e satisfação podem servir como critérios seguros no caminho de construção da linguagem da sua autoestima adequada.


A Autoestima desajustada leva alguns anos para ser formada e ela é dificilmente resultado de uma situação singular. Se disser a alguém 100 vezes “não és capaz”, a 101 vez torna-se desnecessário porque a pessoa já terá essa frase como resposta automática em situações ligadas, por exemplo, ao processo de tomada de decisão. O caminho inverso da construção de autoestima adequada também necessita de tempo e de algum “treino” com certa persistência, porque habitualmente as vozes antigas não são de ceder facilmente o seu domínio. Experimente a seguinte táctica: em vez de ir contra vozes críticas, tente reforçar as vozes amigáveis. O segredo está na procura de fazer desequilibrar o esquema antigo, composto por “automatismos críticos”. Crie uma nova base que o(a) possa apoiar, inspirar em situações que o(a) vão deitar abaixo ou chamar para desistir.

 

Escreva no papel: suas capacidades, qualidades, pontos fortes, conquistas pessoais mesmo que sejam pequenas e até antigas. Pense também em recursos externos: pessoas mais próximas ou nem tanto que existiram ou ainda existem na sua vida, nos quem gosta e acredita em si. Como elas falam de si?

 

Agora experimente imaginar o seu futuro, alguns anos à frente. Como gostaria de ser? Tente construir pormenorizadamente esta imagem futurista: a sua aparência, onde está a trabalhar, com quem convive, pessoas à sua volta, o que está a fazer, como passa o seu tempo livre? Esta imagem também é um recurso importante que pode ajudar na reconstrução da sua autoestima.

 

Escreva uma lista dos seus pontos fracos, excluindo ofensas e humilhações do género “sou estúpido(a), e tente transformá-los em pontos fortes ou indicações para seu desenvolvimento pessoal. Por exemplo, “sou muito lento a pensar antes de responder” em “eu reflicto muito bem antes de responder seja a que for”. Não esqueça de recorrer a essa lista quando sentir a sua autoestima mais fragilizada e desequilibrada, ou quando voltar a criticar a si mesmo(a).

 

E claro, não esqueça do humor, um dos nossos recursos mais poderosos e inteligentes que tem um potencial inesgotável também em momentos quando estamos a perder esperança. Quando sente a sua pessoa a mergulhar nas águas amargas da autocrítica, não se iniba de cortar firmemente as frases críticas com uma canção, uma expressão humorística, um pequeno conto que gostava quando era criança. 

 

A nossa autoestima está muito ligada à necessidade de aceitação e valorização pelos outros. Queremos ser bons para eles, queremos ter relações satisfatórias com eles, porque disso também depende a nossa saúde emocional e psicológica e até a nossa felicidade. No entanto é importante definir o grau de dependência da opinião dos outros, para não perder contacto com os nossos próprios interesses e necessidade. Nós não nascemos com o dever de sermos sempre bons uns para os outros, mas podemos ser bons dentro de certos limiteis que podemos ir reajustando ao longo da vida de acordo com circunstâncias e necessidades em cada momento.

 

Autosugestões do género “sou bonito(a), inteligente, fantástico(a), comunicável, etc” têm um efeito efémero até porque não são tão importantes para construção da autoestima verdadeiramente satisfatória. Sentimos autoestima como não satisfatória não porque não somos suficientemente bonitos(as), inteligentes ou não termos feito uma melhor carreira, mas porque não nos sentimos suficientemente amados e aceites pelos outros. E para que autoestima se desenvolva como realista e satisfatória necessitamos de saber e repetir, caso necessitar vezes sem conta, que temos direito de existir e ser aceite pelo mundo tal como nós já somos, temos direito de satisfazer nossas necessidades, direito de expressar a nossa personalidade, direito de escolher, de agir e de pertencer aos grupos significativos, direito de ser independentes e ao mesmo tempo receber apoio dos outros, retribuindo reciprocamente.

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publicado às 09:13

Estratégias para melhorar a auto-confiança

por oficinadepsicologia, em 19.08.12

Autora: Cláudia Almeida

Psicóloga Clínica (OP Nacional - Porto)

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Cláudia Almeida

Sente-se confiante no seu trabalho? Qual o grau de confiança que tem em si mesmo? Quando está com os seus amigos sente confiança em si? E quando está com a sua família? E com o seu namorado/companheiro? E em relação às diferentes atividades, como apresentar trabalhos, conversar com um desconhecido, ou falar em publico? Sente-se confiante na maior parte destas situações? Sente-se confiante independentemente das situações?

Quando falamos em autoconfiança referimo-nos à segurança que cada um sente independentemente da situação em que se encontra. Apesar de sermos bons, termos competências ou capacidade para um bom desempenho num determinado domínio, não sabemos tudo. É a forma como encaramos as nossas dificuldades que nos ajuda a desenvolver/ou não a nossa autoconfiança.

 

Posso não saber algo, mas sentir-me confiante para aprender!

 

A autoconfiança estabelece uma intenção face algo e a probabilidade de ser capaz de conseguir encontrar uma forma de ter êxito.

 

Como é alguém com baixa autoconfiança?

  • Desvalorizam a sua capacidade sobre o que são capazes de fazer, sendo excessivamente críticos;
  • Assumem uma postura secundaria, tímida e reservada face aos outros;
  • Ruminam situações com possíveis resultados negativos que aconteceram no passado;
  • Tendem a fazer tudo o que podem para agradar os outros:
  • Assumem uma culpa que muitas vezes não existe.

 

Assim, podemos dizer que a falta de autoconfiança é incapacitante e limita-nos nas oportunidades que vão surgindo ao longo da vida, pondo em risco as nossas possibilidades de conseguir ter sucesso. Isto é, quando estamos constantemente a pensar que o nosso resultado não vai ser o pretendido, isto leva a direcionarmos o nosso foco de atenção para fora do nosso objetivo. Por outro lado, se formos autoconfiantes as possibilidades de obtermos sucesso são mais e favoráveis. Quando temos confiança que é possível obter sucesso, faremos tudo o que é necessário para que tal aconteça.

Se não temos conhecimento, vamos aprender.

Se não temos competência, vamos tentar adquiri-las.

Se algo de inesperado acontece, vamos tentar encontrar uma solução.

 

                O ponto de partida é o mesmo para todas as pessoas, mas é o desenvolvimento da nossa autoconfiança que irá permitir que possamos chegar mais além do que alguém que n ão a tem.


A autoconfiança elevada é claramente um trunfo.

 

Como aumentar a autoconfiança?

  • Implementar o sentido de auto-crença positivo. A forma como comunicamos connosco mesmos tem um peso importante na construção da nossa autoconfiança;
  • Criar um pensamento positivo e visualizar os resultados positivos, focando os pontos fortes e não os fracos;
  • Verbalizar para nós próprios frases e afirmações motivadoras, orientadas para a solução da situação.
  • Dizer frases e palavras de incentivo para nós próprios;
  • Ouvir musica animada, ler e ver programas inspiradores.
  • Trabalhar as lacunas que fazem com que sintamos uma baixa autoconfiança.
  • A confiança não é uma garantia de sucesso, mas um padrão de pensamento que irá melhorar a probabilidade de sucesso, a busca insistente de formas de fazer com que as coisas funcionem. A competência em qualquer coisa ou área pode ser desenvolvida através da prática, preparação e experiência. A chave para o desenvolvimento de competências, é através do envolvimento na aquisição de conhecimento, aplicando-o várias vezes até que se torne eficaz. Baseando-nos nas experiências treinadas e trabalhadas, iremos paulatinamente sentirmo-nos mais preparados, o que nos conduzirá a uma sensação naturalmente mais autoconfiança.

 

Quando nos encontramos perante uma situação em que não nos sentimos autoconfiantes, é importante perguntarmo-nos: Porque não me estou a sentir auto-confiante? De onde é que esta incerteza vem? Ao que é que estou a associar a minha auto-estima?

Quando nos apercebemos ao que associamos o nosso valor pessoal, começamos a diminuir e a destruir a nossa crença negativa que é limitante. Só nos podemos sentir dignos ou confiantes face a determinados pré-requisitos. Quando fizermos isto, vamos encontrar-nos preenchidos por uma forma de pensar em que a autoestima está sempre presente, independentemente do que possa acontecer.

 

E porque não começar já hoje a aumentar a sua auto-confiança, sem esforço, apenas usando o poder da hipnoterapia sugestiva? Vá até à nossa loja e descarregue já o programa!

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publicado às 11:15

Auto-estima realista procura-se! (parte 2)

por oficinadepsicologia, em 02.07.12

Autora: Irina António

Psicóloga Clínica

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Irina António

Continuamos a navegar no nosso universo interno, tendo como ponto de partida a autoestima não satisfatória, mais conhecida como autoestima baixa. Os passos que proponho realizar vão ajudar-lhe a adquirir uma sensação / um conhecimento mais claro sobre particularidades da sua autoestima.

 

1)      Em que áreas da sua vida a autoestima desajustada se expressa com maior regularidade e força?

 

Habitualmente destacam-se uma ou duas áreas bastante concretas. Por exemplo, nas relações interpessoais, nas relações com sexo oposto, nas competências profissionais: falar em público, na defesa da sua opinião, etc. Experimente identificá-las de uma forma ainda mais pormenorizada recorrendo aos nomes das pessoas cuja presença influencia a sensação de autoestima baixa, assim como às situações reais que salientam esta sensação. Qual é o retracto psicológico das pessoas que contacto, com as quais me sinto em clara desvantagem?

 

2)      Descubra a linguagem de expressão da sua autoestima não satisfatória.

 

Como é que costuma dialogar consigo mesmo(a) quando percebe que algo está a correr mal? O mais habitual é recorrer à linguagem de auto-recriminação e de culpa? Ou seja, em vez de focar nos erros e tentar entender o que falhou, com o objectivo de corrigir e procurar uma atitude mais ajustada a situações semelhantes, entra numa ruminação autodestrutiva ampliando o mau estar?

 

E isso acontece quando temos consciência do que se está a passar. Mas nem sempre os movimentos internos têm uma compreensão clara, às vezes o único sinal a denunciar o desconforto que temos é um mau estar geral, um desespero, uma sensação de aperto no peito. Nestas situações experimente transformar as sensações em palavras para compreender melhor as mesmas. Se a sensação pudesse falar, o que diria de si e da situação que está a enfrentar?

 

3)      Procure os elementos principais que compõem a sua autocrítica.

 

Cada expressão de autocrítica habitualmente tem como mínimo 3 elementos. Elemento Um – a nossa atitude e o nosso comportamento desajustado, e por isso criticado. Por exemplo, “outra vez não foste capaz de ficar calado(a) e contaste tudo a quem não devias!”. Neste caso o comportamento prejudicial terá na sua base a dificuldade em conter informação.

Elemento Dois – a nossa atitude ou o comportamento que trariam resultados mais satisfatórios. Ou seja, como é que faria diferente? No exemplo acima apresentado, poderia desenvolver uma conversa mais contida em relação ao tema, desviar para outro assunto, etc. 

Terceiro elemento – a figura que critica ou reprova. Claro, no caso da auto-recriminação somos nós próprios que nos ocupamos dessa tarefa. No entanto, a autocrítica é um elemento “introjectado” e adquirido na altura de infância. Enquanto pequenina a criança não sabe nem criticar, nem repreender, ela aprende a fazê-lo convivendo lado ao lado com adultos. E a medida do seu crescimento as vozes de pais, avós, professores, treinadores, confluem numa voz só, mais tarde transformando-se em voz própria que critica e reprova.

Quando estamos a ouvir alguém a criticar-nos, mais facilmente recorremos ao nosso sentido crítico para reflectir se vale ou não a pena escutar. Mas quando a voz vem do nosso interior, o distanciamento torna-se mais difícil, sendo que a sua pressão também tem uma força bem maior.

 

Para continuação deixo a proposta de uma experiência prática - testar a força e a qualidade da nossa voz autocrítica, assim como a vossa capacidade de transformar o contacto com a mesma numa experiência diferente. Encontramos em breve…

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publicado às 15:49

Gostar de si

por oficinadepsicologia, em 23.05.12

Autora: Débora Água-Doce

Psicóloga Clínica

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Débora Água-Doce

Com base em estudos sobre a Doença do Cancro da mama, percebemos que o número de novos diagnósticos por ano tem aumentado significativamente, o que me levou, sendo também mulher, a trazer-lhe algo sobre esse tema. Vou falar-lhe sobre a Imagem Corporal em Mulheres com Cancro da Mama.

 

O cancro da mama é uma das patologias que abala a estrutura física e psico-social da mulher, ao mesmo tempo que, desencadeia emoções, sentimentos e comportamentos que as deixam fragilizadas, após a confirmação de doença grave, quase sempre associada a morte. A mulher vive inicialmente em permanente ansiedade, medo e desespero, necessitando frequentemente de um espaço/tempo para poder reflectir sobre o fato de estar doente, mesmo sabendo que terá um futuro incerto e repleto de sentimentos de medo, angústia, dor e sofrimento.

A mama é considerada um símbolo da sexualidade, o que nos leva a pensar que qualquer patologia que ameace este órgão leva a uma perda de auto-estima, conduzindo a sentimentos de inferioridade e rejeição.

 

Foram inúmeras as autoras e autores que escreveram acerca da natureza simbólica dos seios. Efectivamente, os significados atribuídos aos seios estão interligados com os valores sociais e culturais. Yalon (1997) sublinha que, independentemente da óptica sócio-cultutal, a importância atribuída aos seios, ao longo dos tempos, tem sido predominantemente masculina. Os seios são considerados, sobretudo pelos homens, como sinal erótico vital numa manifestação amorosa. Representam também a beleza feminina. É inegável, portanto, que as qualidades estéticas e eróticas do seio assumem uma importância relevante na sociedade actual.

De acordo com vários autores o conceito de imagem corporal é impossível de definir claramente. Metodologicamente, e de acordo com Hopwood et al. (2001), não existe, hoje em dia, qualquer consenso face à definição de perturbação da mesma. Não há ainda uma teoria unitária que congregue todas as abordagens existentes. Cash e Pruzinsky (1990) são da opinião que é um conceito extremamente ambíguo.

Ao falarmos de Imagem Corporal, existe uma relação que devemos considerar, que é a que se estabelece entre a sociedade de consumo e o corpo. A construção social da beleza (um primeiro passo para o sofrimento).

Com base na literatura depreende-se que o conceito de imagem corporal envolve preocupações, pensamentos e sentimentos que cada pessoa possui acerca do seu corpo e da sua experiência corporal. Numa síntese acerca das concepções de vários teóricos relativamente à imagem corporal infere-se que esta não se restringe a questões de ordem estética e/ou de aparência física. Sublinham que é influenciada também pela idade, etnicidade, função e aptidões corporais, força, sensações corporais, personalidade, sexualidade, estado saúde/doença. Outros factores que se articulam com todos os referidos anteriormente são o conjunto de experiências vividas e a realidade sócio-cultural (Cash e Pruzinsky, 1990; Fallon, 1990; Brendin, 1999).

Gostaria que ficassem com a ideia de que a imagem corporal é um constructo decorrente de diferentes dimensões da experiência corporal.

 

É de igual forma importante, fazer uma abordagem mais aproximada da componente conceito de imagem corporal que se preocupa particularmente com a visão mental do self físico, ou seja, com as percepções relacionadas com a própria aparência física e estado de saúde.

Segundo Price (1999) citado por Romanek et al. (2005), a imagem corporal é conceptualizada como uma imagem mental do corpo e pode envolver diversas dimensões, tais como: a percepção que pessoa tem do seu próprio corpo; a forma como pensa sobre o seu próprio corpo; a forma como pessoa apresenta o seu próprio corpo aos outros; a satisfação face à sua aparência.

Hopwood (1993) refere que nos trabalhos em que o método de entrevista era utilizado verificou a abordagem de aspectos como a satisfação em relação à cicatriz, o impacto do linfedema, o grau em que a mulher oculta a cicatriz em relação ao parceiro, o grau em que esta recusa despir-se na frente do mesmo, a atitude e consciência relativamente à aparência física, o sentimento de deformidade, a vergonha, a atractividade sexual e a mudança da importância do seio para a mulher.

Descreve ainda que as principais ideias mais comummente abordados pelas mulheres são: a insatisfação com a aparência (vestida), a perda de feminilidade, a recusa em ver-se despida, o sentimento de menor atractividade sexual, a consciência em relação à aparência e a insatisfação com a cicatriz e com a prótese.

 

Estes factos poderão explicar, em parte, que a procura do aperfeiçoamento da própria imagem, assim como a conservação da sua integridade, são importantes elementos de motivação. Tal como Pitanguy (1992) afirma, a imagem corporal é um importante elemento dentro do complicado funcionamento de formação da identidade pessoal.

 

É importante promover o “Gostar de Si”.

Mas como é que isso se faz quando tudo parece tão difícil?

Brevemente, abordarei esse tema. Espere por mim, aqui…

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publicado às 10:00

Auto-estima realista procura-se!

por oficinadepsicologia, em 14.05.12

Autora: Irina António

Psicóloga Clínica

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(Parte 1)

 

“Tenho uma baixa autoestima"

“O meu problema principal é a baixa autoestima”

“ A minha autoestima não me permite mudar de vida”

“A baixa autoestima faz com que não consiga enfrentar o meu chefe”

“O meu marido critica-me por eu ter uma autoestima baixa”

“Tenho uma boa autoestima, mas sinto-me inseguro ”.

               

Irina António

Da polifonia dos temas que ocupam o espaço do consultório, hoje quero partilhar consigo a minha reflexão sobre um deles, a autoestima. Histórias de vida que tentam ser compreendidas e trabalhadas no processo terapêutico através de um olhar cuidadoso para vivência individual de autoestima, destacam muitas vezes experiências de sofrimento expressas por uma opinião negativa de si, uma autoimagem denegrida, um pensamento sobre si próprio como alguém insignificativo e /ou incapaz, uma dificuldade em estabelecer contactos saudáveis com outras pessoas, um sentimento de tristeza, de abandono, de desespero, de ansiedade.

 

Vista pelo prisma da sabedoria popular, a melodia de autoestima habitualmente não toca mais além da sua expressão dual: ou alta ou baixa, à semelhança da visão sobre muitas outras vivências humanas arrumadas entre o bom e o mau. No entanto, se virmos na autoestima apenas uma ideia fixa, avançaremos muito pouco tanto na sua compreensão, como no processo da sua mudança.

 

Porque a autoestima é algo que está experienciado em cada momento da nossa vida e ligado ao nível da nossa flexibilidade psicológica e à nossa capacidade de adaptação a cada contacto externo/interno. Por exemplo, podemos sentir a autoestima a descer quando nos confrontamos com os nossos limites numa ou noutra área da vida. Não existem pessoas totalmente competentes e bons em tudo, daí fazer uma autoavaliação que traz menos satisfação é natural.

 

Para não se perder nesse processo avaliativo sugiro colocar a si mesmo duas questões: o QUE é que estou a considerar como positivo ou negativo e QUE IMPACTO isso tem na relação comigo mesmo e com o nível dessatisfação que tenho com a vida. Explico melhor, por exemplo, você se autoconsidera como inapto (a) para tocar piano e nesta área a sua autoestima irá sofrer uma descida significativa. Mas que grau de importância você atribui a esta capacidade na sua vida? Ter uma atitude adequada e realista é um grande segredo nesse processo. No entanto, se apesar de reconhecer a falta de uma capacidade concreta numa esfera de pouca importância na sua vida, sentir destroçado (a) e sem perspetiva do género “não preciso de tocar como um profissional, vou experimentar e vejo que sairá disso”, podemos desconfiar que estamos perante uma avaliação negativa de si mesmo como pessoa. E o trabalho de ajustamento que a sua autoestima requer é bastante mais profundo.  

 

Falaremos sobre vários etapas deste trabalho no próximo artigo.

Até breve….

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publicado às 12:12

A auto-estima nas crianças

por oficinadepsicologia, em 03.06.11

Autora: Tânia da Cunha

Psicóloga Clínica

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  • Tânia da Cunha
    O desenvolvimento da auto-estima, auto-conceito e auto-imagem é determinado em grande medida pelas mensagens que a criança recebe dos outros em relação a si, a criança recolhe também do ambiente dados que confirmem estas mensagens dos pais, e acrescenta ainda o seu próprio material fantasioso.
  • Comportamentos que podem indiciar uma baixa auto-estima – choramingar, necessidade de vencer, trapacear em jogos, perfeccionismo, distribuir doces/ dinheiro/ brinquedos, procurar formas de chamar a atenção.
  • É importante ajudar a criança a eliminar as suas mensagens negativas e reformular as positivas.
  • Tente não contradizer a criança, quando esta expressa sentimentos negativos a respeito de si própria – a mudança surge apenas de dentro da criança – ela precisa de um espaço em que seja permitida e aceite a expressão destes sentimentos.
  • As crianças com baixa auto-estima precisam de actividades que envolvam experiências com os sentidos, focalizando as diferenças e semelhanças entre elas próprias e outras pessoas, objectos, animais, vegetais, etc. A consciência destas diferenças contribuirá para que se percepcionem com novo apreço, passando a entrar em contacto com os outros sob este novo prisma.

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publicado às 18:04

Feliz por ser quem sou

por oficinadepsicologia, em 24.04.11

Autora: Tânia da Cunha

Psicóloga Clínica

 

 

Tânia da Cunha

 

Sentir-se confortável em relação à pessoa que se é constitui uma alavanca fundamental para lidar com muitos aspectos relacionados com o stress, ainda assim, a baixa auto-estima é uma sensação muito difundida. A auto-estima tem a ver com os aspectos avaliativos que eu posso elaborar a meu próprio respeito.

 

 

Por que é que a auto-estima é importante?

  • É um factor central para o ajustamento sócio-emocional.
  • As competências sócio-emocionais derivam de uma auto-apreciação positiva.
  • A auto-estima positiva ajuda a lidar com as dificuldades.
  • As crenças acerca de nós próprios afectam a forma como desempenhamos, independentemente das nossas capacidades.
  • A baixa auto-estima afecta a qualidade das relações interpessoais.

Para intervir numa baixa auto-estima

  • É relevante focar numa área problemática;
  • Olhar para a discrepância entre eu-real e ideal;
  • Face a uma discrepância entre eu-real e eu ideal:
Mudar o eu-ideal
Mudar a percepção do eu-real
Ensinar competências para melhorar o seu desempenho numa área específica. 
Bem-me-Quero: Um workshop em 4 sessões para melhorar a auto-estima

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publicado às 20:20

Alta-estima

por oficinadepsicologia, em 03.07.10

Autor: Nuno Mendes Duarte

Psicólogo Clínico

 

Alta estima, baixa estima, se eu não estimo onde está a doçura que me faz estimar? O que é preciso que me estime, quem preciso que me estime o que é estimar? Estima, estimar, estimando, estimei-te, guardei-te, protegi-te, ensinei-te, criei-te. Estimo quando te crio e faço crescer. Estimo-te quando te amo e não te quero ver sofrer. Estimo quando vivo para te ensinar o que é viver. Viver nem sempre é fácil e não há regras para crescer. Gostamos tanto de regras no mundo explicado, algo que nos retire deste caos insano. Estimar é racionalizar um mundo caótico? Ou estimar consiste na segurança que se passa, como quem passa uvas frescas numa tarde solarenga de verão e um jarro de limonada fresca debaixo das parras, enquanto o mundo parece parar. Estimar poderá fazer o mundo parar assegurando que está tudo bem. Segurando a vida, assegurando o ser. Somos estima. Damos estima. Não sabemos o que é estimar, mas queremos que o nosso filho cresça seguro e não sabemos o que fazer às camadas de medo que nos asfixiam a estima. Estimar é ligar, ligar-se, ninguém se liga a ninguém desligado. Ninguém se liga a si quando vive oco. Oco por não aprender a estimar, por não saber que é na estima que está a humanidade. Estimar é saber criticar. A auto-crítica estabelece-se como uma aprendizagem essencial para assegurar que na vida também temos de saber corrigir o leme. Se temos uma regulação da satisfação das nossas necessidades (estima ou crítica) a cada momento, sabemos que um pai que nos ama e estima a sua crítica irá incidir não sobre quem somos, não sobre a nossa definição de nós próprios e não naquilo que nos é essencial que consiste na visão do nosso amor espelhado por ele. Ele é o nosso espelho de estima, e nós somos o reflexo que vemos. Como é que se pode crescer se o que vemos no espelho somos nós… sempre pequenos, sem alma, vazios, sem valor? A crítica serve para nos ajudar a crescer, a fortalecer a nossa alma, a encher-nos de coragem ensinando que os nossos actos é que devem ser reparados, porque nós somos bons e podemos fazer melhor, que por sermos bons é que podemos fazer melhor. E que não faz mal falhar. Não somos burros, cobardes, insignificantes, fracos porque falhámos. Constrói-se a nossa auto-estima quando sabemos o que fazer depois de falhar. Quando tomamos conta de nós se tropeçamos no mundo e já sabemos como nos podemos agarrar, confortar e dizer “upa, vamos lá!”. E nós apesar do medo confiamos. A estima ensina a confiar e se confiamos em nós confiamos nos outros. Se confiamos nos outros queremos estimá-los. Se os sabemos estimar estamos cheios, estamos bem, continuamos com medo… mas não paralisamos, porque a vida é nossa podemos escolher, temos auto-estima para arriscar, temos auto-crítica para ajustar o leme e temos todos em quem confiamos na embarcação. Boa viagem!

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publicado às 13:50


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