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Tanta roupa e nada para vestir!

por oficinadepsicologia, em 27.06.12

E tanta emoção e nada para sentir!

 

 

Autora: Débora Água-Doce

Psicóloga Clínica

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Débora Água-Doce

Cada vez mais existe uma maior oferta de estilos, as tendências surgem a um ritmo alucinante e entram na nossa vida sem pedir licença, são as montras fantásticas, as revistas com estilos brilhantes, a televisão, a internet, etc., etc., tudo é viável no que toca a publicar Moda e a questão que se coloca é: conseguimos resistir a tanta beleza?

Umas vezes, sim, outras vezes, não. Muitas vezes torna-se difícil resistir, principalmente para quem é amante de Moda ;) e claro está, adoramos que os modelitos façam parte do nosso Guarda-Roupa!

 

O facto de não conseguirmos resistir a um modelito de cortar a respiração ou a um estilo que poderá provocar muitos “estás gira!”, gera um consumo exagerado que ao fim de algum tempo, provoca o caos do Guarda-Roupa e apesar de termos looks fantásticos dentro do nosso “Armário de Sonhos” acabamos por proferir a expressão “Tanta Roupa e nada para Vestir”!

O que vestir para ir trabalhar? O que vestir para ir a uma festa? O que vestir para ir jantar fora? O que vestir para ir passear? O que vestir…?

Apesar de termos tanta Roupa, não sabemos o que fazer com ela, o que coloca a necessidade de realizar uma selecção do que é prático, do que é sofisticado, do que é versátil…

Do que nos faz sentir bem!

 

Mas… O que tem isto da Roupa a ver com Emoções?

 

Tal como as peças de Roupa que se amontoam no nosso “Armário de Sonhos”, também as nossas Emoções se amontoam na nossa Vida, gerando muitas vezes, também elas um caos, o caos Emocional.

E o que fazer com as Emoções? Para que servem elas?

Também servem para “embelezar” quem somos?

A Emoção também surge sem pedir licença! Surpreende-nos, submerge-nos e transforma-nos! Dá-nos a perfeita noção de que não somos apenas razão e autocontrolo.

A Roupa e a Emoção são comuns principalmente num aspecto: PREPARAM-NOS PARA A ACÇÃO!

Tal como na Moda, não existe o bonito e o feio, existe o gosto pessoal, também não podemos rotular as emoções de boas ou más, positivas ou negativas. Simplesmente, podem umas ser mais agradáveis e outras mais desagradáveis, ambas com o papel de nos orientar para a sobrevivência.

Há pouco, falei-vos da existência de vários tipos de roupa de acordo com determinadas ocasiões, mas, será que as emoções, quando adaptativas, também se configuram diferencialmente? Têm papéis diferentes?

Claro que sim!

As emoções desagradáveis protegem-nos do perigo e orientam-nos para objectivos e para acções específicas.

As emoções agradáveis motivam-nos para explorar o mundo que nos rodeia de forma proactiva e devolvem a harmonia depois de experiências emocionais desagradáveis.

 

A Psicanálise contribuiu para a nossa compreensão do modo como as pessoas se defendem das realidades emocionais dolorosas, mas o que torna as pessoas felizes?

Para muitas pessoas, até o simples aceitar de um elogio é algo muito difícil. Frequentemente as pessoas arranjam maneira de sabotar a sua própria felicidade, receando o risco de alcançarem o que realmente desejam, com medo que no fim as coisas corram mal!

Mas as pessoas têm essa capacidade! Está lá escondida no íntimo de nós, tal como aquele vestido rosa que ficou no fundo do armário. Ouse em procura-lo!

 

Permita-se a experienciar sentimentos bons. Permita-se a ver num perigo, uma oportunidade.

Permita-se a sentir Emoções em determinadas situações, não se conforme em conhecer a sensação de apenas uma ou duas. Permita-se a sentir o “tecido” que as caracteriza e “vista” aquelas que melhor lhe assentam!

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publicado às 10:09

Amar sem vergonha

por oficinadepsicologia, em 24.05.12

Autora: Débora Água-Doce

Psicóloga Clínica

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Débora Água-Doce

Quando escrevi o texto “Gostar de Si”, foi com o objectivo de fornecer algum conhecimento sobre a doença oncológica da mama e as vivências da mulher com diagnostico desta doença, referentes à imagem corporal.

 

Hoje trago-vos o “Amar sem Vergonha”, que não é mais do que a relação entre a Imagem Corporal em Mulheres com Cancro da mama e a sua Sexualidade.

 

Vários estudos sobre o tema, concluem que não existem diferenças significativas entre as variáveis imagem corporal e vivências sexuais, logo, não se pode concluir que exista, de facto, uma mudança nas vivências sexuais devido à alteração da imagem corporal provocada pela mastectomia ou cirurgia conservadora.

 

O que nos levam ao encontro da teoria defendida por Ducharme et al. (1988), em que a sexualidade de um sujeito não é determinada por características e/ou capacidades físicas, o que faz com que não se deva julgar o deficiente físico como impossibilitado da pratica sexual.

Barni e Mondin (1997) sublinham, a pertinência da manutenção da vida sexual das mulheres mastectomizadas no combate à imagem de doença e debilidade. Os referidos autores, constataram no seu estudo que é indispensável que as mulheres submetidas a amputação da mama, e que têm parceiro sexual, discutam com este os seus problemas desta índole. Do mesmo modo, partilhamos do ponto de vista de Payne et al. (1996), Barni e Mondin (1997), Baptista (1999) e Oliveira (2000), que consideram ser extremamente importante o facto de que as mulheres com cancro da mama, assim como outros doentes do foro oncológico, mantenham a actividade sexual sempre que possível, pois esta contribui para a conservação da saúde residual da doente, melhorando a adaptação à doença.

 

Posto isto, a explicação para uma não mudança no relacionamento conjugal devido à alteração da imagem corporal provocada pela mastectomia ou cirurgia conservadora, certamente estará relacionada com a qualidade do relacionamento sexual existente entre o casal antes da doença. Estes resultados corroboram a teoria de Pádua (2006), que defende que a qualidade do relacionamento sexual existente entre o casal será responsável não só pelo alcance e a manutenção da estabilidade emocional da mulher, mas também pelo retorno do interesse sexual numa fase mais calma da doença. Assim, após a cirurgia e com a estabilidade da doença, o casal volta a interessar-se pela vida sexual e começa a preocupar-se com o relacionamento sexual de ambos. Procuram maior intimidade, trocas de carícias, prazer e novas formas de adaptação às condições actuais da mulher a fim de tornar o relacionamento sexual mais agradável, confortável e prazeroso.

 

Sabemos que tem aumentado o número de investigações na área da oncologia, todavia a prioridade tem sido dada a estudos genéticos e biológicos sobre o aparecimento, controlo e tratamento da doença. Contudo, o orgânico não se deve separar do psíquico. A par do sofrimento físico surge o sofrimento psicológico.

 

Sobretudo em mulheres que realizam uma mastectomia, a intervenção psicológica parece tornar-se indispensável. Ajudar a mulher a lidar com as alterações corporais, a desenvolver estratégias de coping que lhe permitam encarar as mudanças na sua aparência, informando-a que a sua feminilidade continua a existir são algumas das formas como um psicólogo pode intervir.

 

O tratamento físico é fundamental, porém o psíquico igualmente o é. A saúde é uma relação de equilíbrio entre o corpo e a mente, com um certo nível de comunicação e conhecimento entre o externo e o interno. Saber o que se passa com o físico e com os motivos psíquicos relacionados a esse físico doente e a forma de conduzirmos a cura (Conte, 2003).

 

Com relação também, às Vivências Sexuais, o acompanhamento psicológico da doente e do seu companheiro torna-se fundamental ao bem-estar e à qualidade de vida de mulheres com cancro de mama. O parceiro da doente é, em grande parte dos casos, a pessoa com maior contacto directo com a doente. Ouvir, compreender e ajudar o casal a enfrentar esta nova e indesejável situação ajudará ambos os cônjuges a se reajustarem a uma série de novos papéis e funções e proporcionará uma melhor comunicação entre ambos.

 

A adaptação na vivência do cancro da mama é vista como um processo de ajustamento que envolve uma interacção entre as características do cancro e o seu tratamento, bem como avaliações cognitivas, experiências vivenciadas, esforços de coping (Osowiecki & Compas, 1999) e o respectivo suporte social.

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publicado às 10:04

Gostar de si

por oficinadepsicologia, em 23.05.12

Autora: Débora Água-Doce

Psicóloga Clínica

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Débora Água-Doce

Com base em estudos sobre a Doença do Cancro da mama, percebemos que o número de novos diagnósticos por ano tem aumentado significativamente, o que me levou, sendo também mulher, a trazer-lhe algo sobre esse tema. Vou falar-lhe sobre a Imagem Corporal em Mulheres com Cancro da Mama.

 

O cancro da mama é uma das patologias que abala a estrutura física e psico-social da mulher, ao mesmo tempo que, desencadeia emoções, sentimentos e comportamentos que as deixam fragilizadas, após a confirmação de doença grave, quase sempre associada a morte. A mulher vive inicialmente em permanente ansiedade, medo e desespero, necessitando frequentemente de um espaço/tempo para poder reflectir sobre o fato de estar doente, mesmo sabendo que terá um futuro incerto e repleto de sentimentos de medo, angústia, dor e sofrimento.

A mama é considerada um símbolo da sexualidade, o que nos leva a pensar que qualquer patologia que ameace este órgão leva a uma perda de auto-estima, conduzindo a sentimentos de inferioridade e rejeição.

 

Foram inúmeras as autoras e autores que escreveram acerca da natureza simbólica dos seios. Efectivamente, os significados atribuídos aos seios estão interligados com os valores sociais e culturais. Yalon (1997) sublinha que, independentemente da óptica sócio-cultutal, a importância atribuída aos seios, ao longo dos tempos, tem sido predominantemente masculina. Os seios são considerados, sobretudo pelos homens, como sinal erótico vital numa manifestação amorosa. Representam também a beleza feminina. É inegável, portanto, que as qualidades estéticas e eróticas do seio assumem uma importância relevante na sociedade actual.

De acordo com vários autores o conceito de imagem corporal é impossível de definir claramente. Metodologicamente, e de acordo com Hopwood et al. (2001), não existe, hoje em dia, qualquer consenso face à definição de perturbação da mesma. Não há ainda uma teoria unitária que congregue todas as abordagens existentes. Cash e Pruzinsky (1990) são da opinião que é um conceito extremamente ambíguo.

Ao falarmos de Imagem Corporal, existe uma relação que devemos considerar, que é a que se estabelece entre a sociedade de consumo e o corpo. A construção social da beleza (um primeiro passo para o sofrimento).

Com base na literatura depreende-se que o conceito de imagem corporal envolve preocupações, pensamentos e sentimentos que cada pessoa possui acerca do seu corpo e da sua experiência corporal. Numa síntese acerca das concepções de vários teóricos relativamente à imagem corporal infere-se que esta não se restringe a questões de ordem estética e/ou de aparência física. Sublinham que é influenciada também pela idade, etnicidade, função e aptidões corporais, força, sensações corporais, personalidade, sexualidade, estado saúde/doença. Outros factores que se articulam com todos os referidos anteriormente são o conjunto de experiências vividas e a realidade sócio-cultural (Cash e Pruzinsky, 1990; Fallon, 1990; Brendin, 1999).

Gostaria que ficassem com a ideia de que a imagem corporal é um constructo decorrente de diferentes dimensões da experiência corporal.

 

É de igual forma importante, fazer uma abordagem mais aproximada da componente conceito de imagem corporal que se preocupa particularmente com a visão mental do self físico, ou seja, com as percepções relacionadas com a própria aparência física e estado de saúde.

Segundo Price (1999) citado por Romanek et al. (2005), a imagem corporal é conceptualizada como uma imagem mental do corpo e pode envolver diversas dimensões, tais como: a percepção que pessoa tem do seu próprio corpo; a forma como pensa sobre o seu próprio corpo; a forma como pessoa apresenta o seu próprio corpo aos outros; a satisfação face à sua aparência.

Hopwood (1993) refere que nos trabalhos em que o método de entrevista era utilizado verificou a abordagem de aspectos como a satisfação em relação à cicatriz, o impacto do linfedema, o grau em que a mulher oculta a cicatriz em relação ao parceiro, o grau em que esta recusa despir-se na frente do mesmo, a atitude e consciência relativamente à aparência física, o sentimento de deformidade, a vergonha, a atractividade sexual e a mudança da importância do seio para a mulher.

Descreve ainda que as principais ideias mais comummente abordados pelas mulheres são: a insatisfação com a aparência (vestida), a perda de feminilidade, a recusa em ver-se despida, o sentimento de menor atractividade sexual, a consciência em relação à aparência e a insatisfação com a cicatriz e com a prótese.

 

Estes factos poderão explicar, em parte, que a procura do aperfeiçoamento da própria imagem, assim como a conservação da sua integridade, são importantes elementos de motivação. Tal como Pitanguy (1992) afirma, a imagem corporal é um importante elemento dentro do complicado funcionamento de formação da identidade pessoal.

 

É importante promover o “Gostar de Si”.

Mas como é que isso se faz quando tudo parece tão difícil?

Brevemente, abordarei esse tema. Espere por mim, aqui…

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publicado às 10:00

A solidão

por oficinadepsicologia, em 17.03.12

Autora: Débora Água-Doce

Psicóloga Clínica

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Débora Água-Doce

Sozinha no aconchego do lar, dei por mim a pensar na Solidão…

Dei por mim a pensar: o que é isso da Solidão? O que é isso do sentir-se sozinho?

Nesse momento, peguei no caderno e decidi escrever o que a solidão ditava.

Automaticamente me lembrou o caso de um paciente que tem medo da Solidão. Mas o que é isso de ter medo da Solidão?

 

Existem dois tipos de solidão: a solidão objectiva e real, quando não estamos acompanhados por alguém (em psicologia denomina-se objecto externo) e a solidão interna, subjectiva, quando o nosso interior, o nosso psíquico está vazio de pessoas significativas (em psicologia denomina-se objecto interno).

No primeiro caso há uma perda do objecto, no segundo caso há uma perda do amor do objecto.

Estar sozinho externamente é desgostoso, é aflitivo, é enfadonho, mas estar só afectivamente é incapacitante, é o sentir que está acompanhado mas está só… A solidão interna é destroçadora de auto-estima.

 

Então pensei: que tipo de solidão despertará medo ao meu paciente? Será que não adquiriu a capacidade de estar só objectivamente? Será esse o seu medo?

Ou será que se sente só “dentro de si”?

Na fase de terapia em que nos encontramos, ainda não é possível responder a estas questões, temos um longo caminho a percorrer, contudo, fica clara a necessidade de desenvolver a capacidade de estar só.

 

“Solidão externa quanto baste, solidão interna o menos possível”

António Coimbra de Matos

 

Deixo-lhe um desafio, reflicta sobre as seguintes questões:

- O que significa para si a Solidão?

- Como é sentir a Solidão?

- Tem medo da Solidão?

- Já se sentiu internamente sozinho?

 

Não prolongue a Solidão!

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publicado às 17:34

Os processos afectivos e a aprendizagem

por oficinadepsicologia, em 13.12.11

Autora: Débora Água-Doce

Psicóloga Clínica

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Débora Água-Doce

Esta reflexão pretende discutir a problemática da relação entre a vida cognitiva e afectiva, remetendo para a importância dos processos afectivos na educação. Os afectos (emoções e estados de espírito) têm sido entendidos como “cognições”, como entidades delineadas por processos cognitivos, como parte integrante das cognições ou como entidades independentes das cognições. Estas distintas abordagens têm implicações na forma como se entende o impacto dos afectos no modo como pensamos e nos comportamos.

 

Afecto é o atributo psíquico que dá valor e representação à realidade. Os afectos valorizam tudo aquilo que está fora de nós, como os factos e os acontecimentos, bem como aquilo que está dentro de nós (causas subjectivas), tal como os nossos medos, os nossos conflitos e anseios. Valoriza também os factos e acontecimentos do nosso passado e as nossas perspectivas em relação ao futuro. Existem diversos factores e acontecimentos que fazem alterar a forma como percepcionamos a realidade e os afectos podem ter uma representação negativa da própria pessoa. Para entender a afectividade é necessário compreender antes alguns elementos do mundo psíquico: as representações, as vivências e os sentimentos.

 

Durante toda a nossa vida, os factos ou acontecimentos vividos por nós são as experiências de vida e passam a fazer parte da nossa consciência. Dos factos e acontecimentos teremos lembranças e sentimentos, assim como também teremos lembranças desses sentimentos, portanto, lembrar-nos-emos não apenas das nossas experiências de vida mas também se elas foram agradáveis ou não, aprazíveis ou não. Os processos cognitivos são interpretações, não representações da realidade. São condicionados por factores importantes e apresentam uma sequência evolutiva geral, na medida em que, primeiro são os processos de observação sensorial e, em seguida, os processos de representação e do pensamento a adquirir a eficiência funcional. Dão-se em forma sensorial, racional e emocional. Os conhecimentos do indivíduo originados por seu intermédio organizam-se de modo selectivo.

 

 

 

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publicado às 13:06


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