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E qual a minha Patologia?

por oficinadepsicologia, em 04.01.13

Autor: Gustavo Pedrosa

 

Psicólogo Clínico

 

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Gustavo Pedrosa

Em saúde mental, existem publicações quase “bíblicas”. O DSM – IV – TR e o CID – 10 são as referências da Psicopatologia; publicações que servem de referência aos diagnósticos e às estatísticas utilizadas para as terapias. No entanto, são tão importantes, como por vezes inúteis.

 

Raramente os nossos clientes possuem um quadro clinico claro, conciso e sem comorbidez, ou seja, raramente apresentam apenas sintomas de uma patologia.

 

Acima de tudo, estas publicações são pontos de referências para os terapeutas agruparem sintomas e para dirigirem as suas diferentes formas de fazer terapia, pois servem apenas para realizar diagnósticos simples e claros.

 

Em muitos casos, estes diagnósticos são mais importante para os clientes do que para os terapeutas. A necessidade que atualmente as pessoas têm em catalogar as suas patologias e em explicar o seu mau estar, leva a que haja uma procura de uma semântica patológica.

 

Também temos que perceber que, nessa necessidade de catalogar e agrupar patologias, há muitas vezes alguns fatores sociais envolvidos. Nos anos 90 falava-se em depressão; no início do milénio o autismo e a hiperatividade foram termos que começaram a ser usados com muito mais frequência e, atualmente, muito se discute sobre as pessoas bipolares.

 

Este movimento de patologia social poder-se-á explicar pela evolução na compreensão ou desenvolvimento de programas terapêuticos para cada quadro clínico, ou simplesmente pela exposição das problemáticas que anteriormente eram escondidas do panorama social.

 

As perturbações do desenvolvimento foram também muito exploradas nos últimos anos. Como referido acima, o autismo e a hiperatividade são termos que atualmente estão muito presentes no contexto escolar.

 

Também relativamente a outras patologias presentes na fase de desenvolvimento, notou-se que os familiares começaram a procurar nomes para os sintomas. Muitas vezes notamos que, por exemplo na deficiência mental, se procura saber qual a síndrome que explica a razão da existência dessa deficiência. Claro que, neste caso, além da categorização, há também a procura de uma razão e de um termo clinico que seja socialmente aceite mais facilmente. E, neste caso, mesmo os técnicos que não estão ligados diretamente à saúde mental, mas que trabalham com este tipo de população, perguntam frequentemente qual a causa e a patologia da deficiência mental.

 

Tudo isto serve apenas para explicar que nem sempre é fácil fazer um diagnóstico claro e conciso, pois em muitos casos existe comorbidez com diversas patologias, além dos sintomas “escondidos” ou menosprezados pelo cliente, dificultando o diagnóstico claro. E esse diagnóstico serve muito mais a compreensão e aceitação do cliente, do que a estruturação terapêutica leva a cabo pelo técnico de saúde mental.  Trata-se muitas vezes de uma estruturação pessoal e social, e não tanto de uma estruturação patológica.

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publicado às 15:25

Meses Difíceis

por oficinadepsicologia, em 21.12.12

Autor: Gustavo Pedrosa

 

Psicólogo Clínico

 

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Gustavo Pedrosa

Muitas vezes, após o Verão, os clientes tendem a falar-nos de meses de “depressão”, meses difíceis. Mas serão mesmo os piores meses para quem sofre de depressão? Será mesmo a pior altura do ano para as pessoas com predisposição para a Depressão?

 

Primeiro há que clarificar o porquê das pessoas ficarem com maior apatia ou aparente tristeza nos primeiros dias de Inverno. Tudo está relacionado com o quotidiano, com o regresso às rotinas após as férias, com o inicio das aulas, com os dias mais frios e com menos horas diárias de luz, sintomas ampliados pela mudança horária, que pode implicar um menor contacto social e uma menor motivação para “sair de casa”. Chegam os dias descritos como “dias de sofá”...

 

A menor exposição com a luz solar leva a ligeiras alterações hormonais, que nos podem deixar menos activos ou com maior procrastinação, mas estes sintomas não deverão ser confundidos com depressão, pois a Depressão Major tem critérios que não se enquadram nesta astenia temporal e vão muito mais além dela.

 

Tal como a “Astenia de Outono”, se assim a podemos chamar, a Depressão envolve perca de interesse, lentificação psicomotora e perda de energia. Mas a Depressão envolve também sintomas como o choro e a irritabilidade ou, mais importante, a sensação de vazio e de tristeza.

 

As alterações de sono e do apetite são comuns, tal como as alterações de peso, a fadiga recorrente, pensamentos de desvalorização ou culpa excessiva. E podem até aparecer pensamentos recorrentes sobre a morte. Tal como todas as psicopatologias, a Depressão tem que cumprir uma linha temporal em que os sintomas são persistentes.

 

Ao contrario da normal “preguiça” no fim de semana de Inverno e da menor vontade de realizar tarefas fora das nossas rotinas habituais ou das nossas obrigações, que nem todas as pessoas sentem de igual forma, a Depressão é algo de mais profundo, mais concreto no diagnóstico e no que toca a sintomas, que não depende apenas do ambiente exterior ou dos dias mais ou menos solarengos.  Para o tratamento da Depressão existem protocolos terapêuticos específicos, diferentes dos criados para lidar com a desmotivação ou a astenia.

 

No entanto, se tem dúvida relativamente aos sintomas sentidos ou às alterações sofridas nestes meses outonais e de invernia, não há nada melhor do que contactar profissionais indicados para o diagnostico dos mesmos.

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publicado às 11:25

Felicidade ou espelho?

por oficinadepsicologia, em 15.10.12

Autor: Gustavo Pedrosa

Psicólogo Clínico

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Gustavo Pedrosa

Com muita frequência nos perguntam se os resultados das cirurgias estéticas e/ou de emagrecimento são realmente tão benéficas e com um impacto tão significativo para a qualidade de vida das pessoas que as fazem como transparecem nos meios de comunicação social. Como em muitas outras situações, invariavelmente a resposta é “depende”… Depende dos objetivos que levam à realização da cirurgia, das expectativas criadas, do meio social e familiar, entre outros.

Toda a estrutura, física e psíquica, é afetada por este tipo de cirurgias, pelo que também a preparação pré-cirurgia é um importante fator de prognóstico.

 

Analisemos então um pouco melhor as cirurgias, por exemplo, as que envolvem redução de peso, como a implementação de uma banda gástrica. Este tipo de cirurgia, cada vez mais comum, procura obter uma melhoria da qualidade de vida do individuo, da sua saúde e das suas relações. Os resultados são, geralmente, muito positivos. Há uma melhoria dos problemas de saúde crónicos, como a diabetes, as doenças cardíacas, o colesterol elevado e a apneia de sono. Também a mobilidade acrescida leva ao aumento da atividade física e consequente melhoria da saúde geral.

 

As relações interpessoais também são beneficiadas. Alguns estudos demonstram que a cirurgia de redução de peso ajuda a reduzir as reações negativas à obesidade por parte da família e amigos, reportando melhorias nas relações e na vida social do individuo, bem como na diminuição de queixas de depressões.

 

Como foi referido no início, tanto as motivações como as expectativas da cirurgia são importante.

Segundo estudos realizados, as motivações para a realização da intervenção cirúrgica passam pela diminuição dos riscos de saúde, melhorar a aparência e autoestima, possibilidade de fazerem atividade física e ultrapassar o estigma de serem obesos. Quer isto dizer, que não são apenas critérios estéticos que guiam a motivação para a intervenção cirúrgica. Pelo contrário, envolvem uma série de situações que levam a uma melhoria geral da Qualidade de Vida e da socialização do individuo.

 

O incremento da autoestima e do autoconceito, associados ao resultado deste tipo de cirurgia, leva a que alguns dos receios sociais sejam postos de lado ou relativizados, levando-os a esquecer os anteriores comportamentos sociais disfuncionais ligados ao estigma de serem obesos.

As expetativas são, na maioria das situações, também elas superadas, pois a todos os benefícios físicos inerente, juntam-se os benefícios na vida social em geral, que levam a uma melhoria percecionada de muitas componentes da qualidade de vida.

 

Com estas alterações, além da saúde, também as relações sociais e, com isso, a qualidade de vida, saem beneficiadas, levando a uma melhoria geral da vivência quotidiana a todos os níveis após a intervenção cirúrgica. Daí se compreende, que após uma vivência marcada por limitações físicas e estigmas, a expressão dos resultados após as intervenções, sejam tidos como muito positivos e indutores de grande felicidade.

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publicado às 20:39

Famílias alcoolicas

por oficinadepsicologia, em 10.09.12

Autor: Gustavo Pedrosa

Psicólogo Clínico

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Gustavo Pedrosa

 

O Alcoolismo (dependência e abuso do álcool) representam um dos maiores problema de saúde publica, que tem atingindo diversas gerações. Como em muitos outras patologias, o alcoolismo é vivenciado pelo individuo e, segundo a perspectiva sistémica, também pela sua família, designando-a de família alcoólica.

O alcoolismo surge, muitas vezes, como estratégia de resolução de dificuldades que o alcoólico encontrou para fazer face ao seu sofrimento, à sua dor mental. Mas o alcoólico leva consigo os elementos do seu sistema familiar para um processo circular, que consome recursos e esforços.

Este forte poder organizacional do álcool cria um elevado sofrimento psicológico em todos os membros da família, especialmente pela dificuldade em encontrarem meios adequados para exprimirem ou formularem um pedido de ajuda.

 

Mas, como se identifica afinal um problema de alcoolismo?

Quando o consumo de álcool escapa cada vez mais ao controlo do individuo, cria-se uma ligação vital ao álcool e aos seus efeitos. Existe então uma perda de controlo sobre o álcool e também sobre a sua vida, levando o alcoólico a controlar o meio para manter os padrões de ingestão.

 

Como afecta a família?

A organização familiar gira em torno do alcoolismo. Assim, a família deixa de se centrar na satisfação das necessidades dos seus membros, passando a orientar-se na manutenção da relação do consumidor com os seus consumos.

Perante isso, o sistema familiar tenta reequilibrar-se, procurando uma vivência em que os papeis e padrões relacionais sobrepõem-se à necessidade dos membros da família. Assim, a família modela o ambiente, capacidades, crenças, valores, identidade e até mesmo a pertença e dependência a esse sistema.

Cria-se então uma perturbação no relacionamento entre o individuo e os seus envolventes. O álcool passa a ser um elemento adaptativo que contribui para a manutenção deste “equilíbrio” da família, e que, pela sua presença, se opõe a qualquer mudança, promovendo a disfuncionalidade.

 

 

 

 

Co-Dependência:

Toda a família fica dependente do álcool. Mas há algumas famílias que resistem à invasão do álcool, pois não aceitam ou rejeitam o comportamento aditivo, levando à rotura conjugal. Assim, o primeiro passo para uma família alcoólica acaba por ser o comportamento do cônjuge , que necessita de aceitar a adição.

 

Na família alcoólica criam-se algumas “REGRAS DISUNCIONAIS”. Essas regras, não estando claras ou explicitas, são criadas, mantidas e vivenciadas por todos os elementos da família. Essas regras são:

 

1 – Regra da Negação: consiste na atitude de banalização, racionalização, de distorção da informação, de ameaças, sedução e confusão hierárquica que ocorre na família. Os estímulos são seleccionados, modificados ou excluídos, e o seu significado alterado ou ignorado, o que impede a resolução do problema. A Negação do problema leva ao bloqueio da pessoa com informação, pois ela não a revela ou faz uso dela.

Surgem então os segredos familiares, que consistem na paralisação da história e evolução da família, moldam as relações, claras ou encobertas, as divisões, as rupturas e definem os limites. São factos que toda a família conhece, mas que cada qual acredita que é o único, ou um dos únicos a sabe-lo, não sendo por isso nunca falados. Encobrem o significado e a consequência do comportamento disfuncional (beber) e distorcem a comunicação na família, bloqueiam as interacções dos seus membros e retiram a confiança.

É proibido saber e é proibido esquecer o segredo.

 

2 – Regra do Silêncio:

É uma causa e uma consequência, em que a nomeação das necessidades próprias, desejos, emoções e sensações está pouco presente.

A expressão verbal relativa ao que  cada um compreende e sente é muito limitada e a expressividade inibida. Existe o medo de falhar, de se enganar, não havendo palavras credíveis, e a dúvida instala-se.

As interacções são negativas e centradas na censura, o que favorece a vergonha e culpabilidade.

 

3 – Regra do Isolamento:

Os elementos familiares aprendem a não interagir uns com os outros (sejam da mesma geração ou entre gerações).

A crise, quando surge, pode ser salutar, servindo para pedir ajuda e manifestar alguma abertura recorrendo a intervenientes exteriores (vizinhos, autoridades, médico, psicólogo, urgência...).

 

4 – Regra da Rigidez:

Aqui surge simetria de comportamentos, ou seja, as relações são baseadas num comportamento similar (em espelho). O reforço de um comportamento de um elemento, reforça o comportamento semelhante do outro, e assim se minimizam as diferenças.

 

Surge também comportamentos de complementaridade, ou seja, a relação baseia-se na diferença; o comportamento de um ajusta-se ao comportamento do outro.

 

Ao nível relacional, o alcoólico caracteriza-se pela excessiva simetria. Os hábitos de beber pela rivalidade e pela semelhança – beber tanto quanto o outro, cada um paga uma rodada e mostrar ao outro que se é tão capaz quanto ele.

Assim, quanto mais o sistema repete que deve parar de beber, mais o alcoólico quer provar a sua força em resistir. Quanto mais o alcoolismo se agrava, mais a família tende a complementar, exercendo autoridade e protecção. 

A mudança na família pode surgir do co-alcoólico, que começa a ter em conta as suas necessidades, os seus desejos, deixando de estar orientado para as necessidades do alcoólico.

Podem surgir assim comportamentos de controlo dos consumos por parte do cônjuge, havendo quase como uma infantilização do alcoólico, que fica sem poder se decisão.

 

No alcoolismo a Intervenção Terapêutica centra-se, inicialmente, na criação de um sistema terapêutico.

Tem que ser feita uma análise da cultura familiar, padrões, estilos, costumes, segredos, mitos e problemas. Há então que compreender como se articulam os factores que bloqueiam a historia familiar e criar uma historia familiar onde o alcoolismo não constitua o ponto central de todas as relações familiares.

O terapeuta terá que demonstrar que equilíbrio familiar é possível e que a mudança não implica o caos.

Terapêutica introduz no sistema conteúdos relacionais com os seus próprios modelos, significados e sistemas de relação.

Há que haver cuidado especial na desintoxicação, que poderá levar à depressão, tanto no alcoólico como no cônjuge.

Por fim há que explorar a função do álcool nas problemáticas do casal e do individuo.

 

O processo tem em conta alguns condicionalismos, como:

a) Eventualidade de uma separação;

b) Autonomia dos filhos;

c) Dificuldade do casal na expressão de afectos e emoções;

d) Capacidade de viverem como um casal sem um terceiro elemento;

e) Medo do alcoólico ser engolido pela “família perfeita”.

 

 

Concluindo, é fundamental reconstruir as relações com os outros, com a família, com o terapeuta e resolver os assuntos inacabados (segredos). Promovem-se assim as narrativas com mais proactividade, que possibilitem conviver de forma mais gratificante, saudável e autónoma.

 

Baseado em:

Pires, U. (2009). A família com um membro adulto alcoólico. Mosaico, 43, 36-42.

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publicado às 12:20

A deficiência e a família

por oficinadepsicologia, em 30.08.12

Autor: Gustavo Pedrosa

Psicólogo Clínico

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Gustavo Pedrosa

A chegada de uma criança com deficiência geralmente torna-se num momento bastante traumático e de mudanças, dúvidas e confusão. A maneira como cada família lida com esse evento influenciará decisivamente na construção da identidade do grupo familiar e, consequentemente, na identidade individual dos seus membros. O próprio grupo familiar é obrigado a desconstruir os seus modelos de pensamento e a recriar uma nova gama de conceitos que absorva a realidade.

 

A família tem o papel social de criar e desenvolver a individualidade, num sistema onde se busca a autorrealização dos seus membros. Com o nascimento de um filho com deficiência (física ou mental), a sua estrutura razoavelmente estável, a definição de papéis e o estabelecimento de regras, de acordo com os seus próprios valores, exige aos seus membros uma redefinição desses mesmos papéis, de acordo com os novos valores e padrões de comportamento, para se ajustarem ao novo estilo de vida. Na criação de novas regras, papeis e capacidades, a família, geralmente confusa, necessita de algum aconselhamento psicológico. No entanto, a maioria das famílias aprende através da tentativa e erro. A cada mudança, impacto ou crise, a família deverá ser restruturada.

O nascimento de uma “criança especial” traz muitas mudanças especiais. Na reação a esta criança podem surgir diversos tipos de reação:

- Encarar o problema de um modo realista;

- Negar a realidade da deficiência;

- Lamentações e compaixões dos pais, para com a sua pouca sorte;

- Ambivalência em relação à criança, ou seja, rejeição e projeção da dificuldade como causa da deficiência;

- Sentimentos de culpa, vergonha e depressão e padrões de mútua dependência.

 

Geralmente são vivenciadas fases distintas, de negação, adaptação e aceitação.

 

A primeira fase é de Negação. Os pais não querem acreditar no diagnóstico, não se encontrando a família preparada para conviver com algo dessa natureza. Até porque, a família esperava o nascimento de um bebé saudável, sem problemas. Os sentimentos de culpa, rejeição ou desespero, alteram as relações sociais da família e a sua própria estrutura. Os sentimentos de culpa e vergonha pela criança deficiente levam a que os pais se sintam culpados e envergonhados por os sentirem. Todas estas reações são comuns a todas as pessoas, perante situações de frustração e o conflito. Assim, muitos dos sentimentos destes pais são compartilhados por outros pais em diversas fases da sua vida. O receio da reação da família alargada, e da sociedade em geral, ligadas às dificuldades em conviver com as diferenças, leva a família a isolar-se. Algumas famílias lançam uma interminável busca por outros diagnósticos que possam negar a deficiência. Esta fase pode prolongar-se por dias, meses ou anos.

 

Depois desta fase, os pais começam a perceber que o seu filho apresenta necessidades que necessitam de ser atendidas prontamente.

Inicia-se então a segunda fase, de Adaptação, quando a família elaborou a perda (fez o luto) da “criança saudável” previamente concebida no imaginário familiar, começando a adequar-se ao diagnóstico, procuram informar-se e entender o mesmo. A família começa a perceber o deficiente como um ser humano genuíno, integral e pleno de significado.

 

Na fase da Aceitação acontece um maior e mais realista contacto com a criança e a sua deficiência. Os pais tronam-se mais participativos, procurando mais apoio, sugestões e esclarecimento. Alguns reconhecem que a tristeza e a frustração são sentimentos que devem ser encarados com naturalidade. Em geral ainda apresentam uma postura superprotectora, mas que com o tempo tende a diminuir.

Quando a criança com algum deficit deixa de ser vista pela sua deficiência e passar a ser entendida como uma pessoa integral, decorre um novo olhar, atitudes e posturas.  

 

Os pais podem entrar em contacto com a deficiência do seu filho de várias maneiras. Poderá ser muito antes de o bebé nascer, quando são feitos exames na fase pré-natal. Mas grande parte das deficiências é apenas diagnosticada após o parto.

Independentemente do momento em que os pais entram em contacto com a deficiência do seu filho, e de quão fortes e maduros possam ser, essa é sempre uma situação envolta em muita dor, medo e incerteza. Além da família, também os técnicos de saúde têm dificuldades em lidar emocionalmente com o diagnóstico e a sua transmissão aos familiares. As atitudes destes técnicos são tão diversas como:

- Omissão e transferência para terceiros (outros técnicos de saúde);

- Transmissão da notícia de forma destrutiva, como se os pais não devessem esperar nada da criança;

- Minimização dos problemas, prometendo um futuro fantasioso;

- Transmissão da notícia de forma impessoal e distante, sem explicações do problema e sem empatia.

 

O ideal é que o profissional tenha conhecimento técnico da sua área e que possa ter uma atitude de empatia com a família. A família necessita de ser informada e encaminhada para a resposta às necessidades da situação.

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publicado às 09:50

A poesia e a psicoterapia

por oficinadepsicologia, em 21.03.12

Autor: Gustavo Pedrosa

Psicólogo Clínico

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Gustavo Pedrosa

A criação do poema é tangente ao inicio do processo terapêutico. 

 

Estabelecemos um objectivo e, com base no sonho, emoção e sentimentos, damos cor e vida a uma sincronia de palavras e frases, dançando com estímulos, personagens e caminhos, que tentamos ordenar numa mistura entre o real e o que é apenas percepção.

Descrevemos sentimentos, desejos e o que antecipadamente imaginámos, mas o mais complexo é confrontarmo-nos com a definição da nossa própria personagem.

 

Como no filme "Florbela", no qual o evoluir das cenas permite ouvir o queimar dos cigarros com maior intensidade, como uma aliteração que nos transporta para a vivência do texto, também o terapeuta, durante o relato, se serve da empatia para a vivência de uma vida que não é a sua. 

São caminhos de um mapa claro e fácil, pelo menos na ideia inicial, na inspiração. No final, mesmo sem nada rimar, mesmo sem ponto em comum com o pretendido, tudo nos faz sentido.

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publicado às 10:37

Autor: Gustavo Pedrosa

Psicólogo Clínico

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Gustavo Pedrosa

Nas famílias actuais, o stress laboral (relativo ao emprego) é um factor de particular importância. Um cônjuge apoiante, é sem dúvida um elemento de grande estabilidade no casal, mas, e quando ambos os cônjuges estão expostos a este stress?

 

O stress laboral tem impacto em todo o sistema familiar, resultando numa das principais causas de divórcios. No actual contexto social, com ambos os cônjuges empregados e submetidos a uma elevada exigência laboral, é importante perceber o efeito desse factor no sistema familiar.

O bem estar resultante de cônjuges apoiantes pode ser perceptível na vivencia familiar e, também, no emprego. Num estudo conduzido por Wayne Hochwarter, da Universidade Estadual da Flórida - College of Business, foi possível verificar a importância do apoio do cônjuge, independentemente do tipo de emprego e da sua  exigência laboral.

 

No estudo identificou-se que os casais que relataram altos níveis de stress, mas com um apoio conjugal forte, em comparação com casais com elevado stress, sem esse apoio, demonstraram os seguintes benefícios no sistema familiar:

  • Melhores índices de satisfação com o casamento (incremento de 50%);
  • Menor sentimento de culpa associada a negligência familiar ou doméstica (redução até 30%);
  • Probabilidade 30% menor de criticar a família (cônjuge, filhos);
  • Maiores índices de satisfação com a quantidade de tempo passado com os filhos (mais 25%);

Também ao nível laboral foi possível identificar os seguintes benefícios:

  • Maior probabilidade de relações positivas com colegas de trabalho (aumento de 33%);
  • Maiores níveis de concentração no trabalho (mais de 25%);
  • Menor probabilidade de se sentir cansado após o trabalho (redução descrita de 25%);
  • Melhor percepção da progressão das suas carreiras (melhoria de 20%), e
  • Níveis de satisfação no trabalho 20% mais elevados.

 

 

A incapacidade de criar um suporte conjugal para lidar com o stress laboral resulta num retorno ao local de trabalho com uma agitação ainda maior. Esse apoio, deverá ser criado por ambos os cônjuges, para que algumas tentativas de apoio não possam sair frustradas, piorando a situação.

 

Foram identificados alguns dos factores que distinguem o apoio favorável, do apoio desfavorável. O apoio favorável tem um impacto profundo e de longa duração, com várias características, que incluíam:

  • Ter consciência das exigências do trabalho diário do cônjuge (isto é, pressões de tempo, falta de recursos, prazos e supervisores).
  • Compreender que a comunicação é possível, independentemente das circunstâncias.
  • Reconhecer que o afastamento ou a agressividade não são comportamentos funcionais para obter ajuda.  Na verdade, tendem a piorar a comunicação, resultando no distanciamento e agressividade do cônjuge.
  • Ser capaz de equilibrar emocionalmente o cônjuge – alegrá-lo quando está deprimido e acalmá-lo quando está excessivamente agitado.
  • No ambiente familiar, não queixar-se sobre acontecimentos pouco relevantes do trabalho.
  • Não criar uma “competição” de quem teve o dia pior.
  • Ser racional e não conotar automaticamente o cônjuge como o “mau da fita".
  • Não manter um registo do que se dá e do que se recebe do cônjuge.
  • Não ter uma atitude exigente.

Quando ambos estão stressados do trabalho, devem manter-se os recursos mentais e emocionais necessários para ajudar o cônjuge. Nos casais bem sucedidos, os cônjuges conseguem lidar com o seu próprio stress, e quase sempre mantêm de reserva um fornecimento de suporte, para ser aproveitado em dias particularmente exigentes.

 

Os homens e as mulheres diferem nos comportamentos de apoio preferidos. Em geral, as esposas apreciam ser ajudadas nas tarefas domésticas; sentirem-se apreciadas, e receber manifestações de carinho e afecto. Os maridos, por sua vez, são mais propensos a responder positivamente às ofertas de ajuda, e a sentirem-se apreciados e necessários. No entanto, ambos apreciam a ajuda do cônjuge em conseguir algum tempo afastado do trabalho e dos problemas familiares, para simplesmente descansar e recarregar baterias.

Em qualquer relação, quando o stress está presente tem o potencial de unir ou de separar as pessoas. O estudo referido demonstra esta informação no que respeita ao stress laboral. É também evidente o papel fundamental da comunicação e da confiança entre os cônjuges, de forma a criarem uma base de relacionamento mais estável.

 

 

Hochwarter, W. (2012) “In Sickness and in Health: Importance of Supportive Spouses in Coping With Work-Related Stress“. 

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publicado às 15:42


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